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Cartas

VIVO NUM MUNDO PARALELO...DESDE SEMPRE

VIVO NUM MUNDO PARALELO...DESDE SEMPRE

-----Original Message----- From: VIVO NUM MUNDO PARALELO...DESDE SEMPRE Sent: terça-feira, 2 de março de 2004 11:32 To: contato@caiofabio.com Subject: NAMORO, TENHO AMIZADES, TUDO NESSE “LUGAR MENTAL” Mensagem: Bom dia, Pastor! Agradeço a Deus por sua vida, por ser tão "humano " como todos nós, sujeitos a falhas. Mas louvo a Deus por saber que você conhece a Graça e o perdão de Deus, e com essa experiência poder continuar nos ajudando com tanta eficácia. Gostaria que me orientasse como devo agir com uma mania, ou vício, que tenho desde criança: Sempre gostei de sonhar acordada. Crio em minha mente estórias, sempre românticas, sendo sempre eu a personagem principal. Vou dando sempre um novo capítulo a cada dia. Quando percebo já, tem mais de mês que estou criando a mesma estória. Isso começou quando eu gostava de um garotinho da minha rua; nunca namoramos e sempre gostei dele na minha infância, adolescência e parte da minha juventude. Por ser tímida, quase nem conversava com ele. Bom, esse tempo passou, namorei outros rapazes, casei, tenho filhos, e hoje estou com 49 anos, e continuo com essa mania; nunca parei. Olhando o lado positivo, até já escrevi uma estória, mas percebo que sempre que não estou bem comigo mesma, me isolo e começo a dar asas a imaginação, criando minhas belas estórias. Meu par romântico sempre é um homem que invento, maravilhoso, é claro; ou esse menino, agora um homem. Tem muitos anos que não o vejo. E tenho um bom relacionamento com meu marido. Eu amo meu marido. Quando percebo, vivo mais da imaginação do que da realidade. Acho que isso não é normal. Parece uma coisa boba, mas pode não ser. Nunca comentei isso com ninguém. Obrigada pela ajuda . ***************************** Resposta: Querida amiga: Paz Real sobre você! Conheço essas estórias mais de perto do que você imagina. Convivi muitos anos com uma pessoa que era exatamente assim, e vi os estragos que isto causa com o tempo. Os males que daí advêm são os seguintes: 1. A criação de um mundo paralelo, e que freqüentemente tirará você da realidade, mesmo quando você não estiver notando...mas estará viajando. 2. Essa coisa tem o poder de afastar a pessoa da realidade dos vínculos presentes. A pessoa com a qual convivi era legal, mas muitas vezes era vista como um ser sem interesse na vida, nas coisas, no marido e até nos filhos. E, num certo sentido, ela acabou ficando de fato sem muito interesse. E isso fez muito mal a ela e à família. 3. O resultado é que todo mundo sai perdendo. Os filhos ficam largados...mesmo que amados; e o marido se sente acompanhado por uma “nuvem de testemunhas” o tempo todo. No fim, especialmente quando ele vem a descobrir as razões das viagens, o sentimento que causa é muito ruim. Portanto, se possível, resolva isto sem falar a ele. Ninguém gosta de saber que o “parceiro ideal da esposa é um outro cara maravilhoso”, mesmo que imaginário. 4. Enfim, a pessoa ficou tão presa nesse mundo paralelo que os próprios filhos passaram a não contar com ela. Ela não sentia o que estava acontecendo, mas os outros sim. 5. Quando eu soube o que acontecia, conversei com ela, e disse-lhe que aquilo tinha cura, mas que dependia de um exercício dela de reconcentração na vida real. 6. Ela acabou escrevendo também. Escreveu duas histórias. E, de acordo com o que sei, melhorou significativamente daquele paralelismo mental. 7. O perigo da manutenção disso—além dos riscos que traz para a criação dos filhos, o casamento e as relações humanas em geral—, é que, com o passar do tempo, e com a chegada da velhice, tem gente que “vai...e não volta.” Por isso, enquanto é dia, pare com isto. Dá algum trabalho, mas não é nada que não possa ser controlado. 8. Se você tiver dificuldade em mudar essa inclinação, procure um terapeuta e conte tudo. Ele saberá como ajudar você no dia a dia. Há muitos exercícios mentais a serem feitos, e os resultados serão bons. Receba o meu carinho. Nele, que é a Verdade, Caio