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Cartas

EU E MINHA AMIGUINHA FAZÍAMOS SEXO ORAL NO PAI DELA

EU E MINHA AMIGUINHA FAZÍAMOS SEXO ORAL NO PAI DELA



 

 


----- Original Message -----
From: EU E MINHA AMIGUINHA FAZÍAMOS SEXO ORAL NO PAI DELA: uma história de compulsões!
To: contato@caiofabio.com
Sent: Thursday, April 20, 2006 1:10 PM
Subject: A mulher agredida pelo EX


Olá Caio!


Sou aquela mulher violentada pelo ex-marido. Vou contar-lhe minha história. Desculpe é longa.

Na infância sofri abusos sexuais do pai de uma amiguinha e amigo da família. Ele me tocava, fazia sexo oral e nos pedia para fazer nele (eu e sua filha). Um dia contei pra minha mãe e ela não fez nada, só pediu que eu não falasse com meu pai, pois temia a sua reação.

Sempre tive relação complicada com ela. Sentia um amor tão grande pelo meu pai; ele me amava, mas era seco. Aos 7 anos ele sumiu de casa. Nos abandonou sem dar explicação.

Aos 11 anos meu 1º namorado, 10 anos mais velho. Após este, tive vários. Aos 15 anos saí com um rapaz que eu mal conhecia. Ele me deu muita bebida e eu só descobri que tinha tido “minha primeira vez” porque 3 meses depois estava grávida. Não tive coragem de desafiar minha mãe, que me obrigou a fazer um aborto. Digo obrigou pois eu não tive nem chance de pensar em outra opção. Soube da gravidez num dia, e no outro minha mãe colocava Citopec no meu colo de útero.

Após isto fui muito promíscua. Transava com caras que eu sabia só queriam sexo. Cheguei usar drogas.

Aos 17 anos fui para igreja evangélica. Deus me salvou. Conheci meu marido. Ele tinha 30 anos e gostou de mim no instante que me conheceu (eu atraio os homens); eu só o considerava um amigo. Após uns 4 meses de amizade, me pediu em namoro. Recusei e disse que queria estudar, me formar. O fato é que eu não gostava dele como homem. Passaram uns 5 meses e ele continuava “ na área”. Após um período de sumida dele, quando apareceu, nós ficamos pela primeira vez. Lembro-me de como ele acariciou meu rosto após o 1º beijo. Senti tanta ternura. Namoramos. Contei a ele toda minha história. Após ouvir tudo, disse: “Você já sofreu muito; agora vou te fazer muito feliz.” Pensei: “É com este homem que vou casar.” Nosso namoro tinha sexo. Eu sentia culpa pelo pecado e ele achava natural. Eu achava pecado tomar cerveja, ouvir música do mundo; ele, de raiz presbiteriana, era liberal. Hoje vejo que ele tava certo e eu errada.

Casei por amor (eu acho) e para aliviar a culpa do sexo pré-marital. Talvez pra sair da casa da minha mãe também. Fui morar em outra cidade, onde ele morava há alguns anos. Antes de casar ele perdeu tudo que tinha e não me contou. Tivemos um início difícil. Sem dinheiro, cidade estranha pra mim, sem amigos e meu marido que já era uma pessoa calada por natureza, ficou ainda mais com esse problemas.

Sexo também não tinha. Hoje eu entendo que eram os problemas que influenciavam, mas na época eu não tinha sabedoria pra entender isso e cobrava muito. Daí vinham as brigas e após elas o silêncio dele.

Eu sou impulsiva, sabe? Sou de brigar e depois fazer as pazes, no mesmo dia. Ele, talvez por ter uma sensibilidade maior, brigava e ficava semanas frio. Nessa época me masturbava muito e quato mais tentava me livrar desse pecado, mais forte ele ficava. Pensava em “outros” nesse momento. Comecei, EU COMECEI, a compartilhar fantasias com ele. Ele também soltou as dele. As recorrentes eram: swing; e ele comigo e outra mulher juntos. Após o sexo eu tinha crises de culpa e demonizava tudo. Ele não achava nada estranho e dizia ter coragem para realizar as fantasias. Eu fazia correntes, campanhas e seguia todo conselho que aparecia na igreja. Todos viam que tínhamos problemas; ele muito seco e calado; e eu agressiva e mandona.

Havia momentos bons também. Ele dizia que gostava quando eu era meiga e que com jeitinho eu o levava em qualquer lugar. Ele me dava de tudo, era amigo (embora nunca penetrou no meu íntimo). Sexo era pouco, e para ser bom, tinha que ter fantasias.

Se eu não fosse boa, ele me punia com silêncio e frieza. Eu sempre quis mudar e sempre cobrei dele mudanças. Nenhum dos dois conseguiu.

Após o nascimento do meu filho, tive depressão e muita insegurança. Isso se manifestou com muito ciúme e agressividade (Ele nunca me traiu). Essa foi a época das brigas quentes. Meu ego, Caio, é um trator que atropela as pessoas e as machuca, usando as palavras.

Eu tentava tudo para salvar meu casamento. Ouvi falar do Casados para Sempre; conhece? Ele era arredio a essas coisas. Nunca aceitou ir a terapia comigo e ia quase obrigado ao Casados Para Sempre.

Um dia ouvi da própria líder: - A indiferença dele incomoda a mim que o vejo uma vez por semana; imagine você?
 
Eu ia no “descarrego”, queimava objetos “do diabo”. Estava cega pela religião.

Um dia conheci um homem que me atraiu pela atenção que me dispensou num trabalho que estava executando. Rapidamente houve uma química. Ele disse umas palavras, tocou de um jeito e BUM! Eu estava louca por ele... Queria aquele homem desesperadamente. Uma paixão tão intensa quanto cega, como eu nunca tivera antes.

Parêntese. Sou tipo 8 eneagramático. (Gurdijeff). Isto quer dizer: movido pela paixão, pelo instinto, busca intensidade, agressivo e sem nenhuma ética moral. Para esta máscara, não se quebra as regras, pois, elas não existem. Usa-se as pessoas e tem-se grande capacidade de persuadir. Fecho Parêntese.

Disse para meu marido que estava disposta a concretizar todas as nossas fantasias e a 1ª delas seria: Cada um ficaria com quem quisesse; só uma vez. Na verdade eu só queria oportunidade de ficar com aquele homem e não sentia ciúmes de pensar no meu marido com outra. Ele aceitou. Me levou na rodoviária para pegar o ônibus e me encontrar com o outro. Sei da minha culpa, mas ele também tem sua parcela. Eu disse antes de ir: “Se você me pedir, eu não vou.” Mas a vontade dele de satisfazer as outras fantasias, fazia ele pagar o preço dessa. A velha história: Eva deu a fruta e Adão comeu porque quis.

Naquele final de semana eu me apaixonei e pedi que o outro esperasse eu me separar. Durante todo tempo, pensava em ter um vida boa e normal com meu “verdadeiro” amor. ( Hoje, a decepção toma a mesma medida que teve a expectativa. )

Meu marido não conseguiu “pegar” ninguém e me proibiu de ver o outro. Eu continuava escondido, claro. Íamos mantendo o casamento, de minha parte, só aparências. Me envergonho muito do que fiz, das mentiras, das armações. Isto me traz muita culpa e dor.

Um dia meu marido conheceu uma mulher. Eu quase morri de ciúme, embora eles não tivessem ficado. Eu pedia pra voltarmos atrás e ele não aceitava, pois tinha direto de ter um caso de 6 meses, como o meu. Dizia que eu sempre acho que as coisas tem que ser do meu jeito e que ele não ia parar só porque eu queria – ele tinha razão.

Terminei meu caso e lutava contra a paixão (a tratava como pecado e não como pulsão, isto só a alimentou).

A tal mulher queria que eu também fosse ao encontro, eu não aceitava e dizia que queria voltar pra igreja. Um dia ele falou: “Não casei com pastora, gosto de mulher safada.”

Pedi a mulher que deixasse meu marido em paz e ela aceitou na hora. Ele ficou uma fera comigo. Então, para assegurar a ele o direito de fazer o que eu fiz, eu liguei pra ela e disse que permitia os dois transassem. Ela nos contou que seu casamento acabou por causa de fantasias, que tinha transado com mulher e agora não conseguia largar. Nos aconselhava a não fazer, mas se quisessemos, ela tava lá.

De uma hora para outra eu me envolvi e comecei a desejar fazer. Transamos por telefone e meu marido assistiu tudo com muito prazer. Ele queria logo marcar o encontro dos 3, eu queria mas tinha medo.

Falava com ele sobre as conseqüências disso na vida do nosso filho e na minha; pois tinha muito medo de viciar naquilo. Ele falava que não tinha nada a ver. Graça a Deus que eu não fiz.

Pedi o divórcio e apanhei muito nesse dia. (Note que ele não me bateu pelo caso em si, mas quando pedi o divórcio). Logo após a surra, me obrigou a masturbá-lo. Ele gozou enquanto eu chorava. Disse que não daria o divórcio e que faria da minha vida o inferno que eu fiz na dele.

Ameaçava, humilhava, dizia: “Sempre quis bater em mulher, agora gostei.”

Minha mãe interferiu na história e nos reconciliamos. Será que ele me amava tanto para perdoar e só eu não vi?

Ele não mudou de idéia quanto a ter um caso e eu morria de ciúme. Se o celular dava na caixa postal, era uma briga. Um dia ele disse que não agüentava tanta briga e pediu o divórcio. Chorei muito, mas foi aí que conheci seu site e ele foi um bálsamo. Indiquei a leitura pra ele, mas ele respondeu que você não tem moral pra ensinar a ele. Ele ficou morando em casa uns 2 meses e nesse período aconteceu o que já lhe falei: ele me violentou. Quando ele saiu eu já tava com o outro novamente e não demorei pra assumí-lo. Sei que o humilhei fazendo isto.

Sofri no meu divórcio e temo que o sofrimento não tenha fim. Pelo meu filho, que perdeu sua família por causa de uma paixão da mãe. Por todos os estratagemas que usei durante esse tempo. Por não ter sido a esposa certa, por EU ter começado tudo. E por ai vai.

Meu namorado é uma ótima pessoa, honesto, carinhoso, me ama, quer casar, mas já faz uns dois meses que a paixão acabou e parece que não sobrou nada. Quero terminar por achar que não o amo, mas também pode ser para nos punir pelo que fizemos ao outro.

Sabe, estou num processo de autoconhecimento que tem me ajudado muito (Eneagrama). Seu site também faz parte desse processo. Mas tem tantas dúvidas que me assombram. Tantos se...

Sonho quase toda noite que estou agredindo meu ex-marido por ciúmes. Descobri que ele tá com uma pessoa e fiquei irada. O que é esse ciúme? Essa raiva?

As vezes choro lembrando dos momentos bons. Sinto falta de sua compahia, das coisas que fazíamos juntos, do cuidado. E principalmente, sinto falta da minha família.

Fiz tantas tentativas erradas e agora que meus olhos se abriram é tarde demais.

Será que eu o amo, ou amei um dia?

Este caso que chamei de amor, foi simplesmente a síndrome da lua de fel. Durou os exatos 18 meses que dura uma paixão.

Será que tinha cura aquele casamento ou nós só faríamos mal um ao outro por toda vida?

As circustâncias da separação também me machucam. Foi traumática demais.
Fui cruel com ele. Uma psicóloga nos aconselhou a fazer uma terapia antes de separar. Se não salvasse o casamento, pelo menos ia sarar as feridas antes de separar. Mas eu não quis, pois estava afoita por assumir o outro, e tinha medo de demorar mais e perdê-lo.

Como você avalia tudo que te contei?

Qualquer coisa que você puder me falar eu agradeço sinceramente, mas antes, peço ao Pai das luzes que não faça como eu quero, e sim conforme Sua Boa, Perfeita e Agradável vontade.

Como você avalia tudo que te contei?
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Resposta:

Querida amiga: Graça, Paz e Saúde emocional!

 

Como avalio? Ora, o site está cheio de avaliações de situação semelhantes. Porém, ante sua carta e esforço para escrevê-la, direi algumas coisas que sei que você já sabe.

1º Sua história sexual na infância está presente até hoje.

Ser abusada pelo pai da amiga e junto com ela, fazendo sexo oral no bicho-pai da garota, estabeleceu um padrão perverso para a sua sexualidade. Ora, esse foi o seu primeiro swing. E não se deve brincar com as conseqüências de tais coisas. De fato, a gambiarra que isso deixa é do tamanho de todas as taras possíveis. Portanto, a primeira coisa é saber que fonte psicológica é essa; e também que tal situação demanda muita vontade a fim de se encontrar a cura. Não é possível fazer sexo oral num homem, na infância, junto com a amiga-filha-dele, e esperar saúde emocional, sexual e afetiva. Assim, saiba: você precisa se tratar de modo muito sério. Se você me disser onde mora, posso tentar ajudar você a encontrar um terapeuta sério e qualificado.

2º Sua iniciação sexual perversa tem determinado sua atitude ao longo de sua vida.

Prova disso é a tesão-aflita-raivosa que você tem em relação às fantasias à três. Você as odeia tanto quanto as deseja. O ódio vem da memória emocional do abuso infantil e da reação de seus pais: nenhuma. A tesão vem do fato de que você, paradoxalmente, gostou com raiva. E como é isto? Ora, tais coisas tanto viciam quanto também produzem pulsões correspondentes à própria raiva. De tal modo que, em geral, quanto mais uma pessoa odeia algo, mas revela a pulsão latente que a impulsiona para aquilo mesmo.

3º Sua ida para a “igreja”, a qual você descreveu com um “Deus me salvou”, não salvou você de nada.

Ora, quando digo “não salvou você de nada” não estou dizendo que você não verá o reino do amor de Deus (essa é outra história), mas sim que não curou a sua alma. Afinal, quando Jesus diz “tua fé te salvou”, literalmente Ele diz: “Tua fé te curou”; pois, a palavra grega usada no NT é eqüivalente a curar. E nesse sentido a “igreja” deu a você aquela salvação de “mão erguida”, que põe a pessoa no livro de membros da “igreja”, mas que não muda a vida em coisa alguma. Prova disso é a sua história com o seu ex-marido “crente”.

4º Sua fixação em sexo é doentia.

E não adianta dar essa “receita de vespa” (que tem na “natureza” o impulso incontrolável de transar), abrindo aquele “Parêntese”; pois, aquilo ali, até aqui, foi visto por você como uma explicação de natureza cármica; estilo Gabreila Cravo e Canela: “Eu nasci assim, vou viver assim, vou morrer assim... sempre Gabriela!” Nada adia mais a cura do que tais explicações; especialmente quando elas são confessadas na base do “eu sou assim”, conforme você fez. Aceitar que seja assim é auto-decretar sua calamidade. O Evangelho não aceita carmas. E nem tampouco estimula ninguém à resignação com a doença de alma e de comportamento.

5º Sobre seu atual namorado, saiba: você não o ama, mas apenas o usa, e isso por medo de ficar só, que é o seu maior problema desde sempre.

Ora, tal fato (medo de ficar só) tem a ver com um pai que se foi e nunca mais voltou e como pai-bicho de sua amiga. Prova disso é que seu primeiro namorado mais sério era bem mais velho que você. Assim, temos dois homens velhos em sua vida: o pai que não voltou e o pai da amiga que viciou você. É dessa fusão que vem a tesão aflita e raivosa que a acomete até hoje. São esses dois “pais”, o que deixa e o que usa sexualmente, os montros psicológicos que a perturbam até hoje.   

6º Sobre seu ex-marido, o que tenho a dizer é que vocês já deram o que tinham que dar... e foi péssimo...

Não creio que vocês consigam jamais se fazer bem. Uma doença grave se instalou em vocês, a qual é retroalimentada no processo relacional de vocês. Ele está muito doente de alma. E você também. E não há amor entre você, e, provavelmente, nunca houve. O que ele gosta é de mulher putana, e ele sabe que você carrega essa pulsão em você. Assim, é espantoso como sua mãe entrou na história outra vez a fim de deixar tudo como estava, à semelhança do que ela fez na sua infância, no caso do pai de sua amiga. Sua mãe é muito doente de alma também. Saiba, porém, uma coisa: quem ama não faz isto nem morto!

7º Sobre ciúmes de seu ex-marido, o que ele revela não é amor, mas posse e fetiche.

A relação de vocês se tornou objética, e o que você sente é “posse” em relação ao homem ao lado de quem você adoeceu ainda mais profundamente. De fato, tanto você quanto ele desenvolveram uma relação sado-masoquista.

8º Sobre eu não ter “moral” para ensinar qualquer coisa ao seu marido, saiba: é verdade.

É verdade porque não creio em moral, mas em verdade e vida. Além disso, não tenho como ajudar um surubento que olha para um homem que se divorciou um dia... já há muito tempo atrás... e diz: “Ele não tem moral para me ensinar nada”. Sim, porque não tenho essa “moral” do swing, da suruba, da relação à três, e, muito menos, não possuo a capacidade de propor que qualquer outra pessoa participe de minha vida íntima. E saiba: mesmo quando era jovem, e vivia em profunda promiscuidade, jamais aceitei tais práticas; e o que mais havia à minha volta era esse tipo de prática. Manaus e Copacabana na década de 70 eram o paraíso para tais doenças sexuais. Assim, veja: é o surubento quem diz que não tenho moral para ajudá-lo. E por que? Porque ele precisa que eu não possa. Afinal, ele não quer.

9º Acerca de suas “capanhas de descarrego” e coisas derivadas de tal paganismo-evangélico, o que tenho a dizer é que as pessoas mais promíscuas que conheço são os crentes que viveram sob a Lei, chamando tudo de pecado, até que tudo virou doença do pecado mesmo.

Enquanto você tratar as coisas de modo moral, mais imoral você se tornará. E tal processo só será estancado quando você lidar com isso como pulsão de sua alma adoecida, e não como uma transgressão aos padrões estabelecidos. Sim, porque quanto mais moralista é a alma, mas imoral ela será. Se você reprime com culpa a sua consciência, o resultado é que o inconsciente explodirá em lavas de pulsões que se tornarão comportamentos cada vez mais santarados. Portanto, quanto mais “campanha”, mais tara. E disso, saiba: ninguém foge; pois é assim que a alma é.

O que fazer então?

1º Comece a ler o NT todo, de cabo a rabo; e sempre pedindo ao Espírito Santo que ilumine os porões de seu ser.

Porém, tal leitura só terá valor se você deixar de lado a neurose religiosa e culposa e mergulhar de cabeça na Graça de Deus. Ora, neste aspecto, recomendo que você leia o meu livro “Sem Barganhas com Deus”, pois sei que ele lhe será de extrema utilidade libertadora.

2º Sua cura só será possível se você se entregar e descansar na Graça de Deus.

A GRANDE questão é que a Graça é um problema para os cristãos desde o inicio. Ela é um problema na mesma medida em que por ela a Verdade nos Liberta, conforme o testemunho do Espírito de Deus em nossos corações.

Toda-via, quem, de fato, quer cura e libertação?

O problema da Graça é a liberdade que ela gera. Liberdade é apavorante, nos deixa sem chão, nos obriga a andar com as próprias pernas, concede-nos a benção de pensar, sentir, discernir e nos julgar.

O problema da Graça é que ela nos faz profundamente auto-conscientes e, ao mesmo tempo, nos dá a certeza de que diante de Deus a única voz que se faz ouvir não brota dos meus lábios, mas de minha consciência.

A Graça gera auto-consciência! E quem deseja ter uma? Muito pouca gente!

A maioria não deseja ter que decidir e assumir a responsabilidade de ter exercido a sua própria consciência diante de Deus e dos homens, e, sobretudo, diante de si mesmo.

Portanto, quanto mais Moral é um ser, menos consciência pessoal ele tem!

Consciência pressupõe a pre-existência de liberdade, e, esta, só se manifesta em plenitude na Graça, pois, é somente nela que se perde o medo de ser!

A questão é que a maioria das pessoas pensa que liberdade induz ao erro.

Nenhum erro poderia ser maior!

Paulo nos ensina que quanto mais Lei ou Moral, mais conhecimento do pecado. E, sendo assim, mais a neurose do pecado se instala em nós.

Ou seja, a Lei gera a certeza da culpa e esta nos deita nos braços do pecado. E por quê? Porque a Lei gera neurose, que produz a obsessão de vencer por conta própria “o pecado que habita em mim”, segundo Paulo.

E é Paulo também, como já vimos anteriormente, quem nos diz que a impossibilidade da Lei ser efetiva quanto a nos fazer viver com saúde vem do fato de que o condutor dela, o homem, está em estado terminal; ou seja, a inviabilidade da Lei é que ela se materializa pelo condutor essencialmente adoecido da natureza humana.

O paradoxo acontece quando se descansa em Cristo e em Sua Graça e, assim, para-se de lutar contra si mesmo.

Jesus já agradou a Deus em meu lugar!

E quando sou liberto de todo medo pelo amor de Deus revelado na Cruz— pois no perfeito amor não existe medo de nenhuma forma de juízo—, então, a alma encontra o seu ninho e experimenta uma paz que não foi produzida pela justiça-pessoal desse “pseudo-herói-humano das virtudes auto-conquistadas”.

Ao contrário, “o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele (Jesus) e pelas suas pisaduras fomos sarados”. Assim, os doentes já estão sarados para poderem ser curados à medida que descansam no amor que tira da alma toda fobia, toda dívida e toda neurose.

Ora, quando isto acontece o mundo deixa de ser um lugar onde sou tentado, e passa a ser o lugar onde eu vivo. Não sou tirado do mundo, sou livre do mal. E isto só acontece quando se entende que esse “mal” nasce, antes de tudo, dentro daquele para quem todas as coisas são impuras.

Somente a Graça torna todas as coisas puras, para os puros. E é também a Graça que nos liberta dos tabus em relação a tocar coisas, nos salva do poder sedutor dos objetos estéticos de apreciação; e ainda dos gostos, das opções e escolhas de natureza pessoal; pois, é apenas quando a vida é desdemonizada, que se pode experimentar a plenitude dos nossos sentidos, sem nos deixarmos tomar pela sensualidade escravizada pela obsessão da sedução ou da posse.

“Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso”—disse Jesus.

Desse modo, repito: quanto mais a consciência está livre da culpa e do medo que advêm da fobia gerada pela Lei, mais livre estará o inconsciente humano de ser um projetor de sombras, pois, agora, esse modo luminoso de ver a vida, gerará uma luz interior que procede do inconsciente e reafirma as escolhas da consciência entregue à Justiça da Graça que vem da Cruz!

“Na Tua Luz vemos a luz”, já dissera Davi. E, assim, ele corrobora o fato psico-espiritual que é gritado nos evangelhos e, especialmente, por Paulo.


3º Você precisa desesperadamente saber o que é amor, a fim de não ser enganada por pulsões que nada têm a ver com ele, mas que o “masacaram” para nós.

Portanto, sugiro que você leia em Reflexões o texto UM SÓ AMOR: e muitos modos de amar! Nele você aprenderá a diferença entre as várias formas de amor, e isso ajudará você a discernir o que sente.

Infelizmente em nossa época o sexo tem se tornado um instrumento do mal e do pecado para muitos. Mas na sua origem ele é algo santo se é acompanhado por ternura e por amor que ama. Sim, se é acompanhado pelo coração e se o coração é acompanhado pela sabedoria. Neste instante o sexo se torna um ato profundamente humano e divino. Neste instante o sexo passa a ser o local da Aliança do homem com mulher e, vice-versa; e dos homens com Deus.

O objetivo de todo amor é crescer até chegar a ser Graça!

No caso do homem e da mulher, isto não mata Eros, mas apenas o fortalece.

No livro de Cantares de Salomão a mulher é amada como “querida minha, pomba minha, imaculada minha e minha irmã”. Ou seja: todas as formas de amar estão ali equilibradas!

Leia tudo com calma, olhe para o seu próprio coração, e, assim, discirna seus próprios amores; posto que nada é tão opressivo quanto jurar amar com um tipo de amor que não existe em nós; especialmente quando se trata de relacionamento conjugal.

Desse modo, não fale jamais do amor que não existe em você, e não o proponha como relacionamento se ele não cresceu em sua alma ainda.

Evitar prometer amores que não existem em nós é, no mínimo, sabedoria e saúde para a alma. Pois nada é mais opressivo do que amar sem amor, ou sem a forma de amor demandada.

Discernindo isto você verá que de fato nunca amou, mas apenas teve tesões perversos; ou, na melhor das hipotéses, apaixonou-se pelo amor dos outros, mas nunca amou mesmo.

Pare com toda ação a fim de encontrar homem!

A hora de você encontrar a você mesma nesse emaranhado de pulsões de doenças que em sua alma se alojaram.

O que posso pedir a você no sentido de ajudá-la à distância (afinal, não sei onde você mora; se fosse em Brasília pediria que você viesse à reunião “dos do Caminho”, pois sei que em pouco tempo você já estaria experimentando os benefícios, conforme centenas dão testemunho todos os dias) — é que você ouça a Radio do Site o dia inteiro (há pelo menos 4 mensagens todos os dias); e também que aos domingos ouça as reuniões “dos do Caminho” aqui em BSB, e que são transmitidas ao vivo. Ouça; pois sei que Deus vai operar cirurgicamente em sua alma.

Por enquanto é apenas isto que tenho a lhe dizer!

Pratique e você verá os resultados. E faça isto sem medo de se encara. E mais: deixe esse negócio de “Sou tipo 8 eneagramático. (Gurdijeff). Isto quer dizer: movido pela paixão, pelo instinto, busca intensidade, agressivo e sem nenhuma ética moral. Para esta máscara, não se quebra as regras, pois, elas não existem. Usa-se as pessoas e tem-se grande capacidade de persuadir.”

E por quê? Porque isso é papo furado, e que distrai o “freguês”, porém não cura ninguém!

Nele, em Quem todos podem ser curados das pulsões escravizantes,


Caio