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Cartas

TRAIO MEU MARIDO DE FATO E DE VERDADE

TRAIO MEU MARIDO DE FATO E DE VERDADE



-----Original Message----- From: TRAIO MEU MARIDO DE FATO E DE VERDADE Sent: segunda-feira, 29 de setembro de 2003 To: contato@caiofabio.com Subject: NÃO ADIANTA... Mensagem: Prezado Pr. Caio, Acabei de ler seu artigo "Uma viagem chamada vida", e no auge do desespero em que me encontro, resolvi escrever-lhe e abrir meu coração, na esperança de que Deus possa falar-me através do senhor, antes que seja tarde demais pra recomeçar... Sou casada há seis anos, tenho 30 anos, uma filha de uma ano; e há três anos atrás meu marido se tornou pastor. Há mais ou menos três anos também me apaixonei por outro homem, e me entreguei de corpo e alma a esta paixão que ainda me consome. Investi todos os meus esforços para conquistar aquele homem; queria que ele me amasse, e me pedisse para me separar. Por quê? Eu não sei. Não sei como e porquê isto começou a crescer dentro de mim... Mas o fato é que mantive este relacionamento extra-conjugal por mais ou menos um ano e meio sem contar ao meu marido. Fiquei grávida, e dentro de mim tinha certeza que o filho era do outro... foi muito desespero e muita angústia... Quando estava no quinto mês recebi a proposta que eu tanto esperava: "me separar para ficar com ele". E aí vieram muitos medos e muitas dúvidas sobre como seria minha vida e da minha filha se eu optasse por isso; e ainda existia a dúvida sobre a paternidade dela... só poderia ter certeza quando ela nascesse para fazer o "dna". Resolvi contar ao meu marido para acabar com a angústia que me consumia e que fazia tanto mal para minha filhinha (ainda no meu ventre). Tinha certeza de que ele se separaria de mim... Qual não foi a minha surpresa quando ele me perdoou e não quis se separar de mim... Ao mesmo tempo em que fiquei admirada com um amor tão verdadeiro assim e incondicional, fiquei também triste, pois o que meu coração queria era ficar livre e sem culpa para viver a paixão que só crescia dentro de mim... Resolvi esperar minha filha nascer para, então, depois de saber quem era o pai, tomar alguma decisão. Fizemos o dna - a filha era do meu marido. Mesmo assim tinha todo apoio e a promessa do outro de que nos assumiria e formaria uma família conosco para nos fazer felizes. E, aí, de lá para cá, a situação vem se arrastando... Meu marido nunca quis de forma nenhuma se separar. Meu pastor e minha família sabem de tudo. Meu coração continua sendo do outro... Não existe um só dia que não queira vê-lo e estar com ele; e nem uma só noite que não passe pensando nele, e querendo que ele estivesse ao meu lado na cama; é um sentimento muito forte, como nunca senti antes. Só que nunca tive coragem de levar as coisas as vias de fato. Tenho medo de largar tudo. Sei as conseqüências horríveis que isto traria sobre mim, minha filha, a igreja, o ministério dele, minha família... E por falta de coragem não saí de casa com minha filha, mas planejo isto quase todos os dias da minha semana. Desde que contei ao meu marido não temos mais relacionamento de marido e mulher, somos só amigos. Só que agora, há dez dias atrás, ele (o outro) terminou tudo comigo; pois não quer mais a situação do jeito que estava. Se eu o amo de verdade como digo, devo largar tudo pra trás e ir viver com ele - assim ele me diz. Também o fiz sofrer muito com isso tudo. Foram muitas mentiras para tentar não perdê-lo enquanto tomava coragem para largar tudo. Acredito que seu amor por mim seja verdadeiro. Ele mudou muito e todos percebem. Ele é ainda novo e deixou uma vida de muitos amigos, farras e mulheres porque me amava e queria constituir uma família comigo.Fez muitas coisas para realizar isso, e sempre na hora "H" eu não tinha coragem de ir... Meu coração está em frangalhos porque ainda quero muito largar tudo e ir viver com ele; mas agora não tenho mais o apoio dele. Ele me disse que posso vir a fazer parte de seu futuro se resolver mudar minha atitude e ficar sozinha... aí posso ter a chance de reconquistá-lo... Estou desesperadamente triste, não consigo ficar sem procurá-lo, ligo para ele a todo instante na esperança de ouvir uma palavra de amor que me dê forças para fazer o que quero - sair de casa e ir ficar com ele; mas não ouço; ele tem sido cruelmente frio comigo, está muito magoado... sente que pode ter sido enganado todo esse tempo quanto ao meu amor... Mas não foi, este amor está aqui dentro de mim ardendo como nunca... A vida sem ele não tem a menor graça, tudo que faço me lembra ele e me faz querer estar com ele... Mas o sentimento de culpa e a responsabilidade que sinto pela vida das outras pessoas me fazem ter medo e não ter coragem... Creio que só não fiz uma besteira até hoje de tirar minha vida por causa de minha filhinha, que é meu único consolo nestas horas de dor... Preciso muito de ajuda, mas sinceramente não sei de onde ela pode vir... Sei que sua experiência pode me dizer alguma coisa, mas talvez também não diga nada, como todos que ouvi até hoje..., nada foi diferente de tudo que sei...mas as palavras não têm gerado vida em mim... Não sei o que fazer, só sei que não quero mais viver assim...preciso que algo aconteça... Desde já obrigada por me ouvir. __________________________________________________________ Resposta: Minha querida amiga: Graça e Paz! Você deve estar no inferno das agonias. Andando em círculos, com a mente dando voltas, girando sem saber o que fazer e para onde ir. De fato, o que tenho a dizer a você não a julga—eu jamais faria isto—, mas apenas ajudará você a decidir por si mesma, e conforme a verdade. Em tudo o que você me disse há muitas confusões, mas não há muitas questões. Na realidade as questões são as seguintes: 1. Você tem que saber se ama de fato esse rapaz ou se apenas não ama o seu marido. Não amar o marido ou a esposa, muitas vezes, faz a pessoa pensar que ama "o outro", mas pode ser que ame apenas o amor ardente que "o outro" tem por ela. Ou seja: há o famoso “agente catalisador”, que é a pessoa que faz convergir para ela a “carência” do outro—no caso a sua—, como se fosse “paixão”. Muitas vezes a pessoa “carente”—no caso você—, ama o "desejo" que o outro tem por ela; e como a vida conjugal está uma droga; então, o outro fica sendo a projeção da infelicidade da pessoa carente; e devolve isso como resposta a um amor que não existe, pelo "outro", mas por si mesmo, quando visto como amor nos olhos do outro. Insegurança. 2. Ficar com seu marido apenas porque ele perdoou você, sendo que nada mudou em você em relação a ele, será a receita para a catástrofe. Você pode até não ficar com o “rapaz”, mas com certeza não ficará também com seu marido. Na realidade eu não entendo por que ele quer ficar com você. Você disse a ele que não o ama? Ou apenas disse que o traiu? Se você disse que não o ama, mas ele quer assim mesmo; então, esse perdão é doença. Perdoar é uma coisa—e deve acontecer na Graça de Deus!—desejar ficar com quem não quer a gente, é pura doença. Aliás, doença da moçada toda: sua, deles, dos seus pais, do pastor, etc... 3. Todas as suas considerações sobre o “impacto” da sua separação já estão obsoletas desde a hora em que você fez tanta gente “participante” da situação. Se você não ama o seu marido, não há nada que vá impedir as conseqüências; afinal, o fato já está estabelecido. Portanto, continuar assim é filiar-se ao clube dos doentes. A quem interessa a manutenção dessa doença? 4. Não acho que você deva se separar "por causa" do rapaz, mas exclusivamente porque seu casamento é uma farsa e uma doença. Insistir nele será, como já disse, a receita certa para um catástrofe maior, pois, certamente, se não for agora, mas não muito tempo depois, você acabará "chutando o balde", e isso poderá ser ainda pior; ou seja: em circunstâncias ainda piores. Mas não faça nada por causa de ninguém, mas apenas em respeito a você, ao seu marido e à saúde do futuro de vocês. 5. Você precisa admitir que sua questão é com você mesma: você ama o amor que os outros sentem por você. Sua carência chega a ser adolescente. Você precisa, mais do que de um marido, é de uma terapia, com extrema urgência. Sua imaturidade emocional é sensível. Além de ainda ser muito jovem, você é também emocionalmente muito imatura. Isso precisa ser tratado. Sua insegurança. O mais, minha querida, é com você, sua consciência e Deus. Ninguém mais pode dizer nada. Quem tentar forçar não quer você curada, mas apenas enganada. E a verdade liberta, mas nunca sem muita dor. É de difícil a gente se enxergar. O que “existe” entre você e o seu marido é o que “não-existe”. Portanto, não há mais casamento; há apenas um documento de cartório. Afinal, de fato, vocês já estão mais que separados. Ah! Só mais uma coisa: se você não ama o seu marido—apenas gosta de saber que ela ama você—, então, saiba: teste de DNA não faz nenhum casamento melhorar; pode identificar de quem é o filho, mas não indica o caminho do amor conjugal. Receba meu carinho e minhas orações. Nele, Caio Escrito em 2003