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Cartas

TIVE QUE TERMINAR COM O PADRE...

TIVE QUE TERMINAR COM O PADRE...



----Original Message----- From: TIVE QUE TERMINAR COM O PADRE, MAS ESTOU SENTINDO MUITO Sent: quinta-feira, 20 de novembro de 2003 13:16 To: contato@caiofabio.com Subject: PAIXÃO PELO PADRE Mensagem: Em primeiro lugar,é um prazer imenso falar com o senhor. O que irei relatar aqui é um pouco de minha vida e do conflito que vivo neste momento. Há dois anos, depois de uma decepção num relacionamento com um rapaz evangélico e que congregava na mesma igreja que eu, conheci, numa festa, uma pessoa. Foi apenas um olhar. No decorrer da festa descobri que ele era Padre. Desanimei, mais a admiração continuou. E para minha surpresa, no dia seguinte, ele entrou em contato comigo. Passamos duas ou três semanas em contato por telefone. Então, decidimos marcar um encontro. A partir desse encontro deu início a uma série de conflitos, tanto nele como também em mim. Ele também soube que eu era evangélica. Mas, apesar das indecisões, começamos um relacionamento que durou dois anos. Eu faço parte da liderança da igreja. Foram dois anos de conflitos: se estava ou não errando por gostar tanto dele? se teria que abrir mão de Deus para poder ficar com ele? se Deus realmente não aprovaria esse relacionamento? São várias as perguntas que eu fazia e venho me fazendo. Como eu disse anteriormente, terminei o namoro, só que tenho vivido tão triste, tão sem esperança, que já não sei se foi o melhor. Mas também não conseguiria viver dentro da igreja, onde todos me dizem que este relacionamento é errado, que não tem aprovação de Deus. Quanto a ele, confesso que era o homem que sempre sonhei, muito carinhoso, atencioso, esteve presente o tempo que ficamos juntos. Mas eu olhava para ele e via o quanto ele ama o que faz; e não me sentia no direito de exigir nada. Confesso que não tenho com quem falar sobre este assunto, pois as pessoas que quem já falei, sempre me dizem as mesmas coisas, talvez por serem próximas, não sei... Eu peço encarecidamente que me dê uma palavra em relação a tudo isso que passei e estou passando. De alguém que te admira muito, _____________________________________________________________________________________ Resposta: Minha amada irmã: Paz! Nós, cristãos, acabamos por desenvolver a vocação incurável para engolir os camelos e coar os mosquitos—isto à semelhança dos fariseus. Agora o problema é o padre. Mas porque ninguém puxou o assunto da vontade de Deus quando você namorou e se decepcionou profundamente com o evangélico que você namorou? Dentro da igreja evangélica Deus não tem vontade. Só a tem para fora da igreja evangélica. É isso? Deve ser algo que se instalou em nós mais profundamente do que imaginamos. Dois anos de relacionamento e conflitos de alma, porém sem conflitos entre vocês dois. Com o evangélico, nenhuma pressão de fora, nenhum conflito culposo dentro, e um relacionamento de desencontros e decepções. Está na hora da gente olhar as coisas como elas são, não as siglas. Usando a linguagem da parábola do Bom Samaritano, eu diria o seguinte: Passou o evangélico e a deixou devastada. Vindo, porém, um padre se encheu de ternura por ela, e cuidou dela dois anos, mas não tiveram paz para prosseguir. Ele pela hipocrisia de sua igreja, que proíbe um homem de casar apenas porque quer “servir a Deus”. Ela por causa de culpas, por não suportar a idéia de que amasse o samaritano dos evangélicos. Culpas! Sempre as culpas erradas! Leia a você mesma: ...foram dois anos de conflitos... ...se estava ou não errando por gostar tanto dele? ...se teria que abrir mão de Deus para poder ficar com ele? ...se Deus realmente não aprovaria esse relacionamento? ...conseguiria viver dentro da Igreja, onde todos me dizem que este relacionamento é errado, e não tem aprovação de Deus? Tentarei responder as suas perguntas: ...se estava ou não errando por gostar tanto dele? Resposta: Você estaria errando muito se estivesse namorando o padre sem gostar dele. Então, seria um fetiche. ...se teria que abrir mão de Deus para poder ficar com ele? Resposta: Só se Deus for um ídolo, um objeto que a gente leva de um lado para o outro. Deus é Deus. Sinceramente não sei o que significa “deixar Deus para...” O Deus que eu conheço em Jesus não é “deixável”. Quem entrou pela Porta já não tem mais saída: entrará e sairá e achará pastagem. Sabe por que? Porque Nele não há dentro nem fora. Ou a gente está Nele ou não está Nele. ...se Deus realmente não aprovaria esse relacionamento? Resposta: Não sei o que Deus aprova ou não quando se trata de amor entre um homem e uma mulher. Ninguém pode falar em nome de Deus acerca de coisas que são tão particulares assim. O que posso dizer é o que eu penso. Só isto. E o que eu penso é que à menos que ele deixasse de ser padre—apenas para poder casar—, vocês não teriam nenhum futuro juntos. Você culpada de um lado e ele do outro...sempre culpados num quarto de motel. Não teria como dar certo. ...conseguiria viver dentro da Igreja, onde todos me dizem que este relacionamento é errado, e não tem aprovação de Deus? Resposta: Minha querida amiga, provavelmente você não conseguisse não porque Deus seja ou fosse contra ou a favor. Mas porque você o vê contra, e os seus irmãos-amigos, também. Portanto, vamos deixar Deus fora disto. A questão é: tendo você a consciência que tem? E sendo membro de uma igreja como a sua? Teria você algum dia paz para assumir que ama um padre? E que o padre ama você? E mais: como seria um relacionamento onde ele se sente casado com a Santa Madre Igreja Católica e, portanto, traindo tão nobre esposa; enquanto você está casada com a Opinião Evangélica, e se sente traindo tão divino oráculo? Sinceramente, não daria certo. Mas até aqui não estamos falando de Deus. Estamos falando da vida, como ela é; e das dimensões psicológicas e sociais envolvidas na questão. Nada além disso. Daria certo se ele e você pudessem se assumir e se casar. Isto se de fato há amor. Um dos casais mais idosos do meio cristão viveu um drama parecido, respeitadas as circunstâncias e a época. O Reverendo Antonio Elias namorou a Dona Maria José enquanto ela era filha de Maria...anos. Ela deixou a “ordem” e se casou com ele. E estão juntos há mais de cinqüenta anos. Quem poderia imaginar? Se tivessem tomado uma decisão baseada na religião jamais teriam se casado. Portanto, mais do que qualquer coisa, estamos falando não de Deus, mas dos homens. E é obvio que os homens têm o poder de tornar a vida de qualquer um algo miserável, se a pessoa não tiver cabeça forte, consciência madura, e certeza de quem é Deus. Eu, portanto, baseado apenas em quem você demonstrou ser, digo que é mais sábio não retomar o relacionamento. Minhas orações a Deus são no sentido de que Ele lhe dê paz! E que também salve você de pensar que se for evangélico é naturalmente a vontade de Deus! Receba meu carinho sincero. Nele, que derrubou os muros, Caio