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Cartas

TIREI FÉRIAS NA IGREJA E ME FRUSTREI…

TIREI FÉRIAS NA IGREJA E ME FRUSTREI…

 

 


----- Original Message -----
From:  TIREI FÉRIAS NA IGREJA E ME FRUSTREI…
To: contato@caiofabio.com
Sent: Tuesday, August 22, 2006 12:59 PM
Subject: Matéria…

 

Caro Caio Fábio,
 

Acabo de ler uma resposta sua sobre a participação da igreja na política e reforço que concordo totalmente com sua opinião. Sou pastor de uma determinada denominação que, infelizmente, tem como uma de suas metas prioritárias o envolvimento da máquina eclesiástica na política, tendo alguns de seus principais dirigentes ocupando cargos estaduais e federais.
 
Como diz um amigo nosso, meu companheiro de Haggai, sou da geração dos bi-vocacionados. Converti-me aos 30 anos (tenho 46) e sempre desenvolvi meu ministério dentro do mundo corporativo. Em meados do ano passado resolvi "tirar um sabático" deste mundo corporativo e passei a dedicar-me totalmente à igreja onde sirvo e, apesar de não ter visto nenhuma novidade (no sentido da hipocrisia de alguns dos "ungidos" que agem em nome de Deus), confesso que estes tem sido os meses mais frustrantes da minha vida.
 
Sim, ainda sou daqueles que acreditam em "I"greja... Sim, ainda sou daqueles que acreditam que TODOS  deveríamos acreditar no que se diz dos púlpitos... Sim, ainda sou daqueles que acreditam em palavras de exortação, em disciplina, em estudo de base, em inspiração do Alto, em arrependei-vos...
 
Procurei você no Google e acabei achando um texto seu sobre o Titanic e a Arca de Noé. Tomo a liberdade de anexar uma matéria que escrevi para o jornal da minha igreja em ago/06, sobre o mesmo tema.
 
No sangue Daquele que mantém nossas vestes brancas e nossa cabeça cheia do azeite da unção,

 

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Resposta:


Querido amigo: Graça e Paz!
 

 

Lamento muito pela sua denominação. Aliás, com exceção das que não crescem, todas as demais são assim.

Você disse que é “daqueles” que crêem em coisas que você tratou como antigas (talvez condicionado pelas classificações das academias da “Igreja”) — mas saiba: elas não são importantes para ninguém, mas apenas para os doutores da “Igreja”.

Já cri em muita coisa nas quais não creio mais. Mas nenhuma daquelas nas quais deixei de crer, tinham a ver com a Palavra.

Como você sabe, não dou a mínima para escolas e sistemas de doutrina, nem tampouco para as escolas de organização da verdade.

Apenas creio que Deus fala. Fala como deseja falar. Pois creio que a Palavra de Deus é viva. E que ela, a Palavra, está em Cristo. E Cristo Jesus está vivo, pois é o Autor da Vida.

Ademais, Seu Espírito nos habita, atualizando a Palavra em nós e para nós.

Assim, também creio que as tábuas são de carne, nos corações; e que se nele, no coração, a Palavra não estiver bem escrita, a fim de se transformar em Graça de Deus nas vidas da gente, de nada nos adiantará a “inerrância da Bíblia”, por exemplo.

Sobre você ainda acreditar em "I"greja, saiba: você já deixou o ‘greja’ fora das "aspas", faltando agora apenas o "I". (rsrsrs)

Entretanto, relendo a sua carta após escrever até aqui, senti que deveria prosseguir apenas para lhe dizer que também já cri que a “igreja” poderia ser instrumento do amor de Deus no mundo, e dei muito de minha vida ao serviço de seu crescimento, edificação e amadurecimento. Também já cri que o púlpito era um lugar-‘meio’-sagrado (o que já era um escândalo, pois, para a “igreja” o lugar era sagrado; e ponto.) E também já defendi a “inerrância da Bíblia” — até que vi que Jesus não gastou energia com nada disso.

Assim, passei a só me preocupar em que Jesus não fosse falsificado em minha boca.

Entretanto, cri e creio ainda, que quando a “Igreja” vira Igreja, é possível que se tenha uma grande alegria na irmandade. Todavia, creio que tal só é possível quando os sistemas clubescos, e de controle e de gueto da “Igreja”, são trocados pela leveza da Igreja, que é feita de gente levada pelo Espírito e pela Palavra.

Sem que seja leve assim, as coisas se corrompem, pois, sabemos que todas as comunidades humanas ajuntadas pela religião se corromperam.

É por esta razão que o sal precisa ser “da terra” para não se corromper. Pois, sal do sal, vira “monturo”. Além disso, a salvação do sal é existir como gosto, e, portanto, diluído na terra.

Ora, esse princípio é vital para a saúde de qualquer grupo humano que comece a se reunir. Isto porque só vale a pena reunir se não se perder o espírito de sal da terra. Pois, quando o movimento passa a ser todo em torno do “lugar-igreja” como praça (e as pessoas só chamam de vida o que acontece ali) — inevitavelmente vêm fofocas, as brigas, as disputas, e tudo o mais que enche o saco; e que são fruto desse espírito de confinamento em barco, numa apropriação indevida de Nóe.

Ponha algumas centenas de pessoas juntas, sem terem o que fazer, precisando cada uma de uma função, cargo ou microfone na mão a fim de se sentirem importantes, e você verá o espírito da “igreja” ser recriado. Mas com um agravante contra a “igreja”, que é o fato de nela se crer que Deus realmente está interessado em que se ocupe as funções, os cargos, e que, sendo este o “dom”, se tenha também um microfone na mão para Servi-lo atrás do púlpito ou na “casa de Deus”, como um sacerdote consagrado nas era da tecnologia eletrônica.

Crer nisto é que é calamitoso para a alma!

Assim, espane a frustração, pois, onde você está, é assim que é; e não há razão para se crer ou esperar que seja diferente, visto que todos nós já crescemos sabendo que é assim — posto que é assim que somos. Mas o sistema de confinamento da “igreja” funciona de fato, exacerbando as nossas doenças em nome de Deus.

Entretanto, para descontrair, pergunto a você: “Você crê que tal inspiração veio do Alto?” Sabe por que eu pergunto? É porque creio que foi Ele que inspirou você. E tal palavra veio sem som, mas você a ouviu. E, por ela, e pela experiência que ela está lhe propiciando, creio que Deus está falando a você, e que por essa palavra seus horizontes se expandirão.    

Obrigado de coração por me haver escrito. Um abração em nosso amigo comum.
 

Receba meu carinho e a força de meu abraço!
 
 
Nele, em Quem o que vale é uma só coisa,
 
 
 
Caio