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Cartas

TESTEMUNHO—SEM ESBOÇO E SEM PHD EM DIVINDADE

TESTEMUNHO—SEM ESBOÇO E SEM PHD EM DIVINDADE

-----Original Message----- From: Evanderson Sent: terça-feira, 20 de julho de 2004 09:44 To: Caio Subject: TESTEMUNHO—SEM ESBOÇO E SEM PHD EM DIVINDADE Angra, uma segunda-feira, 19 de julho de 2004. Era a primeira vez que ouviria o Caio pregar. Tinha minhas expectativas: esperava um homem forte na presença, tranqüilo no olhar e firme nas palavras. Ficara sabendo da Semana da Juventude da Presbiteriana da Tijuca através de conversas com o Rev. Eurípedes, pastor daquela igreja. Desde então queria ir lá. Seria a oportunidade de ouvir o Caio falar para um público que, até dois dias atrás (escrevo na terça, 20/07) eu trabalhara junto. Queria ver qual direção apresentaria. Três horas depois de nossa partida e um belo engarrafamento, chegamos lá. Não havia mais lugares no templo. Tivemos que assistir de uma sala com transmissão via telão. A palavra tinha sido passada naquele momento ao pregador. E lá estava ele. Com o mesmo espírito que transborda no site caiofabio.com. Calmo, suave, forte, firme, duro, por vezes irônico, por vezes cômico... Infelizmente não tenho o esboço da mensagem, mas tenho um esboço no coração. É dele que partilharei. Percebi - estou certo? - não havia esboço. Ou seja, não havia uma colinha. Percebi que o esboço era a própria vida. Percebi também que não havia homilética. A homilética é o próprio ser que não pode ser clonado, copiado. Vi, que mais do que palavras, o que transbordava era certeza, pacificação e gratidão compartilhadas. O texto - sinto - já não lembro. Mas sei que falava algo de que Jesus não era homem de letras. O tema da semana era Recomeçar. E assim ele começou dizendo que em tudo recomeçamos. E chegou onde queria: alguns não sabem onde começar. E falou sobre o triângulo das bermudas e da morte: casa-igreja-trabalho-casa. Um triângulo fechado, que, em jovem olhando diz: tô fora. Disse o pregador que essa construção de vida ninguém quer e que, o que vale, na vida com Jesus é pular. No escuro. Um salto kierkegaardiano. Pular sem ver o chão. Eu já pulei. De Bung Jump (é assim que escreve?). Adrenalina, medo e... segurança... Mal comparando, é mais ou menos assim. Na vida o elástico que faz que a gente não caia é a fé. Sem fé é impossível pular. Vale notar que neste salto você chega de cabeça pra baixo. Na vida - algumas vezes - também. Mas como estar de cabeça para cima ou para baixo, segundo o todo - o universo - é relativo ao extremo, ninguém pode dizer de ninguém um ser de cabeça para baixo. Continuemos com o Caio. Jogou por terra o conhecimento de Deus. Os PHD´s em Divindade. Os Doutores do Espírito. Aqueles que conhecem pela Logia o Theos. Risível, foi a conclusão. Deus se conhece aqui dentro, no coração. Deus se conhece na caminhada. Não é um conhecimento prévio e nem futuro. É um conhecimento no dia chamado Hoje. Falou sobre vontade de Deus. Citou a parábola do Bom Samaritano. Mostrou ali o que era a Vontade de Deus (essa tirana dos púlpitos evangélicos que produz seres ansiosos). Mostrou que a vontade de Deus está em nós porque Cristo está em nós. Na verdade quanto mais nos jogamos de cabeça, mas a Vontade de Deus vai acontecendo em nós e mais vamos tendo consciência dela. Para mim isso foi o Eureka. Citou um exemplo pessoal. Tinha aprendido a pular em Deus, mas colocava a mão como um flap de avião para poder ter controle de vôo. Aí Deus falou: agora você pular: amarrado. Sem flap, sem controle, sem nada e de cabeça. Como um míssel. E caiu mas não caiu. E foi ao fundo, mas flutuava. A corda da fé segurava seus pés. E citou o texto de Eclesiastes também. Alegra-te jovem. Tudo é vaidade. Cuidado com a Dor. E falou com os jovens. Curtam a vida meus caros. Vão em frente. Metam a cara. A vida é boa. O que belo, diga: é belo. O que dá prazer reconheça que é prazeroso. Viva a vida com intensidade típica de seus hormônios mas saibam pois que, com o passar dos anos você ficará blasset, blasset (será assim que escreve?) Disse ser boa a vaidade. Normal. Faz parte. Não tem que se brigar com ela. Não tem que se tentar ficar achando coisas como dito nos livros que detêm os passos de Deus (Sete passos, 14 passos, 21 passos e alguns, mais econômicos, 4 passos). E disse uma profecia e pediu para testá-la: Você, jovem, ainda vai pecar muito. Muito mesmo. Você vai sair daqui hoje - tudo muito bom - e vai pecar. Voltará aqui amanhã e vai pecar. E vai pecar muito na vida. E essa é uma certeza que precisa ter. Você cairá e levantará, e vai tentar de novo e vai cair de novo e assim será. No meio evangélico - disse ele - é comum quando o sujeito está na beira do precipício pronto para ter os melhores e maiores aprendizados de Deus, vem os injustos juízes, e dizem: está desviado. Quem são os homens para dizer que alguém está fora da via? Quem são os homens para estabelecer quais são os caminhos entre um homem e Deus? Ele é o Caminho - afirmou -, mas nesse caminho cada um faz o seu próprio caminhar com Ele. Vai acontecendo. Sem nóias. O que esqueci de comentar no início foi que o Caio falou que Adão e Eva, e eu e você, pulamos de cabeça para a morte. O fruto proibido estava ali com todas as restrições possíveis, mas eles-nós pulamos de cabeça para a morte. Citou a si próprio, e disse que várias vezes colocou a mão no fruto proibido. Por prazer, por não querer as alternativas, por querer, e por tantos outros motivos; e no, final, arrematou: Será que estou sozinho nesta parada? Porque então não podemos pular também de cabeça para a Vida convencidos pela Promessa? Foi sua indagação. Assim como o texto de Eclesiastes, lembrou aos jovens que existem coisas que fazemos na vida que causam extrema dor e carregamos como marca pela vida à fora. Com a dor dessa existência é que temos que ter cuidado. Taí o que ouvi pra mim lá. Taí o que ouvi para me ajudar a pregar: verdade, Ser, Graça e en-graça-do, duro e suave. Ser quem se é sem medo do salto no escuro. Quer ouvir também? Vale a pena. Foi gravado e a fita está a disposição na Presbiteriana da Tijuca. Dê uma ligadinha lá e veja se não estou com a razão. No final, pude abraçá-lo. Disse meu nome e ele perguntou-me se eu o escrevia. Eu respondi que sempre. Deu-me um abraço e foi-se. Tomar um caldo verde com baicon preparado por sua caçula. Vai em Paz meu amigo. E que o Senhor sempre te acompanhe e faça resplandecer sobre você o Seu Rosto assim como tem sido. E obrigado também. Eu - e mais três jovens amigos - voltamos para casa dali mesmo. Mais três horas e meia e estaria em casa. Cansado no corpo mas sentindo-me realizado e tranqüilizado. Era isso mesmo meu Deus. Foi o melhor. Tu sabes que foi. Evanderson