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Cartas

SOU RIDICULARIZADO POR BUSCAR SERVIR

SOU RIDICULARIZADO POR BUSCAR SERVIR

 

----- Original Message -----

From: SOU RIDICULARIZADO POR BUSCAR SERVIR

To: contato@caiofabio.com

Sent: Tuesday, August 07, 2007 3:00 AM

Subject: a graça de servir

 

 

Amado Caio: Graça e Paz!

 

 

Louvo a Deus por ter a cada dia o privilégio de poder, através do que tenho lido neste site, conhecer e despertar para uma vida pela Graça.

 

Tenho lido de coração novamente o Evangelho, como foi sugerido, e realmente me derramo e sou desmontado, ante a profundidade e simplicidade do evangelho de Jesus.

 

Hoje pela manhã, estava como de costume lendo alguns artigos do site, e me deparei com o seu pedido e declaração: “... chegou a hora na qual aqueles que dizem que são abençoados com o que ensino, me levem mais a sério do que nunca, pois, esse tempo todo, apenas aguardava a hora madura para iniciar essa outra viagem: a jornada na Graça como alegria de servir a Deus e ao próximo, com todos os dons da Graça que o Espírito Santo sobre nós tem derramado."

 

Caio, sirvo a Deus desde os meus sete anos, quando conheci o evangelho. Chamado ao serviço missionário ainda aos 16, fui para o seminário aos 19, aos 24 fui ordenado pastor, servi como missionário na África, em Moçambique; ajudei a organizar uma missão que trabalha com os povos de língua portuguesa, sou pastor numa congregação no interior do Brasil.

 

Desenvolvo um trabalho com crianças e adolescentes na cidade, através de aulas de Inglês, informática, violão, pintura, reforço escolar, etc. Chamamos o local de Centro de Formação Integral, onde procuramos manifestar amor, ajudar a formar, amparar, e dar oportunidades a esta geração que tanto sofre com um mundo cheio de violência. Amo este trabalho. Eu confesso que me inspirei muito na Fabrica da Esperança, apesar de o que fazemos aqui ser em proporções bem menores. Nosso sonho é levar este CFI a outros povos, a África; e como temos trabalhado.

 

Caio, ultimamente, desde 2004, quando tentei aproximar meu presbitério deste trabalho que realizamos, fui muito perseguido e ainda sou por colegas que acham que só um trabalho presbiteriano é que é o correto.

 

Tenho sido muito humilhado, desacreditado, apesar dos resultados deste trabalho e o efeito que ele tem gerado até mesmo na vida da congregação que sirvo, pois houve crescimento integral; mas como este CFI é de um trabalho interdenominacional, sou discriminado constantemente, dizem que queimei meu filme, pois somente pela IPB é que posso e devo servir, mas não acredito nisso.

 

No entanto, Deus tem me dado a paz de seguir pela Graça e pela Graça servir e viver. Minha maior alegria é ver jovens que estavam sem vida e perspectiva de vida, encontrarem uma direção para viver, serem transformados; e poder não apenas falar do evangelho para eles, mas viver com eles o evangelho, mostrar a graça, mesmo sendo nós pecadores.

 

Caio, já faz um tempo que deixei de me esconder atrás da vitrine imperial da denominação; e apenas quero servir; só isso; servir, servir com o evangelho integral, viver intensamente a graça e poder ajudar ao máximo as pessoas.

 

Tudo isto estou lhe dizendo apenas com o propósito de compartilhar, e dizer que tenho aprendido muito, a conhecer o evangelho da Graça. Quero apenas servir Caio, sou pecador, falho, limitado, e sinto uma alegria imensa no coração por saber e a cada dia descobrir no Evangelho, a Graça que liberta; que não me deixa barganhar com Deus. Graça que nos capacita a viver pela graça para servir.

 

É isso Caio. Compartilho com isto você.

 

Obrigado por tudo.

 

Em Cristo, pela Graça.

 

  1. T.

 

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Resposta:

 

 

Meu irmão: Graça, Paz e Alegria no servir!

 

 

Aqui em Manaus (onde estou esses dias em razão de uma cirurgia de meu pai) tenho um amigo bem mais velho que eu, e que diz a mesma coisa desde que o conheço (faz mais de 40 anos) — “Quem não vive para servir, não serve para viver”.

 

É chavão comum; porém, sempre o ouvi como verdade. Afinal, o que é a vida senão dar, dar, e muito dar? Pois a vida só acontece mediante a graça, a dádiva e a entrega; pois, quem nasce sem que alguém deixe de se dar? Ou quem pode viver sem os auxílios das muitas mãos que desde a infância nos amparam? Ou ainda: Quem pode se significar de modo maduro na existência passando pela vida como um playboy?

 

Ora, mesmo quem não é playboy social (conforme o padrão idiotado dos socialites), é playboy em relação ao Evangelho; afinal, o que é a “igreja” senão um grande ajuntamento de “play boys” religiosos, os quais se reúnem para cantar, ensaiar, brincar, fofocar, crescer em status, ambicionar posições e brincar de louvor gospel?

 

Sim! Na maioria das vezes a “igreja” é um clube de trocas sem serviço; e no atual ambiente da “igreja” quase todo aquele que tem espírito diaconal (serviço) é visto como alguém que não está cheio de Deus, pois, diante do que aí está - quem deseja servir por servir?

 

Serviço [para a maioria] só serve se o servir abrir uma grande porta para que se passe a ser servido.

 

Não perca seu tempo dando ouvidos aos play boys ministeriais da “igreja”.

 

Eles não querem trabalhar; eles querem empregos religiosos, posições, mordomias, viagens, cursos, congressos, e um monte de encontros e reuniões que servem literalmente para NADA.

 

Ora, a doença da apatia brincalhona é tão grande que um pastor-diácono como você é sempre acusado de estar querendo “aparecer”.

 

Não se importe com isto. Deles você terá quase sempre critica; e só não as terá se mergulhar no mar da mediocridade serena e regalada na qual a maioria deles vive.

 

Entre no esquema e você será recebido como igual. Ora, para alcançar isto basta parar de sonhar e amar, e automaticamente você ficará a cara deles; e, por tal clonagem existencial você será louvado e elogiado; e alguns dirão: “Agora você aprendeu o equilíbrio rapaz!”.

 

Trabalhe até que não seja mais possível servir ao lado deles. Nesse dia, se tal dia chegar (e provavelmente logo chegue), saia sem conflito; apenas agradeça e siga seu caminho; e você verá que não faz a menor falta estar em tal estrutura que só ajuda dizendo: “Não precisando de nada, disponha!”.

 

Lamento muito, pois, entre as denominações, ainda vejo na IPB o maior contingente qualitativo de obreiros, porém, a maioria deles vive com a boca amordaçada e debulha com os pés atados.  

 

Assim, mano, se precisar de alguma coisa, disponha; pois, estamos aqui dispostos ao que der e vier. Simplesmente não tem mais volta.

 

Receba meu beijo e todo meu carinho por gente que trabalha.

 

Nele, que trabalhou servindo e que foi homem de dores em tudo o que fez,

 

 

 

Caio

 

09/08/07

Manaus

AM