Português | English

Cartas

SOU BENEFICIÁRIA DO ADULTÉRIO DE MEU MARIDO

SOU BENEFICIÁRIA DO ADULTÉRIO DE MEU MARIDO

-----Original Message----- From: SOU BENEFICIÁRIA DO ADULTÉRIO DE MEU MARIDO To: contato@caiofabio.com Subject: O ADULTÉRIO DELE ME LIBERTOU Mensagem: Tenho 41 anos e sou mãe de 3 filhos maravilhosos. Separei-me há pouco tempo, embora houvesse quase 7 anos de separação de almas e corpos, onde o que sobrou em nós, beirava o fraterno e, nada de conjugal. Todo esse tempo, examinando as Escrituras, não havia tido, até então, o adultério como motivo por parte dele. Tomei como base I Pedro 2:1-10. O verbo desejar expresso no v. 2, soando no imperativo, ardia em meu coração: eu desejava “intensamente” amar meu marido, anulei assim a desculpa da minha carne; afinal eu sou alguém que teve provas do quanto Deus é bom (v. 3). De tanto agir como se amasse e desejasse “ardentemente”, passei de fato, a amá-lo. Uma vez que ele não demonstrou arrependimento pelo adultério; segui adiante e, espero que ele refaça sua vida e que possa se realizar. O que sobrou pra mim, por enquanto, foram inúmeras expectativas (Iuuuupi!!). Agora, já separada, olho com uma sensação de conforto para minha história, como lutei antes de deixar “ir o meu morto!”. Mas agora, faço como Davi: ...”Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se o Senhor se compadecerá de mim e continuará viva a criança? Porém, agora que é morta, porque jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim.”2 Sam. 12:22-23. No fundo, gosto de pensar que Deus, vendo meu esforço, criou-me um escape, através do adultério dele. Infelizmente, pelo pecado dele, sou eu quem estou sendo abençoada. Ressalvo que esta condição condiz com a instrução dada pelo Ap. Paulo. Evidentemente, não fosse essa minha realidade, gostaria de na carne, ter respaldo bíblico que justificasse minha separação. Talvez seja este o caso de muitos que leram seu texto, “O Casamento como Apocalipse”. Com o devido respeito, fiquei confusa. Como? Instruções definidas, enxertadas em nós, pelo ensino do Espírito de Deus, devem ser consideradas simplesmente à condição de “circunstancialidade daqueles tempos”?? Ou seja, se bem entendi, tais ensinos, se aplicam somente à época do apostolo Paulo??? Reverendo, me ajude a compreendê-lo, o que o senhor chama de “chance de libertação”? Abraço-o, ************************** Minha querida irmã: Paz! Não falarei sobre o texto que você mencionou, pois acho que a questão é bem anterior a ele. Não disse que tudo está reduzido às circunstancialidades dos dias de Paulo. Ao contrário: eu disse que os princípios são imutáveis, mas que têm aplicativos mutáveis, visto que as circunstâncias da vida mudam, como todos nós podemos constatar. Sobre o motivo justo para alguém se divorciar? Bem, de fato, minha amada irmã, o que creio é que a infelicidade, a desgraça, o equivoco, a tristeza, a depressão, a desconexão de almas, as calamidades da vida—todas elas, qualquer delas, elas todas juntas, etc...—são a clausula de concessão ao divorcio. Pensar diferente é doença. Por que alguém gostaria que um outro (a) ficasse ao seu lado sem desejar? Sem estar ali? Qual o objetivo de tal permanecia, visto não haver união? De onde vem esse espírito de escravidão? Quem pode julgar ser possível alguém ser feliz vivendo sob jugo desigual em todos os níveis essenciais? Não fazer nada? Fazer o que? Como ajudar? Há alguma solução? Ou é para não se fazer nada? É como ver o filho no buraco e não retirá-lo de lá porque é dia de sábado. É como deixar alguém morrendo dentro de um vínculo adoecido apenas porque ainda não se tem o alvará de soltura dessa infeliz alma, cujo livramento depende de que seu parceiro cometa um crime a fim de que aconteça. Oraremos pelo crime? Pediremos a Deus que o outro adultere? Mas nós não oráramos em favor de adultérios!? Ou diremos: Glória a Deus ele adulterou e eu fiquei livre! Minha pergunta: se dois já viram que não dá mesmo, por que levarem-se aos extremos da indignidade a fim de um arrancar de um outro—geralmente do mais inadequado ou infeliz—um atestado de dívida moral? O divorcio não é um mandamento, assim como cair no buraco não é uma recomendação. Mas, às vezes, a gente cai no buraco, inclusive no casamento. O que fazer? Deixar a alma no buraco? Ou retirá-la de lá mesmo que isto viole o sábado?! Ninguém recorre ao divórcio à menos que um acidente tenha acontecido. Alguém está no buraco; ou, então, outro alguém caiu no buraco. O que fazer? Esperar e ver qual dos dois tem certidão de resgate autorizado? Ou se retirar a ambos do buraco? Por que um tem que ficar, se os dois podem ser retirados? Você perguntou o que é aproveitar a chance, a oportunidade de libertação. Eu lhe direi o que penso que é. Aproveitar a oportunidade é sair do buraco. E se possível tirar o outro também. Às vezes o outro pensa que o buraco é o mundo, e não é. O outro--o que quer viver no buraco não importa como--muitas vezes é apenas vitima de sua própria insegurança, ou egoísmo, do tipo que diz: Eu planejei a vida aqui, agora você não quer mais? Não deixo sair não! Aproveitar a oportunidade é deixar-se tirar pela Graça de Deus do buraco onde caímos, nos jogamos, ou fomos jogados. Aproveitar a oportunidade é sempre crer que nada e ninguém tem o direito de fazer inexistir a vida de um ser humano na terra enquanto ele estiver vivo, pois enquanto ele viver, haverá esperança. Aproveitar a oportunidade é fazer como Davi: “...Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se o Senhor se compadecerá de mim e continuará viva a criança? Porém, agora que é morta, porque jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim.” 2 Sam. 12:22-23. Aproveitar a oportunidade é não escolher o que piora a vida se há algo que melhora a vida—e lembro que vida para mim não é apenas o corpo e suas aparências, mas o que permanece—; é levantar todos os dias com a intenção de que nada irá deter minha consciência na direção de sua maturidade em Cristo; é poder deixar as coisas que para trás ficam e avançar para as que adiante de nós estão. Assim, minha amada amiga, ao invés de lhe escrever “textos”, deixo com você metáforas. E elas vieram do espírito do Evangelho de Jesus, conforme vivido e ensinado por Ele. Um grande beijo. Nele, Caio