Português | English

Cartas

SOMATIZAÇÃO: PAPAI SE FOI… MAMÃE FICOU COM CÂNCER!

SOMATIZAÇÃO: PAPAI SE FOI… MAMÃE FICOU COM CÂNCER!

 

 

 

 

 

 

From: SOMATIZAÇÃO: PAPAI SE FOI… MAMÃE FICOU COM CÂNCER!

Sent: Saturday, November 08, 2008 1:30 PM

To: contato@caiofabio.com

Subject: Grande Caio Fábio, preciso de socorro!!!!!!

 

 

Pastor Caio,

 

É com grande satisfação que lhe envio este e-mail, pois lhe admiro muito e sei que é um grande homem de Deus!


Caio, desde criança sou cristão, meu pai era pastor até dois 1/2 anos atrás, minha família sempre foi muito unida e há uns 3 ou 4 anos, o meu pai se distanciou muito de nós - eu o amo muito e por isso te peço ajuda - e começou a sair com a tesoureira da igreja, e depois também saiu de casa e hoje mora com ela.

Devido a tudo isto, minha mãe passou por um estresse muito grande e adquiriu um câncer de mama (segundo os médicos nos informaram o câncer foi devido ao estresse). Ela fez a cirurgia e retirou a mama, só que o seu pulmão, o seu rim e seus ossos também estão afetados.

Minha irmã então entrou em depressão e na semana passada teve uma crise tão forte que, quando eu cheguei lá, ela dizia ter ouvido vozes dizendo que era pra cortar os pulsos.


Casei em novembro passado, mas eu fico muito triste... Já me peguei por diversas noites chorando e pensando no rumo que tomou minha família... Foi algo que jamais pensamos que pudesse acontecer!
 

Com meu pai perdemos o contato. O aniversario dele foi em agosto; liguei pedindo pra ele almoçar comigo. Ele disse que ia, mas não apareceu e depois por diversas vezes tentei falar com ele e não consegui, porque ora dava caixa postal ora chamava e ninguém atendia...


Caio, por favor, me ajude em oração...

 

Já estive várias vezes no Caminho, e a partir de janeiro vou sair do ministério ao qual estou ligado e ficar no Caminho por diversos motivos. Mas gostaria que você orasse por minha vida e minha família.

Muito obrigado desde já!

 

Sou grato pela sua vida e oro pra que Deus te sustente e te ajude em todas as tuas dificuldades,


Atenciosamente,

__________________________

 

Resposta:

 

 

Meu filho amado no Senhor: Graça e Paz!

 

 

Senti seu coração e sua dor; dormi ao seu lado; também virei para a parede e chorei; chorei como se fosse eu; chorei como se você fosse o meu filho; chorei como se eu fosse aquele que estivesse com o pai fugido da verdade e a mãe morrendo de tristeza...

 

Mas não adianta chorar. É hora, mais do que nunca, de não ter pena de si mesmo; e, além disso, é tempo de olhar e dizer: “Senhor! Mostra-me o Teu caminho em meio a tudo isto!”

 

Sim! Pois, seu pai enlouqueceu de paixões, sua mãe enfermou de depressão, e sua irmã perdeu o desejo de viver. Você, porém, apesar de tudo, casou; e apostou no amor, e não no cinismo.

 

Se já era seu desejo antes de tudo, casar pode ter sido a melhor coisa que você fez.

 

Pelo seu casamento você sinaliza esperança. Isto, como disse, se o casamento não tiver sido fuga e evasão da realidade.

 

Pelo casamento você também pode animar sua mãe. É sonho de toda mãe sadia ver seus filhos casando e constituindo família.

 

Sua esperança é a melhor medicina para sua mãe e toda a sua família.

 

Graças a Deus nunca experimentei e nem me sinto capaz de experimentar o sentimento de fuga e evasão do real, em razão da culpa, como seu pai hoje experimenta em relação aos filhos.

 

Entretanto, mesmo estando sempre presente com os filhos, senti em mim o peso da grande culpa, quando, pecando, machuquei aos que amava e amo.

 

No caso de seu pai, a saída foi a evasão, não a presença. Fugiu.

 

Eu fiquei. Mas fiquei fugido de mim mesmo; e eles sentiram isso.

 

No entanto, em meio a tudo, meu filho Davi decidiu casar. Inicialmente temi que fosse apenas fuga e falei com ele. Então que ele estava firme.

 

“Não foi porque o seu casamento com mamãe não deu certo, que, por causa disso, eu tenha descrido do amor. Eu creio no amor. Mesmo que você não cresse, eu creria. Vou casar porque casar é bom quando a gente ama e é amado” — foi o que ele me disse; dando-me e dando-nos o presente da Hellena, minha netinha e meu amorzinho divino.

 

Seu pai foi covarde ente a dor que causou.

 

Quando uma pessoa causa muita dor e sabe disso, sendo firme, fica e encara a dor; e busca a cura dela para si e para os outros, até o fim, sem desistir jamais.

 

Entretanto, quando a pessoa não é firme no amor que tinha e tem; e mais: quando, no caso de separações motivadas por outra pessoa, tem-se ao lado, agora, uma pessoa que não ajude na promoção da paz, e que seja ciumenta e mesquinha na sua tentativa de afastar a pessoa de sua família —, então, em geral o resultado é esse que você sente e prova como profunda tristeza.

 

Ora, seu pai fugiu para não assistir a dor que causava pela separação e pela escolha que fizera de ter outra pessoa em sua vida. Depois que soube do que acontecera à sua mãe, então não mais veio pela mesma covardia: não quer encarar o fato de que nossas ações têm conseqüências; e que se tem que viver com elas, responsavelmente.

 

É fato que ele não é o RESPONSÁVEL pelo câncer de sua mãe. A separação foi o agente do stress. Pois, caso ele tivesse sido o agente motivador do câncer, sua mãe teria ficado estressada ao ponto de somatizar um câncer com ou sem separação.

 

Numa hora assim não vale dizer que o câncer foi gerado por ele, que é o que se faz sempre. Já basta a culpa que ele leva. Não se precisa fazer a tristeza dele ser para a morte também.

 

Assim, relembre a Palavra:

 

“Ainda que meu pai e minha mãe me desamparem, o Senhor me acolherá!”

 

“Mesmo que a mãe venha a esquecer-se do filho de seu ventre, eu, todavia, não me esquecerei de ti, diz o Senhor.”

 

Na vida a gente pode ter todas as razões para chorar, ou, então, pode-se fazer todas elas se tornarem em suco de amor e Graça.

 

Sim! Pode-se pensar para sempre na família que se foi e que já não se é; ou, então, pode-se crer no poder re-inventivo do amor; e, pelo amor, iniciar-se uma outra família, com as caras que ela puder ter; porém, sempre com cara de amor.

 

Certamente as coisas nunca mais serão como antes. Mas podem ainda ser diferentes e boas, mesmo que com outra face.

 

Ajude sua mãe a perdoar o seu pai. Seja para ela ser curada ou para partir em paz. Sim! Ela precisa perdoar. É um exercício de Graça que ela deve fazer para o seu próprio bem. Aliás, é uma Graça de Deus que ela precisa exercer como privilégio e benção da fé, não como sacrifício.

 

Sua mãe não partiu ainda. Por isto, ela ainda pode ser curada. Mas a grande cura em qualquer caso, creia, é perdoar.

 

Você é o signo de esperança de sua casa. Mas sua mãe pode ter um papel redentor na vida de seu pai e de sua irmã.

 

Se sua mãe perdoar o seu pai, na presença de vocês, e se seu pai aceitar tal perdão, sua irmã poderá ser salva da dor de morte que hoje a ameaça como pulsão suicida.

 

Sem falar que seu pai poderá ser salvo do estado de culpa e fuga no qual vive; e que você poderá ser a ponte entre todos; e sua mãe será feliz até morrendo.

 

As pessoas mais maravilhosas deste mundo sempre são as que não se vitimam por nada; e que, com fé e amor, transformam todas as coisas em coisas para a glória de Deus em suas vidas.

 

Honre seu pai como ele não honrou a sua mãe e nem a vocês como filhos!

 

Cresça. Fique maior que as circunstâncias.

 

Você poderá ainda vir a ser a benção de esperança e vida para a sua casa; e até para a casa de seu pai.

 

Quanto à sua mãe, creia: esta enfermidade não tem que ser para a morte, mas pode ser para glória de Deus, dependendo apenas do que ela resolva no coração.

 

Quanto a você, não esqueça: você agora é casado; e deve ser alegria para a sua mulher; pois, afinal, ela não é avalista do que aconteceu na sua família; e, agora, ela tem a família dela; e a família dela agora é você.

 

Ame-a com alegria e dê muito prazer a ela!

 

Então, não se exile na terra da vergonha de seu pai e não habite o mundo cinza e de sombras de sua mãe.

 

Seja sol de Graça para todos eles!

 

Sei que no Senhor você poderá todas as coisas!

 

 

Nele, que não nos ensina a lamentar, mas a vivermos em esperança e perseverança, em fé e amor,

 

 

Caio

9 de janeiro de 2009

Lago Norte

Brasília

DF