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Cartas

SÍNDROME DO PÂNICO em miúdos...

SÍNDROME DO PÂNICO em miúdos...

Prezado Caio Fabio:

Eu sou aquele que te enviou uma carta sob o titulo: Gente Com Baixa Imunidade Psicológica e Espiritual.

Caio, há dois anos estou nos EUA. Sempre foi um sonho vir para os EUA e aprender inglês fluentemente, e voltar para o Brasil. Mas desde o Brasil eu vinha em tratamento para a depressão e Síndrome do Pânico. Aqui continuo o tratamento.

Desde o Brasil eu vinha em tratamento para a depressão e síndrome do pânico, e que iniciaram depois do exame falso positivo de HIV, e da minha vida eclesiástica na A.D.

Sinceramente, depois de sua orientação muita coisa mudou em minha para o lado positivo.
Mas o que quero lhe pedir orientação agora é sobre minha vida aqui nos EUA:

Eu estou vivendo aqui há 1 ano ilegalmente, e sem carteira de motorista. Sinceramente, me sinto, às vezes, pior que os "pets" dos americanos. Dirijo com um stress muito grande de ser pego e mandado a Corte.

O motivo que me trouxe aqui foi aprender inglês, o que esta acontecendo de maneira muito agradável; e a única coisa que me deixa feliz por aqui é o inglês.

Estou há 1 ano e seis meses sem saber o que é um relacionamento sentimental, sem ser notado por nenhuma mulher... etc.

Estou com quase 33 anos de idade, com uma vontade imensa de viver uma vida sexual saudável. Por isso não quero viver sexo sem paixão, sexo pago... isso seria horrível para mim.

Sou profissional da área de finanças no Brasil, com uns 10 anos de experiência..., e, fico pensando... “e se voltar para o Brasil e ficar desempregado?”... e fico com medo da situação econômica do Brasil... e sei que se eu voltar para o Brasil, não consigo mais retornar aos EUA... mesmo tendo visto ate 2008.

Eu tenho medo de voltar para o Brasil e ficar pensando que sou fracassado, que não ganhei dinheiro para ter uma vida independente, que não estou falando inglês fluentemente...

Caio, por favor, me dê sua orientação, pois, confio muito em você.
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Resposta:


Querido amigo: Confiança no Senhor!

A dúvida aumenta a síndrome do pânico, e a síndrome do pânico aumenta a dúvida.

Então você fica num limbo, correndo atrás do próprio rabo, e com forte tendência à depressão.

Aliás, se esquecermos um pouco as questões de natureza “legal”—carteira de habilitação e documentos—e nos concentramos em seus sentimentos e motivações, há muita coisa interessante dita em sua carta, e que bem expressam as coisas que o atormentam.

“Eu tenho medo de voltar para o Brasil e ficar pensando que sou fracassado, que não ganhei dinheiro para ter uma vida independente, que não estou falando inglês fluentemente...”—foi a síntese do que você disse, sem falar numa repetição acerca de quando as síndrome do pânico e a depressão começaram.

De fato, deixando as amenidades psicanalíticas de lado, devo dizer que “Síndrome do Pânico” está intrinsecamente ligada a insegurança. Na realidade, trata-se de uma Fobia de Impotência Existencial, e que é chamada de síndrome apenas porque é externamente e internamente deflagrada por um conjunto de agentes combinados; daí ser uma síndrome.

Ora, sua declaração de medo de ficar pelos horrores da síndrome transformados em temores relacionados à ilegalidade da permanência, mais a declaração de que apenas o inglês o motiva a estar aí, e que segue para concluir que você só não volta agora pelo medo das interpretações dos outros a seu respeito, sem falar na ambigüidade de que tal retorno inviabilizaria sua volta para os States, mostra o “lugar psicológico” no qual você está; ou seja: num cubículo. Ora, em qualquer cubículo a gente sente pânico.

Na realidade, esse lugar psicológico fica mais apertado ainda. Isto porque você está cheio de vontade de estar com uma mulher, mas, ao mesmo tempo, não quer que seja algo sem “paixão”. Você também associou sua estada aí a não “ser notado por nenhuma mulher”, e, a sua volta, você relacionou à possibilidade de ser visto e notado. Ao mesmo tempo, inconscientemente, você acredita que falar inglês fluentemente lhe dará um certo upgrade nas possíveis influências sobre as mulheres do Brasil.

Ora, sendo simplório, lhe direi que o melhor lugar para você praticar a língua inglesa é com as americanas, e o português com as brasileiras.

As brasileiras não estarão impressionadas com o seu inglês. Isto porque sua impressão acerca do significado dessa sua viagem para os outros se confunde com o significado dela para você; assim como também as demais coisas.

Na realidade, sua vontade de aprender inglês, além da utilidade inequívoca que o idioma universal nos dá, também se mistura, provavelmente, com algo que se instalou em você na antiga bléia. Lá é que dá muito status ser “tradutor e interprete do inglês”. É ou não é? Sim, lá, saber inglês e poder interpretar dá ao cara um poder muito grande, e, sem dúvida, as moças adoram... na bléia.

Já vi muitos medíocres virarem alguma coisa na bléia por conta desse “dom de falar em língua inglesa”.

Pergunte-se: Será que as pessoas de fato estão esperando isso de mim ou sou eu quem impõe tais expectativas deles acerca de mim? E mais: Caso elas estejam, até por eu ter alardeado isto, o que elas têm a ver com as minhas decisões?

Meu amigo, o homem livre não é aquele que faz o que outros querem, mas o que é bom. E nada lhe será bom se lhe fizer mal.

Hoje em dia alguém pode aprender e exercitar o inglês em qualquer lugar da terra!

Síndrome do Pânico a gente deve aprender a vencer com fé simples!

Nesse caso, ao invés de criar um mapa dos problemas, seja simples, e, sem constrangimento, siga o que der paz ao seu coração.

Quanto à Corte, nela já estive algumas vezes, acompanhando meu filho Lukas, que algumas vezes cometeu violações de trânsito. É chato e custa caro. Sempre há uma multa salgada a ser paga.

No mais, o problema é que se algo, um acidente, acontecer, meu amigo, de fato o sujeito fica encalacrado. Portanto, tem a ver com acidentes, não com transgressões espirituais; isto porque se um acidente acontecer, mesmo que o sujeito esteja todo legalizado, o mal que o acidente fizer ao “outro”, feito estará; o que alivia é apenas o lado do infrator no acidente.

Em acidentes não há culpados, há apenas acidentados. E quando um acidente tem culpados, então é porque não foi um acidente, mas um atentado.

A Cura para a Síndrome do Pânico virá da capacidade de vencer a fobia de impotência pela fé, e, simplesmente decidir e confiar.

Não traga nenhum dilema moral ou social para a sua decisão. Decida conforme o que lhe for bom.

Quanto às mulheres, lhe sugiro que converse com as americanas sem medo. Você nunca sabe onde encontrará um grande tesouro.

Quem ama sempre fala em outras línguas!

Um beijão carinhoso!


Nele,


Caio