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Cartas

RESPOSTA A CARTA AO SENADO - I

RESPOSTA A CARTA AO SENADO - I

 

 

 

 

 

 

----- Original Message -----

De: RESPOSTA A CARTA AO SENADO - I

Enviada em: Wednesday, March 21, 2007 8:24 AM
Para: contato@caiofabio.com
Assunto: CARTA AO SENADO DO BRASIL

 

 

Prezado amigo!

 

Gosto muito de sua coragem e de sua sinceridade.

 

Sou professor de Direito Internacional Público em uma Faculdade local, e falo muito a respeito de nossos problemas globais, comuns a todo o resto do planeta, os quais têm sido colocados em segundo ou terceiro plano, pois interessam mais a eles, a legalização da  globalização como, a meu ver, uma legalização política da New Age, pois não há Estado Democrático de Direito em um poder Central, como pretendem. E, diante da coragem de sua carta, quero parabenizá-lo, e pedir a Deus que suas palavras encontrem os corações de nossos poderes constituídos, e quem sabe, esses problemas possam ser amenizados.

 

Que Deus o abençoe sempre.

 

Abraços,

 

Rui Novais.

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Resposta:

 

Querido amigo na vida e na esperança: Graça e Paz sobre você!

 

 

Amenizar é o verbo. Precisamente. Por que o que (a essa altura) há para se fazer além de buscar amenizar?

 

De certa forma que só se justifica no paradoxo da fé, é assim que será; pois, é assim que tem sido sempre, em escalas maiores ou menores.

 

Mas, num “mundo que se confessa global”, nada mais próprio do que problemas e calamidades globais.

 

“O que o homem semear, isso também ceifará”.

 

É a lei da Vida, quando se é sábio. Mas é a lei da Morte, quando se é louco.

 

E tudo o que vejo à volta é insanidade e loucura. É um louco espírito suicida. São ladrões de si mesmos e dos outros.

 

Creio que estamos colhendo com as nossas próprias mãos o plantio de nossas mãos ou de nossas mudas (por vezes perplexas, por vezes cínicas, por vezes medrosas) omissões.   

 

Creio que é trágico. E, por ser assim, a tragédia será a ideologia em muito pouco tempo. Ou seja: a necessidade fará o regime, como sempre.

 

Creio, todavia, que é da natureza do Evangelho trabalhar contra o cumprimento de todas as profecias de tragédia.

 

De tal modo, que se eu visse que Judas iria trair a Jesus, certamente deveria dizer a ele como isso seria trágico, e, no que me dissesse respeito, tentaria fazer com que ele visse que aquele seria um ato do mal. Mas é somente até aí que se pode ir.

 

Uma coisa que me chama a atenção é que tanto Isaías como Jeremias (profetas que advertiram acerca do Exílio de Judá em Babilônia), ao falarem que o Rei de Babilônia viria, invadiria Jerusalém, e a tomaria (como fizera a todos os outros em seu caminho) — viram os de coração arrogante leram aquilo de modo ideológico. Por isso, em razão de seus interesses de poder, acusaram os profetas de estarem “trabalhando em favor” da causa do opressor. E, assim, ideologizaram a fim de nada fazerem para mudar.

 

A inveja e a mesquinharia promovem a morte o dia todo, desde sempre.  

 

Desse modo eu quero ser entendido em tudo o que digo de sombrio acerca do mundo e de suas perspectivas.

 

Sim! Porque o Evangelho me autoriza a lutar contra todas as profecias de tragédia humana ou planetária.

 

E faço isto enquanto também julgo, por tudo o que sei da história humana e de sua prevalente mesquinharia, que somente um milagre global nos faria mudar a tempo; o que, do fundo do coração, não creio que venha a acontecer.

 

 

Não porque não creia que é vontade de Deus que Sua Palavra seja descumprida como tragédia em razão de nossa conversão de consciência. Mas apenas porque não vejo na História Humana nenhum testemunho consistente da existência de tal Dia.   

 

Por isto, creio que você usou a palavra certa: amenizar.

 

Espero que tenhamos uma hora dessas a chance de um café. Diga-me quando e onde.

 

 

Nele, que nos une na esperança da Vida,

 

 

Caio

 

21/03/07

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