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Cartas

QUERO JESUS, MAS TENHO DIFICULDADES COM O CRISTIANISMO

QUERO JESUS, MAS TENHO DIFICULDADES COM O CRISTIANISMO





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From: QUERO JESUS, MAS TENHO DIFICULDADES COM O CRISTIANISMO
To: contato
Sent: Wednesday, June 08, 2005 1:13 PM
Subject: Convicções que me atrapalham: cultura, sociedade e fé.


Tenho uma grande vontade de me converter ao Cristianismo e seguir o Evangelho, segundo a Graça.

Mas por outro lado eu penso:

Existem diversos tipos de crenças em diversas localidades do mundo. Nestas crenças, o conceito de Divindade é praticamente o mesmo, mas as formas de salvação são diferentes. Cada sociedade adotou, no decorrer dos séculos, uma determinada crença. A única coisa semelhante é a aceitação que Deus criou tudo.

Pensando nisso eu me pergunto: Porque achar que o Cristianismo é a "melhor"? Sendo que outros povos crêem com toda força na crença deles. Aliás, demonstrações de fé são vistas em diversas partes do mundo. Cada sociedade apresenta um tipo de fé peculiar, que sob alguns aspectos, pode ser considerada mais forte que a fé cristã.

Acredito que existe muita lavagem cerebral nas pessoas. E que muitos se permitem a isso. Não quero dizer que seja uma imposição, mas simplesmente fé. As pessoas acreditam e pronto. São radicais ou não. Acreditam na salvação, e ponto final.

Permita-me dizer:

Se você, Caio Fábio, tivesse nascido em outra sociedade, poderia ter assimilado outro tipo de fé, e hoje poderia estar adorando o Buda ou Alá, possivelmente com a mesma fé que você tem hoje.

O que você tem a dizer a respeito disso?

Tenho uma forte convicção que tudo se trata de filosofia de vida e resume-se na palavra Fé.

Volto a dizer: Quero muito conhecer o Evangelho e tenho ido ao Caminho da Graça. Posso estar sendo, por meio da minha ignorância, um relutante em aceitar a realidade que você tem pregado. Acho muito belo o seu trabalho no Caminho. Sempre repudiei a religião e a igreja. Você tem mostrado um outro caminho e outras visões do Evangelho. Mas ainda luto contra as minhas convicções narradas acima. Quero deixá-las de lado, e passar a enxergar o que pode estar na minha frente e ainda não vi, segundo a Graça e o Evangelho.


Aguardo a tua resposta. Gostaria muito de saber a tua opinião a respeito das minhas convicções e como eu poderia lidar com tudo isso.


Um grande abraço.
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Resposta:


Meu querido amigo: Graça, Paz e Revelação!


Você disse: “Tenho uma grande vontade de me converter ao Cristianismo e seguir o Evangelho, segundo a Graça.”

Comecemos por aqui. Ou você se converte ao Cristianismo ou se converte ao Evangelho da Graça.

Deixe-me explicar:

O Cristianismo é uma religião como qualquer outra, e, do ponto de vista do resultado histórico e existencial, o Cristianismo é tudo, menos a melhor religião.

Como religião acho que ele é um passo além do Judaísmo e do Islamismo.

É melhor que o Judaísmo porque é mais aberto, e não é uma religião cultural e étnica. É melhor que o Islamismo porque o Islã conseguiu ser mais louco e fanático do Cristianismo, se bem que muitas práticas morais do Islã receberam influencia direta do Judaísmo e do Cristianismo. Mas o Islamismo conseguiu ficar pior, em muitos aspectos.

Religião por religião, pessoalmente, eu acho o Taoísmo mais interessante. Ora, até mesmo a Psicologia do Profundo, do Buda, é melhor do que esquema moral e exterior das praticas religiosas cristãs.

Em ambas as religiões— o Taoismo e o Budismo—, é forte e essencial a mensagem de amor ao próximo, só que com resultados mais proveitosos para a alma do os obtidos pelo Cristianismo, visto que as morais e leis cristãs acabaram por matar a força do amor entre os cristãos.

A questão é que não creio em Religião, por isso, também não creio no Cristianismo.

Religião é sistema humano, disciplina humana, moral humana, sacrifícios humanos, e desespero humano para agradar a Deus.

Religião é o homem tentando se religar a Deus, por seus próprios meios e justiças próprias, e mediante um sistema de doutrinas ou exercícios espirituais, os quais, supostamente, fazem o homem chegar a Deus.

Ora, eu jamais creria em tal coisa, pois, não creio que haja meios do finito abraçar o infinito, e nem que haja modos do cego ver a Luz por esforço próprio.

Há dois arquétipos de relação com Deus no livro de Gênesis: o arquétipo Abel e o arquétipo Caim.

Caim representa a religião e seu esforço pessoal, moral, estético, ético, e formal de tentar agradar a Deus.

Abel representa a fé, sem moral salvadora, sem estética que encante a Deus, sem ética que dê superioridade ao cultuador e sem formalidade que supostamente agrade a Deus; posto que Abel não fez nada além de declarar que precisava de perdão e cobertura espiritual. Daí ter oferecido o sangue como admissão de sua culpa e como esperança de perdão: imolou o melhor de seu rebanho. E nada há de estético, de moral, de ético ou de formal em tal oferenda; sendo antes cruenta como a Cruz.

O Evangelho não é religião. Mas o Cristianismo é religião. Nele temos todas as formalidades das religiões, temos uma teologia moral, temos um corpo de doutrinas de forte influencia grega, e um sistema de governo inspirado pelos romanos, sem falar que a missa cristã é a repetição do sacrifício de Cristo, o qual é assim praticado para que a população pobre e simples fique sempre em permanente dependência do Cristianismo.

No Cristianismo Protestante e Evangélico, no inicio, se tentou resgatar a fé simples e original. No entanto, menos de 60 anos depois, tudo já era como dantes do Quartel de Abrantes.

Assim, os ritos, as formas, as imagens de santos, as heresias gritantes, e a convergência do poder de Deus e da representação de Deus antes feita pelo Papa, foram substituídos por outras coisas.

Ora, no Protestantismo se diz que os pilares da Fé são: As Escrituras, Cristo, a Fé e a Graça. Mas isso é só doutrina. Na pratica, o que vale é outra coisa:

As Escrituras são maiores do que Cristo, o qual já não basta conforme a manifestação de Deus em Jesus, sendo necessário que a isso se junte um corpo de doutrinas morais tiradas das Escrituras, não importando se caíram ou não em obsolescência de acordo com o que diz o Novo Testamento (em Hebreus, por exemplo).

Cristo, no Protestantismo prático e histórico, acabou por ser feito o Salvador da Chegada. Depois, todavia, que o indivíduo O confessa diante da “igreja”; daí para frente, tudo o mais depende da relação da pessoa com a “igreja”; e, sobretudo, se ela é capaz de manter a salvação por obras próprias. Ou seja: Cristo salva de Graça na chegada; mas a “igreja” assumiu a franquia do pedágio.

A Fé, também no Protestantismo, se tornou um corpo de doutrinas, e não mais a coisa simples e singela ante a qual Jesus dizia a pagãos de todos os tipos: “A tua fé te salvou!”

E a Graça nada mais é do que a doutrina que justifica a razão pela qual Deus pôde se relacionar com os homens sem transgressão de Sua parte. No entanto, na pratica, isso só existe na chegada também. Quando o individuo crê, diz-se que ele recebeu Graça. Porém, daí em diante, nada mais tem a ver com a Graça, mas sim com a justiça própria de cada um, a qual pode se manifestar como santidade moral, como legalismo de exterioridades, como participação assídua nas reuniões, como contribuição financeira feita como “pagamento do dízimo”, e como esforço de conformação à cultura evangélica, a qual, no curso dos anos, também, na pratica, se tornou meio de salvação.

Assim, meu amigo, não fosse o Evangelho, saiba, com minha mente e meu sentir, provavelmente eu não me tornasse nada se eu não tivesse tido a chance graciosa de conhecer Jesus; o que não tem necessariamente nada a ver com o “Cristianismo”.

Jesus não fundou o Cristianismo. Constantino o fez. E a fé em Jesus nada tem a ver com as invenções feitas pelo Cristianismo. Ora, se você quiser saber se o que digo é verdade ou não, apenas leia os evangelhos e veja se você encontra no Cristianismo os sinais daquela leveza, singeleza, graça, amor, misericórdia, poder de curar; e aquela vontade compassiva e inclusiva que você vê em Jesus em todos os Seus gestos e movimentos.

Assim, meu amigo, você precisa esquecer o Cristianismo a fim de encontrar o Evangelho!

Com relação às religiões dos povos, e também quanto ao que acontece a cada indivíduo que não ouviu nada acerca de Jesus, saiba: a “igreja” diz que estão todos perdidos. No entanto, isso é a “igreja” quem diz. Jesus apenas disse que muitos publicanos, pecadores e meretrizes precederiam os mais rigorosos filhos da mais estrita e legalista religião da terra—o judaísmo dos dias de Jesus—; e também disse que muitos haveriam de vir dos quatro quantos da terra a fim de assentarem-se com Abraão, Isaque e Jacó na mesa da Festa do Reino, enquanto muita gente com pedigree religioso ficaria de fora.

A pressuposição do Cristianismo é que Deus é um ser que colhe o que não semeou e ajunta o que não espalhou.

Ou seja: que Deus haveria de danar eternamente quem nunca ouviu a informação do Evangelho, o qual é “propriedade” da “igreja”.

Desse modo, se a “igreja” não tiver a boa vontade de ir contar aos povos o que Deus fez em Cristo, todos estão perdidos. É como se Deus tivesse deixado com a “igreja” a incumbência de salvar os homens. Nesse caso, Cristo teria morrido pelos homens, mas em vão terá sido a sua morte salvadora se os crentes não tiverem o bom humor e a vontade de irem contar isso a quem não sabe.

Assim, a mentalidade da “igreja” é idêntica à do homem que recebeu um talento para negociar e ganhar mais dinheiro, até que o dono do talento voltasse, mas que o enterrou, pois dizia: “Ele colhe onde não semeou, e ajunta onde não espalhou” (Mt 25).

Ora, a esse que recebeu o talento e o escondeu, Jesus chamou de servo mau, posto que imaginava de seu senhor algo perverso, sendo que a tal perversidade habitava, de fato, o coração dele. Portanto, o que ele via em Deus era equivalente à perversidade que ele cria existir na vida.

Desse modo, os cristãos, em geral, crêem que Deus haverá de danar a quem nada soube, e que haverá de condenar os homens apenas porque a “igreja” não levou a informação salvadora.

Ora, isto é perversidade dupla: em relação à concepção de Deus; e em relação ao poder malévolo que a “igreja” possuiria; pois, nesse caso, Deus teria entregue a humanidade ao capricho da religião.

Sinceramente, para mim, quem inventou isto foi o Diabo!

Paulo diz em Romanos 2: 12-16 que quem nada soube de coisa alguma, haverá de ser julgado pelo que recebeu, não pelo que não recebeu; posto que Deus não é como aquele que colhe o que não semeou e que ajunta o que não espalhou.

O fato é que Jesus é Sumo Sacerdote segundo uma Ordem sacerdotal não religiosa, e que não se prende a nenhuma genealogia sacerdotal, cultural, étnica, moral, ou religiosa.


Além disso, João diz que Ele é a Luz que vinda ao mundo ilumina a todo homem.


Portanto, eu digo: Ele é um Deus que fala de si mesmo, e que não se deixou prender ao capricho perverso da boca de homem algum.


“Por toda a terra se faz ouvir a Sua voz, e as Suas palavras até os confins da terra”—e isto com ou sem testemunho de homens; isto se a utilização que Paulo faz do salmo 19 (onde tais palavras estão escritas), em Romanos 10, for coerente com o que o salmo anuncia; ou seja: que há um testemunho de Deus no mundo, na natureza, na vida, nos sonhos, nas noites, nos dias, nos acontecimentos da existência, etc...—e que carrega a voz de Deus até ao coração dos homens.

Portanto, meu amigo, a questão nada tem a ver com o Cristianismo e com as religiões dos povos. E mais: Deus é amor, e Seu amor é justo e gracioso. Por isso, não precisa se preocupar com o que está acontecendo entre Ele e os humanos. A você, todavia, que ouviu o Evangelho, cabe abraçar essa dádiva como imensa Graça, e, assim, usufruí-la, e, quem sabe, fique tão cheio dela e do amor de Deus, que você mesmo descubra que quem prega a Boa Nova o faz porque deseja que todos os homens conheçam a libertação do medo da morte, da tirania dos espíritos, do controle dos homens, do poder manipulador do curso deste mundo, e da influencia maligna que alcança com entendimentos falsos as mentes da maioria dos seres humanos. Incluindo os Cristianismo, os quais, também precisam do Evangelho tanto quanto os Budistas, os Taoistas, os Mulçumanos e os Judeus. E assim digo apenas porque todos pecaram, e, igualmente, carecem da Glória de Deus.

Assim, meu amigo, deixe as religiões, e creia que Deus ama e cuida de todos os homens; e, assim, abrace o Evangelho, descanse na Graça, e caminhe pela Fé no que Jesus já fez e consumou em favor de todos os homens, reconciliando o mundo com Deus mediante a Sua Cruz.

Por último, saiba: O Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo em favor de todos: os que souberam e os que não ficaram sabendo!

Eu prego o Evangelho a todos os homens pois desejo que todos encontrem a Boa Nova de uma existência reconciliada com Deus, sem medos ou pânicos, e sem a angustia diabólica do juízo.

A você, Jesus diz: Vem!


Receba meu carinho!


Nele, em Quem ninguém será vitima de injustiça em nenhum lugar da Terra,


Caio