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QUEM GRITOU “CRUCIFICA-O”?

QUEM GRITOU “CRUCIFICA-O”?

 

 

 

 

 

----- Original Message -----

From: QUEM GRITOU “CRUCIFICA-O”?

To: contato@caiofabio.com

Sent: Wednesday, May 14, 2008 4:40 PM

Subject: Afinal, quem gritou "Crucifica-o!"?

 

 

Meu amado mano Caio,

Saudações e saudades! (Toda vez que penso: "Ôpa, agora vai dar pra ir pra Brasília!", acaba não dando certo... Mas, creio, este hoje chegará em algum destes amanhãs.)

Caio, perdoe-me por tomar seu tempo com uma questão de relevância aparentemente duvidosa, mas que, para mim, tem uma certa importância — não essencial, mas tem uma certa relevância que toca em alguns pontos que transcendem o fato em si. Isto é, quanto a “quem foi quem; quem gritou o quê”, seria só uma boba “curiosidade bíblica”. Importam-me muito mais as implicações de, eventualmente, vir a saber quem de fato exclamou “Crucifica-o!”, e sobre elas só não falo agora pra não me tornar por demais extenso. Assim, se você tiver um tempinho para responder, fico muito grato.

Pois bem, os que, como eu, cresceram em templos de denominações históricas ou tradicionais, e foram primeiro alunos e depois professores de escola dominical, sempre ouviram e/ou ensinaram que a multidão que aclamou Jesus por ocasião da sua “entrada triunfal em Jerusalém” —“Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!”— foi também a mesmíssima massa que, ante as duas opções de soltura a ela apresentadas por Pilatos —Jesus ou Barrabás—, vociferou: "Solta-nos Barrabás! Quanto a Jesus, crucifica-o! Crucifica-o!"

Fundamentados nessa aparente "variação bipolar do humor da coletividade", ouvi inúmeros sermões sobre a volubilidade das multidões, com a evidente conclusão de que "posto isso, a voz do povo não é a voz de Deus". OK, concordo que assim podem ser e reagir as massas, e a história demonstra que freqüentemente assim é. Porém, no caso em questão, minha dúvida persiste mesmo após ler os relatos dos evangelhos. E penso que você, por todo o conhecimento acumulado e experimentado quanto a praticamente tudo que diz respeito a Israel e à cultura judaica, é a pessoa mais indicada para me dizer algo realmente bem fundamentado.

Em contraponto ao que aprendi  e ensinei no antigo tempo dos templos, li algo a respeito, muito tempo atrás, num dos livros do A. J. Cury, da série intitulada Análise da Inteligência de Cristo (achei o título de uma arrogância tosca, mas depois, lendo os livros, entendi a idéia/proposta; e penso que, all in all, o Cury foi até feliz no que escreveu. Isso, no entanto, já não posso dizer em relação aos seus livros subseqüentes, que foram virando aquela água-com-açúcar de “best[a]-seller”.)

Pois bem, no livro a que me refiro, sobre o "Crucifica-o!", o Cury diz:




Ao voltar à fotaleza Antônia, Pilatos reúne os principais judeus e diz que não achara crime algum nele [Jesus] e nem tampouco Herodes, pois o havia devolvido. Portanto (...) se dispôs a soltá-lo.(...)

Os judeus não aceitaram o veredicto de Pilatos. Solto, o fenômeno Jesus se tornaria um perigo para os líderes da religião judaica. Diante da coação dos judeus contrários à soltura [de Jesus], (...) como era Páscoa, Pilatos propôs entre os presentes soltar um criminoso (...) [e] deu-lhes a seguinte opção: Barrabás ou Jesus. Havia nesta proposta duas intenções. A primeira era seguir sua consciência e soltar Jesus (...). A segunda era provocar os judeus, pois a opção que lhes deu era vexatória. Barrabás era um assassino; matou alguém de sua própria gente. (...)

O sinédrio, portanto, teria de decidir: ou soltaria um assassino ou o carpinteiro da Galiléia. (...) para o espanto de Pilatos, eles não apenas optaram por soltar Barrabás, mas clamaram em coro por ele.

Preferiram um assassino ao poeta da vida.

(...)

A soltura de Barrabás colocava em risco a vida de algumas pessoas, mas a do carpinteiro colocava em risco as convicções e as verdades dos líderes de Israel. (...)

Havia uma pequena multidão, algumas centenas de pessoas na presença de Pìlatos. Era composta de homens do sinédrio, seus serviçais e da coorte de soldados prendeu Jesus. Não era uma grande multidão e nem era a mesma multidão que amava Jesus, pois esta era enorme e compunha-se de dezenas de milhares de pessoas de Jerusalém e muitas regiões da Judéia, Galiléia, Samaria e outras nações.

Todos os filmes a que assisti sobre Jesus têm uma grande dívida em relação à sua história verídica. Não resgatam os fenômenos sociais e psicológicos que estavam presentes no âmago dos homens do sinédrio, na multidão que o acompanhava, na mente de Pilatos e nem na enorme multidão que estava em Jerusalém por causa de Jesus.

(...)

Jerusalém acordara perturbada. Pouco a pouco a notícia de que Jesus estava com o rosto mutilado se espalhara. Os que estavam insones ou dormiam ao relento afluíram primeiro em direção à fortaleza Antônia. Todos estavam ávidos por mais notícias. (...)

Enquanto isso, a pequena multidão dentro da casa de Pilatos reagia à soltura de Jesus. Influenciada pelo sinédrio, ela gritava: "Barrabás! Barrabás!
" Nunca um assassino foi ovacionado desta maneira. (...)

(Trechos extraídos de "O Mestre da Vida", de Augusto Cury, pp. 143-145. Academia de Inteligência. SP: 2001. Grifos meus.)



Deste ponto em diante, o Cury prossegue narrando e fazendo aplicativos das agruras do julgamento de Jesus. No livro seguinte da série, se bem me lembro, ele retoma o asunto afirmando que a multidão —não a “multidão” da casa de Pilatos, mas o "povão" mesmo— foi pega de surpresa quando soube do veredicto do julgamento overnight e chocada ao ver o Mestre dos mestres já em processo irreversível de cumprimento da sentença já prolatada: a crucificação.

Enfim, Caio, se você vir que existe alguma coisa nesta minha dúvida/pergunta que você perceba como pertinente à Árvore da Vida, e se vir que isto pode ajudar a mim e a alguém mais em algo, então, tendo um tempo, diga algo a respeito. Se, todavia, isto disser respeito somente à Árvore do Conhecimento, só posso redobrar meu pedido de desculpas pelo tempo que fiz ambos perdermos. Se for este o caso, então apenas peço que me avise, para que eu continue aprendendo a buscar discernir somente o que de fato importa.

Sou sempre grato. Grato a Deus. Grato a você. Grato a Deus por você. Grato a Deus por tudo, em tudo; sobretudo por quase nada saber e ter a chance de, em sabendo ou em não sabendo, ir-sendo nEle.

Um beijão e um abração, com toda a afeição deste aprendiz de andarilho e peregrino no Caminho,

Fausto
dJN

 

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Resposta:

 

 

Meu mano Fausto: Graça e Paz!

 

Cada um tem suas questões. Portanto, se há questão há sempre importância. Especialmente quando se trata de alguém como você.

 

Vejamos o que dizem os quatro evangelhos:

 

Mateus:

 

 

1

E, CHEGANDO a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos do povo, formavam juntamente conselho contra Jesus, para o matarem;

2

E maniatando-o, o levaram e entregaram ao presidente Pôncio Pilatos.

3

Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos,

4

Dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo.

5

E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar.

6

E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito colocá-las no cofre das ofertas, porque são preço de sangue.

7

E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo de um oleiro, para sepultura dos estrangeiros.

8

Por isso foi chamado aquele campo, até ao dia de hoje, Campo de Sangue.

9

Então se realizou o que vaticinara o profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, que certos filhos de Israel avaliaram,

10

E deram-nas pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor determinou.

11

E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes.

12

E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.

13

Disse-lhe então Pilatos: Não ouves quanto testificam contra ti?

14

E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado.

15

Ora, por ocasião da festa, costumava o presidente soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quisesse.

16

E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás.

17

Portanto, estando eles reunidos, disse-lhes Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?

18

Porque sabia que por inveja o haviam entregado.

19

E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele.

20

Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram à multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus.

21

E, respondendo o presidente, disse-lhes: Qual desses dois quereis vós que eu solte? E eles disseram: Barrabás.

22

Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado.

23

O presidente, porém, disse: Mas que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado.

24

Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso.

25

E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.

26

Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.

 

Marcos:

 

 

1

E, LOGO ao amanhecer, os principais dos sacerdotes, com os anciãos, e os escribas, e todo o Sinédrio, tiveram conselho; e, ligando Jesus, o levaram e entregaram a Pilatos.

2

E Pilatos lhe perguntou: Tu és o Rei dos Judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes.

3

E os principais dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas; porém ele nada respondia.

4

E Pilatos o interrogou outra vez, dizendo: Nada respondes? Vê quantas coisas testificam contra ti.

5

Mas Jesus nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se maravilhava.

6

Ora, no dia da festa costumava soltar-lhes um preso qualquer que eles pedissem.

7

E havia um chamado Barrabás, que, preso com outros amotinadores, tinha num motim cometido uma morte.

8

E a multidão, dando gritos, começou a pedir que fizesse como sempre lhes tinha feito.

9

E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que vos solte o Rei dos Judeus?

10

Porque ele bem sabia que por inveja os principais dos sacerdotes o tinham entregado.

11

Mas os principais dos sacerdotes incitaram a multidão para que fosse solto antes Barrabás.

12

E Pilatos, respondendo, lhes disse outra vez: Que quereis, pois, que faça daquele a quem chamais Rei dos Judeus?

13

E eles tornaram a clamar: Crucifica-o.

14

Mas Pilatos lhes disse: Mas que mal fez? E eles cada vez clamavam mais: Crucifica-o.

15

Então Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhe Barrabás e, açoitado Jesus, o entregou para ser crucificado.

16

E os soldados o levaram dentro à sala, que é a da audiência, e convocaram toda a coorte.

17

E vestiram-no de púrpura, e tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça.

18

E começaram a saudá-lo, dizendo: Salve, Rei dos Judeus!

19

E feriram-no na cabeça com uma cana, e cuspiram nele e, postos de joelhos, o adoraram.

20

E, havendo-o escarnecido, despiram-lhe a púrpura, e o vestiram com as suas próprias vestes; e o levaram para fora a fim de o crucificarem.

21

E constrangeram um certo Simão, cireneu, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a que levasse a cruz.

 

Lucas:

 

1

E, LEVANTANDO-SE toda a multidão deles, o levaram a Pilatos.

2

E começaram a acusá-lo, dizendo: Havemos achado este pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo que ele mesmo é Cristo, o rei.

3

E Pilatos perguntou-lhe, dizendo: Tu és o Rei dos Judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes.

4

E disse Pilatos aos principais dos sacerdotes, e à multidão: Não acho culpa alguma neste homem.

5

Mas eles insistiam cada vez mais, dizendo: Alvoroça o povo ensinando por toda a Judéia, começando desde a Galiléia até aqui.

6

Então Pilatos, ouvindo falar da Galiléia perguntou se aquele homem era galileu.

7

E, sabendo que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes, que também naqueles dias estava em Jerusalém.

8

E Herodes, quando viu a Jesus, alegrou-se muito; porque havia muito que desejava vê-lo, por ter ouvido dele muitas coisas; e esperava que lhe veria fazer algum sinal.

9

E interrogava-o com muitas palavras, mas ele nada lhe respondia.

10

E estavam os principais dos sacerdotes, e os escribas, acusando-o com grande veemência.

11

E Herodes, com os seus soldados, desprezou-o e, escarnecendo dele, vestiu-o de uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo a Pilatos.

12

E no mesmo dia, Pilatos e Herodes entre si se fizeram amigos; pois dantes andavam em inimizade um com o outro.

13

E, convocando Pilatos os principais dos sacerdotes, e os magistrados, e o povo,

14

Disse-lhes: Haveis-me apresentado este homem como pervertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem.

15

Nem mesmo Herodes, porque a ele vos remeti, e eis que não tem feito coisa alguma digna de morte.

16

Castigá-lo-ei, pois, e soltá-lo-ei.

17

E era-lhe necessário soltar-lhes um pela festa.

18

Mas toda a multidão clamou a uma, dizendo: Fora daqui com este, e solta-nos Barrabás.

19

O qual fora lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade, e de um homicídio.

20

Falou, pois, outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus.

21

Mas eles clamavam em contrário, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o.

22

Então ele, pela terceira vez, lhes disse: Mas que mal fez este? Não acho nele culpa alguma de morte. Castigá-lo-ei pois, e soltá-lo-ei.

23

Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos, e os dos principais dos sacerdotes, redobravam.

24

Então Pilatos julgou que devia fazer o que eles pediam.

25

E soltou-lhes o que fora lançado na prisão por uma sedição e homicídio, que era o que pediam; mas entregou Jesus à vontade deles.

26

E quando o iam levando, tomaram um certo Simão, cireneu, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para que a levasse após Jesus.

 

João:

 

1

PILATOS, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou.

2

E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura.

3

E diziam: Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas.

4

Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes: Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum.

5

Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homem.

6

Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele.

7

Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.

8

E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou.

9

E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta.

10

Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?

11

Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.

12

Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo: Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César.

13

Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá.

14

E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso Rei.

15

Mas eles bradaram: Tira, tira, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão César.

16

Então, conseqüentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram.

 

A história é simples:

 

Os principais sacerdotes e autoridades do povo [Sinédrio] o prenderam. Levaram-no a Pilatos. Até aí tudo é íntimo, e está circunscritos aos mencionados e aos servos do lugar e das autoridades.

 

A “multidão” começa pequena: apenas os serviçais, guardas e curiosos. Mas com o movimento até Herodes um aparato foi mobilizado e o dia já havia nascido.

 

À volta para Pilatos na Fortaleza Antônia já encontrou o povo mobilizado. Já beirava o meio-dia. A vida começava bem cedo. Às 7 da manhã tudo já estava fervilhando em Jerusalém.

 

Além disso, tudo se dá nas proximidades do Templo, o qual, desde bem cedo, sempre estava cheio.

 

Era época da Páscoa. Ora, isto implicava tanto em preparo ritual quanto em atividades que facilitassem a quietude durante a festa.

 

Por isto, naquela sexta-feira a cidade estava cheia também de visitantes. Portanto, na volta para Antônia, Jesus já foi visto por muita gente, e, assim, muitos já estavam próximos ao Litrostrotus, lugar final do julgamento.

 

Em todo o tempo todos os evangelhos vinculam o acontecido à insistência das autoridades religiosas do povo, o Sinédrio.

 

Assim, tudo começou como acontece na política. Uns poucos: as autoridades. Alguns: os que servem a tais autoridades. Uma pequena multidão: os curiosos e mobilizados pelos sacerdotes e demais autoridades...

 

E, após a visita ao Palácio de Herodes, uma outra multidão agregou-se ao grupo que apenas crescia.

 

Entre os que gritaram, certamente houve os que gritaram “Solta a Jesus”. Mas os evangelhos registram o que prevaleceu.

 

E certamente entre os que gritaram “Barrabás” deve ter havido também alguns que dias antes teriam louvado a Jesus com “Hosanas!”

 

Ora, eu mesmo conheço esse fenômeno. Já vi muita gente que dizia amar e crer na integridade de minhas intenções no Evangelho vir a dizer que eu “era o anti-cristo”—literalmente. E não eram “distantes”, mas “amigos”.

 

Na realidade os textos também mostram como os “bons” são “silenciosos”.

 

Muita gente não concordava, mas não erguia a voz!