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Cartas

QUE CRISTIANISMO É ESSE?- o único possível!

QUE CRISTIANISMO É ESSE?- o único possível!



 

 

 

----- Original Message -----
From: QUE CRISTIANISMO É ESSE?- o único possível!
To: contato
Sent: Wednesday, May 31, 2006 11:10 AM
Subject: Que Cristianismo é esse?...


Minha história é simples, porém, para mim tem se tornado um pesadelo.

Sou presbítero de uma igreja bem disseminada aqui em minha cidade, uma das mais antigas. Entretanto, tenho sofrido muito, pois não tenho suportado conviver com o grande farisaísmo existente em nosso meio: pastores comprando pastores, outros puxando o tapete de alguns, políticos barganhando os votos dos irmãos, obreiros brigando por dízimo, presbíteros se matando por poder, e por aí vai...


Tenho procurado viver o Evangelho da Graça e ensinar aqueles que estão sob nossa responsabilidade o propósito principal do Evangelho – o amor.

Contudo, me sinto como uma águia sozinha no espaço, pois, os demais colegas do ministério, parece não compreenderem a razão de nossa existência e não têm coragem de abrir a boca (aqueles que podiam) para falarem e se pronunciarem contra certos ab-surdos vistos no clero maior.

Já pensei em chutar o pau da barraca e apenas viver com minha família. Entretanto, me sinto persuadido pela esperança a continuar ensinando e compartilhando pelo menos com aqueles que estão conosco acerca do real Evangelho de Jesus, mesmo que isto me traga dores, terrores e perseguições.

Espero sua resposta... se for possível

Preciso...

Grande abraço
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Resposta:

Meu amigo: Graça e Paz!


Conheço as igrejas de sua cidade há mais de trinta anos. Conheço as disputas e doenças, as quais, não começaram ontem, mas são antigas. O que aconteceu é que aquilo que antes era feio, tornou-se horroroso.

Mas você pergunta: Que Cristianismo é esse?

Ora, o único possível. Ou desde que a fé em Jesus se tornou “Cristianismo” houve qualquer coisa diferente?

Historicamente o “Cristianismo” sempre foi como é. E as cisões e reformas, nada fizeram senão criar mais arrogância. Afinal, uma “religião” fundada na idéia de que a verdade é algo transferível por informação e catequese, e que tem seus dogmas, e que se julga a salvadora do mundo, pois, tem a “informação salvadora”, só pode ser e ficar como o “Cristianismo” é e se tornou.

Em Jesus não há um pingo de religião sequer. O que há é Deus na vida. Portanto, há uma espiritualidade imanente e transcendente, e que não é religião, mas tão somente caminho de consciência em fé!

Não há esperança para o “Cristianismo”. Aliás, por que deveria haver? Apenas por que o “nome” maior nas confissões é o de Jesus, e não o de Buda ou Maomé?

Na realidade Jesus está tão presente no “Cristianismo” quanto está no Islamismo! Sim, como ambas as religiões são praticamente iguais em seu espírito, se Jesus estiver no “Cristianismo”, certamente também está presente no Islamismo!

“Que ‘Cristianismo” é esse?”

O único que já existiu; pois sempre existiu assim!

Pegue qualquer livro de “História da Igreja” e você verá que nunca foi diferente!

O que fazer?

Ora, durante anos eu também cri que era possível mudar as coisas, lutando, inocentemente contra a afirmação de Jesus acerca da inconciliabilidade do Reino com qualquer estrutura humana e fixa.

Depois dei “razão a Jesus”. E vi que o que é fixo se desgasta e envelhece. O Reino, porém, é sempre livre e vivo. Está sempre em estado “hebreu-de-movimento”, especialmente de movimento existencial. Por isto, ao encontrar o judaísmo fixo e dogmático, Jesus apenas sofreu. E, além disso, não perdeu tempo tentando convencer o Sinédrio a mudar. Sim, porque os Sinédrios são imutáveis. Por essa razão, Ele pregou nas sinagogas, mas não investiu nenhuma esperança nelas. E ficou apenas até que tentaram apedreja-Lo. Daí em diante, Ele andou cada vez mais ao ar livre, e se juntou ao povo. Os religiosos é que foram atrás Dele, e quase nunca para aprenderem com Ele, mas apenas para tentá-Lo ou coloca-Lo à prova, conforme relatam os evangelhos.

Cada geração deve aprender de-novo o Novo do Evangelho!

Do contrário, trabalha-se em vão, buscando alcançar aquilo que Jesus disse que não é possível atingir, que é colocar pano novo em vestes velhas e esperar que a coisa toda não se estrague.

Por tal razão, a chamada Era Pós Cristã em nada me abala. De fato até mesmo a celebro. Isto porque estamos, agora, depois de 1700 anos (desde Constantino), tendo a chance, outra vez, de anunciar o Evangelho contra o Cristianismo, e em favor de Jesus.

Dá pena ver esse povo buscando Deus e encontrando o Ídolo!

Dá dó ver tanto potencial de sinceridade sendo corrompido pelos fariseus, os quais, conforme Jesus disse, são capazes de dar a volta ao mundo para fazer um “prosélito” que se tornará “filho do inferno” como seus missionários.

Para o povo o “Cristianismo” é a religião certa, a religião de Jesus. Grande é o engano, mas ainda há pureza em tal ignorância. Para os líderes, porém, o “Cristianismo” é apenas um negócio de poder (quando se é ainda quase-bem-intecionado); sendo que, para muitos, nem isso é; sendo apenas um negócio mesmo, com todos os perfis de um poder político e de domínio de homens sobre homens, em nome de “Jesus”.

Ora, nada poderia ser mais “anti-cristo”!

O “Cristianismo” é um grande sincretismo pagão. Tem elementos do evangelho (como informação), tem elementos da religião judaica (como formação), tem elementos das crenças gnósticas (como ritos de iniciação), tem elementos do culto à Mitra (como datas — o Natal no dia 25 de dezembro, aniversário de Mitra —; a Ceia Sagrada; o batismo ministrado por membros mais elevados na iniciação, etc...); tem elementos do culto à Isis, a Rainha do Céu que gerou um filho divino, sendo ela, portanto, a mãe de Deus; tem elementos da filosofia grega, incluindo o conceito de “verdade”; tem elementos das hierarquias de poder dos romanos, só que com as nomenclaturas mudadas; tem elementos do proselitismo judaico-fariseu; tem elementos das bruxarias européias, especialmente dos Celtas; tem elementos do Islamismo, incluindo a idéia de “guerra santa”; tem elementos de todos os cultos pagãos, especialmente no que tange às barganhas com a divindade, na busca do aplacamento da “ira de Deus” mediante sacrifícios, seja a Ceia Sagrada, seja o culto imperdível, seja o dinheiro como sangue de esforço dedicado ao “divino”. Isto para resumir!

Nos dias de hoje, mais do que nunca antes, especialmente entre os “evangélicos” (que são já mais pagãos do que os católicos antes da Reforma Protestante), o único “sacrifício” que vale é aquele feito com dinheiro. Sem dinheiro esse “Deus-Diabo” não ouve e nem atende ninguém.

Sempre há pessoa que quando me ouvem dizer isto, se escondem da verdade me julgando “amargurado”. Deus, o Único, sabe, todavia, que não estou amargurado, mas apenas desesperado para ver se alguns vêem e crêem.

Conforme foi nos dias de Josias, quando o “livro” ficou “perdido no templo” — e que, pela ignorância dele (do Livro), abria-se o espaço para toda sorte de perversões —, pode-se dizer que, à semelhança de tal ocorrência antiga, o Cristianismo também perdeu o Evangelho, o que o fez tornar-se essa coisa bruxificada e distante de Jesus.

O “Cristianismo” mata a Jesus todos os dias!

Assim, meu amigo, a fim de não me alongar dizendo as mesmas coisas de sempre, quero apenas lhe dizer o seguinte: pregue a Palavra com ousadia. E se o expulsarem, não se aflija; pois não estará acontecendo nada diferente do que a religião dos sacerdotes exclusivos fizeram com os profetas, com Jesus e com os apóstolos, especialmente com Paulo.

Se o perseguiram, simplesmente inicie uma reunião com quem deseja a Palavra simples de Jesus. E, ao fazer isto, pelo amor de Deus esqueça a religião. Do contrário, os vícios dela são tão arraigados em nós, que, logo, corre-se o risco de se estar fazendo igual.

Infelizmente é assim. Porém, felizmente, o Evangelho está vivo nos corações de gente como você. Sim, enquanto houver gente como você a Palavra estará livre. Portanto, não se prenda a nada contra o que Jesus morreu; e também não se acorrente a nada pelo que Jesus morreu para nos libertar!

Receba todo meu carinho e também minhas orações por você e sua casa!


Nele, que não é como “eles” dizem,


Caio