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Cartas

QUANDO A FELICIDADE BATE À PORTA...

QUANDO A FELICIDADE BATE À PORTA...

 

 

 

 

 

----- Original Message -----

From: QUANDO A FELICIDADE BATE À PORTA...

To: contato@caiofabio.com

Sent: Wednesday, January 16, 2008 15:13

Subject: RES: carta ao Caio Fábio

 

Caro Pr.Caio,

 

Tenho sido muito abençoada quando leio as respostas dadas às cartas, pela sua clareza e objetividade. Por esse motivo senti-me encorajada a compartilhar o meu conflito.

 

Fui criada em lar evangélico, os meus pais são da Assembléia de Deus e adotava um sistema rígido; questionar qualquer coisa era pecado de morte.

 

Casei-me bem cedo com um jovem da Igreja, meus pais achavam que assim poderiam preservar-me e que o meu futuro estaria garantido. Ele era policial militar. Na época fui alvo de muitas “profecias” que garantiam ser a vontade de Deus. Aprendi a gostar do jovem a custa de oração e jejum.

 

Tudo bem: vivi durante dez anos para ele, para meus filhos e para a Igreja, no meu entendimento, eu era a mulher mais feliz da face da terra.

 

Eu estava tão envolvida com minha família e com a Igreja, que eu não sentia nenhuma necessidade de ter uma profissão, meu coração era simples e o que eu possuía me bastava. Mas o marido cobrava muito, queria que eu trabalhasse. Sem profissão, era nítido pra mim que não valia à pena deixar os meus filhos nas mãos de terceiros para ganhar o equivalente ao que eu teria que pagar. Eu amava ser mãe, tinha prazer em ser esposa, preparar-me para o meu marido.

 

Um dia ele foi cedido para prestar serviço como Segurança Dignitário na Câmara Legislativa. Fiquei feliz, pois para mim era resposta de oração, o nosso salário aumentaria e eu poderia ficar mais tranqüila até os meus filhos terem idade para ficar sem a minha presença.

 

Não gastou muito tempo, em uma tarde de amor que eu havia preparado como era de costume, aos sábados, ele não agüentou e declarou que não me amava e que não estava suportando-me, pois eu parecia um “carrapato”. Fiquei assustada com o comportamento dele, mas quis ouvir tudo o que tinha pra falar.

 

A partir daquela tarde, esforcei-me muito para mantê-lo em casa, mas não adiantou. Foi quando fiquei sabendo que ele já estava excluído da Igreja por adultério e envolvido com coisas que eu nunca saberei.

 

Daí em diante, ele tinha prazer em desprezar-me, palavras duras foram anos após anos sendo combustível para que eu corresse atrás de uma profissão e, em pouco tempo, fui “abortada” daquele “mundinho” que me fazia sentir protegida.

 

Mais quinze anos se passaram. Meus filhos criados, abençoados, crentes, bem-sucedidos, sem dúvida sofreram com a situação, mas Deus cuidou muito bem deles.

 

Com 25 anos de casada, não consegui suportar a situação e os meus sentimentos já estavam transformando em amargura, então decidi pela separação. Não tive dúvidas, conversei com ele e tudo que pediu para que eu pagasse ou abrisse mão, aceitei a fim de ter a separação consensual. Um ano depois estava separada judicialmente e me sentindo a mulher mais feliz do mundo, livre e em paz.

 

A única dificuldade que encontrei foi suportar as opiniões, olhares, insinuações e pregações, mas dentro da minha alma havia paz, pois eu sabia exatamente o que havia acontecido.

 

Ano passado fui pedida em casamento por um jovem muito especial.

 

Eu nunca imaginava que isso pudesse acontecer, pois os meus planos era ter um cachorrinho e receber netos em casa!

 

Toda a família ficou muito feliz com a novidade e acabamos nos entendendo muito bem.

 

A única coisa que me incomoda é um conflito que existe dentro de minha alma, um sentimento de incapacidade: eu não consegui ir até o fim com o meu casamento.

 

Sempre que ouço pregações de que casamento é para sempre sinto como se eu tivesse sido derrotada. Nem sei explicar, só sei dizer que é muito ruim. É como uma facada no coração.

 

Oro, creio na graça de Jesus, leio a Bíblia, porém tenho a sensação de que quero ajustar as coisas de Deus às minhas necessidades e que estou contrária ao que Jesus ensinou.

 

Caio, o que posso fazer para zerar tudo e me sentir capaz de recomeçar?

 

Abraço fraternal

_________________________________________

 

 

Resposta:

 

 

Minha amada irmã: Graça e Paz!

 

 

Você não é uma derrotada. Deu-se em amor adquirido (via jejum e oração) a quem não amava de modo natural e espontâneo, entregou-se com amor e dando amor, e ainda preparava “tardes de amor” para ele; mas ele não quis.

 

Você parece ser uma mulher fácil de conviver, pois se mostra contente com o que tem. Afinal, fez as escolhas certas, como dar prioridade aos filhos à apenas dar satisfações idiotas a quem acha que mulher moderna trabalha fora.

 

Cuidou dos filhos com alegria e ainda agüentou mais 15 anos de desprezo explicito de um homem que não amava você.

 

Até mesmo agora, com os filhos criados, estava contente em ter um cachorrinho e uma casa arrumadinha para os netos.

 

Quem dera a maioria das mulheres tivesse o seu espírito!

 

O que vejo é a bondade de Deus galardoando a sua simplicidade e o seu contentamento.

 

Você não me parece do tipo que fica olhando, espreitando e buscando. Ao contrário: o que veio, veio espontaneamente.

 

Essas acusações que a acometem são frutos do legalismo da religião evangélica na qual você foi criada: a mesma que olha atravessado para você pelo simples fato de você ter sido enjeitada e traída.

 

Assim, deixe essa culpa falsa para lá e dê a você mesma a chance de conhecer uma alegria que sua alma sempre buscou e nunca teve.

 

Se a pessoa é gente boa de Deus mesmo, e se ama você de verdade, não tema. Sim! Especialmente porque sua família está ao seu lado.

 

Leia o meu site (www.caiofabio.com) e procure textos (em Busca) sobre perdão, culpa, Graça, etc.

 

Todavia, saiba: é fundamental que você entre sem sentimentos neuróticos de culpa nessa nova relação.

 

Sim! Pois culpa acaba até aquilo que é bom e puro!

 

É isto que tenho a dizer a você!

 

Receba meu abraço e meus votos de felicidades!

 

 

Nele, que é misericordioso,

 

 

Caio

 

18/01/08

Lago Norte

Brasília

DF