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Cartas

PRESBITERIANO DIZ: A RELIGIÃO E O LABIRINTO...

PRESBITERIANO DIZ: A RELIGIÃO E O LABIRINTO...

 

----- Original Message -----

From: PRESBITERIANO DIZ: A RELIGIÃO E O LABIRINTO...

To: contato@caiofabio.com

Sent: Friday, February 06, 2009 6:51 PM

Subject: Quem eu sou

A RELIGIÃO E O LABIRINTO

 

Bom dia Pr Caio!

 

Tenho lido suas respostas a diversas e complexas cartas. De fato, sempre vem o surpreendente-inesperado que nos faz pensar e pensar. Tenho sido flechado por suas respostas embora nunca tenha te perguntado nada. Confesso que vc não é aquilo que muitos diziam por aí... Apresentaram-me um Caio que ensinava sexo antes do casamento, que trocou a mulher pela secretária e que não aceitou a disciplina eclesiástica do presbitério porque era orgulhoso. Sobre o Dossiê, nem te falo nada... Sou sincero, a impressão que tive de vc era a mesma que tenho dos Bispos Hernandes e Sonia hoje.

Mas Caio, desde que encontrei seu site o Espírito me apresentou uma grande ajuda. Esclareceu-me estes “comentários” que recebia sobre vc.

Tenho sido edificado por seus escritos, suas respostas, suas pregações e suas experiências. Ao examinar aquilo que diziam de vc, descobri que diziam inverdades, para sobrepor suas “verdades religiosas”.

Certo, vou me apresentar agora. Sou um jovem presbiteriano, aspirante em conhecimento, em teologia, em saber. Nos 4 anos que sou membro dessa denominação evangélica, tenho sido assíduo nos trabalhos, radical defensor da teologia calvinista em todos os 5 pontos formulados em Dort, em resposta ao remonstrance; e até mesmo nas determinações da Comissão Executiva do Supremo Concílio, mesmo quando o assunto eram as palmas dentro do templo no culto solene.

Sempre tive orgulho da tochinha da Mocidade Presbiteriana, da qual sou presidente em minha cidade; e ainda tenho orgulho de dizer que sou um presbiteriano para os assembleianos, batistas, adventistas e católicos.

Surrei os meus olhos em ler os escritos de homens como Solano Portela, Augustus Nicodemus e outros presbiterianos-natos. Exagerei com esse lance de ser Reformado. Pra mim isso era tudo.

Habilitei-me em ser um presbiteriano, com isso deixei de ver o que além disso ultrapassasse...

Teoricamente dizia que esse ser era eu. Entrei nas subjetividades presbiterianas.., que eram expostas pelos seus diversos líderes. Pensava que isso bastava para que fosse um varão aprovado por Deus. Passei a querer ser aprovado pelos presbiterianos...

Hoje estou inexplicavelmente aflito, pairando nos meus pensamentos, tentando saber quem sou eu HOJE?

Sei pra onde não ir; seus escritos me ajudaram muito. Mas reluto na incoerência de viver num regime religioso que eu sei ser deturpado, sem conteúdo. As programações, os cultos, as pregações, enfim, tudo me incomoda, pois vejo muita incompatibilidade entre a “igreja” e a Igreja. Considero piegas as ministrações de cânticos forçando uma adoração que vejo não existir. Não consigo mais engolir as formas de Igreja que vejo hoje, como um empreendimento que atua pelo legalismo, sendo ela mesma confundida com o templo.

Dias atrás chamei o Conselho para dizer que eles estavam tratando o dízimo de forma incorreta, pois dando ênfase à esta prática, eles estavam impondo, adoecendo vidas, ensinando que ainda devemos praticar as ordenanças dessa lei (só dessa, das outras eles não querem saber), dizendo que quem não dizima esta em pecado.

Também recusei deles o diploma que eles deram a todos os “fieis” nos dízimos, sempre se apoiando em Malaquias 3. Teve até um Presbítero, que me decepcionou mais ainda dizendo que se eu não recebesse o diploma, não poderia exercer nenhum cargo. Mesmo assim não aceitei aquela ridícula postura. Quase abandonei a minha membresia, mais não recebi esse diploma. 

Não porei a minha fé em risco me apoiando em qualquer prática da lei como fator meritório para que eu conquiste a misericórdia de Deus.

Sempre dizimei, e continuarei sendo desprendido em manifestar minha gratidão e meu apoio à obra de Deus, (quando vejo ser de Deus mesmo), através de ofertas, de tempo, de trabalho, e até mesmo do dízimo; não por causa da imposição da lei, e sim por causa de seu conteúdo que é perfeito. Mas sei que minha fé só é significante quando atuante pelo amor que excede a toda lei mosaica.

Essas práticas os fazem pensar que por meio delas poder-se-ia ter argumentos diante de Deus. É uma forma de esconder a idéia de garantir a salvação pela lei, porque, para eles, na prática, Cristo não é suficiente.

É triste!

A fé é uma desculpa para não praticarem toda lei, e o dízimo é a desculpa para dizer que a fé deve ser manifestada através também da prática da lei.

Contradições...

O Pr disfarça..., mas ama a Teologia da Prosperidade, Teologia Moral de Causa e Efeito, ama a idéia do gafanhoto migrador... Disse que quem não possui sucesso é porque está pecando em alguma área. Enfim, ele é cheio de contradições, e como é constrangedor corrigir um Pastor nessa espécie de liderança inerrante, em total submissão e acomodação ao fato dele ser quem ele é. Pois ou você fica calado, ou vc é caricaturado como insubmisso e rebelde.

Fui massacrado pelo conselho e pelos doentes que estão imersos nas deturpações desse “evangélicalismo”.

Passei muitos dias servindo a aparência, vi isso, e não quero mais isso. Isso corrói como um câncer. Ainda sou presidente da Mocidade, mais ainda não sei quem eu sou hoje; só sei que o meu conhecimento veio ter muito mais sentido depois que vi suas postagens desvendando a natureza da fé que salva, embora seja vc apenas um instrumento do Altíssimo.

Estou longe de quase tudo neste mundo, mas me sinto perto da verdade.

Me ajude com sua sinceridade, psicologia e apego à verdade, que fala por vc pelo poder do Espírito Santo.

Deus te abençoe, seja Ele louvado...

Obrigado!

______________________________

 

Resposta:

 

 

Meu mano amado: Graça e Paz!

 

Já em 1994 muitos pastores presbiterianos ficaram em cima do muro quando eu enfrentava a IURD e seus líderes, dizendo que aquilo estava fazendo escola e que corromperia o que ainda havia restado de igreja entre nós.

De lá para cá houve polarizações: de um lado estão os “universais presbiterianos”, que são assim como o seu pastor: nem se declaram neo-pentecostais e nem deixam de ser; e, do outro lado, estão os Nicodemus...

Conheço essa moçada toda, e digo: entre eles não existe presbiteriano nato.

O que é um presbiteriano nato?

Como ele é medido?

Pelo tempo de casa?

Pela fidelidade a Calvino?

Pela ranhetice persecutória?

Não! Calvino, como não era burro, se aqui estivesse, diria: “Como vocês conseguiram ficar assim?.. e ainda, supostamente inspirados em mim? E mais: quem disse a vocês que existe algo a ser cultuado como um presbiteriano nato?”

O Solano eu conheci em Manaus, quando ele apareceu por lá e acabou Presbítero na igreja que meu pai pastoreava. E, naquele tempo, ele já era como ele é: um presbiteriano chato e meticulosamente interessado em letras e não em vida. Vida para ele é comportamento..., não é ser..., não é amar..., não é verdade como sinceridade..., não é nada além de acertos de doutrinas e de condutismo moral superficial.

O Nicodemus eu conheci ainda bem crente, desejoso de avivamento, buscador de Deus, amante de reuniões de oração e de evangelização; e mais: andava de sandálias havaianas e estava sempre de calça jeans. Naquele tempo ele sonhava com coisas que fizessem queimar o coração.

De fato, morro de dó quando vejo que tudo poderia ser diferente,mas virou isso...

Hoje todos são senhores de tronos, de cátedras.

Não fiquei no meio presbiteriano [digo: no nível ministerial] apesar dos insistentes pedidos de meu pai, minha mãe, minha mulher e até do meu amigo amado, Reverendo Guilhermino.

Mas eu não queria...

Fui re-instalado no Presbitério de Niterói, mas, depois de tudo feito, escrevi agradecendo, porém, declinando da reinstalação ao ministério.

Para mim, dizer “não”, não era rebeldia, era apenas honestidade inadiável.

Hoje, além de tudo aqui no “Caminho da Graça”, sou ainda membro da Catedral Presbiteriana do Rio, que é minha igreja-família-histórica. Prego lá; e enquanto meu amigo Guilhermino lá estiver, lá pregarei.

Quanto ao seu dilema, sinceramente, não sei o que dizer.

Que dizer? Pedir para você ficar? Procurar outro lugar presbiteriano? Mudar de denominação?

No fim, meu irmão, cada um faz o que gosta, e é tudo a mesma... gosta.

Recomendo a você menos angustia teológica e mais oração.

Também recomendo a você a leitura do meu livro “Sem Barganhas com Deus”, que você acha como e-book aqui no site.

O que lhe digo é que estou aqui; e mais: que se você precisar de um grupo para reunir-se, procure um grupo do “Caminho” próximo à sua casa; porém, sabendo que no “Caminho da Graça” não tem essas idiotices..., mas que existem outras, pois, onde há gente, creia: aí há idiotice...

 

Receba meu beijo e minhas orações por você!

 

 

Nele, que é Único,

 

 

Caio

7 de fevereiro de 2009

Lago Norte

Brasília

DF