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Cartas

POR QUE O SENHOR FICOU TEMPORARIAMENTE AFASTADO?

POR QUE O SENHOR FICOU TEMPORARIAMENTE AFASTADO?

-----Original Message----- From: Giuliana Sent: terça-feira, 17 de fevereiro de 2004 00:21 To: contato@caiofabio.com Subject: POR QUE O SENHOR FICOU TEMPORARIAMENTE AFASTADO? Mensagem: PASTOR, A mídia especulou, pessoas falaram, pastores idem... mas gostaria de saber diretamente do senhor. Não tenho nada contra o senhor, mas se temos quaisquer motivos de queixa contra alguém... não é falando com o vizinho que se resolverá o problema. Portanto, pergunto diretamente para o senhor: O que aconteceu de fato que contribuiu para seu afastamento, mesmo que temporário? Perdoe minha aparente audácia...é porque não quero ouvir o que terceiros possam falando, sem antes ouvir do senhor. Deus o abençoe muitíssimo. ****************************** Minha querida Giuliana: Graça e Paz! Eu não entendi muito bem a sua questão, mas vou tentar ser preciso com o que dela senti. Responderei, mas não sem antes lhe dizer que trata-se de um concessão ao seu tom, e ao espírito que li em você; afinal, este assunto é velho, e está explicitado aqui no site, sem falar que muitos dos conteúdos em Cartas carregam a minha história também. “Motivo de queixa contra outrem”—você disse que nada tem contra mim...e sei que é verdade...pois nada fiz contra você. Portanto, nem motivo de queixa você teria. Se eu fosse dizer o que a Bíblia diz sobre o assunto do “se teu irmão te ofendeu”...ou ainda do “se teu irmão pecou contra ti”...ou quem sabe ainda algo relacionado ao “...se te lembrares que teu irmão tem algo contra ti...”, esta carta viraria um tratado. De fato, numa situação como essa, a única coisa própria a dizer é: “Pastor, morro de curiosidade...me diga o que aconteceu...”; ou, quem sabe:”...não gosto de ficar ouvindo comentários...sendo que eu não sei nada...e nem tenho como falar o que não sei...” Mas como eu disse, falarei em consideração ao seu tom, e ao modo sereno e simples como você colocou as coisas. Sua questão foi: “O que aconteceu de fato que contribuiu para seu afastamento, mesmo que temporário?” Bem, “o que aconteceu” foi que me separei conjugalmente em 1998, depois de quase 25 anos de casamento, e quatro filhos hoje adultos. Ora, “isto” foi para mim a maior de todas as dores. Eu quis ficar quieto...em silêncio...e tentando me acalmar. “Afastamento temporário”...de quê? Da pregação? Sim! não sairia por aí pregando...seria cinismo com meu próprio coração. Era tempo de luto. Da “igreja”? Sim! a “igreja” foi minha esposa amada por trinta anos...mas já fazia uns dez anos que eu não conseguia mais ouvir nem mesmo a sua voz...ela me falava com a voz de Gômer, a mulher de Oséias. Da Igreja? Não! Jamais! Eu sou ela e dela...e ela é um Corpo indivisível. Nela eu encontrei meus irmãos...e por eles fui amado e consolado...sempre. Do Brasil? Sim! Por um ano...mas voltei no fim de 1999. Todavia, durante 1998, enquanto apanhava, e em 1999, enquanto lambia as feridas, escrevi dois livros para distrair a minha alma...que recusava consolar-se. Escrevi o Nephilim, e o Tábuas de Eva. Em 2000 voltei a pregar...bem devagar. Em 2002 abri o Café com Graça...e escrevi o Enigma da Graça. Em 2003 comecei o site www.caiofabio.com e voltei a pregar na Catedral Presbiteriana do Rio, minha igreja, que não tem sido “igreja” para mim...nunca. Em 2004 aceitei o convite do Bispo Paulo Garcia, velho amigo, da Catedral Episcopal Carismática para pregar 10 dias por mês lá no Recife. Também aceitei o convite do amigo Guilhermino Cunha, da Catedral Presbiteriana, para pregar todas as terças-feiras e um domingo por mês. Recebo centenas de convites. Aliás, jamais deixei de recebê-los aos montes...mesmo em meio aos turbilhões. Mas quase não aceito nenhum...faz trinta anos que viajo...e não tenho muito prazer nesse vai-vem. Bem, foi “isto” que aconteceu...e não foi decisão que ninguém tomou por mim, pois eu mesmo a tomei, em solidão, antecipadamente. Sim, todas as decisões, do divórcio ao desligamento de grupos e instituições às quais eu pertencia, ou era presidente de honra, ou pastor honorário, foram tomadas por mim. O que passar disso, diz apenas respeito a pessoas que pertencem a um grupo muito mais íntimo, e que viveu minhas dores junto comigo ou gente que sofreu as mesmas dores. Mas nada há que seja do interesse do “grande público”, à menos que o interesse seja o da santa fofoca. Receba meu carinho e minhas orações! Nele, que torna tudo simples, Caio