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Cartas

POR QUE NÃO MUDAMOS SUBITAMENTE?

POR QUE NÃO MUDAMOS SUBITAMENTE?

 

 

 

 

----- Original Message -----
From: POR QUE NÃO MUDAMOS SUBITAMENTE?
To: contato@caiofabio.com
Sent: Wednesday, August 16, 2006 1:17 PM
Subject: Fé e Obras


Caio,


As cartas de Paulo, no geral, são divididas em duas partes: uma onde ele fala sobre a fé em Jesus, o "estar em Cristo"; a outra, é o resultado dessa fé expressa em obediência, em deixar a ira, a prostituição, a inveja, e se revestir de bondade, compaixão, amor.

Paulo parece dizer que ESTE é inevitavelmente o resultado DAQUELE.

Ocorre que, quando nos vemos em falta com algum dos quesitos listados por Paulo, pensamos logo que não cremos ainda como deveríamos ter crido.

Por exemplo, Paulo diz que o homem que morreu e ressuscitou com Cristo busca as coisas de cima, ou seja, faz morrer tudo o que é carnal: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus, ganância... Abandona sentimentos como: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar...; e também se reveste de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Porém, quando nos vemos falhando num desses pontos, isto nos faz
pensar que ainda não morremos e, muito menos, ressuscitamos com Cristo; isto é, ainda não cremos de fato."

Pergunto: Esse resultado da fé é automático ou processual?

Abração,


I.S.
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Resposta:

 


Meu querido amigo: Graça e Paz!

 

Quando conheci Jesus, julguei que tudo seria muito mais imediato e súbito. Cria que os processos, quando existissem, seriam sempre curtos. Tinha pressa e me conhecia pouco. E não somente me desconhecia, mas também não conhecia a natureza de todos nós, como hoje conheço um pouco melhor, sempre a partir de mim mesmo, é claro.

Hoje sei que toda conversão, por mais profunda queseja, sempre realiza algumas coisas de modo súbito, e um monte de outras, em número bem maior, de modo processual.

Também sei — sempre a partir de mim mesmo — que as coisas que um dia subitamente foram subitamente resolvidas, sempre voltam mais adiante a fim de serem processualmente tratadas. Como também sei que muitas coisas que foram e são tratadas processualmente, um dia, sem mais nem menos, subitamente desaparecem.

Assim, digo a você que Aquele que começou boa obra em nós consumará todas elas em nossas vidas, em Cristo Jesus.

A ira de ontem, não é como a de hoje. A murmuração da juventude, não é como a da maturidade e nem como a da velhice. A lascívia do idoso, não é como a do jovem.

Por isto, todas as coisas que foram “subitamente resolvidas”, mas que não foram processualmente tratadas, voltam. Pois têm que ser tratadas em fases diferentes de nossa vida.
 
No entanto, também digo a você que boa parte da confusão se deve à radicalização na interpretação, conforme sua carta: “Paulo diz que o homem que morreu e ressuscitou com Cristo busca as coisas de cima, ou seja, faz morrer tudo o que é carnal: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus, ganância... Abandona sentimentos como: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar,... e também se reveste de: compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência.”

Assim, você diz que quem morreu, busca, e quem busca, logo encontra, ou quem sabe, encontra de modo imediato.

Ora, se o que existe entre buscar as coisas lá do alto, e a transformação — for um nada, um “coisa alguma” de tempo; então, saiba: estamos todos em estado de insolubilidade.

Mas o próprio Paulo lhe diria que inúmeras coisas vencidas, voltaram com outra face mais adiante na vida. E que algumas contra as quais ele lutara toda a vida, e que iam e vinham, agora, de súbito, se haviam retirado como espinho na carne, como incomodo, para sempre.

Escrevi e falei livros no passado sobre isto. Obviamente que nos livros eu mostrei a base bíblica, com as devidas referencias. Entretanto, em meu livro “Sem Barganhas com Deus” há um capítulo sobre o assunto. Leia. Sei que você vai gostar muito. E que lhe dará qualquer outro esclarecimento. Aqui no site, em artigos, creio que você encontrará um texto sobre Gálatas cinco.  


Nele, que nos instruiu para toda boa obra,

 


Caio