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Cartas

PENSEI QUE SABIA O QUE ERA ‘DEUS É AMOR’. MAS NÃO SABIA

PENSEI QUE SABIA O QUE ERA ‘DEUS É AMOR’. MAS NÃO SABIA



 

CARTA AO SR. REV. CAIO FÁBIO


A paz do Senhor Jesus Cristo seja contigo Rev. Caio!

Venho por meio desta conversar com o sr.; ou talvez seja apenas um desabafo; ou talves seja uma confissão... Sei lá... Mas sei que o sr. vai entender. Algumas coisas que vou lhe falar são das profundezas da minha alma, por isso peço ao sr. que me oriente a respeito de algumas delas.

Espero em Deus que um dia virei a ser seu amigo, não pela pessoa pública que o sr. é, mas pelo prazer da amizade de alma. No decorrer desta carta o sr. vai entender que não estou sendo hipócrita, pelo menos estou tentando não ser.

Sou pastor, tenho 31 anos, me converti 03 de novembro 1994, a 11 anos atrás, numa das maiores “Igreja” Pentecostais” do Brasil. No começo era tudo mais ou menos. Imagine: mais ou menos já no começo...

Eu logo de cara comecei a absorver tudo o que me ensinavam: não pode usar chorte, nem cabelo cumprido, nem assistir televisão, nem jogar bola, nem fazer esporte, nem beijar na boca, nem isso, nem aquilo... E a lista é bem maior ainda. Bom, tudo ia se indo...
 
Logo eu já era conhecido por ser fiel a “doutrina”, e todos me diziam: “Você está indo muito bem”; e, Rev. Caio, eu estava fazendo de coração, como se realmente Jesus gostasse de tudo aquilo. Era o que pensava eu pelo menos. Já se haviam passado 3 anos e eu não tinha recebido o batismo no Espírito Santo ainda. O sr. está entendendo? Eu faço tudo que me mandam e eu não recebo o batismo com fago; e isso em uma “igreja pentecostal”!?

Então comecei a me angustiar e a fazer um monte de perguntas aos meus líderes na época. Nesse tempo, eu já pregava, embora não falasse “línguas estranhas”, mas Deus tinha me dado o dom da palavra.

Na minha primeira mensagem, preguei mais de 45 minutos, sem esboço; e todos diziam:

“Isso é um milagre!” — e eu realmente notava que o Senhor me dava muito conteúdo nas mensagens.

Neste ministério “DEA”, não sei se o sr. sabe disso, mais os pregadores são completamente relaxados com tudo o que o sr. imaginar em relação a mensagens. Não lêem a Bíblia, só no púlpito; e ficam apedrejando o povo; são tendenciosos, ficam escolhendo versículos isolados para jogar no povo... Para o senhor ter uma idéia, há alguns poucos anos, eu adquiri um livro cujo tema é “Palestras em Teologia Sistemática” de um escritor batista, e quando mostrava a alguém ou a algum pregador, em quase todas as cidades onde ia, nenhum deles sabia o que era “aquilo” diziam eles.

Até os mais “inspirados e espirituais” não haviam nem ouvido falar no assunto. A moda era abrir a Bíblia em qualquer lugar e tentar “interpretar” tudo na hora do culto. Eu já ouvi cada besteira tão grande que até o sr., com a experiência que tem, ficaria escandalizado.

Então perguntava angustiado para os líderes por que eu não recebia o batismo com fogo; e eles me diziam que “era por que eu não tinha fé para ser batizado”. Aí eu entrava em pânico... “como assim? não tenho fé, eu cumpro a cadeia de ‘atividades’ da igreja, faço tudo que me mandam, como assim não tenho fé?”

O sr. não imagina como me eu me encontrava, totalmente frustrado, um pregador pentecostal que não era batizado pelo Espírito Santo? Que derrota!

Então eu fui estudar a Palavra. Nessa época comecei a fazer estudos indutivos, me afundei em teologia sistemática, devocionais, estudos em ggeral; até os originais fui aprender a fim de acabar com aquele buraco que havia dentro de mim; pois eu me sentia mentiroso. Afinal, eu era, como diziam alguns, “um pregador sem línguas dos anjos”; e isto me fazia sentir horrível, com vontade de largar tudo.

Nessa época, pela misericórdia de Deus que é grande, pra me consolar, Deus começou a me usar para pregar mensagens com conteúdo e profundidade, o que eles nunca haviam visto ainda; digo para glória de Deus! Pastores de outros ministérios vinham com seus membros nos dias que eu ia pregar. Mas isso não me deslumbrava em si. O que me chamava atenção é que parecia que eu era um pregador convidado, pois o meu coração já não estava mais ali; contudo eu amava as pessoas e era por causa delas que estudava a Bíblia. Nem era por minha causa mais. Eu me sentia desprezado por Deus ao mesmo tempo... não sei explicar direito.

Nessa mesma época estava em uma livraria evangélica, quando olhei e vi um livro que me chamou a atenção: “Esboços de A a Z”; o sr. já ouviu falar reverendo? Quando comecei a folhar, pensei: “Que livro é este, com tanto esboço maravilhoso?”; e eu notei que aqueles esboços não eram aqueles esboços bobos, do tipo óbvio; então comecei a pregar compulsivamente aqueles esboços; e me apaixonei pelos esboços. E alguns diziam: “Ele é o Apóstolo da Palavra” — querendo me arrebatar para me fazer rei. Mas eu sentia que havia algo muito errado em meu coração.

Eu não conseguia me desvencilhar das “coisas da igreja”. O legalismo, que conheço hoje, mas não conhecia na época, transformara este ministério em um cemitério espiritual. O povo é perseguidor, idolatra o sr. Missionário, julgam as pessoas, mentem descaradamente, os obreiros são arrogantes como se fossem donos da verdade, têm todas as características do farisaísmo e mais um pouco... Inventam coisas e dizem “que Deus mandou dizer”. É um horror!... e eu comecei a ver isso e pensar: “Meu Deus, o que estou fazendo aqui?”

Mas eu já começava a lutar contra isso. Teve um dia que depois que havia acabado de pregar e ia saindo do altar, alguém disse: “O ‘fulano’ (eu) é liberal; não prega a doutrina” — e eu olhei para ele e perguntei: “O que é a doutrina?” E ele ficou confuso, e enquanto tentava formular algum sofisma, eu lhe disse: “Leia Gálatas capítulos 2,3,4 e fique triste com Paulo, pois a lei não pode salvar”; e ele me disse: “E os costumes?” Eu lhe disse: “Cada povo tem o seu e eles não podem salvar. Cabelo cumprido e saião, sem Jesus não adianta”.
 
Isso para mim era loucura. Eu acabara de “despregar” o que pregava antes de ser iluminado. Mas não importava. Eu estava alegre e não sabia explicar o que era; e iria continuar minha “reforma particular”; iria pregar as 95 teses ou 105 ou 80 ou o que me viesse à mente, no meu coração, mesmo tendo vontade de pregar na porta da “DEA”.

Parei de pregar coisas que não tinham cunho Bíblico e fui batizado com o Espírito Santo e com fogo. Aí confirmou a verdade para mim: eu andava longe da graça e perto da “lei”.

Estou resumindo para o sr. entender melhor. Logo depois disso comecei a me saber salvo não pelas obras, mas pela graça; e comecei a pregar sobre isso também. No inicio com um pouco de dificuldade por ter vivido na lei e agora estar vendo tudo com outros olhos. Tudo me era novo, como se tivesse me convertido de fato. Foi estranho e ao mesmo tempo fantástico.

Passei muita perseguição dos obreiros. Diziam que estava ‘teologizado’, o que era mentira, porque a teologia só me foi um escape para solidão espiritual; mas acabou levando a fama de tudo. O ministério me perseguiu me tentando por para fora, mas como não tinham respaldo para me lançar fora, inventavam coisas a meu respeito...

A inveja chegou ao ponto que, nos dias em que eu ia pregar, alguns obreiros ligavam para os membros e diziam para eles não irem no culto, que ia ter aniversário de alguém aqui e ali... Ora, eles mesmos pregavam que quem deixava de ir a igreja para ir a aniversário estava em pecado; estranho não?

Mas o povo estava comigo. Era tanta gente que eu não sabia de onde vinham... E eu pregava para arrancar a tampa do bueiro. Pregava com tanta sede, que os demônios se manifestavam no corpo das pessoas na hora da palavra. O povo estava alegre porque eles já tinham notado que havia algo errado lá, mas ninguém perguntava ou somente se conformava: era normal. As pessoas falavam “que era frieza”, mas todo mundo era igual... Então quando comecei a pregar sobre Graça, era como eu estivesse respondendo a uma pergunta que estava subentendida, mas não havia sido feita publicamente.

Bom, pastor Caio, agora quero te falar o que aconteceu comigo nestas últimas duas semanas, e por isso quero orientação... Sei que o sr. pode me orientar...

Eu ainda congrego nesta “igreja”, não sei como ainda, mas o fato que estou lá, e sou o pastor. Foi um escândalo! Eu, separado para ser pastor deles, e não pregar os costumes! E isso no meio de obreiros bem mais antigos e que pregavam os costumes sem parar. Ninguém entendeu nada. Eles ficaram roxos de raiva. A congregação tem muitos membros e eu os amo. Por isto insisto que ninguém tem que ser “cão de guarda” para ir ao céu.

Mas a minha vida mudou de novo e o sr. está no meio. Eu tenho um amigo que também é irmão na fé, e eu participei da sua conversão. Ele se formou bacharel em teologia pela A.D.  Ele também tem a mesma opinião sobre as “igrejas”; e quando nós estamos meio “deprê” por causa da situação das ”igreja” que o sr. inteligentemente chama de doença, nós nos reunimos, e começamos a dizer um monte de coisas, algumas tem coerência, outras é só para divertir; e ele me diz: “Estou com raiva da bléia;... não agüento mais...”; e diz ainda: “É, mano, acho que vamos acabar juntos em algum canto por aí”; e eu digo: “Vamos partir para uma Reforma”; e damos risadas com a situação.

Pastor Caio, o sr. não vai acreditar. Na semana do Natal estive na casa dele e enquanto conversávamos algo aconteceu. Eu queria a “igreja certa” e estava angustiado; e o pior: estava indagando a Deus, e eu dizia: “Deus, nesta igreja que estou, não dá pra ganhar almas, as pessoas vem na frente, levantam a mão, mas não ficam!”

Eu queria a igreja certa, pensei em ir para essa ou aquela, mas parecia que Deus queria falar comigo alguma coisa; e eu precisa me tornar sensível ao Espírito para entender; era como se Deus não quisesse que eu saísse, mas também não quisesse que eu ficasse.

Enquanto conversava com meu amigo, olhei e vi um livro. Estava escrito “Confissões do Pastor”. O sr. já ouviu falar deste livro? Pedi emprestado; e ele me disse: “Toma cuidado que não tem mais nas livrarias, quem tem, tem; quem não tem, perdeu!”; e eu comecei a lê-lo compulsivamente... Em dois dias já tinha lido-o todo; e fiquei como que em transe ante o que eu acabara de ler; e pensei: “Meu Deus, nós não precisamos mais das ‘igrejas’ certas, não precisamos nem de “igrejas!””

Aquilo entrou em mim com uma força tão grande que minha esposa (30 anos) me perguntava: “O quê está acontecendo? Você está estranho!”; e eu lhe disse: “Acabei de descobrir o inferno”; e ela disse: “Você teve uma visão do inferno?”; e eu disse: “Não! O inferno é o sistema chamado cristianismo!”

E ela ficou assustada comigo pensando que eu estava desviado ou desviando da fé, sem saber que eu acabara de descobrir que nós já estivéramos desviados, não da “Igreja”, mas da Graça de Deus. Mas não quis assustá-la. Ela não entenderia naquele momento. Tudo isso aconteceu nestas últimas duas semanas.
 
Havia um problema entre mim e minha esposa, que era o seguinte: Eu dizia para ela que ela tinha quer ir a igreja mesmo sem vontade, para ajudar meu ministério pessoal, se não, eu não poderia pregar mais... Veja que absurdo, pr. Caio! Mas ela não tinha mais vontade de ir à igreja que eu estava pastoreando, não por minha causa mas por que ela já tinha visto que a “igreja” era um sistema mau e injusto. Ela já estava escandalizada porque um presbítero fiel a igreja, 29 anos trabalhando sem folga, foi colocado na rua porque não cumpriu a meta financeira da igreja. Colocado na rua mesmo. Quem o acolheu foram os “ímpios” da rua.

Quando li “Confissões do Pastor” me senti imundo e sujo e vi como eu era hipócrita ainda. Cheguei para minha esposa e falei:  “Me desculpa, eu errei com você. Você não precisa ir para igreja ajudar meu ministério pessoal, eu não tenho um ministério pessoal. Vá à igreja quando quiser ver os irmãos, orar, glorificar, se alegrar, caso contrario, você não precisa dela”. Ela começou a chorar e dizer que estava feliz; e nos abraçamos; e ela disse: “Eu orava para Deus te iluminar; afinal, você é servo Dele.”

Então, esta semana, segunda feira, corri para o seu site e li até a conta ficar bem alta. Li sobre “O Caminho e o Clube” e chorei; li “Quando o Evangelho Virou Cristianismo”, e chorei de novo. Está resolvido. Deus usou o sr. e me abençoou. Não preciso da “Igreja Certa”, nem da “Igreja Institucionalizada”; só preciso de Jesus na minha vida, no meu coração e ganhar os de fora, não para sair de fora, mas ficar lá fora, ganhando outros de fora, para ficar lá fora, ganhando outros de fora...

Ontem, terça-feira, foi o culto de doutrina; e eu preguei “A Diferença entre O Clube dos Santões e o Caminho da Graça”; preguei com tanta sede que alguns disseram que viam faíscas sair da minha boca. Eu não vi nada, só via as estatuas quebrando dentro dos corações.

Pr. Caio, não o conheço pessoalmente ainda, mas te amo. Obrigado! Estou chorando de novo. Um dia vou convidar o meu amigo e iremos ao Caminho da Graça, estar com o sr. e falar sobre Jesus.
 
Se o ministério que congrego me aceitar assim, tá bom. Se quiser me expulsar, é um favor que me fazem. Vou continuar pregando que “A minha graça te basta...”

Quero que o sr. me diga algo agora. Estou sentando com meu amigo para começarmos um projeto novo, sem cara de “mais uma igreja”. Iremos aos templos fazer seminários de Bíblia pura. O que o sr. acha?

O sr. já me ajudou muito em Cristo. Acho que foi mais porque eu queria que o sr. soubesse que escrevi. Se não escrevesse, sentiria que estaria roubando o direto do sr. glorificar ao Senhor Jesus como eu agora o glorifico.
 
Ainda vamos nos ver!
 
Paz e Vida Abundante!
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Amado amigo e mano no Reino: Graça e Paz!


Que linda a sua carta!

Sim, sei bastante acerca de sua denominação em razão de já ter sido presidente da Associação Evangélica Brasileira, conforme você leu no “Confissões”. Ora, em razão do cargo, tive que estabelecer contato com todo mundo, de A a Z, incluindo o grupo ao qual você um dia de coração pertenceu... e hoje apenas freqüenta.

Sua história me alegra e me faz bem por várias razões:

1. O Espírito sopra onde quer. E é isto que tenho crido, orado e aqui declarado; ou seja: que o Espírito vai fazer chover graça de entendimento até durante a noite; e muitos dos sinceros na “igreja” haverão de se converter ao Evangelho, assim como aconteceu com você. Sim, da “igreja”, pastor, pregador carismático, porém ainda não convertido à consciência da Graça, que é o próprio Evangelho. Isto porque, para mim, o grande acontecimento dos próximos anos será um grande movimento de conversão de cristãos ao Evangelho.
 
2. As noites se abrirão em sonhos e os dias em visões, e, assim, de súbito, do dia para a noite, um exército de discípulos do amor de Deus haverá de se erguer sobre a terra, sem bandeira, sem líder, sem dono, sem cabeça e nem cauda; mas apenas como Corpo de Cristo, onde Ele é o Cabeça.


Quanto ao mais, eis minhas sugestões:


1. Não saia logo pregando o que você está lendo. Deixe tudo entrar e ser decantado em seu peito. Leva tempo para virar um entendimento espiritual mais profundo do que apenas intelectual. Assim, leia a Palavra e leia o site. A Palavra você lerá cada vez com mais entendimento; e o site o instruirá com muitas ajudas simples de percepção. Mergulhe nele, pois, aqui neste espaço virtual, há o germe de uma revolução de Deus e de Seu Evangelho.


2. Dedique este ano à leitura e à oração acerca de todas essas coisas novas para você. Paulo se recolheu três anos no deserto. Meditar, orar e jejuar, foi o que Jesus fez antes de abrir a boca. Isto pode lhe parecer desestimulante, porém, depois de 32 anos pregando, vendo, sentindo, observando, ouvindo, etc...— se perguntado, como o fui por você, é este um dos mais sábios conselhos que tenho a dar a quem prega algo que ainda lhe é novo.


3. Tente vir com seu amigo ao encontro do Caminho da Graça, este ano, em fevereiro, durante o carnaval, em Brasília. As informações estão no site. Ou, então, escreva para o Marcelo Quintela. Basta achar o e-mail dele, no site, no link “Caminho em Santos”. Ele está mais perto de você e poderá ajuda-lo com todo amor e carinho.


Quanto ao mais, tenho a dizer que a batalha ainda nem começou...

Muitos se levantarão contra a Palavra da Graça, como quem sente coceira nos ouvidos.

E haverão de blasfemar, inventar, maldizer, espernear, ameaçar, criar estórias, etc...

Mas ficarão aí; pois, saiba: maior é Aquele que não deixará um certo “evangelho” passar por Evangelho.

Porém se ouvirá nos ares o zumbido cortante das intenções deles, que são de morte e não de vida.

Leia no link Reflexões o texto “O Caminho da Graça Para Todos”— Partes I e II.

Sim, leia e você terá uma idéia rápida e simples do que a Palavra ensina sobre o Povo do Caminho.

Receba meu beijo, carinho e orações!

Pregue o que tiver raízes em você e onde quer que venham a deixar você falar! Deus vai plantar você onde Ele desejar!


Nele, em Quem todo aquele que crê é batizado no Espírito Santo, que é sinônimo de conversão, e é também selo dela; e isto conforme o ensino do Evangelho,

 


Caio

 

Escrito em: 16/01/2006