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Cartas

PASTOR, QUAL É O PROBLEMA DESSES CARAS?

PASTOR, QUAL É O PROBLEMA DESSES CARAS?



----- Original Message ----- From: PASTOR, QUAL É O PROBLEMA DESSES CARAS? To: contato@caiofabio.com Sent: Friday, January 20, 2006 10:54 PM Subject: QUAL É O PROBLEMA DESSES CARAS? Oi, pastor Caio! Que saudades! Quere te dizer que você é fundamental na minha compreensão da Palavra de Deus, da liberdade em Cristo e da certeza do amor de Deus. Obrigada! Te acompanho há anos, como todos nós. E a minha pergunta é simples: por que esses caras, digo, os líderes, que fazem parte da “banda boa” dos chamados evangélicos, e que depositam as suas canetas em sua mesa, e tiram-lhe o chapéu, nunca chegam a lugar nenhum? Vejo apenas eles dizerem que entendem o teu entendimento, mas isso não vai adiante... E são cabeças que teriam todo o potencial para não só ouvirem, mas também para dar fruto no que ouviram. Muitos são intelectuais respeitados, articulistas de revistas, tidos como pensadores poéticos, romantizados, que fazem Jesus ficar tão bonitinho, mas que nunca deixam a semente da imagem morrer para darem fruto. Não apóiam você, não por você, eu digo. Mas porque se assumissem, o evangelho do reino seria mais propagado. Ou o que eles preservam é mais importante do que o que eles crêem? Parecem com aqueles caras que Jesus menciona nos evangelhos, que não entram e não deixam ninguém entrar. Falando numa linguagem de Nárnia, eu pergunto: Cadê a força dos amigos do rei? Se eles não a têm nem para eles mesmos? Como ficam os que precisam do reino? Se os amigos do rei preferem a conveniência? Por que eu só ouço e leio você falar do reverendo Guilhermino Cunha? Onde estão aqueles que dizem reconhecer a verdade em suas mensagens, livros, poesias, artigos, e até sandálias havianas? Onde estão aqueles que dizem que reconhecem a verdade e ouvem a voz de seu Pastor? O Pastor deixou de falar a verdade porque a 'ovelha' se divorciou? Talvez eu até pudesse rir, se não fosse tão sério o desprezo que eles têm sistematicamente dado à Palavra que você tem recebido de Deus. Poderia ter sido qualquer um... Você não tem culpa de ter sido você. Perdôo todos eles. O problema é ver tanto talento não ser nem enterrado... ser vestido de conveniência medíocre, numa hora como esta, quando todos nós já vimos o nosso próprio desespero. Este é o meu protesto, o meu clamor e a minha esperança. Que os homens rompam com os seus salários e se rendam a Deus! Simples assim! Pastor, cadê eles? Hei! homens de Deus, cadê vocês? Pastor você já nos explicou muitas vezes que no nível humano, quem não é contra nós, já é por nós; eles ainda estão nessas pequenas causas. Eu estou é ouvindo a voz reverberante do Senhor, dizendo: Quem comigo não ajunta, espalha. É pelo reino, e não pelo Pastor Caio. Quem tem ouvidos para ouvir ouça. E ouçam rápido. Se puder, dê-me um conforto. Porque eu sei que você é um homem demais, para tentar encontrar uma resposta para esse tipo de comportamento escorregadio, inoperante e dobre. Nele, que perdoa a minha indignação, Natalia Grudiewa _____________________________________ Resposta: Querida amiga Natália: Graça e Paz! Quando os homens se escondem do inimigo, Débora julga a terra. Quando Deus decide virar Homem, é uma mulher quem banca a responsabilidade entre os homens. Quando todos queriam um nome ao lado de Jesus, elas apenas serviam anônimas. Quando a Cruz se ergueu e todos fugiram, elas continuaram ao pé da Caveira. Quando os homens desistiram de toda esperança e ternura como gesto simples, foram elas as que se levantaram de madrugada e foram fazer carinho no morto que encontraram Vivo. Ainda bem que mais do que nunca chegou a hora em que, em Cristo, já não há mais desculpa para haver distinção entre homem e mulher, entre ricos e pobres, entre os diferentes, e entre homem e homem. Afinal, é ridículo que o ‘mundo’ tenha chegado a essa compreensão muito antes que o povo que diz ser de Jesus. Paulo diria: “É vergonha para vós outros que assim seja!” Sobre sua questão, penso o seguinte, e isto sendo tão genérico em tudo quanto você sabiamente foi. Primeiramente, vejo que alguns tinham ressentimentos antigos a meu respeito. Embora muitos outros me amassem mesmo. Mas havia o grupo dos amigos-ressentidos, e que nunca diziam nada. Estavam presentes em tudo. Aceitavam todos os convites que eu a eles fazia. No ‘particular’ eram risonhos e carinhosos, e expressavam gratidão por tudo o que por eles, naquele tempo, eu fazia. Se perguntados, naquele tempo, a meu respeito, sempre falavam o melhor. Se desejavam se fazer representar bem, me intimavam. Se eu não podia ir, ficavam zangados. E sempre me vi sob o olhar de alguns deles. Olhares diversos. Alguns me julgavam autônomo demais. Outros distante demais. Outros me julgavam envolvido em coisa demais. Outros muitos entristecidos por eu não estar envolvido nas coisas deles. Enfim... sempre senti todas as formas de vibração, menos a da franqueza amiga e corajosa, sem falar que já senti as costas queimarem muitas vezes pelas invejas do pior tipo: a piedosa. Creio que dinheiro é quase sempre a base de todas as inseguranças daqueles que crêem, mas não assumem. No entanto, para alguns a questão não é só a do salário, mas também a da reputação, da imagem, da segurança institucional, da vaidade dos cargos, da ostentação dos títulos, do poder denominacional... E, sobretudo, medo de fazer rupturas verdadeiras. Isto porque quando a alma se vicia na ‘média evangélica’, o cara se torna um ser que vive para não ser abraçavel, visto que ele tem que ser diplomata, em razão de que existe no meio da liderança uma etiqueta que é chamada de “ética pastoral”, a qual nada mais é que a manifestação do álibi da frouxidão e da covardia existencial de quem não quer seguir Aquele que não tem onde reclinar a cabeça. O “Cristianismo” conseguiu tirar o senso de entrega à morte que o Evangelho instila na alma do verdadeiro discípulo da Cruz. O “Cristianismo” é o premiador da autopreservação. Assim, o bom pastor não é o que vive sem medo da morte, mas aquele que não anda perto dessa possibilidade. Autopreservação é o que o ministério-pastoral-feito-profissão, gerou nas almas inseguras de muita gente, que não tem mais a coragem existencial de viver de modo desassombrado. Pela fé apenas. Além disso, há muita vaidade nesse meio. Talvez muito mais do que em qualquer desfile de moda. O pior vaidoso é aquele que fica vaidoso de Deus. E o mais medíocre é aquele que fica vaidoso de sua igreja. Dizem que um grupo de escoteiros é feito de um monte de menino vestidos de homem correndo atrás de um homem vestido de menino. No meio pastoral, infelizmente, não é nem assim. De fato, trata-se de um monte de meninos brincando de ser homem de Deus. Mas a maioria pula da carroça na primeira ameaça de virada... Jesus disse que somente o amor pode nos salvar de tal estado. Sem amor, tudo o que sobra é mais vaidade de meninos e garotinhos. Assim, todos querem ser presidentes de tudo... Mas chegará a hora em que o bicho vai pegar...; e, aí, todo mundo vai ter que parar de brincar de ‘pique esconde evangélico’, pois, o Titanic da Terra está afundando; e grandes serão as Bestas que todos os bestas terão que enfrentar. Nesse dia a frescura terminará. E todos verão de que espírito são. Entretanto, como a “igreja” usurpou o lugar de Jesus, e se assentou no lugar santo, como um abominável da desolação, então, enquanto estiver tudo bem, todos ficarão brincando de Deus e de igreja, enquanto se distraem com infindáveis discussões, propostas, releituras, reflexão de conteúdo, etc... Estou falando da ‘banda boa’, como você falou, pois a ‘banda podre’, essa, sinceramente, torce para que piore logo, visto que para eles, quanto pior melhor. Enquanto isto, Natália, folgo em Deus por sua consciência e percepção; e lhe digo: se no Brasil houvesse apenas uns 100 pastores com a coragem e o entendimento que você demonstrou, mesmo no pouco que disse, então, saiba: esta terra mudaria. No entanto, como disse no início, este é o tempo em que não há mais desculpa para se esperar pela lerdeza dos homens. Portanto, eu oro: Que o Senhor levante a milhares de mulheres com a sua coragem, ousadia e discernimento. Sim, erga a sua voz e pregue. Clame. Diga o que pensa. Espíritos como o seu não foram feitos para ficar calados; assim como a luz não foi feita para ficar debaixo do vaso, mas no velador. Minha mulher leu a sua carta e disse a você que assina em baixo, visto que ela, desde há muito, mesmo antes de me conhecer, fazia perguntas desse tipo. Sobre eu sempre falar no reverendo Guilhermino Cunha como um amigo de todas as horas, faço-o porque é isso mesmo que ele é e foi até hoje: um amigo na glória e na humilhação; na honra e na desonra; no tempo de abundancia e na estação da falta de tudo; e, sobretudo, sempre com gestos de sinceridade, seja na frente, seja na minha ausência. Eu tenho amigos queridos, gente da melhor qualidade de consciência espiritual, e que me diz que não agüenta mais... que têm vontade de chutar o balde... de partir para o que crêem... Entretanto, quase todos me dizem que têm medo de não agüentarem o preço a pagar... Sim, juízos, interpretações, eventuais diminuições de confortos e seguranças... e, mais que tudo, o nome e a reputação. Assim, ficam entre a ruptura e a re-puta-ção! Pois acabam vendendo a alma ao que não acreditam. Embora haja muita gente que ache que a igreja já deu o que tinha que dar, e, agora, é apenas viver para receber dela um salário como aquele que se recebe de um banco, um clube ou um escritório de marketing. Saiba, entretanto, que há uma nova geração; e que tal nova semente não depende da “igreja” para ter dinheiro. Eu creio que da liberdade desses que há algo novo nascendo. Assim, repito a você, sabendo que você é parte desse novo que nasce pela mão de Deus: Quando os homens se escondem do inimigo, Débora julga a terra. Quando Deus decide virar Homem, é uma mulher quem banca a responsabilidade entre os homens. Quando todos queriam um nome ao lado de Jesus, elas apenas serviam anônimas. Quando a Cruz se ergueu e todos fugiram, elas continuaram ao pé da Caveira. Quando os homens desistiram de toda esperança e ternura como gesto simples, foram elas as que se levantaram de madrugada e foram fazer carinho no morto que encontraram Vivo. Obrigado pelo carinho, respeito e admiração que senti em sua carta! Deus a guarde e a preserve! Nele, que nos uniu no Amor que nos redimiu, Caio