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Cartas

Pastor Libera Perdão?

Pastor Libera Perdão?

-----Original Message----- From: Quem Ofendeu Quem? Sent: sexta-feira, 15 de agosto de 2003 To: contato@caiofabio.com Subject: Contra Ti... Mensagem: Oi! Pastor Vou te perguntar algo que é simples, mas pra mim é intrigante. Sei que vem de Deus a atitude do ser humano perdoar, se sentir perdoado, etc... O que não entendo é o seguinte: Se tenho um problema com alguém que me fez algum mal, mesmo sem que eu tenha nenhuma culpa no cartório, terei que pedir perdão ao meu ofensor para poder ser abençoada? Se o problema for com o Pastor agrava ainda mais; pois já ouvi pastores falarem que se não se pedir perdão ao pastor; o ofensor, mesmo sem culpa no cartório, carregará uma maldição até que peça perdão. Agora, como posso pedir perdão a alguém se não lhe fiz mal; e, portanto, não tenho do que me arrepender; e se o ofensor foi o outro, até o pastor? O que faço? Não fica tudo tendo como base pura mentira e fingimento? Por favor, me explique, pois, não entendo. Acho que perdão deve ser pedido e também liberado. Mas de coração realmente arrependido e cheio de sinceridade. Senão... Estou errada? Um beijão, *************************** Resposta: Minha querida amiga no Senhor: Mateus 18 é claro. Se teu irmão pecar contra ti. Se for contra ti—digo: contra aquilo que tua consciência chama de verdade—, vai ter com teu irmão; se ele se arrepender; ganhaste a teu irmão. Primeiro, o objetivo não é nunca vencer o irmão na razão, mas ganhá-lo para si mesmo, para a comunhão na verdade. Segundo, se trata de algo que o ofendido tem que fazer. Quem se sente ofendido, que se expresse. De início, apenas um a um; olho no olho. Depois, não havendo acordo, que se leve um ou dois irmãos, e que se trate do assunto; mas tudo isto ainda apenas nesse nível, íntimo. Em havendo a persistência do dolo, a comunidade dos irmãos deve ser informada; e mais: deve considerar aquele que não deseja a paz na verdade, como alguém que não faz parte daquela comunhão. Mas ali não se dá o direito de ninguém ir se meter na vida de ninguém; nem tampouco de alguém se sentir ofendido na subjetividade de algo que objetivamente não foi feito contra o outro, que, às vezes, é até mesmo um ser “paranóico”. Em Mateus 5, Jesus fala do outro lado da história. Pressupõe que o ofensor tem uma consciência sensível na Graça de Deus; e, por isso, é capaz de se enxergar ainda no caminho. E, uma vez tendo alcançado essa maravilhosa luz da auto-percepção e da submissão à verdade, deve, então, sair e procurar o seu irmão com pressa. Todas as devoções estão adiadas para depois dessa reconciliação. Se o ofendido não quiser perdoar, a bola da vez agora é ele. Ora, isto tudo pressupõe sinceridade e total não-fingimento. Se ambas as coisas não estiverem presentes, mesmo que se cumpra o “protocolo” bíblico, nada estará trazendo cura. Nesse caso, ou há um ofendido buscando vingança—invertendo Mateus 18. Ou, então, há um ofensor buscando perdão, enquanto o ofendido deseja seqüestrá-lo pela culpa—invertendo Mateus 5. E a “igreja” no meio, expressando suas próprias doenças, e suas muitas enfermidades!!! Tudo em nome da disciplina! Você também perguntou: Se o problema for com o pastor, agrava ainda mais; pois, já ouvi pastores falarem que se não pedirmos perdão ao pastor; o ofensor (mesmo que sem culpa no cartório), carregará uma maldição até que peça perdão. Como posso pedir perdão a alguém, se não lhe fiz mal; e não tenho de que me arrepender; pois o ofensor foi ele, o pastor? Eu respondo: O “pastor” é apenas outro irmão. E todo outro irmão deve ser tratado como se fosse o pastor. Pastor que usa desse expediente, não só não conhece NADA da Palavra, como também é um grande covarde e manipulador. Peça a esse “pastor” para me dizer isso; pra me dar essa aulinha do inferno. Duvido que ele tenha coragem. Quem faz isso, é covarde. A melhor palavra, infelizmente, não é nem covarde; a melhor palavra é co-verde; é frouxo! Em Cristo não existe essa pressuposição de “reter” ou “liberar” perdão. Perdoai-vos uns aos outros; e sede agradecidos—disse Paulo. Jesus acabou com essas “diarréias de liberações” e também com essas “síndromes de retenção”, quando mandou perdoar até setenta vezes sete ao ofensor genuína e sinceramente arrependido—isso no mesmo dia! Mas lembre-se: Em “coisa de igreja” a maior parte das ofensas são apenas fofocas e antipatias. Tudo coisa da carne. E é tanto mais carnal, quanto mais subjetivo seja; pois, mais intimamente concerne ao bicho que há em nós. O que vejo toda hora é um monte de gente se metendo onde não foi chamado; tentando legislar sobre a vida alheia; e, depois, se dizendo ofendido. O meio evangélico é um fábrica de ofensas herdadas, compradas, adquiridas, e alugadas. O pessoal faz até timeshare de ofensa. Revezam-se na vigília das ofensas. Todo mundo se escandaliza com tudo. E tudo parece dizer respeito a todos. É uma loucura! O problema é que isso é sempre para o mal, nunca para o bem. Paulo disse que se no Corpo de Cristo a gente vir um irmão com algo indecoroso, a gente deve cobri-lo. Lembra de Cão, o filho de Noé? Descobrir a nudez dos outros é obra do diabo. Lembra de José? O que ele ia fazer se as suspeitas dele fossem verdadeiras? Ou seja: o que ele faria se Maria tivesse mesmo pecado contra ele, engravidando de um outro? Ora, ele decidira não descobrir a nudez dela, deixando-a secretamente. E por que ele faria isto? Bem, o Evangelho diz: “Sendo homem piedoso, decidiu deixá-la, secretamente...” É assim que gente grande age. Os meninos é que vivem em bandos e em grupelhos. Cada um tem seu partido. Todo mundo vive ainda em Corinto. Eu sou de Apolo... Eu sou de Paulo... Eu sou de Cristo... E enquanto isto, fica tudo como o diabo gosta. Maldição? Diga a qualquer pastor que venha com essa historinha, que maldição é usar a Palavra de Deus assim... E mais: sobre todos nós há um Cabeça. Nós somos apenas membros uns dos outros; e, nesse corpo, os apóstolos deveriam se saber os últimos; e os que não são lá grande coisa, a esses irmãos deveríamos cobrir de maiores cuidados. O que passar disso, saiba, não procede do Evangelho de Cristo. Isso aí já é o Quisto do “evangelho”. Um abraço carinhoso, Caio