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Cartas

PAIXÕES E CASTELOS DE AREIA E VENTO...

PAIXÕES E CASTELOS DE AREIA E VENTO...

----- Original Message ----- From: PAIXÕES E CASTELOS DE AREIA E VENTO... To: contato@caiofabio.com Sent: Tuesday, January 17, 2006 11:28 AM Subject: A mentira é melhor que a verdade? É possível trair sendo fiel? Pastor Caio, Sempre aprendi que a Verdade nos liberta. Tem gente que acha que mentir é o caminho fácil, mas, para mim, o mais difícil é viver na mentira. Mas é isso que estou fazendo em relação ao meu casamento. São 20 anos de boa convivência com um marido apaixonado e bom pai. Mas faz uns meses que amo outro homem. Ele, casado, também me ama. Só que ele já estava de viagem marcada para outro país, viajou no final do ano passado, onde vai tentar a vida com a família. Que azar o nosso, né? Não chegamos a ter relação sexual (vontade não faltou), talvez por culpa e respeito aos nossos cônjuges que são tão bons. Ele também ama a esposa da maneira que amo a meu marido, com amor fraterno. Mas entre nós existe muito amor e, agora, uma saudade que não passa. Hoje, quando estou com o meu marido é que me sinto traidora, principalmente quando fazemos sexo. Depois de 20 anos de convivência, o sexo entre nós flui fácil e gostoso, mas aí é que eu me sinto infiel: estou fazendo sexo e não amor, dando prazer para o corpo quando a alma é de outro. Sinto que estou traindo o meu amor, o meu marido (que não merece ter alguém do lado dele pensando em outro), e eu mesma. Mas não posso falar a verdade para ele; posso? Não há a menor possibilidade de estar do lado de quem eu amo. Então, eu iria destruir a vida do meu marido, meu casamento e, talvez, a vida de meus filhos pequenos por algo que não pode se concretizar? Tenho medo de viver assim até a morte. Numa história onde existe tanto amor (ninguém sacaneou ninguém) não deveria haver tanta tristeza. Abraço fraterno, _______________________________________________________ Resposta: Minha querida amiga e irmã no Evangelho: Graça e Paz! Inicialmente gostaria de dizer que amar um desconhecido, e por ele nutrir grande paixão, e isso quando não se comeu um quilo de sal com ele, é a coisa mais fácil deste mundo. Tendo você 20 anos de casada, suponho que já tenha mais de 40 anos de idade. Portanto, está na idade mais perigosa na vida de uma mulher casada, que é quando os romances conjugais já deram lugar à amizade, ainda que o sexo seja muito bom. Então, mesmo sendo capaz de ser sexualmente feliz com o marido, bate, entretanto, na alma, uma vontade louca de não perder tempo, de conhecer algo mais, de provar o que não se provou, de degustar o que nos parece saboroso, de crer que a vida já não será mais possível sem uma grande aventura de amor e paixão — tudo isso coisa produzida pela “fobia da morte” (leia um texto no site sobre o tema), que é o que nos põe no desespero de viver antes que a morte chegue. Deixe seu marido e vá viver com esse ou outro homem, e, eu sei, logo você estará vendo que apenas mudou suas carências de endereço; e não se satisfará. Você chamou o cara de “meu amor”. Que amor? Você não quer dizer minha novidade? Não estaria dizendo algo como “minha certeza de ainda ser desejada?” Amor leva tempo para ser edificado. Paixões não. São como chuva de verão; e em si mesmas têm o poder das feitiçarias e dos encantamentos que cegam. Literalmente a pessoa fica cega! Não creio que você já não ame o seu marido, pois, caso fosse assim, o sexo não fluiria bom e gostoso com ele, sendo essa a razão pela qual você se culpa quando transa com ele, visto que, sendo honesta e crente, gostaria pelo menos de, em sendo apaixonada pelo outro, não conseguir mais sentir tesão no marido, e, muito menos, gostar do sexo com ele. Assim, acerca do “outro” lhe digo que você está apaixonada pela paixão, não por ele; e, com relação ao seu marido, sei que o ama, só se sente no direito-ilusório de não passar pela vida sem conhecer outros beijos e amores. Minha amiga, ouça quem sabe o que está falando. Arrisque-se se desejar... Mas saiba que a frustração e o arrependimento a visitarão com força esmagadora; pois, além de que você ama seu marido, logo saberia, no caso de uma ‘aventura’, que o que houve com o outro foi apenas ilusão do coração; até porque não dá pra deixar de amar o marido, assim... do nada; e nem é possível ter certeza de amor pelo outro... assim... do nada. Tire isto de sua cabeça e não viva desse auto-engano! Ame seu marido e se dê a ele pensando nele. Afinal, é com ele que você tem prazer; ou não tem? Além disso, a cada 10 casamentos que acabam em razão de uma paixão como a sua, apenas 1 deles tem um futuro venturoso. A maioria logo vê que saiu de casa para repetir, de modo piorado, o que já tinha; e isso se tanto! Desculpe-me pelo balde de água fria. Mas é que não consigo aconselhar separação quando vejo que a motivação não passa de ilusão! Seja mulher, amante e amiga de seu marido. Voltem a namorar. Vá com ele a um motel e se lambuzem de amores. Acenda a chama que não apagou. Pois, caso tivesse apagado, nem mais sexo por sexo você conseguiria ter com ele. Não prenda a sua vida nas teias da paixão feita de ilusão. Provavelmente isto hoje lhe venha como tentação apenas porque no passado você não conheceu outros homens, e, como quase todas as mulheres de sua idade costumam dar uma pulada de cerca para ver como é, então, você, se sente como quem está sofrendo uma espécie de sonegação de vida e experiência. Tudo auto-engano! Pense no que lhe escrevi e depois me escreva de volta; certo? Nele, em Quem somente a verdade liberta, Caio