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Cartas

ORIXÁS, PASTORIXÁS E AFINS

ORIXÁS, PASTORIXÁS E AFINS

AO FINAL DE TUDO ME MANIFESTAREI. O IMPORTANTE AGORA É LER TODOS OS TEXTOS, NA SEQÜÊNCIA. VOLTO NO FINAL. CAIO ****************************** -----Original Message----- From: DE UM FILHO AMADO QUE MORA NA “CAPITAL DO AVIVAMENTO” Sent: terça-feira, 25 de novembro de 2003 11:58 To: contato@caiofabio.com Subject: Goiânia: Orixás ou Pastorixás? Pastor Caio, meu querido, sei do seu amor tupiniquim por nós, e do nosso amor tupiniquim por você. No centro do tupiniquim existe Goiás com sua capital Goiânia, que se enquadra na sua história de amor brasileira. Procura-se profetas em Goiânia! Esse é o anúncio no mundo espiritual. Dia 20 de novembro comemorou-se o dia da consciência negra. Em razão dessa data uma exposição de orixás da Bahia está sendo feita em um dos cartões postais de Goiânia, o parque Vaca Brava. Essa exposição trouxe a tona aquilo que estava em oculto nesse "evangeliquês" fajuto que vivemos. Entre eles, o preconceito, os interesses políticos, discursos de massas e a manipulação pastoral visível no comportamento de ovelhas sem pastor. Desde o dia 20, grande parte dos evangélicos fizeram dois protestos liderados pelos seus apóstolos nesse mesmo parque; tiveram também uma reunião com o prefeito da cidade exigindo que essas estátuas - cada uma com sete metros - fossem retiradas. O prefeito, irredutível, decretou que as estátuas continuarão até a data prevista, 10 de janeiro. Estou enviando juntamente com esse e-mail, algumas matérias veiculadas ao principais jornais de Goiânia. Será de grande utilidade lê-los, pra que o senhor mesmo veja o tom das afirmações e as conseqüências que estão gerando no coração dos goianienses. Abaixo, estou mandando um artigo que expressa o meu coração; ele é da autoria de amigo meu. Leia-o! É importante pra que suas idéias sejam formuladas e publicadas. Creio que muitos goianos freqüentam o seu site e fazem parte dessa irmandade virtual, necessitando de um esclarecimento de quem conhece bem as "mandingas" evangélicas. Lembrando que o ano que vem acontecem as eleições para prefeito, sendo que, nas eleições passadas, os evangélicos tentaram eleger um candidato evangélico. Eu particularmente creio que no próximo ano eles lançarão um candidato que "bem" representam seus interesses "apostólicos". A primeira passeata foi liderada pelo filho de 20 anos, de um dos apóstolos goianienses – Apóstolo da Igreja Apostólica Ministério Comunidade Cristã - que por sinal lançou a candidatura do filho a vereador uma semana antes dos protestos. Teria isso algum interesse? Sei, Caio, que se pronunciará visitando, ajudando e edificando a Igreja em Goiânia através da escrita. Escreva em Graça! Thiago *************************************************** • Artigo, por Leandro Miranda da Glória Orixás, pastores e afins. Esta semana já tinha sentido da parte de Deus em escrever um texto sobre idolatria. Porém, ao me deparar com uma notícia uma nova luz da parte de Deus veio sobre a minha vida. Sei que o escreverei a partir de agora é bem indigesto, portanto, se você tem um estômago (consciência) fraco é melhor deletar este e-mail. Nesta semana algumas estátuas de orixás africanos foram colocados no parque Vaca Brava devido a uma exposição de arte. Liberdade de culto e expressão. Tudo garantido na Constituição. Porém, sabemos que atrás destas aparentes entidades do bem operam demônios. Até aí nenhuma novidade. Logo, como cristãos que somos estamos nos mobilizando contra este ato profético idealizado nos porões do inferno. Somos os escudeiros da fé cristã e não aceitaremos que a nossa terra seja contaminada. Até porque Goiânia é a capital do avivamento. Deus perdoa-nos por tanta hipocrisia. Talvez se os nossos joelhos não estivessem preocupados em estar acima da cabeça da massa mas estivessem em humilhação e arrependimento o Senhor até poderia mandar um raio para pulverizar estes orixás que ousam profanar a Tua morada. Já ia esquecendo Pai para alguns o Senhor já habita em Goiânia. Perdoa-nos por pregar um Deus sobrenatural e que precisa do fato de sermos um bom curral eleitoral para as próximas eleições para retirar da nossa cidade estes orixás. Vou te dar mais uma chance para deletar este e-mail. Depois não diga que eu não avisei. Quando fui fazer este texto achei a definição da palavra orixá. Orixá: divindade da religião afro-brasileira correspondente aos santos católicos, em sua função de intermediária entre os homens e o sobrenatural (Enciclopédia Barsa, 1995). Resumindo: intermediário entre o sobrenatural e os homens. “Porquanto há um só Deus e Mediador entre os homens, Cristo Jesus, homem”. (I Tm 2:5)Além de serem vistos como mediadores para com o sobrenatural os orixás também são adorados em muitas festas. Agora eu te pergunto: qual a diferença entre os orixás e uma boa parte dos pastores da Igreja de Jesus Cristo? Sem hipocrisias vejamos a nossa realidade. Vamos nos ater a definição. Mediador. Condenaremos os orixás sim. Não há mediadores entre Deus e os homens. Só há um: Jesus. Precisamos sim em amor abrir os olhos do mundo para esta realidade. Mas quantos de nós estamos dispostos a realizar uma passeata até o trono da graça para que Deus mude nossos pastores? É pastor pregando sacerdócio universal dos crentes e dizendo que na “igreja” Deus só fala com o presbitério. Em qual “igreja”? Na sua ou na noiva de Cristo? Outros dizendo que estamos em um avivamento e abusando da autoridade, para não falar da falsidade e da mentira. Deus não precisa mais de Jesus como mediador entre Deus e os homens para mudar nossa triste realidade, a “shekinah” de Deus já está entre nós. É pastor pregando que quem não der dizímo não pode continuar na “igreja”. Calma aí. O Mediador agora é Mamom? É gente querendo levar os outros até os Santos dos Santos na adoração. Mediador não. Carregador de imundícias até a presença de Deus. É muito merda boiando na água do povo de Deus e ninguém reclama. Partamos para a outra definição. Deuses. Como vimos os orixás são adorados em muitas festas. Derrubemos os postes-idolos mas a começar pela casa de Deus. Comecemos queimando os ternos dos nossos pastores. Em qual versículo da Bíblia fala que os pastores precisam se diferenciar em suas vestes do rebanho? Os fariseus também adoravam as vestes talares e por isso Jesus foi tão delicado com eles. Olhemos agora para o púlpito. Garantia de infabilidade. Alguém aí já viu algum pastor assumindo algum erro doutrinário? Pedir perdão para algum irmão de púlpito? Mas falar besteira eles falam lá de cima sem nem corar a face né? Julgam-se infalíveis. Lembrete: a infabilidade só existe como atributo em Deus. Aliás que Deus pulverize os púlpitos desta cidade assim teremos menos negociatas. Os novos convertidos hoje sonham em ter igrejas grandes. Em serem evangelistas internacionais. Sonhamos em ser como os nossos pastores. É o cúmulo da idolatria e da mediocridade. Pastores que nem são pastores criam suas visões. Os que estão fora dela, fora estão também do mover. Exclusivismo na idolatria. Adoramos até as estrelas gospel. Mar camos até tarde de autógrafos. Não é de admirar que a cara da nação brasileira seja a cara da igreja, e a cara da igreja a cara da nação brasileira. O Deus do Velho Testamento só precisava da adoração de Seu povo para derrotar os inimigos de Israel. Mas me diga onde Deus poderá encontrar uma adoração genuína que não tenha tempo para acabar por que os nossos pastores tem que pregar e dar avisos? Não sejamos tolos. Se quisermos os demônios longe da nossa cidade, comecemos expulsando-os das nossas igrejas. Alimento de demônio é pecado. Depois do que você leu e principalmente do que você vê na sua congregação ainda resta alguma dúvida que um prostíbulo é menos divertido que nossos templos para a capetaiada? Agora quantos de nós estamos a fim de confessar os nossos pecados? Passeata não assusta o inferno. O que assusta o inferno é Jesus. O quanto de Jesus nós temos determinará nossa vitória. Se odiamos o inferno detestemos também suas obras. Ou então mantenhamos os postes-púlpitos dentro de nossas congregações e esperemos Jesus voltar e levar as meretrizes, os ladrões, os assassinos primeiramente para o seu Reino. *************************************************** Orixás Polêmica na Assembléia Fabiana Pulcineli A polêmica em torno da exposição Orixás da Bahia, do artista plástico baiano Tatti Moreno, montada no Parque Vaca Brava, esquentou o clima ontem na Assembléia Legislativa. O assunto foi levado à tribuna pelo deputado petebista Misael Oliveira, em meio ao debate sobre o veto do governador Marconi Perillo ao projeto de cotas raciais (leia mais abaixo). Ele garante que vai entrar com ação judicial para que as oito imagens sejam retiradas. A obra será inaugurada hoje — Dia Nacional da Consciência Negra —, mas os protestos começaram desde a montagem, no último domingo, 16, e atingem proporções maiores. Às 18 horas, cerca de 500 pessoas fizeram uma manifestação no parque, organizada pelos evangélicos (leia abaixo), da qual Misael também participou. Ainda ontem, sete entidades do movimento negro do Estado protocolaram representação junto ao Ministério Público contra a Rádio Aliança, do apóstolo César Augusto. Os negros reclamam dos “ataques” dos radialistas nos últimos três dias, que disseram que a exposição é “bizarra”. Evangélico, Misael critica a discriminação e, ao mesmo tempo, diz que se sente “constrangido” diante da obra de arte. “Aqueles monumentos estampam a figura do demônio”, afirma. Seu argumento é que a cultura do goiano não é “de terreiro” e que há uma provocação a evangélicos e católicos da Capital. Não é bem assim, contesta o deputado Padre Ferreira, líder do PSDB na Casa. Ele afirma que entende a exposição como manifestação cultural. “Não considero afronta ou provocação porque não obriga a sociedade a adotar uma religião.” Requerimento - O deputado estadual Fábio Tokarski (PC do B) também critica a posição de Misael e diz que vai propor hoje um requerimento para parabenizar o prefeito Pedro Wilson (PT) pelo apoio à exposição. Assim como o petista Mauro Rubem, Fábio tinha à mão a Constituição Federal e leu os artigos que garantem a liberdade de manifestações religiosa e cultural. “A intolerância provoca erros históricos”, diz o comunista. O deputado Paulo Garcia (PT) também disse à tribuna que a exposição é uma atividade de iniciativa do governo federal com a intenção de proporcionar o contato com diversas manifestações culturais. Também evangélicos, Bispo Walter Inácio (PL) e Lívio Luciano (PTN) criticam a exposição, mas têm outro argumento: de que houve impedimentos da Prefeitura de Goiânia a atos de suas igrejas no parque. “A liberdade de culto deve ser garantida, mas nos sentimos discriminados porque não nos deram o mesmo espaço”, diz o bispo. Membro da Igreja Universal do Reino de Deus, ele conta que a Videira tentou realizar o “Batismo dos 3 mil” no local e foi proibida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). O argumento de que o evento, que reuniria cerca de 10 mil pessoas, prejudicaria o parque na questão ambiental não é aceito por ambos. “Defendo o cumprimento da Constituição, mas acho que deve haver igualdade. As religiões não estão sendo tratadas da mesma maneira”, diz Lívio. Ele afirma que tentou em vão falar com o prefeito Pedro Wilson para argumentar sobre a mensagem religiosa explícita na obra e o grau de importância do local: “Trata-se de cartão-postal da cidade”. O deputado Welington Camargo, também evangélico, diz que a exposição afronta os membros de sua igreja. 20.11.2003 Religiosos à beira de confronto Renata Barros O Parque Vaca Brava foi palco de manifestações e brigas entre evangélicos, católicos e representantes da cultura negra ontem à tarde. As discussões tiveram início com religiosos de várias igrejas que se reuniram no local para manifestar contra as estátuas de orixás colocadas no lago do parque. As manifestações dos cristãos contaram com o apoio de carro de som e estavam previstas para durar uma hora e meia, mas foram interrompidas meia hora depois, por volta das 18h30, devido aos protestos dos representantes da cultura negra (cerca de 30 pessoas), insatisfeitas com o ato. Ao todo, 500 pessoas estiveram no local. Gizzely Vilela, representante do grupo Umbanda e Candomblé de Goiânia, descontente com a manifestação que classificou como “uma falta de respeito aos descendentes da cultura afro”, foi uma das principais causadoras do fim do protesto. Ela parou seu carro com o som ligado no último volume em frente à manifestação dos cristãos e só saiu depois de muita discussão e com o fim do movimento. Moradores da região também se incomodaram com o barulho e reclamaram. “Essa imagens são um protesto contra o racismo. É falta de respeito ir contra as estátuas”, afirmou Vitor Hugo Marçal. Segundo o representante do movimento, pastor Fábio Sousa, do Ministério Comunidade Cristã, os orixás estão ofendendo e discriminando os cristãos. “Essas peças incitam à violência. O espaço aqui nunca foi liberado para nós”, reclamou. Com o fim do manifesto, o pastor César Augusto, também do Ministério Comunidade Cristã, disse que as igrejas voltarão a se manifestar na segunda-feira. “Acho que cada religião deveria poder manifestar sua liberdade já que estamos em um País democrático”. 25.11.2003 Religião Protesto contra orixás no parque O prefeito Pedro Wilson disse ontem que não vai cancelar a exposição Orixás da Bahia, do artista plástico Tatti Moreno. Ele recebeu em seu gabinete no Paço Municipal no final da tarde de ontem 25 líderes evangélicos que foram manifestar a contrariedade com as esculturas de deuses do candomblé expostas no Parque Vaca Brava. No início da noite de ontem, entre 5 e 7 mil fiéis, de acordo com os organizadores, realizaram a segunda manifestação de protesto contra a exposição. Os participantes, de mãos dadas, cercaram o local numa corrente de orações com o objetivo de estabelecer “guerra espiritual” e lutar “contra a influência maligna representada pelas estátuas”, argumentaram pastores que comandaram o ato. O prefeito disse aos pastores liderados pelos apóstolos César Augusto (Ministério Comunidade Cristã) e Sinomar Fernandes (Luz para os Povos) que assume a responsabilidade pela exposição, qualificando a iniciativa como atividade de um governo laico, que apóia todas as manifestações culturais. Pedro observou ainda que respeita todas as religiões e reconheceu a importância da comunidade evangélica para o crescimento de Goiânia. Os líderes evangélicos reafirmaram o caráter pacífico da manifestação e destacaram que o propósito do evento é “espiritual”, procurando alertar a cidade para a “influência negativa de ídolos que contrariam essência da palavra de Deus”. Eles acentuaram que Goiânia “é do Senhor Jesus”. A exposição Orixás da Bahia fica em Goiânia até dia 10 de janeiro. Movimento negro apela ao MP contra evangélicos Entidades encaminham representação denunciando preconceito racial e religioso. Promotor pede que sejam garantidas segurança e ordem no Parque Vaca Brava Maisa Lima e Marcondes Franco Filho A polêmica criada pela exposição do artista plástico Tatti Moreno, Orixás da Bahia, chega ao Ministério Público (MP). Entidades que representam o movimento negro no Estado encaminharam representação ao órgão, denunciando a prática de preconceito racial e religioso. O promotor de Justiça Marcus Antônio Ferreira Alves, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Cidadão, encaminhou ofício à Secretaria de Segurança Pública e Justiça, pedindo que seja garantida a segurança, a ordem e o patrimônio público no Vaca Brava. Ele salientou que a Constituição garante a livre expressão da atividade artística e dos cultos religiosos. A representação ao MP foi uma iniciativa do Centro de Referência Negra Lélis Gonzales, Agentes de Pastoral Negros, Grupo de Mulheres Negras Malunga, Fórum de Entidades Negras de Goiás, Federação de Umbanda e Candomblé de Goiás, Associação Pérola Negra e Movimento Negro Unificado. As comemorações em torno do Dia Nacional da Consciência Negra, festejado hoje, foram o pivô da polêmica. Como parte das festividades, foram instaladas, no lago do Parque Vaca Brava, oito esculturas de 7 metros de altura, que retratam deuses afro-brasileiros. Os evangélicos consideraram o ato uma “discriminação religiosa”, alegando trata-se de representação de apenas uma religião, o candomblé. Eles fizeram ontem à tarde um protesto contra as estátuas no Vaca Brava. “Foi um ato pacífico contra essa discriminação. O parque não é local de manifestações religiosas. É um lugar de todos, para caminhadas e lazer. A Prefeitura coloca todos os anos no parque uma decoração natalina, mas agora nos impõem deuses do candomblé”, afirmou o pastor Fábio Sousa, da Igreja Ministério Comunidade Cristã. Ele anunciou para as 18 horas de segunda-feira um grande culto de protesto no parque. Uma emissora de rádio de Goiânia engrossa o coro dos que são contrários à exposição e veicula comentários ácidos sobre o assunto. Paulo Vitória, do Fórum de Entidades Negras de Goiás, rebateu o pastor: “A Constituição garante a liberdade religiosa. As pessoas esquecem que têm um pé na senzala. Isso é racismo.” A exposição de Tatti Moreno, que prossegue até 10 de janeiro, tem patrocínio do Ministério da Cultura, governo da Bahia, Correios e Bradesco e conta com apoio técnico da Prefeitura de Goiânia. Já foi montada no Lago Ibirapuera, em São Paulo, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, e no Parque da Cidade, em Brasília. Os movimentos negros argumentam que as estátuas expressam a influência africana na cultura e na formação do povo brasileiro. Presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e bispo emérito da cidade de Goiás, d. Tomás Balduíno, afirma que não só a CPT, mas a Igreja Católica em geral, vê com naturalidade esse relacionamento. “As esculturas não são concorrentes a outras religiões, mesmo que seja sob o aspecto religioso que se apresente”, pondera. Marcelo Barros, monge beneditino da cidade de Goiás, diz que o Brasil é multicultural e protesta contra as hostilidades à exposição Orixás da Bahia. O pastor Jôer, da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, diz respeitar as demais religiões: “Eu jamais ia querer cercear uma outra crença.” O prefeito Pedro Wilson disse ontem que não vai cancelar a exposição Orixás da Bahia, do artista plástico Tatti Moreno. Ele recebeu em seu gabinete no Paço Municipal no final da tarde de ontem 25 líderes evangélicos que foram manifestar a contrariedade com as esculturas de deuses do candomblé expostas no Parque Vaca Brava. No início da noite de ontem, entre 5 e 7 mil fiéis, de acordo com os organizadores, realizaram a segunda manifestação de protesto contra a exposição. Os participantes, de mãos dadas, cercaram o local numa corrente de orações com o objetivo de estabelecer “guerra espiritual” e lutar “contra a influência maligna representada pelas estátuas”, argumentaram pastores que comandaram o ato. O prefeito disse aos pastores liderados pelos apóstolos César Augusto (Ministério Comunidade Cristã) e Sinomar Fernandes (Luz para os Povos) que assume a responsabilidade pela exposição, qualificando a iniciativa como atividade de um governo laico, que apóia todas as manifestações culturais. Pedro observou ainda que respeita todas as religiões e reconheceu a importância da comunidade evangélica para o crescimento de Goiânia. Os líderes evangélicos reafirmaram o caráter pacífico da manifestação e destacaram que o propósito do evento é “espiritual”, procurando alertar a cidade para a “influência negativa de ídolos que contrariam essência da palavra de Deus”. Eles acentuaram que Goiânia “é do Senhor Jesus”. A exposição Orixás da Bahia fica em Goiânia até dia 10 de janeiro. RELIGIÃO Evangélicos fazem novo protesto no Vaca Brava Adriano Godoi Cerca de mil evangélicos se reuniram ontem, no Parque Vaca Brava, para protestar contra a exposição Orixás da Bahia, do artista plástico Tatti Moreno. Antes da manifestação, 25 pastores tiveram uma audiência com o prefeito Pedro Wilson para pedir a retirada das oito esculturas do parque. O prefeito não acatou o pedido e disse que as estátuas vão permanecer até a data prevista, 10 de janeiro. Ele argumentou que a exposição representa parte da cultura afro-brasileira e não tem cunho religioso. No final da tarde de ontem, integrantes de diversas igrejas evangélicas da capital, na maioria jovens, começaram a chegar ao Vaca Brava para a manifestação. Inicialmente, eles se reuniram próximo ao mirante, se misturando aos moradores da região que faziam caminhada na pista do parque. O ato também atraiu vários curiosos. Discriminação Utilizando um carro de som, o pastor Sinomar Fernandes Silveira, da Igreja Luz para os Povos, deu as coordenadas do protesto. Os evangélicos se deram as mãos e cercaram o lago do Vaca Brava, onde estão as oito estátuas. Cantando hinos e gritando palavras de fé, eles reafirmaram sua indignação contra a exposição dos orixás, que consideram uma “discriminação religiosa”, por representar apenas uma religião, o candomblé. Para o pastor Sinomar, um dos coordenadores da manifestação, as imagens causaram indignação entre os evangélicos. Jovens como a estudante de enfermagem Wilma de Souza, de 21 anos, compareceram em peso ao ato para manifestar seu repúdio. Pertencente à Igreja Videira, Wilma entende que a exposição é uma “afronta a Deus e põe em destaque espíritos imundos”. Para ela, Goiânia não é uma cidade de uma só religião e, por isso, as esculturas seriam um desrespeito. Membro da Assembléia de Deus, Lourival Rocha condenou a Prefeitura por apoiar uma exposição “que não tem nada a ver com nossa cultura”. Ele reforça que o Vaca Brava foi ocupado sem que os habitantes da cidade fossem consultados. Ao invés dos orixás, Rocha disse que a administração municipal deveria ter investido na decoração de Natal do parque. O sacerdote da Igreja Anglicana Elias Vergara observou a manifestação no Vaca Brava e fez questão de afirmar que o ato não representa o pensamento de boa parte dos evangélicos da capital. Ele disse que a manifestação é legítima, mas revela intolerância por parte de algumas igrejas. O sacerdote aprova a exposição das esculturas que, para ele, promovem um resgate das tradições africanas. "A exposição é uma afronta a Deus e põe em destaque espíritos imundos” Wilma de Souza, estudante *************************** Agora, falo eu, Caio, e desejo começar com um texto de Paulo: No que diz respeito às coisas sacrificadas aos ídolos, já sabemos todos o seu significado. Saber...apenas saber...incha o ser e nada mais. Somente o amor edifica. Desse modo, se alguém tem a pretensão de achar que sabe alguma coisa, de fato ainda não aprendeu como convém saber. O verdadeiro conhecimento vem do amor, pois, se alguém ama a Deus, esse é conhecido por Deus. Digo isto tudo porque eu sei que todos vocês sabem que comer coisas sacrificadas aos ídolos nada significa. Afinal, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só. Ainda que haja muitos que se chamem de deuses e senhores ou que assim sejam chamados—seja no céu seja na terra—, todavia, para nós, há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também. Mas isto é o que nós sabemos. Entretanto, nem todos têm esse conhecimento. Isto digo porque há alguns que, acostumados até agora com a devoção ou temor do ídolo—como se o ídolo de fato tivesse poder—, comem coisas sacrificadas aos ídolos como se o ato de comer significasse algo espiritualmente significativo. Desse modo, quando comem, sua consciência, sendo ainda fraca e ignorante, contaminam-se em razão do próprio significado que atribuem àquilo que, em si mesmo, não é nada. As coisas ganham o significado que nossa consciência atribui a elas! Todavia, não é a comida que nos há de recomendar a Deus; pois não ficamos piores se não comermos, nem ficamos melhores se comermos. Portanto, não estamos falando do que é em si, mas daquilo que as coisas se tornam, em razão da projeção de valor à elas atribuído. Desse modo, vejam atentamente que a liberdade de vocês—fruto do saber verdadeiro—, não venha a ser motivo de tropeço para os fracos. Ou seja: para aqueles que ainda olham para a comida sacrificada ao ídolo ou para o próprio ídolo, como se a "coisa" tivesse em si algum valor ou poder. Assim, se um desses supersticiosos vir você, que tem “ciência”, reclinado tranqüilamente comendo à volta de uma mesa num templo de um ídolo, poderá pensar que você está ali atribuindo culto e valor àquilo que para você não tem nenhum valor—e, assim, poderá ser induzido pela sua liberdade, a comer com a consciência fraca e supersticiosa as coisas sacrificadas aos ídolos...como se a sua presença ali avalizasse também o ato dele. Não é, porventura, assim que “eles” interpretariam sua presença no lugar? Desse modo, ironicamente, pelo saber e pela liberdade que você já adquiriu, alguém que ainda está na ignorância pode vir a sucumbir à superstição. Assim, por causa da “ciência” que você possui alguém poderá perecer...aquele que é fraco, o teu irmão por quem Cristo morreu! Ora, pecando assim contra os irmãos, e ferindo-lhes a consciência ainda débil e fraca, vocês estão pecando contra Cristo. Dessa forma, o que se deve saber é o seguinte: O ídolo não é nada para você em razão de você já saber que ele não é nada mesmo. Sozinho você comer onde e o quê bem desejar—ou em companhia de pessoas maduras! No entanto, se a comida fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei em sua presença nada que o faça tropeçar, isto porque não quero servir de tropeço à consciência fraca de meus irmãos...que ainda não discerniram a grandeza da liberdade que em Cristo eu tenho. De minha parte não quero jamais induzir meu irmão ao engano simplesmente por não carregar em mim uma consciência que antes de tudo saiba saber no amor. **************************** Bem, Paulo diz que o ídolo não é nada. De modo que quando alguém se grila com um ídolo, é porque o ídolo existe como ídolo para ele; ou seja: a consciência da pessoa ainda é pagã. Esses protestos apenas dão poder, valor, autoridade e importância aos ídolos inexistentes! Há, sim, os principados e potestades, e, nesse caso, a própria igreja, sem querer, está à serviço dessas forças espirituais, na medida em que age do jeito que elas gostam. O que Paulo diz sobre os Principados e Potestades? Paulo estava bem certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades tivessem ainda poder sobre nós. Tais “estados” de poder espiritual jamais teriam o poder de se interpor na nossa relação com a Graça de Deus. Ele diz isto embora lembrasse que em outros tempos, todos nós, andávamos segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência... Mas esse tempo acabou. Está Consumado! Paulo sabia também que, embora não mais sob tais poderes, mas continuamos tendo que lidar com essas forças no nosso dia a dia, pois a nossa batalha não é contra as expressões do poder humano e suas materialidades...mas sim contra os principados, contra as potestades, contra as forças do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniqüidade nas regiões celestes. Paulo olha esses poderes como forças rebeladas contra Deus ou como “camadas de resistência” ao entendimento humano da verdade. Mas não dá a eles nenhum poder autônomo. Afinal, essas forças, estados, poderes e ordens espirituais, foram criadas como todas as demais coisas nos céus e na terra. Esses poderes são feitos de outra forma de energia—aos nossos sentidos, são invisíveis—, porém fazem parte da criação, como qualquer outra criatura ou ente, tanto no mundo das coisas visíveis como na dimensão das coisas invisíveis—sejam tronos, sejam soberanias, sejam principados, sejam potestades. Sim! tudo foi criado por Jesus e para Jesus! E de onde vem o poder deles sobre os seres humanos? Paulo nos diz que o poder dos principados e potestades espirituais alimenta-se da produção dos humanos, à semelhança da figura da serpente, que se “alimenta do pó da terra”; ou seja: da produção dos humanos... E a maior produção humana que serve os melhores banquetes a tais poderes, é a culpa. Eles se alimentam das produções da culpa que se transforma em pecado, transgressão, instituição, cultura e religião—sobretudo, eles alimentam-se “do escrito de dívidas” que a Lei representava. Para nos livrar da força desses poderes, Jesus “rasgou o escrito de dívidas que havia contra nós, e que nos era prejudicial” e, assim, despojou os principados e as potestades...e os exibiu publicamente ao desprezo...triunfando sobre eles Cruz. A Graça seca o poder desses bichos invisíveis! Paulo, no entanto, diz que os principados e potestades aprendem a sabedoria de Deus com a igreja. É!!! eles aprendem, por incrível que pareça... É isto mesmo que Paulo diz... Pasmem...mas é verdade. Na visão do apóstolo é a multiforme graça e sabedoria de Deus experimentados pela igreja como vida liberta pela Graça de Jesus, aquilo que deixa os poderes espirituais em estado de perplexidade! O contexto no qual ele faz essa afirmação é de total importância para a nossa compreensão do significado desse aprendizado dos poderes invisíveis ante a manifestação das variadas expressões da Graça de Deus sobre a igreja. Ele diz que essa é a razão dele, Paulo, ser o prisioneiro de Cristo Jesus por amor dos pagãos... E prossegue afirmando com outras palavras, mas que não significam nada diferente do que aqui faço síntese, pois ele diz em essência o seguinte: Se é que vocês têm ouvido acerca da dispensação da graça de Deus em mim e em favor de vocês, que não são Judeus. Tudo recebi como revelação! Assim me foi manifestado o mistério, conforme em poucas palavras escrevi a vocês. Meu desejo é que quando vocês lerem...possam perceber a minha compreensão do mistério de Cristo. O fato é que por muitas gerações esse mistério esteve oculto dos humanos, mas agora o Espírito Santo revelou essas coisas aos apóstolos e profetas do Evangelho de Jesus. E que mistério é esse? Ora, a revelação é simples, mas faz toda a diferença. Ou seja, o mistério que Deus nos revelou é que os povos de todas as culturas da Terra—mesmo os mais distantes dos costumes dos judeus—, são agora, por causa do que Jesus fez por nós, co-herdeiros e membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa da salvação, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho. Aliás, essa é a causa de minha vida. É por ela que me esforço. Meu chamado é dizer ao mundo inteiro que a Porta está aberta para todos. Dessa Boa Nova eu fui feito ministro, segundo o dom da graça de Deus que me foi dada...conforme a operação do poder de Deus em mim. Imaginem só a ironia. Isso tudo foi revelado a mim... Com tanta gente mais qualificada...ou há mais tempo sabendo de Jesus...mas foi a mim que Deus decidiu revelar essas coisas com toda clareza. Logo eu...logo a mim...o menor de todos os santos me foi dada esta graça de anunciar ao mundo inteiro as riquezas inescrutáveis de Cristo. O tamanho desse privilégio é inominável. Afinal, isto esteve oculto aos olhos de muita gente boa por séculos e séculos, mas Deus, livremente e por razões só Dele, decidiu me escolher a fim de demonstrar a todos qual seja a aplicação do mistério que desde todos os séculos esteve oculto em Deus, que tudo e todos criou. E entre os mistérios dessa revelação que salva o mundo, há uma a mais: Deus quer que esse mistério da Graça, que ninguém conheceu antes, seja agora também conhecido pelos principados e potestades, por meio da igreja...e, assim, aos principados e potestades nas regiões celestes, aprendam a sabedoria de Deus. Quando Jesus rasgou os escrito de dívidas de todos os homens, os principados e potestades ficaram “sem chão”. Agora o poder deles depende de que os homens ou não saibam ou não creiam que já não há mais nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus. Uma vez que os homens e mulheres creiam nisto...esses poderes perdem a força...pois vivem e se alimentam da culpa humana que nasce da certeza de dívida gerada pelas acusações da Lei. Sabendo disto, Paulo ora a Deus em favor de todos nós, que não somos judeus e não somos da descendência genética de Abraão, para que entendamos que agora todas essas genealogias perderam o valor. O que vale agora é ter o coração cheio de fé na Graça de Deus. Esta é a oração do apóst