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Cartas

ONTEM MEU CORAÇÃO FOI TRANSPLANTADO PELA PALAVRA

ONTEM MEU CORAÇÃO FOI TRANSPLANTADO PELA PALAVRA

 

 

 

----- Original Message -----
From: ONTEM MEU CORAÇÃO FOI TRANSPLANTADO PELA PALAVRA
To:
Sent: Sunday, October 08, 2006 3:56 PM
Subject: QUE DOMINGO!!!!!


Caio,


Hoje é domingo, dia 08/10/2006.

Realmente este foi um dia que  com certeza será um divisor de águas em minha vida.

Tentarei explicar por que!

Sou diabético (insulino-dependente) faz 13 anos. Tem dias que chego a tomar 08 "picaduras" de insulina. Com o passar do tempo, tenho notado o aparecimento de varias doenças oportunistas. Sempre fui resolvido com essas coisas, crendo que tudo vem de Deus e tudo aquilo que acontece comigo é fruto da permissão de Deus. Nunca culpei Deus por nada, até porque tenho consciência que só de estar por aqui ainda (digo para minha esposa que Deus tem permitido eu fazer horas extras) é fruto tão somente da Graça Dele.

Nasci na "igreja", mas confesso a você que conheci o evangelho mesmo a partir do dia que entrei pela primeira vez entrei no www.caiofabio.com — isto no começo dessa revolução virtual.

Participei com minha esposa do Encontro da Irmandade Virtual em São Paulo e temos caminhado juntos no Caminho da Graça desde o seu inicio.

Mas de uns meses pra cá algo entrou no meu coração — muitos questionamentos do por que logo eu tenho que ficar tomando insulinas diárias para sobreviver, questionamentos sobre tantas e tantas coisas.

Uma imensa tristeza tinha tomado o meu ser — uma angustia; nada me fazia feliz.

Sei que, devido aos anos de diabetes, posso ter um derrame ou outra doença qualquer e ficar dependendo de minha esposa e filhos o resto da vida. Nunca me preocupei com isso, mas ultimamente isso me incomodava brutalmente.

Com tudo isso, eu fui mudando, ficando frio, bruto, sem paz comigo mesmo. Tudo começa tão devagarzinho...

Ontem (sábado, dia 07/10/2006) minha filhinha de 07 anos perguntou: - Pai, o que acontece se você parar de tomar insulina. Eu respondi: O pai morre... Ela parou e disse: Por que você não faz um transplante de coração...

Aquilo ficou martelando a noite toda em minha mente; pois eu, mais do que ninguém, sabia que realmente eu precisava de um "transplante de coração", de confiar em Deus, de crer que Ele, seja em que circunstancias for, sempre será comigo (como sempre foi e como sempre vivi e cri).

Hoje fui ao LA SALLE pela manhã. Você pregou exatamente sobre isso tudo. Desde o inicio do texto lido por você, meu coração foi sendo "transplantado" — chorei... Chorei... Chorei... Durante toda a mensagem... Senti uma grande libertação...

Os problemas, as seqüelas, eles passarão... 

Eu passarinho... Sei que sou um passarinho que será sempre guardado no  “ninho" por Deus.

Estou aqui, agora, ainda no dia 08/10/2006 e me sinto um bebezinho; é como se outra alma, outros pensamentos, outro animo estivesse morando dentro de mim (sei que isso é fruto do poder do Evangelho).

Escrevo ainda para te agradecer; agradecer a Deus por sua vida. No carro de volta para casa neste domingo (depois de varias "sextas feira" angustiantes) — minha esposa que sempre se porta de maneira sabia e com um carinho por mim que lhe é peculiar, disse: - Como alguém ainda pode dizer que este homem é um herético (temos sofrido na pele julgamentos dos ex "irmãos evangélicos" por estarmos "desviados da igreja" e por irmos ao Caminho da Graça).

Quanto a mim... Seguirei a Jesus independente das circunstancias, da vida ou da morte, da saúde ou da doença, da pobreza ou da riqueza, do carinho dos homens ou de suas hostilidades...

Ele está aqui dentro e ninguém tasca!

Às vezes, quando do termino do culto lá no "caminho", tenho vontade de te dar um grande abraço. Mas agora posso te dar um grande ABRAÇO VIRTUAL. Sinta-se abraçado em meu coração. Não o tenho como meu pastor, mas como um irmão muito querido.

Com carinho


Raimundo
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Resposta:


Raimundo, meu amado no Senhor: Graça e Paz!

 

A Palavra restaura a alma, restaura o corpo, e até os ossos!

Por vezes Deus nos cura o corpo. Mas sempre nos restaura a alma. Um corpo curado e uma alma doente — haverá de ser doença para o corpo em pouco tempo. Mas uma alma sarada pelo amor e pela fé grata e confiante, encontrará muito mais saúde, e até a própria cura. 

Um espírito sereno e confiante dá ao corpo vida muito melhor do que o pode dar uma alma aflita, amargurada e conturbada.

Tudo começa de mal quando a gente se compara ao outros — piores; porém mais sadios ou mais bem sucedidos do que nós em alguma coisa que nos falta; no seu caso, a saúde.

Tudo isto termina quando a gente deixa de olhar para os outros, ou a eles nos compararmos, como se houvesse injustiça em Deus em razão deles terem vida “melhor” que a nossa. Nessa hora, quando o nosso caminho em Deus é só nosso, e não mais é objeto de comparações com o caminho de mais ninguém — então, volta a paz; e, com ela, até mesmo saúde para a alma (coração) e para o corpo.

Você logo verá como tudo isto fará bem a você como um todo!

Aqui deixo com você um esboço mínimo do que falei ontem, e que será repetido na rádio do site hoje, às 20 horas. Ouça outra vez.

Eis o pequeno texto:


SEGUE TEU PRÓPRIO CAMINHO

 


Semana retrasada, na rádio do site, falei sobre o texto que segue. Hoje pela manhã uma irmã querida, a Gláucia, do Recife, o enviou para mim. Assim, tocado por muitas coisas, desejei escrever suavemente sobre ele.

Eis como segue:


Então, Pedro, voltando-se, viu que também o ia seguindo o discípulo a quem
Jesus amava, o qual na ceia se reclinara sobre o peito de Jesus e perguntara: Senhor, quem é o traidor?

Vendo-o, pois, Pedro perguntou a Jesus: E quanto a este?

Respondeu-lhe Jesus: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te
importa?

Quanto a ti, segue-me.

João 21:20-22

 

Pouca gente tem coragem de perguntar “quanto a mim”. A maioria apenas quer saber dos outros.

A questão pode parecer piedosa. “Quem é o traidor?” Ou pode soar suavemente ressentida. “E quanto a este?” — mas o que se quer, pela pergunta que não é “quanto a mim”, é usar o amor recebido a fim de granjear privilégios de informações que são apenas fruto da intimidade com um outro-mais-poderoso do que nós; ou então tem a ver com comparar o destino dos outros com o nosso.

No primeiro caso encontra-se com a mais sutil vaidade. No segundo com uma sutil forma de ressentimento que busca comparações.

Ora, João sabia por si mesmo que não era o traidor. E Pedro sabia que era amado, e que poderia cuidar das ovelhas de Jesus, apesar de o haver traído. Mas quem resiste querer saber sobre o destino alheio? Sim, especialmente quando se tem a liberdade de deitar sobre o peito de Jesus, à semelhança de João; ou mesmo quando se o ouviu dizer que nós, apesar de perdoados, ainda encontraremos a nós mesmos em fraqueza, sendo guiados para onde não se quer, sem controle sobre as circunstâncias? — como era o caso de Pedro em particular.

Assim é o coração humano em estado natural, por melhor que seja. Quer saber acima dos demais, esteja alegre ou triste.

Não basta que no coração se saiba quem se é; pois sempre se quer saber sobre o outro!

Sim, parece que o destino dos outros é o que referenda quem somos, e não quem de fato se é.

A cura que Jesus propõe é simples. Ele nos faz nos interessarmos por nosso próprio caminho; pois, somente assim teremos coração para cuidar de nós mesmos e dos outros — e não do destino alheio — sem o espírito que se envaidece quando o nosso caminho parece mais fofo; e nem com o coração que só se sente amado se o destino dos outros for pior que o nosso, do nosso ponto de vista.

Portanto, que ecoe para sempre em cada de nós a afirmação de Jesus: “Quanto a ti, segue-me”.

Aqui reside a saúde de nosso caminhar, seja o que for o que nos aguarde. Seja como a longevidade de João, com o mito de que ele não morreria; ou como o caminho de Pedro, com a certeza da fraqueza e da morte.

Sim, que te importa? Ou o que me importa?

O que importa é apenas o “quanto a ti” dito por Jesus a nosso respeito; e, consequentemente, nossa disposição de perseverar em nosso próprio caminho Nele — que é o Caminho de todos nós.


Caio

Ps: Dia 28 de setembro de 2006. Uma noite depois de nosso netinho Mateus ter chegado, também num dia 27 — marcando um aniversário ao contrário em nossa família; pois foi também num outro dia 27 (março de 2004) que o Lukinhas, meu filho amado seguiu seu caminho para o Pai.

 

 


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Continuando:


Assim meu mano amado, vamos juntos. Pois, ontem ajudei você; e, você, e os outros irmãos de jornada, me ajudam sempre!

 

Nele, em Quem apenas e, sobretudo, somos irmãos uns dos outros,

 

Caio