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Cartas

O QUE VOCÊ DIZ SOBRE A ORDENAÇÃO DE MULHERES?

O QUE VOCÊ DIZ SOBRE A ORDENAÇÃO DE MULHERES?

-----Original Message----- From: David Palazzo Ribeiro Sent: sexta-feira, 12 de março de 2004 17:35 To: contato@caiofabio.com Subject: O QUE VOCÊ DIZ SOBRE A ORDENAÇÃO DE MULEHRES? Mensagem: Graça e Paz Pastor Caio! Não consegui encontrar no site nenhum artigo seu sobre "ordenação de mulheres". Tenho dúvidas quanto ao assunto, e gostaria de conhecer a sua opinião, que é sempre com base bíblica. Tenho lido artigos das duas correntes; uns são muitos complicados, só me confundem; outros são superficiais, e não fico satisfeito. Só quero entender se é essa a vontade de Deus para as Igrejas. Tenho navegado pelo site, o que me dá muito conforto com o que Deus tem falado através de você. Abraço. ****************************************** Resposta: Meu amado amigo: Paz e Boa Vontade! Você não encontrou no site nada sobre isto porque nunca escrevi coisa alguma a respeito do tema. Aliás, em meu livro “A Mulher no Projeto do Reino de Deus”, falei que para mim esta era uma questão de necessidade. Ou seja: havendo necessidade e dons pastorais—acompanhado de caráter e sabedoria—para mim, até homens podem ser ordenados. Paulo trata a questão aparentemente deixando as mulheres no banco, caladas, aprendendo com seus maridos. Todavia, tanto nos dias dele—basta ver a quantidade de mulheres que ele menciona como “cooperadoras”, e, até, faz uma alusão a um casal de apóstolos que já estavam no Senhor antes dele, Rm 16—, como em qualquer outro tempo, sem as mulheres não teria havido igreja. Paulo trata em I Coríntios de “um lugar para a mulher no contexto daqueles dias.” Ele, sabiamente, aplica o bom senso a fim de que a igreja não estiquesse demais os limites, tanto da consciência judaica—que vivia catando razão para perseguí-lo e acusá-lo—, como também respeita as necessidades de “contextualização” da Palavra aos seus dias e circunstâncias. Assim, o que lemos em Paulo, quando ele proíbe a mulher de falar na igreja é apenas o Aplicativo Circunstancial. O que equivale, como aplicativo, a usar véu sobre a cabeça, costume que acabou completamente no Ocidente, e ninguém se sente em “transgressão”, pois, de fato, não há ali uma moda cristã, mas um aplicativo circunstancialmente simbolizador de um outro Principio: o da submissão da mulher ao marido, e a consciência da mulher quanto à proteção espiritual que aquele vinculo, sendo saudável, promoveria. Assim, a palavra véu, é, de fato “autoridade”. Ora, manteve-se o Princípio—a inter-dependência entre homem e mulher; a submissão da esposa ao marido; e a proteção espiritual que o reconhecimento de autoridade faz ecoar no mundo espiritual—, mas descartou-se o Aplicativo simbolizante, o véu. O Princípio, todavia, era outro; e bem mais amplo que o Aplicativo Circunstancial. “Em Cristo não homem, nem mulher; nem escravo, nem liberto”...nem diferenças raciais a serem levadas em consideração! Ora, Paulo também havia dito que se alguém era escravo, mas aparecesse a oportunidade da libertação, que a pessoa aproveitasse a chance, já que, em Cristo, toda escravidão deveria acabar. O mesmo se pode dizer do racismo, ou de toda forma de preconceito. Por que, então, o Princípio de aplica a todas as categorias—escravidão, racismos, etc...—e não pode ser aplicado às mulheres em havendo “momentum”? Simplesmente não faria sentido ser diferente. Portanto, esta é uma questão de prisão da eclesiologia ao “aplicativo circunstancial” do Princípio, em negligencia do próprio Principio, que nos estimula a irmos fazendo seus aplicativos cada vez mais na direção de fazermos o Principio e o Aplicativo se tornarem a mesma coisa. É obvio que eu poderia escrever um livro sobre isto. Seria tão fácil! E não haveria falta de base sólida, conforme o espírito da Palavra, para se defender essa liberdade. Assim, estamos falando de uma liberdade para... não da obrigação de... Espero ter sido útil. Nele, em quem não há diferença entre homem ou mulher, Caio