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Cartas

O JUSTO NÃO ANDA PELAS SENSAÇÕES!

O JUSTO NÃO ANDA PELAS SENSAÇÕES!

 

 

 

----- Original Message -----
From: O JUSTO NÃO ANDA PELAS SENSAÇÕES! 
To:
Sent: Tuesday, September 19, 2006 6:17 AM
Subject: MENSAGEM DE ONTEM – reunião de 2ª-feira em sua casa, transmitida pela radio do site.


Querido amigo,


Ontem eu tive uma experiência maravilhosa com você.

Primeiro, o que eu acho que deve ser o mais importante para você, eu, mais uma vez, jamais ouvira uma mensagem tão maravilhosa. Somando às outras maravilhosas que já ouvi de você, eu já nem sei dizer o que me surpreende mais. Parei até de me preocupar com isso. Só sei que serei surpreendido e me delicio na surpresa agradável que se aproxima.

Eu só sei discernir em mim que as surpresas se multiplicam e suplantam uma à outra sem que haja nenhuma tendência seqüencial. Ainda estou entorpecido pelo seu livro SEM BARGANHAS, por exemplo.

Segundo, quando você passa de um "subject" a outro, tão semelhantes, mas tão perfeitamente distintos, que é a diferença da percepção da alma com a do espírito, falando da mesma sombra que se incide sobre eles e como elas afetam distintamente a ambos, você PERGUNTA: "entenderam"? Eu não tinha entendido a segunda parte e digo na hora: "NÃO!"

Eu não vi nenhuma exasperação em sua expressão. Nenhuma expressão do tipo: “Meu Deus, vou ter que falar tudo de novo".

Até aquele instante eu havia entendido tudo, ou seja, a projeção da sombra em nossas almas. Só não entendera a diferença de como ela agia no nosso espírito em distinção completa e absoluta à do nosso espírito. Boiei.

Você é muito inteligente. Muito Caio! E você percebeu que o que eu não tinha entendido era apenas essa diferença.

Então você conta a história de Elias, que eu conheço, lógico, mas explicou, demoradamente; porém no tempo exato, não podia ser mais nem menos, o que, realmente afligia seu espírito e como sua alma procedeu na diferença dessas duas dimensões.

Já quase no final da explicação de Elias eu conseguira perceber a diferença e, como disse no início, me surpreendi, mais uma vez com o que você, meu querido irmão, tem pregado e trazido para mim e para nós.

Seus olhos corriam de um para outro, como que tentando desvendar até onde cada um estava compreendendo algo tão importante e absolutamente necessário para que alguém cresça em Deus.

Embora eu já tivesse compreendido, você continuou, didaticamente, como que tentando, numa luta desesperada no seu espírito, para que cada um pudesse alcançar o que Deus já houvera te dado com tanta generosidade.

Terceiro, eu percebi um esgotamento físico ou mental, não sei, chegando até você, mas você continuava. O seu amor por nós não permitia que você parasse e apenas decidisse: que cada um que se resolva.

Essa foi a experiência maravilhosa que eu tive com você ontem. O esgotamento do seu ser em favor de nós, sem nada exigir ou nem nada esperar. Ninguém te deu ali alguma coisa em troca; antes, pelo contrário, fomos comer, todos, um lanche muito gostoso, cada um disputando o melhor pedaço; e você, que deveria comer primeiro, apareceu junto à mesa justamente quando nada mais havia para comer.

Eu posso falar isso com você, Caio. EU POSSO! E mesmo que não possa, eu, mesmo assim, falo: Como NÃO amar você?

Fonseca


Resposta:

 

Amigo Fonseca: Amo você no Senhor!

 

Usei aquelas duas horas de exposição da Palavra na última segunda-feira apenas porque julgo que as pessoas, embora confessem que vivem pela fé, na maioria das vezes vivem pela alma, pela emoção e pelas sensações e impressões. O que é desastroso no dia-a-dia.

Viver pela fé é não viver por vista, por emoção, por sensação, por circunstância, por impressão, por alegrias ou por sucesso.

Viver pela fé é ver o invisível apesar de todas as visibilidades negativas. É subjugar a alma ao espírito. É tirar a alma de seu estado de submissão natural aos poderes do Inconsciente e de suas pulsões, e, pela consciência que advém da certeza da fidelidade de Deus e de Seu Juramento de não se arrepender de nada concernente ao que Jesus fez — viver a vida que não se impressiona mais com nada disso. É sentir as águas invisíveis de um dilúvio de emoções nos afogando, e, mesmo assim, tratá-las como miragem e/ou como truques da subjetividade frágil e impressionável da alma. É, no pior dia, poder dizer: “Mais são os que estão conosco do que os que estão com eles”. É afirmar que a vitória que vence o mundo é a nossa fé. É cantar louvores entre lágrimas. É ver a Nova Jerusalém mesmo em dias de Apocalipse. É ver na morte, qualquer morte, apenas um portal para a Vida. É saber que nada pode nos separar do amor de Cristo: nem a vida, nem a morte, nem o pecado, nem o diabo, nem qualquer criatura, e nem qualquer poder ou ambiente de mal.

O problema, como disse, é que a alma é retardada. Ela é tarda para crer, como disse Jesus. Muitas vezes o espírito já viu a vitória, mas a alma ainda chora lutos de defuntos que já ressuscitaram.

Elias é um bom exemplo. Pedira a Deus que golpeasse a Baal, deus das fertilidades, a fim de que pela ausência de chuva os supostos poderes de Baal fossem relativizados. Enquanto isso, todos os profetas genuínos haviam sido mortos, e ele peregrinava e se escondia. Quando, porem, chegou a hora do enfrentamento, no espírito, ele estava pronto; e convocou o povo e os profetas de Baal e do poste-ídolo  e os venceu. Fogo caiu. O povo disse “Só o Senhor é Deus!” — e ele se alegrou no Espírito de Deus. Mandou dizer a Acabe que a chuva viria como temporal. E correu mais que carruagens, tamanha era a sua euforia. Mas quando Jezabel, agora já enfraquecida pela desmoralização de Baal, mandou dizer que o mataria, ele que a tudo e todos enfrentara, refugiou-se a 580 quilômetros de distância, em Horebe (indo à pé) e fez um discurso da alma retardada; posto que o que ele disse a Deus na caverna teria feito sentidos três anos antes; mas agora, depois de ter sido vindicado por Deus mediante uma vitória retumbante, era a manifestação de um coração entregue às emoções atrasadas.

O espírito está pronto, mas a “carne” (alma, emoções, impressões) é fraca e sempre atrasada.

Assim, ele se deprime com três anos de atraso; pois, enquanto estava sob a tensão proveniente da perseguição, a alma não tinha tido ocasião de se expressar. Agora, porém, depois de haver prevalecido, deu a si mesmo o direito retardado da autopiedade.

É por isso que Paulo diz que nenhuma dimensão pode nos separar do amor de Deus, mas não inclui o passado na lista de Romanos 8. E a razão é simples: a alma se alimenta do passado. E conquanto nem o passado possa nos separar do amor de Deus, ele, entretanto, pode nos separar da alegria vigente do amor de Deus. Posto que a alma é retardada — em razão de se alimentar de dores antigas, na maioria das vezes.    

Daí a Psicologia lidar sempre com o passado, pois é dele que vêm as falsas impressões que pretendem cristalizar nossa alma em estados que já não são.

90% das angústias humanas nada têm a ver com hoje, mas com ontem. Portanto, para que se viva pela fé, tem-se que deixar de ser movido pelo ontem e até pelo hoje circunstancial— e aprender a viver no dia chamado Hoje, o qual, mesmo no pior hoje, alimenta-se da Promessa que é; e que não muda nem em razão de traumas passados ou de impressões do presente.

Quem crê nisso ganha e perde, e não se impressiona. Chora lutos, mas não se sepulta junto. Lamenta perdas, mas não se faz perdido. Constata a realidade, porém, pela fé, a transcende.

No dia em que o povo de Deus de fato andar pela fé, praticamente tudo aquilo que hoje enche as clínicas psicológicas e os gabinetes pastorais já não existirá como problema. Pois o que se vê é que a maioria sofre de miragens porque não anda pela fé, mas apenas pelas sensações e impressões.

A fé, porém, é a certeza de coisas que se esperam e a firme convicção de fatos que se não vêem.

Amo você no Senhor, meu amigo e companheiro de jornada e esperança!

 

Nele, que disse com toda Realidade que no mundo teríamos muitas aflições, mas que não temêssemos; antes, tivéssemos Bom Ânimo, pois Ele vencera o mundo por e para nós,

 

Caio