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Cartas

NÃO SEI COMO LIDAR COM MEU FILHO GAY. O QUE FAÇO?

NÃO SEI COMO LIDAR COM MEU FILHO GAY. O QUE FAÇO?




-----Original Message-----
From: Sou pai de um filho gay. O que faço?
Sent: sexta-feira, 15 de agosto de 2003
To: contato@caiofabio.com
Subject: Problemão


Mensagem:

Querido pastor Caio,

Tenho-o como um servo de Deus dotado especialmente por Ele para entender com singular profundidade os mistérios do interior humano e de Sua graça.

É com esperança fundada neste entendimento que peço sua ajuda numa grave situação que venho enfrentando em família. Trata-se de homossexualidade na vida de meu filho do meio.

Procurei no seu site algo sobre a questão mas acho que não tem. Pois bem, agora que nos "encontramos", acho que vou poder contar com uma atenção especial da sua parte.

No final de 2002 descobrimos a questão “H” do menino, então com 18 anos. Procuramos ajuda especializada entre cristãos. Acho que nós sempre estamos a frente de nosso filho na busca da restauração. Ele inicialmente ia contrariado às atividades propostas pelo grupo de apoio, agora já se dispõe a ter sua vida consertada mas ainda assim acho que falta um “estalo” que estabeleça um inequívoco propósito e uma determinação perceptível para nós que ansiamos por resultados.

Como vivenciar esta situação trágica?
Como posso ajudar meu filho?
O que posso, o que devo fazer?

São perguntas que eu faço a mim mesmo e a Deus!

Fico muito agradecido se você puder compartilhar comigo seu entendimento.




Meu amado irmão: Paz!

A gente sempre pensa que isso nunca poderia acontecer na casa da gente. Mas pode. Portanto, quero dizer que você não está só. Há milhões de pais vivendo as mesmas questões.

O problema tem muitas variáveis no tange aos pais:

1. O pai fica achando que gerou um “transviado”. E não é verdade. Você poderia ser a pessoa com essa “dor”, e não seu filho. Ou seja: você poderia ser aquele que está vivendo o conflito de seu filho, e somente Deus sabe porque é ele, e não você. "Homens" não são apenas os seres hétero-sexuais. Homens são aqueles seres que são dignos, bons, justos e comprometidos com Deus e com a vida. Deus vê homens, não vê apenas "machos". Há milhões de "machos" que não são homens. "Tragédia", portanto, não é isso. Graças a Deus você não sabe o que é uma tragédia. Seu filho não é uma "tragédia", é apenas um menino-homem com um conflito que todos nós, pais, gostaríamos que nossos filhos não tivessem.

2. Os pais sempre acham que a culpa é deles. Algumas vezes, talvez. Mas não há essa relação de causa e efeito tão determinantes como o “negócio psicanalítico” pretende estabelecer. Há coisas que viajam num nível mais profundo que a “dinâmica familiar” pode explicar. Então, pare de se culpar.

3. Os pais também se preocupam com a vida de “marginalidade” do filho. Marginalidade social, eclesial, moral, e com os fantasmas acerca do mundo gay. E essa aflição só piora as coisas. Quanto mais o menino se sentir um “marginal”, mais ele será um.

4. Vem ainda a preocupação—no caso de evangélicos—com o destino eterno da alma do filho. “Vai pro inferno!”—é o vaticínio da religião. Eu não consigo ver assim. Quando a Bíblia diz que efeminados, adúlteros, feiticeiros, idólatras e outros—irão ter um destino “danado”, ela está falando do "ser" dessas pessoas. Por isto é que ela também fala dos facciosos, arrogantes, invejosos, sem afeição natural, roubadores, mentirosos, covardes, e “juízes” do próximo, como estando no mesmo barco. Ora, se você quer tratar o assunto na base dos “grupos de risco” para o inferno, coloque-se no mesmo barco—você, sua esposa, seus outros filhos, seus pastores, a “igreja” e o resto da humanidade—pois, a natureza humana, objetiva ou subjetivamente, é assim: caída. Somos salvos--todos nós--pela Graça de Jesus!

5. A “igreja” não ajuda nessa hora. Ela apenas põe sobre o cara as penalidades do inferno, e o torna um potencial filho do inferno, apenas porque, muitas vezes, depois de todos os esforços, 98% dos caras não conseguem “mudar” a inclinação. E, então, não conseguindo, sentem-se “danados”, e, então, entregam-se mais profundamente ainda ao “problema como dissolução”. A Lei aumenta a culpa e a culpa adoece ainda mais o ser. O “resfriado” vira pneumonia e o cara de tuberculose.

6. Minha sugestão a vocês, os pais, é dupla:

a) Sejam amigos dele. Não o tratem como um “ser estranho”. Não passem “recibo” acerca do problema. Ele tem que saber que é filho, e que a filiação dele não é retribuída com uma tendência sexual. E fiquem alegres dele estar tratando disso de modo franco e aberto. Quanto mais leve for a relação familiar, menos adoecida será a relação dele com essa “inclinação”. É como a garotinha que tem um “foguinho sexual”, e os pais começam a tratá-la como uma “quase-prostituta”, e a garota acaba virando aquilo que foi “projetado” pela acusação.

b) Não misturem essa situação humana com a relação dele com Deus. A “igreja” também é especialista em afastar de Deus aqueles que ela não quer ter no meio dela. Não entrem nesse esquema. Deus ama seu filho e saberá lidar com ele, conforme a grandeza de Sua Graça.

Transcrevo agora uma resposta que dei sobre o assunto e que está aqui no site, e que pelo visto vocês não encontraram.

O tema original começa “técnico”, mas a desembocadura é humana, cristã e pertinente ao tipo de situação que você estão vivendo. Portanto, leiam com atenção, e façam o filtro que for conveniente.

Se vocês são do Rio, levem-no ao Café.

Se há um lugar onde ele vai poder ouvir a Palavra da Verdade, com liberdade para estar presente, sem ter ninguém oprimindo, e sendo completamente respeitado nos processos da Graça de Deus na vida dele--eu, pela misericórdia de Deus, sei que é lá.

Lá ninguém tem permissão pra se meter na vida de ninguém. Nem eu. E só falo pessoalmente acerca daquilo que me perguntam. Afinal, eu creio que a Palavra de Deus fala por si mesma. Eu apenas a prego, até contra mim mesmo, se for o caso.

Todo mundo que vai lá ouve a Palavra. E nunca vi ninguém nem ofendido e nem constrangido.

Leia agora a Carta conforme segue transcrita.

Com amor e orações.


Caio


-----Original Message-----
From: Rodi
Sent: quarta-feira, 9 de julho de 2003 17:34
To: contato@caiofabio.com
Subject: Homossexualismo

Mensagem:

Estimado irmão e amigo Caio,

A Paz de Cristo seja contigo e com todos os seus.

Gostaria se saber qual seria a postura ética, dentro de uma perspectiva bíblico-teológico-cristã, que um psicólogo cristão deve assumir frente a questão apresentada por um cliente que diz ser homossexual, visto que segundo Resolução do Conselho Federal de Psicologia, o Homossexualismo não deve ser tratado como uma "doença" ou "distúrbio", ficando proibida qualquer terapia que vise modificar o comportamento do cliente ou que contrarie a sua opção.

Nesse caso, como ser ético sem ferir os princípios de Cristo.

Um grande abraço,

Rodi




Rodi, querido:


Um psicólogo não pode cobrar para atender…se o negócio dele é “pregar”.

A missão de um psicólogo é ajudar as pessoas a se enxergarem...não a de enxergar por elas.

Quem não puder fazer isto com sabedoria e bom senso não está apto para ser psicólogo e, muito menos, para cobrar pela consulta.

Se esse for o caso, o psicólogo que não aceita tratar a questão com a paciência de quem não decreta...deveria ser a de colocar uma placa dizendo: Aceito qualquer caso, desde que não seja homossexualismo.

Essa é uma questão difícil, mas foi feita maior do que é.

Jesus disse: Há aqueles que nasceram eunucos.Há os que os homens fizeram eunucos.E há os que a si mesmos fizeram-se eunucos por causa do reino de Deus.

Ele, porém, concluiu dizendo: Nem todos estão aptos para este entendimento...

O eunuco é alguém que nasceu com a supressão de sua sexualidade...ou que foi objeto de tal supressão...ou ainda alguém que não desejando usar sua sexualidade como ato sexual, suprimiu-a por conta própria.

Nem todos estão aptos para isto...

O que observo é que as igrejas estão cheias de homossexuais...os seminários e os ministérios pastorais também.

Este site não me deixa mentir...e os muitos que me escrevem—incluindo pastores e muitos maridos—sabem que falo a verdade.

Este mundo é caído...e todos experimentamos as deformidades da Queda...de um modo ou de outro.

O sexo virou o pior pecado na lista cristã religiosa, mas aos olhos de Deus a inveja, a cobiça, as inimizades, as porfias, as facções, etc...figuram na mesma lista de defeitos essenciais: obras da carne.

Pecado é o que Deus imputa...e, de fato, só Ele sabe o que imputa e a quem imputa.

Nem todos estão aptos para este conceito também...apesar do salmo 32 e de seu aplicativo em Romanos 3 e 4.

Uzá não pôde tocar na Arca, nem para ajudar...caiu duro de morto. Morreu de culpa e medo.

Davi dançava diante dela...e também comeu do pão que não era pela lei permitido que se comesse...e nada lhe aconteceu.

O que quero dizer com isto?

Primeiro digo que Deus é o Deus de todos os indivíduos e não há ninguém na terra para cumprir o papel de vice-Deus.

Também digo que na camuflagem evangélica só cresce mais doença como perversão.

Como o tema é Tabu...então nem se fala nele e nem se o abre...pois quem o faz vira leproso...filho do inferno, etc...

O que acontece então?

Os piores homossexuais que conheço são os crentes.

São os mais promíscuos e os mais tarados...são os que mais praticam o sexo casual e descomprometido...dissolvendo cada vez mais suas almas e estragando de maneira horrível o seu ser...sua alma!

Acabam se tornando capazes de votar numa “sessão” de “disciplina” pela condenação de um “colega de inclinação”—apenas porque o seu próprio caso ainda não ficou conhecido...ou jamais ficará; afinal, há muitos camaleões nas igrejas, tanto nos bancos, quanto também nos púlpitos!

No curso dos anos já encontrei todos os tipos de homossexuais na igreja...inclusive psicólogos que “rápidos no diagnóstico da doença”...até porque os iguais se identificam logo...mas que têm “casos” com alguns de seus próprios clientes...

Alguns psicólogos e psicólogas cristãos fazem assim.

Não peça para eu mencionar nomes...seria um estrago!

Jamais faria isto...não seria ético.

O que creio é que tudo o que se manifesta é luz—conforme disse Paulo.

Eu gostaria que todos os homens gostassem de mulher e que todas as mulheres gostassem de homem, conforme a ordem da criação.

Infelizmente, nem sempre é assim.

O que eu faço?

Bem, nunca encontrei um único homossexual que goste de sê-lo apenas por ser.

A maioria “assumiu”... mas gostaria de não ter tido que assumir... De fato, gostariam mesmo era de nem ter sentido “a coisa” nas entranhas da alma.

O que faço?

Ajudo as pessoas a se enxergarem em Cristo.

Mostro que Romanos 7 cabe tanto em “Paulo” como também em “Paula”.

A dor é a mesma.


Só os que não se enxergam é que pensam que as condições são diferentes aos olhos de Deus.

Os homens fazem distinção entre pecado e pecado.

Para Deus...todos pecaram...

O que faço, então?

Ajudo o individuo a chegar a Romanos 8. A livrar-se da condenação. Sem justificação não há paz e sem paz não cura ou apaziguamento psicológico para ninguém.

A culpa apenas aumenta o agravo e aprofunda a doença...e esta...não é uma condição apenas de homossexuais...mas também de qualquer outra condição humana.

Eu não sou pecador porque peco, eu peco porque sou pecador!

O que tenho visto é que quando as pessoas são tratadas assim, na maioria das vezes, com o passar do tempo...elas acabam se fazendo eunucos por amor ao reino de Deus.

Mas como Jesus disse, nem todos estão aptos...

E maioria não está apta nem para ouvir esta verdade, e eu não temo dizer o que digo, pois, seja Deus verdadeiro e eu mentiroso, mas a Palavra da verdade não pode ser falsificada por conveniências.

E como não creio que a salvação seja uma aptidão humana...prego a Cruz e ajudo o individuo a caminhar...pois creio no Espírito Santo...e creio que todo aquele que ouviu a Voz do Chamado para crer...deve crescer e se entender com Aquele que o chamou.

Cada um ande conforme foi chamado, mas se tiver uma chance de libertação, que a abrace, conforme sugeriu Paulo em I Coríntios 7.

Aquilo que o homem semear, isto também ceifará. Portanto, quanto mais culpa, mais pendor para a carne e para a morte; e quanto mais fé e confiança na Graça de Deus, mais haverá pendor para a Vida.

Se eu advogasse o homossexualismo como padrão, eu mesmo seria um deles.

Todos mundo sabe, entretanto, que minha mais intrínseca vocação instintual segue em outra direção.

Isto torna as coisas mais fáceis para mim?

É claro que não!

Os que me julgaram e julgam...que o digam!

O que sinto é compaixão...e não julgo a alma de ninguém...e nem me afasto de ninguém que seja “diferente”, desde que eu enxergue em sua “essência” a semelhança de Deus...e, certamente, verei que ele não é diferente de mim...nem para o bem e nem para o mal.

Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo!

Haverá um limite para essa compaixão?

Creio que não.

Há um limite para a ação ministerial de alguém que viva tal angústia na carne?

Creio que sim!

Eu, por exemplo, não ordenaria ao ministério pastoral um homossexual, tanto quanto Paulo diz para não fazer de um bígamo, um bispo.

E por quê?

Ora, no mundo de Paulo a bigamia era normal...como o é muitos lugares e culturas. E como o Evangelho é para todos—e cada um venha conforme foi chamado—então que seja para todos mesmo. Todavia, Deus não criou Adão, Eva e Evita...e nem tampouco Adão e Adamor. Portanto, indicar Adão e Eva como referência relativa de saúde humana é o modelo do princípio. Adão e Eva pecaram, mas continuam a constituir o modelo humano de intimidade e vinculação.

No mais...deixo Adão e Adamor ouvirem, crescerem, conviverem e se sentirem amados.

E sabe o quê?

Ninguém piora quando é tratado assim!

A verdade dá testemunho disto a meu favor.

E, com certeza, ninguém vai querer que eu diga nomes.

Jamais o faria...e os hipócritas sabem disso.

Confiam na minha sinceridade nas confissões.

Daí, com a maior cara de pau, eu ver toda hora muita gente não dizer ou escrever certas coisas olhando nos meus olhos, mas ouço as bombásticas declarações que fazem para os outros...com a cara mais pedrada.

Esses sim, estão doentes e adoecendo a muitos.

A Graça de Deus não gera libertinagem nunca.

E se alguém não se ajudar e não for ajudado na Graça do Espírito do Evangelho de Cristo...não o será por mais ninguém e por nenhum outro poder da Terra.

Mas nem tudo acontece no “tempo e nos prazos” da igreja.

Tem-se que ter amor, paciência e graça para andar com os irmãos...nisto incluo a mim e você.

Com todo carinho e com todo o amor da Cruz é que digo tudo o que digo.

E que ninguém ponha em minha boca o que eu não disse.

Quem o fizer... entenda-se com o Juiz de Vivos e de Mortos, que também é o Senhor de todos os viventes.

Em Cristo, o salvador de ladrões e amigo de pecadores,


Caio