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Cartas

NÃO CONSIGO TER ORGASMO!

NÃO CONSIGO TER ORGASMO!

 

 

 

----- Original Message -----

From: NÃO CONSIGO TER ORGASMO!

To: <contato@caiofabio.com>

Sent: Thursday, February 05, 2009 11:38 PM

Subject: Dúvida sobre SEX SHOP – o que você acha?

 

Oi pastor Caio!


Estou num dilema e a sua resposta à carta sobre Sex shop tem uma frase que me deixou ainda mais em dúvida: (os "vibradores" [mulher que se acostuma ao "vibrador" perde, em geral, a capacidade de gozar sem o "aparato", somente com o pênis ou os recursos do marido]...,).

Tenho 48 anos e sou casada há 28, e já tem uns três anos ou mais que não sinto mais vontade de ter relação sexual. Meu marido tem 45 e ainda sente muita vontade. Já fomos a alguns médicos, fiz exames físicos e hormonais, e não tenho nada.

Segundo os médicos estou até muito bem pra minha idade e que é normal nessa idade ter baixa libido.

Eu sou bem disposta o dia inteiro e lido com a casa com os netos e tudo mais, mas na hora que meu maridão me procura na cama, falando mansinho nos meus ouvidos, tocando de leve meu corpo, me acariciando do jeito que
ele sabe fazer muito bem... [só que não consigo corresponder], simplesmente não sinto vontade.

Ele me faz tudo que sempre gostei e até inventa outras coisinhas tentando me dar prazer, mas eu não consigo...

Ele não reclama, mas sei que fica triste. Ele é assim, é só eu me encostar nele e já fica todo assanhadinho.

Fico triste com isso também.

Tenho orado pra que o Senhor me ajude a voltar a sentir vontade, desejo...

Até superamos o medo de estarmos pecando por irmos a um motel, e já fomos algumas vezes.

Queria mesmo conhecer um quarto de motel.
Minhas amigas falavam tanto, mas tinha receio de entristecer o Senhor.
Mesmo assim, com todo aquele clima, não sou capaz. Às vezes fico excitada, mas não como era antes. Às vezes, ele me massageia o corpo
todo com óleo, faz, vamos dizer assim, todo um investimento, e mesmo assim, não vai...

Agora ele leu na internet artigo que dizia que
mulheres acima dos 40 tem usado como recurso para excitação inicial antes do sexo, vibradores, e nem me perguntou nada, e comprou.

O vibrador chegou e eu nem toquei. Ele é quem abriu, leu as instruções e guardou. Já tem dez dias e não pegamos nele. Parece que ele fica
esperando minha iniciativa ou está sem graça. E agora lendo o site me deparei com essa carta, e fiquei pensando que, será que se eu sentir
prazer com esse vibradorzinho, vou gostar tanto e aí é que não vou mais sentir nada mesmo com meu marido?

Porque quando chegou o pacotinho, imaginei que já que ele quer tanto me dar prazer e não
estou conseguindo, talvez agora consiga. O senhor pensa que mesmo assim, com essa minha situação, eu não deveria iniciar o uso? Será que vou é trazer mais frustração a ele? Se puder me responder, sei que suas palavras são cheias de sabedoria e que é usado por Deus.
Boa noite pastor Caio.
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Resposta:

 

 

Minha amiga querida: Graça e Paz!

 

 

Primeiramente quero dizer que pelo seu grilo de ir ao motel, vejo que sua carapaça moral e religiosa ainda é pesada, e, certamente, tal arcabouço moral/religioso, deve estar atrapalhando a sua liberdade de ser e buscar sentir..., como hoje se vê.

No entanto, apesar disso, quero também refletir com você sobre outras coisas, embora deixe aqui a sugestão para que você examine qual seja a sua atitude moral frente à liberdade de se dar e de buscar prazer.

Não havendo nada orgânico ou hormonal acontecendo com você a fim de justificar a baixa libido, posso apenas pensar que, provavelmente, seu problema seja de natureza psicológica.

Mas é apenas uma suposição; afinal, apenas intuo baseado no que me dizem, não podendo, em tal caso, ir além de tal intuição.

Minha suposição:

Você foi mãe cedo, e se deu bastante aos filhos e à família. Mas quando você virou vovó, provavelmente um mecanismo psicológico comum às mulheres de gerações anteriores — até a uns cinqüenta anos era normal — foi disparado por você, possivelmente fundado na experiência feminina das mulheres da família — mãe, tias, avós, etc.

Ora, no passado recente do catolicismo ocidental e brasileiro ou mesmo no protestantismo tradicional, quando a mulher tinha os filhos, o sexo deixava de ser importante, e quando vinham os netos, era sinal para a mulher de que a vida sexual dela havia acabado; não importando se fosse fato ou não.

Muitas mulheres até a uns cinqüenta anos atrás, aos chegarem aos 40 anos paravam de transar, pois, já se sentiam idosas; ou, então, sentiam-se “assanhadas” demais quando desejavam sexo sendo já avós.

Algumas, mesmo querendo, se impediam por razões “morais”, e, não raramente, mulheres reprimiam tanto a sexualidade nessa faixa de idade, que se tornavam paralíticas [iam para a cadeira de rodas] em razão da histeria que se instalava em razão do sexo reprimido.

Seria valido perguntar ou buscar entender como as mulheres da sua família se comportaram em relação ao sexo e ao prazer sexual durante a vida, mas, especialmente, após os 40 anos.

Sim! Pois pode estar aí a chave para que se discirna o seu problema atual.

Se eu fosse você, considerando que o aparato/físico para a viabilização natural do sexo está presente, que é o tesão e a ereção desejosa de seu marido — apenas me entregaria a tudo, com todo amor, e sem a forçação de barra para gozar; pois, obrigar-se a ter orgasmos, é, para a mulher, tão brochante quanto é para um homem a obrigação da ereção assistida ou imposta.

Sexo não é orgasmo. O orgasmo é o gol do sexo, mas há muitas partidas que são zero a zero, embora sejam inesquecíveis como show de bola.

Por que você não entra em campo apenas para brincar ao invés de ser para contabilizar orgasmos?

Brincar é que é o negocio do sexo, antes de ser o orgasmo...

Você fica muito tensa, preocupada com a possibilidade de não gozar, e, assim, não goza mesmo.

Mas se você esquecer de tal obrigação, e apenas entregar-se...; e mais: se ao invés de apenas esperar, você passar a ser ativa, e, assim, com expectativa ou não de orgasmos, partir pra cima do marido, dedicando-se a dar prazer a ele; com toda a liberdade, como quem não podendo, ainda assim gostasse tanto do “barato” que se entregaria a ele pelo prazer da santa sacanagem entre homem e mulher adultos e livres — então, nessa hora, você verá que o orgasmo é maravilhoso, mas que o barato do sexo é ele mesmo.

Ora, quando for assim, com orgasmos ou não, o sexo será pura alegria de receber e dar prazer...

Ora, se você se dedicasse amorosamente a dar prazer ao seu marido, sem se preocupar com o seu [já que ele, o seu marido, é naturalmente cuidadoso e atencioso nessa área], creia: logo, logo, dando prazer a ele e brincando de sexo e libido com o seu marido, arrebentar-se-ão as comportas, e, de súbito, o gozo se derramará pela ladeira de suas baixadas de amor.

Sobre o motel...

Ora, motel é legal para distrair...

Mas o importante é a distração mesmo... No motel, na rua, no matinho, no quarto, no jardim, numa gruta, em uma ruína, ou na própria cama.

Mude o padrão. Não espere que seu marido venha igual a um cachorrinho mendigar as migalhas do sexo que você ainda faculta a ele.

Ao contrario, tome a iniciativa...

Sim! Pense nele, e não apenas em você.

Afinal, por quanto tempo você acha que ele suportará [ainda tão novo] ficar olhando a esposa, ainda menina de meia-idade, ficar agonizando no sexo porque não sente mais vontade ou desejo?

Uma hora... ele pode cansar de seu cansaço e buscar ver se ele é que é ruim de chinfra, e, assim, ver se com outra mulher ele poderia ainda se sentir um provedor de gozo sexual.

Será trágico se for assim; embora, sendo ele tão novo ainda, tal coisa não esteja para além da possibilidade mais básica de acontecer — conforme Paulo adverte em I Corintios 7.

Quanto ao vibrador que você nem mesmo usou, mas já descartou, agora se tornou até a ameaça quanto a você perder a capacidade natural de gozar, a qual naturalmente você não está exercendo...

Veja a armadilha:

Seu marido compra um vibrador elétrico a fim de tentar hiper-estimular você, ansioso para ver se faz você ter prazer. Mas você pega o “treco”, examina e guarda. Então, dez dias depois, lê uma carta minha na qual, de passagem, eu falo sobre o perigo de mulheres que gozam normalmente, passam a correr quando se viciam, ainda jovens, no vibrador [em geral quando estão sem marido ou parceiro por muito tempo]; e, assim, ficam tão condicionadas pela força e a intensidade das vibrações do aparato [muito mais intenso nos movimentos e vibrações de qualquer pênis masculino], que, depois de um tempo, mesmo amando e desejando um homem, e mesmo que aproveitando todos os excitamentos anteriores ao orgasmo com o homem, ainda assim, na hora H, só gozam se usarem o vibrador para finalizar...

Ora, muitos homens ficam frustrados quando a mulher fica assim... Somente capaz de gozar com o vibrador.

No seu caso, todavia, o vibrador pode ser uma boa desculpa para você recomeçar a brincar de sexo com o seu marido.

Sim! Pois o que falta a ele é agressividade no sexo...; e, a você, capacidade de apenas brincar de sexo...

Desculpe agora o conselho prático, mas não tenho como dizer o que tenho que dizer sem ser gráfico na descrição.

Quando vocês estiverem transando, não pare o ato para espalhar as pernas e aplicar o vibrador. Sim! Pois isto, em sendo feito, acabaria com a “participação” de seu marido, posto que ele precisaria se afastar para você gozar sozinha... O que é frustrante.

Portanto, ao usar o vibrador, esteja de quatro, com seu marido introduzido em você, normalmente; e, quando sentir que está chegando mais perto do que seria o clímax, então, pegue o vibrador [que já deverá estar ao seu lado na cama], e apenas o ligue sob você mesma, e o vibre em seu clitóris, usando uma de suas mãos para aplicar o aparato; e, posicionando o aparato por debaixo de você, sem que seu marido sequer tenha que ver ou ajudar, deixe-o vibrar, mas não se concentre no vibrador... Sim! Aplique e continue concentrada no seu marido... E, enquanto ele prossegue..., você goza naturalmente no seu tempo...

Mas saiba: seu problema com o orgasmo é apenas cabeça e falta de liberdade para brincar, além de ser resultado de sua completa passividade.

Deixe de ser passiva. Procure-o. Dê prazer a ele. Aprenda a gostar de dar prazer. Sim! Pois, pouca coisa dá tanto prazer quanto aprender e gostar de dar prazer.

Sexo não é Copa do Mundo. Sexo é racha, é pelada, é brincadeira, é irresponsabilidade adulta, é o derrame do lúdico e da libido como bebida de alegria.

Não vá para a cama como quem vai para a Final da Copa. Sexo não funciona assim. Na realidade o sexo mais gostoso é sempre o mais improvisado e descomprometido com resultados e performances.

Ative o vibrador que você desligou na sua mente e logo você voltará a gozar sem nem mesmo perceber que está acontecendo.

Por último, digo:

Você tem que aprender a se abrir como uma égua para o seu marido, pois, parte do gozo decorre da mulher estar de fato “arreganhada” na alma e no corpo.

O tema é delicado e as palavras são próprias, embora um ser pudico possa se escandalizar com elas; mas os necessitados as lerão como Palavra de Vida; e somente isto.

Afinal, é ou não de vida que estamos tratando?  

Pense no que lhe disse!

Receba meu beijo e minhas orações; e mais: mostre esta carta ao seu marido.

 

 

Nele, que nos chamou para andarmos nus com o companheiro sem nos envergonharmos,

 

 

Caio

6 de fevereiro de 2009

Lago Norte

Brasília

DF