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Cartas

NÃO CONSIGO ACEITAR A MORTE DE MEU IRMÃO

NÃO CONSIGO ACEITAR A MORTE DE MEU IRMÃO



----- Original Message ----- From: NÃO CONSIGO ACEITAR A MORTE DE MEU IRMÃO To: contato@caiofabio.com Sent: Sunday, April 03, 2005 3:45 PM Subject: Perda do meu irmão João Vitor!! Ola!! Tudo bem? Estou escrevendo, pois visitando seu site soube da perda do seu filho Lukas. No mesmo ano, alguns meses depois da perda do seu filho, a minha família sofreu uma perda muito grande também. Meu irmão João Vitor, 23 anos, foi vitima de um acidente de carro. Estavam vindo do cinema de carro, meu irmão João Vitor, 23 anos, o Edifrancis 27 anos (irmão também) e a Fabrícia, namorada, jovem de 18 anos. Quando uma S10 passou por cima do carro deles, pois essa S10 estava disputando um racha. No geral... A Fabrica agora que teve alta, e tem seqüelas, o outro irmão de 27 saiu depois de um mês no hospital. Bem, as mensagens que o Senhor deixou no seu site me ensinaram muito a entender o que Deus fez. Particularmente eu estou sofrendo muito, pois ele era meu amigo, meu companheiro... E ainda não aceito a idéia dele ter partido assim.. Na verdade não sei como lidar mais com isso dentro de mim, e nem com minha família..... Fique na Paz de Jesus!! Francinne ________________________________________________________________ Resposta: Minha querida amiga: Graça, Paz e Consolação! Na realidade nós temos imensa dificuldade em lidar com a morte de jovens. O sentido de anacronismo é chocante. Isto porque a morte de um jovem parece fazer ressaltar a futilidade desta existência, cheia de caprichos e eivada de acidentes inexplicáveis. No entanto, quando se lê a Bíblia, não se vê essa mesma angustia presente. Isso porque os homens e mulheres da Bíblia lidavam com o fato da morte como algo completamente possível e até natural em qualquer fase da vida. Isso sem falar que as taxas de mortalidade eram altíssimas, e, as pessoas sabiam que nem todos os gerados numa casa haveriam de se criar... A mesma atitude frente a morte eu vejo nas mulheres do interior do Amazonas. Sim, praticamente todas as mães têm filhos que não se criaram e morreram ainda pequenos ou na adolescência... ou mesmo na juventude. Sem falar que não é raro ver mães já idosas que sepultaram quase todos os filhos. O fato é que para nós, seres urbanos e habituados a uma taxa de mortalidade cada vez menor em relação aos filhos que se gera, tal realidade da existência nos parece cada vez mais alienígena e insuportável. Ora, quando a morte vem por uma doença, em geral, as pessoas culpam a Deus, que não protegeu... Quando se trata de um acidente, todavia, se busca ‘entender’ o que aconteceu, como que a tentar encontrar um significado para algo tão dês-significado como um ‘acidente’. No caso de meu filho, foi uma menina de 18 anos quem o "matou". Ela vinha de uma festa e havia roubado o carro do pai... um carrão. Voltava disparada para casa antes que o pai acordasse e desse falta do BMW. Meu filho atravessava a rua indo para uma padaria. Minha filha e amigos esperavam no carro. Não havia ninguém na rua. Todos olharam e deram sinal verde para ele. Ele foi... Botou o pé no asfalto e foi arremessado longe, pelo carro que vinha em alta velocidade. Morte instantânea! Dois meses depois eu soube quem o havia matado por acidente. A moça caíra em depressão e estava internada para tratamento já fazia dois meses. Eu quis vê-la... mas aparentemente a família não quis tal aproximação. Mesmo assim enviei um recado, dizendo que ela estava perdoada, e que eu gostaria que ela se levantasse e vivesse. Eu não tenho perguntas a Deus. No que me diz respeito, trato como uma topada, como uma unha que se arrana sem que se deseje, como uma tábua que cai na cabeça de alguém que passa sob um alambrado, como um escorregão de um precipício, como um acidente... Isso é a minha parte, e é apenas até aí que eu vou. E não me sinto na obrigação de saber mais nada... não aqui... não na terra... não enquanto estou neste mundo. É claro que Deus tem Seus propósitos, mas isso é com Ele, não comigo. Além disso, Deus não vê a vida como nós a vemos, e nem chama de catástrofe o que nós chamamos. A morte é apenas a morte. É isso que Jesus e Paulo nos ensinam. Quem vive e crê, não morre... mesmo que morra. E quem morre mesmo crendo, não morre, pois vive eternamente. Paulo disse que em Cristo a morte agora é ‘nossa’, juntamente com a vida. Sim, vida e morte em Cristo são a mesma coisa. Nós é que não vemos e não sentimos assim. E agora? O que fazer? Ora, não há receitas, mas há atitudes a serem prescritas. Abrace sua dor sem medo. Sinta todas as saudades que você sentir. Lembre-se de todas as coisas boas... e das ruins também. Veja o caldo de amor que ele recebeu de vocês todos. E veja as coisas do ponto de vista dele, que não está se lamuriando por ter ‘morrido’, posto que nem sabe disso como morte, mas apenas como vida e imersão na plenitude de Deus, do amor e do entendimento do significado de todas as coisas. Se você pensar em você, dores crescerão. Mas se pensar nele, grandes consolações a visitarão! No mais, minha querida, não há muito para dizer, mas há muito no que confiar! E saiba: tais coisas não desaparecem assim... pro nada... e de repente. Elas vão e vêm... Às vezes a gente está melhor... Às vezes a gente está pior. Mas é normal. Volte à vida. Não se sepulte com ele. Ele odiaria de você fizesse isso. Curta a vida. E sempre que você vir algo que ele gostava ou gostaria, prove por ele, com aquele amor devocional de uma irmã que o amava. É tudo o que tenho a lhe dizer. O mais... eu sei... o Espírito Santo o fará. Um grande e carinhoso beijo, para você e toda a sua casa. Nele, em Quem a morte morreu, Caio