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Cartas

MORTE DE CRIANÇA: por que Jesus levou meu filho de dois anos?

MORTE DE CRIANÇA: por que Jesus levou meu filho de dois anos?

 

----- Original Message -----

From: MORTE DE CRIANÇA: por que Jesus levou meu filho de dois anos?

To: contato@caiofabio.com

Sent: Friday, March 06, 2009 8:11 PM

Subject: morreu meu filhinho, e agora?

 

Florida 2009!
Mano Velho:

Depois de hesitar por uma semana decidi te escrever na expectativa de conseguir ajuda. Semana passada, Isaque, meu filho de dois anos, morreu afogado na piscina da minha casa e desde então minha vida se afogou.

A dor e muito grande e a sua ausência e insubstituível.

Ele era o cara mais incrível que já conheci... Tão cheio de vida e ousado, que havia dentro de mim uma agradável e desafiante expectativa de como eu iria tratar com ele na  sua infância, adolescência e juventude.

Junto com ele, morreram muitas outras coisas: sonhos, planos, paixões, interesse pela vida e vontade de lutar por qualquer coisa.

São tantos "porquês" "pra quês" que, às vezes, penso que o melhor seria partir e estar com ele.

Minha fé está abalada!

Eu sei que Deus não apenas poderia ter evitado tal tragédia, mas também poderia ter revertido a situação até à hora do sepultamento.

Creio com todas as minhas forcas que Ele poderia, mas não o fez.

Às vezes me consolo dizendo a mim mesmo: “o Senhor o levou" ou "era a vontade de Deus”.

Na verdade, não tenho certeza de nada disso e não sei como lidar com isso.

Sei que Isaque está com o Senhor, mas não me convenço que isso era o Seu "plano" pra vida dele e para nós.

Outra piração que tenho tido e a respeito da minha vida de oração.

Eu orava por meus filhos todos os dias e de maneira especifica, contra tragédias, traumas, abusos e, algumas vezes, orei por proteção para que não se queimassem ou afogassem.

As pessoas ao nosso redor têm sido muito solidárias, mas repetem as mesmas coisas que não têm poder de consolar meu coração e satisfazer a minha necessidade de entender Deus nessa hora.

Essa coisa de arrumar respostas fáceis, tapam um buraco aqui, mas pra isso criam outros adiante.

Sei que vc perdeu um filho que amava e talvez possa me ajudar a processar toda essas perguntas e me ajudar a ajuntar todos os cacos e seguir em frente sem me tornar uma pessoa amarga e indiferente com a vida.

Se vc ler este e-mail, por favor, me dá um toque.
Valeu Mano!

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Resposta:

 

Meu mano amado: Graça, Paz e Consolação no Espírito Santo!

 

De: Abraão

Para: Todo Aquele Que Hoje Não Sabe Para Onde Está Indo, Mas Que Sabe Com Certeza Com Quem Está Indo:

Toda-via, não-havia...

Havia sim, todavia, a não-via.

Assim, Abraão nada-via, pois, Nada-Havia como via!

Entre-tanto, tudo-via, onde, todavia, nada-havia!

Mas ele se via na via como um en-via-do do in-viá-vel!

Assim, tudo ha-via como via, mesmo que fosse, toda-via, a não-via!

 

 

 

Meu mano, é verdade, perdi um filho muito, muito amado, como todos os outros o são; e sei o que é amar, amar, investir a vida, dar tudo o que se tem, e, então, de repente, seu objeto de amor de se ir...

Sim! É a nossa dor que se sofre em uma “perda” assim. A nossa dor e somente a nossa dor. Afinal, que outra dor se sofre quando um filho lindo, angelical, santinho, puro e sublime parte para a eternidade?

Dor por ele não é. Sim! Sua dor não pode ser pela perda do filho em relação a este mundo, posto que o mundo caminhe para virar um Inferno palpável em pouco tempo.

Portanto, nessa hora, a dor é da gente e somente nossa.

De fato, a dor de um pai que ama o filho, nesta hora é dor do pai por si mesmo, por ter perdido um filho neste mundo e para si mesmo.

Se como pai eu tivesse pensando no “futuro” de meu filho na terra, e se o fizesse de modo “romântico”, acharia que ele foi privado de ter e me dar alegrias ainda por muitos anos, posto que nessa hora, o pai apenas pense no futuro como um “mar de rosas”.

Perdi dois filhos [embora “perder” não seja uma palavra própria para mim quando se trata de filhos que se foram...]. O 1º foi o Luizinho, que era um bebezinho que partiu com oito ou nove horas de vida. Lindo e perfeitinho, todo gostoso. O outro foi o Lukas, meu canguruzinho amado, e que se foi com 22 anos de idade.

Entretanto, meu maior treino para essas “perdas” aconteceu observando meu pai e minha mãe, quando perderam um filho amado, de 19 anos, o meu mano Luiz Fábio, que morreu para os homens em um acidente de carro, enquanto ia à reunião da igreja a fim de treinar para um “Evento evangelístico” que eu faria e fiz no Teatro Amazonas, dois dias depois, chamado “À Cruz Urgente”.

Foi com eles que aprendi que nunca se perde um filho apenas por que ele tenha “morrido”.

De fato vi que a morte não mata ninguém, e que, muitas vezes, salva a pessoa daquilo que no mundo mata para sempre.

Minha mãe perguntou a Deus: “Por que Senhor?” E leu, na mesma hora, um texto que para ela se abriu em Isaías: “... porque o justo é levado antes que venha o mal, e entra na paz”.

Daquele momento em diante [e isto aconteceu quase logo depois da notícia] comecei a aprender a lidar com a morte em Cristo.

Então, sistematicamente, orava e jejuava pelos filhos que eu teria, e que, de fato, comecei a ter logo depois, em 1976, quando veio o Ciro, e, no ano seguinte, quando veio o Davi. Seis anos e oito anos depois deles, vieram o Lukas e a Juliana.

Minha oração era uma só:

Que o Senhor não os deixasse nem um dia a mais neste mundo se eles não fossem crescer para amar a Deus e tornarem-se gente boa de Deus nesta vida.

Dizia ao Senhor que preferiria sepultar os quatro em um só dia, do que vê-los andando sem o amor de Deus no coração; pois, para mim, só se perde um filho se ele existir sem Deus neste mundo.

Salvei-os de tudo: de acidentes no mar, em buracos de fossa, de quedas horríveis, de afogamento, etc. Mas eu sabia que aqueles eram os salvamentos bobos, pois, o verdadeiro salvamento nunca seria de catástrofes físicas, mas sim das espirituais e mentais — e eu sabia que somente o mistério do amor de Deus poderia cuidar deles, mesmo que fosse levando-os para salvá-los da morte de existir sem Deus no mundo.

Assim, minha dor de pai, por mais forte que seja, é a dor de um pai que ama mais o destino eterno dos filhos em Deus, do que meus sonhos para eles na Terra.

Nunca tive sonhos para meus filhos na Terra!

Todos os meus sonhos para eles eram e são simples: que eles vivessem e vivam com o amor de Deus no coração, e que se a existência deles for afastar-se desse amor, que o Senhor, por amor a eles e a mim, os leve antes que venha o mal; e, assim, eles entrem na paz.

Digo isto porque se a nossa esperança em Cristo se reduz apenas às coisas desta vida, então, creia, nós nos tornamos os mais infelizes de todos os homens.

Quem tem Jesus como escudo contra acidentes, afogamentos, doenças, calamidades físicas — esse tal está pedindo que Jesus seja uma Seguradora ao estilo das Seguradoras Contra Acidentes.

Eu, todavia, nunca achei que filho vivo no mundo fosse filho vivo em Deus!

Meu amor pelos meus filhos tem a ver com a eternidade, não com uns aninhos de vaidade na Terra.

Entretanto...

Independentemente da consciência em fé que a pessoa tenha ou não, o elemento psicológico de tal perda é o seguinte:

Quanto mais novo ou recém nascido seja o filho, menor e menos durável será a dor, pois, em tal caso, têm-se apenas os sonhos pessoais como agentes de dor da perda. Entretanto, quanto mais se tenha interagido com o filho, como já é o caso com dois anos de idade [tenho um netinho de dois anos hoje e que curto todos os dias em amor], então, maior e a dor; pois, além dos “sonhos de pai”, também já se tem a expressão de vida, doçura e personalidade da criança — o que aumenta muito mais a dor.

Quando o filho está na flor da juventude, como foi o caso com meu irmão Luiz e meu filho Lukas, então, além dos sonhos, também já se tinha a vida mesmo; com seus contornos, idéias, atitudes, opiniões, graças, tristezas, esperanças e receios bem estabelecidos. A dor é imensurável também.

Entretanto, quando o filho já é um adulto, que viveu e até já teve filhos, e, por alguma razão se vai... — a dor é imensa também, mas, de algum modo, o coração parece se consolar com o fato de que o filho disse ao que veio no mundo, como se isso tivesse dado a ele mais vida pelo tempo decorrido. Então, dizemos: “Não ficou velho, mas, graças a Deus, fez muita coisa boa; viveu”.

E se o pai já é idoso e o filho também [o pai com uns 80 e o filho com 60], a dor é igualmente imensa, mas, pela velhice e pela falta de ilusões, o velho pai tende a se consolar com mais rapidez.

Todavia, lendo a sua carta vi que todas as suas esperanças em Cristo ainda são apenas deste mundo!

Você orava como quem investia em proteção!

Além disso, vejo que “do lado de lá”, para você, existe o seu filho e nada mais... Afinal, sua vontade era morrer e estar com ele; embora a morte somente una os que, morrendo..., creiam em eternidade em Cristo.

Ele, seu filho, sem que exista eternidade em Jesus, jamais será achado. Não existe um lugar sem Deus para ele ou para ninguém. Sem Deus o lugar do encontro é o Nada.

O que noto meu mano amado, é que sua dor não tem esperança em Jesus.

Não há senso de eternidade em seu coração. Suas alegrias em Cristo se prendem apenas a esta vida, o que, numa hora como esta, faz de você o mais infeliz de todos os homens.

Portanto, meu mano amado, caso sua mente não salte na fé para o plano da “esperança da glória de Deus”, coisa alguma lhe será consolação neste mundo de aprisionamentos a futuros medidos por tempo de vida e conquistas materiais e sociais.

Não há muito a dizer... Apenas digo que seu filho está com Jesus. E mais: digo que conquanto seu filho esteja com Jesus, você, pela falta de esperança, fruto do engano da fé que lhe ensinaram [uma fé de Prosperidade e de Seguro Contra Acidentes], está em fel de amargura; e isto nada tem a ver com Deus, que apenas salvou seu filho contra todo acidente que mate o espírito; mas sim tem a ver apenas com você, que ainda pensa que vida abençoada é vida longa, saudável, rica e tranqüila, conforme este mundo.

Enquanto seus valores forem esses, saiba: não haverá nem esperança e nem consolação para a sua alma. Afinal, Paulo disse que quem crê em Jesus apenas para o Aqui e o Agora, esse é mais infeliz do que o ateu.

Sofro saudades de meu filho Lukas, mas nunca senti perda ou desespero.

Ele é meu segundo filho a estar DEFINITIVAMENTE SALVO DE TUDO.

Eu, de minha parte, aprendi a aproveitar tudo de todos — seja uma semana de vida, um mês, um ano, uma década, duas, três, ou qualquer tempo...

Afinal, a coisa mais básica que se pode aprender sobre a existência é que ela é completamente frágil e mortal.

Meu irmão, enquanto a gente não ama o amor de Deus tudo nos parece perda neste mundo.

Quando, porém, a gente ama o amor de Deus, então, nada mais é perda neste mundo.

Quando o amor de Deus é maior do que qualquer outro amor em nós, e quando nosso amor por Deus não é porque Ele seja Legal, fazendo tudo conforme nossos planos e sonhos [planos nossos, mas que a gente chama de “plano de Deus”], mas porque Ele é amor, independentemente do que nos agrade ou não, então, até a morte é doce, e até a ida do filho é salvamento.

O justo é levado antes que venha o mal; e entra na paz!” — diz Deus por Isaías.

Assim, segundo Deus, morrer não é mal. Mal é viver sem vida, sem Deus e sem esperança.

Ora, quando a gente ama o amor de Deus, a conseqüência é que a gente crê no amor Dele sempre, especialmente ante a morte.

Portanto, quando a morte vem, a gente olha para ela e diz: “Onde está ó morte a tua vitória?

Sim! Pois a morte somente mata os que não morrem e continuam a viver sem vida, embora existentes.

Mas quando a gente foi invadido pela eternidade, e vive para e pela esperança da Glória de Deus, então, mesmo gemendo de dor, a gente diz sem hipocrisia: “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte de Seus santos, especialmente de Seus anjinhos”.

Isso, entretanto, consola o coração, pois, entrega-se o filho a quem ele pertence: ao Pai.

Parece um pensamento tolo para quem não experimenta a realidade de Deus como vida mesmo, e não apenas como crença de Segurança. Mas para quem crê, o sentimento em fé é simples. De fato é como o que acontece a um pai que ama o filho, e que sabe que já não poderá tê-lo, mas, assim mesmo, o entrega a quem Melhor Pode Cuidar dele nesta vida ou em qualquer vida: o Pai.

Meu mano querido, tudo o que lhe digo, agora, em meio à dor, lhe parecerá tolo e superficial. Sei que você não me considerará assim apenas porque eu sei o que é sofrer esta dor. No entanto, mesmo com tal respeito por mim, hoje ainda lhe parecerá DEMAIS o que lhe digo.

Porém, em algum tempo, ao voltar para esta carta outra vez, com os olhos encharcados de lágrimas e dor, sua alma irá entendendo o sentido de tudo, e, aos poucos, você terá oxigênio de novo, e, assim, poderá vir a discernir o que hoje ainda lhe é impossível em razão da dor, da sua dor, de suas frustrações, de seu sentimento de ter sido boicotado por Deus.

Mano, “alegremo-nos nas próprias tribulações; e não somente nisto, mas gloriemo-nos na esperança da glória de Deus” — pois, que mais nos resta neste mundo de existência que mata mais que a morte?

Estou orando por você desde ontem à noite, quando vi a sua carta e a separei para responder agora, hoje, dia 7 de março de 2009.

Meu netinho acordou cedo e estava comigo aqui fora, brincando e falando enquanto eu respondia a sua carta. E não foram poucas as vezes em que parei, olhei para ele, lembrei de seu filho, e orei por você e por todos os seus.

Ninguém sabe nada nesta vida. Sábio é quem apenas vive o mal de cada dia com esperança e sem amargura no coração.

Portanto, mais do que nunca se diz: o justo viverá pela fé.

Mano amado, minha impotência já foi longe demais no falar.

Agora, apenas faço silêncio e choro com você!

O Senhor que o levou cuidará de todos os que ficaram!

 

Nele, que ama os que Ele leva para Si mesmo,

 

Caio

7 de março de 2009

Lago Norte

Brasília

DF

SUGESTÃO DE LEITURAS: O Enigma da Graça

 

E os seguintes links:

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HOJE, NEM TANTO PELAS SUAS PALAVRAS, MAS PELA SUA VIDA!

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LUKAS NOSSO QUERIDO--JUDITH RAMOS

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O LUKAS ERA DELE E PARA ELE