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Cartas

MORRO DE CIÚMES DELE...

MORRO DE CIÚMES DELE...




-----Original Message-----
From: Ciumenta 
To: contato@caiofabio.com
Subject: Morro de ciúmes


Mensagem:


E ai Pastor mito, mito pastor...

Tá lembrado de mim?

Falei que não largaria do seu pé, mas te dei uma super folga, heim?

Sabe que "adorei" ler umas respostas que você deu pro pessoal ai!

Encantador, inteligente, sábio, ai, ai ai...

Não é idolatria não, heim? 

Agora é minha vez. Tô muito mal!

Me ajuda?

Sou doente!

Ai! É duro, mas reconheço.

Sou doente, estou doente, quero cura.

Deixa eu te contar.

Olha o nome da doença: CIUMES.

Quero saber a sua opinião.

Sou ciumenta. Há anos sou assim. Pelo que me consta, desde a adolescência.


Tinha ciúmes de tudo e de todos.

Os anos passaram e tive relacionamentos doentios (adolescentes, esporádicos); porém, um deles, o mais duradouro —quase 8 anos— foi horrível.


Foi uma tortura, desde o principio: TRAIÇÃO.

Mulheres e mais mulheres além de mim; e eternas juras de amor e de fidelidade.

Enfim...

Conheci Jesus há seis anos.

Mudei bastante.

Clamo bastante por mudança, mas noto que não sou liberta.

Tenho ciúmes que me fazem mal. Muito mal.

Hoje eu já consigo não ser aquela chata, não faço mais cenas ridículas.

Acabei por optar em calar.

Sumir.

Parar pra pensar.

Dar uma chance pra mim mesma.

Mas esse silêncio machuca, às vezes tortura.

Os motivos?

Creio que nem existam.

Estou namorando alguém muito especial. Pensamos em casamento. Sei que tenho um chamado. Amo a obra de Deus e ele também.

Agora o problema é: Como encarar as irmãs assediando? Os aconselhamentos?

Às vezes penso que ficarei só pra sempre, pois meu ciúme me impede de amar como devo amar. Quando penso que posso sofrer, penso que não devo amar.

Já clamei a Deus por uma cura.

Há anos peço que ele me prepare pra ter alguém.

Estava só, desde a minha conversão.

Mas sabe, não sei fingir, meu semblante muda.

A primeira coisa que falei pra ele quando eu o conheci foi: “Sou ciumenta!”

“Eu gosto de mulher ciumenta” — ele me falou.

Cortejos!...


Creio que ele me ama, e eu o amo também.

Não quero perder a oportunidade de pela primeira vez amar de verdade e ser amada de verdade. Esse ciúme me atormenta, me persegue e tenho que vigiar 25 horas por dia pra não acabar por estragar tudo.

Ele não me dá motivos, eu os crio!

Me ajuda, vai?

Me diz alguma coisa.

Bem, chega.

Já deu pra entender.

Aguardo resposta sua, por favor.


Um super abraço, Deus te abençoe muito.


 




Resposta:


Minha querida amiga Paulista: Segurança para você!

Ciúmes!

Trata-se de um humor que se volta como juízo sobre se mesmo!

De fato, é um Si-Humus.

É o que é de-si-mesmo e se expressa como humor negativo.

O ciumento, em geral, projeta sua insegurança a partir de duas bases:

1. Como trauma de alguma constatação infantil. Tipo: uma menina que teve um pai muito “galinha”. Ou uma experiência traumática com um namorado também galináceo. Nesse caso, constrói-se a certeza: “Todo homem não presta”.

2. Como “projeção” de si mesmo. Esse “ciúme” é mais comum em homens. Especialmente os que sempre tiveram muita facilidade com as mulheres. Quanto mais “irresistível” é o homem, mais tendência ele tem a ser ciumento. Por quê? Ora, para ele todas as mulheres são fáceis. E como nunca encontrou nenhum que tenha sido “jogo duro”, avalia que todas —inclusive a “sua”— sejam em relação aos outros aquilo que elas todas foram para ele, ou seja: fáceis.

No seu caso, a “revelação está feita”. Você experimentou na carne o que significa ter se relacionado com o típico “galinha”. Então, agora, seu quase-marido está pagando o pato.

Que ironia: um “galinha” faz um outro “pagar o pato”.

Sabe, só há dois remédios para o ciúme e ambos dão trabalho quanto a serem “implantados” no sistema da “alma”.

Ciúme é coisa da alma. Sempre da alma. É estado psicológico. Daí ser tão difícil de ser controlado, pois, quando explode, extrapola a razão.

Às vezes, até a mente diz “Não!”, mas a alma não consegue parar o processo. Então, iniciam-se as “fantasias”.

Essas “fantasias” —dependendo do tipo do trauma de ciúme; se o número 1 ou o número 2— apanham os lixos da alma e projetam como “loucura” sobre o objeto do “juízo” — ou seja: aquele que está sendo a vítima do enciumado.

Quais são as duas coisas que podem ajudar a gente a vencer a “doença do ciúme”? (Digo “doença” porque se ainda não é, com certeza se tornará.)


1. Confiança em Deus. Sem confiança não se vence o ciúme. Bem, então você diz: “Mas eu não estou ‘namorando’ Deus”. É claro que não. Mas se você não “entregar” e descansar, com certeza você vai pirar.

2. Consciência de aquele que “trai” não trai a ninguém além de si mesmo. Portanto, trata-se de uma mudança radical de paradigma de valores. O ciumento acha que está sendo traído quando é traído. O ser que confia em Deus —e confiar no namorado é só um detalhe— sabe que Jesus não foi traído. Sabe que foi Judas quem traiu Jesus. Ora, isso faz toda diferença.

Você me pergunta: “Só isso?”

 

Bem, eu poderia escrever um “tratado” — é facílimo escrever tratados! Mas, depois do “tratado”, é apenas desse jeito que você terá que tratar as coisas!

Por isso, vá e eduque sua alma na Graça de Deus.

Um grande beijo.

E não estrague aquilo que de bom você tem.

Sobre seu futuro marido ser pastor, fique fria.

Nenhuma mulher assedia um homem a menos que ele queira.

É igualzinho com você.

Você irá ser assediada se não desejar ser?

Dependendo de como você trata a questão, então você projetará você mesma sobre ele. E se me disser que “sim”, então, quem está precisando olhar para o coração, mais uma vez, é você.

Receba meu carinho.

 

Nele,

 

Caio