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Cartas

MISSIONÁRIO APAIXONADO POR “PIMENTA E SAL”

MISSIONÁRIO APAIXONADO POR “PIMENTA E SAL”



----- Original Message ----- From: MISSIONÁRIO APAIXONADO POR “PIMENTA E SAL”: de mulheres brasileiras... To: contato@caiofabio.com Sent: Sunday, February 12, 2006 9:29 PM Subject: Missionário aflito por amor Querido Caio, É com muita alegria que tenho lido seu site. Tem sido um refrigério para minha alma. É um grande alívio descobrir que não sou o único a pensar que a igreja, na sua forma hoje, está doente de neuroses, farisaísmo, e legalismo. Por favor, ignore e corrija meus erros gramaticais e de ortografia. Aprendi o português só depois de 30 anos de idade. Minha historia não é muito diferente de tantas outras que o senhor já ouviu. Só os detalhes fazem que as soluções fiquem mais complexas, eu acho. Sou missionário estrangeiro; casado há 30 anos; temos uma filha biológica, casada; um filho adotivo; duas lindas netas que moram aqui no Brasil. Chegamos no Brasil há mais de 21 anos, cheios de sonhos, expectativas, e esperança. O namoro entre eu e a minha esposa aconteceu dentro da igreja, durou várias anos, sobreviveu longas separações por causa de estudos. Casamos virgens, com a benção da igreja, do pastor, de todos os familiares. A lua de mel foi uma maravilha: companheirismo, tranqüilidade, e muito sexo. Mas na volta para a vida "normal" minha esposa mostrou uma forte indiferença em relação a sexo. Tornou-se uma causa constante de discussões e mágoas. Muitos dos nossos encontros íntimos foram procedidos de conversas longas, e choros. Ela me acusou uma vez de só querer "aquilo", e não ela. Falou muito friamente que todos os casamentos tem problemas, e que esse era o nosso. Magoou-me profundamente, mas não me permiti perceber isto. Nós nos amávamos muito, apesar das dificuldades; e tentei ser um bom marido; e ela, na sua inocência, achou que estava sendo uma boa esposa. Chegamos no Brasil e fomos estudar português. Uma mulher, filha de missionários, recém-divorciada, nos ajudava muito em nos adaptar a vida brasileira, a explicar costumes e cultura; enfim, era um anjo mandado por Deus. Eu e ela, em nossas necessidades afetivas, acabamos nos apaixonando. Não chegou a ser uma relação física (mérito dela)... Nada alem de beijos e abraços. Mas me mostrou as possibilidades de um relacionamento mais quente, mais íntimo (emocionalmente), mais saudável psicologicamente. Fiquei muito, mas muito insatisfeito com meu casamento. Chegou ao ponto de querer fazer um "acidente" acontecer para eu ficar livre da esposa. Mas com o passar do tempo, acostumei, baixei as expectativas, e me dediquei ao trabalho. Afinal, um missionário não pode divorciar, não é!? Aconteceu o inevitável. Tinha uma moça que trabalhava em casa, maravilhosa. Mas uma pessoa boa mesmo. Ela casou, teve neném, divorciou. Na verdade, no inicio, não pensei que tínhamos algo em comum. Sempre fiz questão de deixar minha esposa tratar com ela, em grande parte para forçar minha esposa, tímida, a assumir as responsabilidades de uma dona de casa. Minha esposa é muito, mas muito acomodada; ela aceita tudo; sem questionar; do tipo: "...é, pode ser, tudo bem". Parece não ter idéias próprias. Não fala, não pensa, tudo é bom para ela. É muito difícil dialogar com ela. Às vezes, quando quero conversar, faço uma pergunta que está queimando em minha alma. Eu tenho aprendido que preciso dar tempo para ela pensar na sua resposta; e o próximo som que escuto é o ronco dela! Aconteceu que durante um tempo, passei a gastar mais tempo em casa; e durante parte deste tempo minha esposa estava trabalhando fora. Uma vez nós (vamos chamar ela de "Debbie") nos encontramos no corredor da casa, e algo me fez abraçá-la. Nossa, que surpresa quando ela respondeu com um abraço tão apertado, e quente, e beijos. Muitos beijos quentes! Mas depois, ficamos assustados com nós mesmos. Afinal, missionário não faz estas loucuras, não é?! Então resolvemos não dá lugar ao inevitável. Foi uma briga, (comigo mesmo). Ela nunca me pressionou, nunca correu atrás de mim, sempre respeitou o que eu queria. Mas começamos a conversar mais. Que bom, que alivio, ter uma conversa íntima, sobre dores, esperanças, a vida. Nosso relacionamento ficou mais íntimo (emocionalmente). Acho que nós dois sabíamos que iríamos acabar na cama, mais cedo ou mais tarde. Cheguei a conversar com ela se era responsável ter camisinhas, só "no caso de"...; ou se isso seria "dar lugar para o inimigo." Acabei não comprando, ou por medo, ou para não aceitar o inevitável, ou porque... "Afinal, missionários não fazem estas coisa, não é?!" Finalmente, minhas barreiras foram vencidas por paixão. E foi bom demais! Mas fiquei preocupado, achei que tinha engravidado ela (não aconteceu); e resolvemos não fazer mais. Mas a barreira já tinha sido quebrada, e acabamos tendo um relacionamento alucinante. Fizemos sexo no mato, no carro, em cima da moto, nos motéis mais baratos da cidade, nos motéis mais caros da cidade, na cama dos pais dela, na horta do pai, à beira estrada, em minha casa, na casa dela...— em todos os ambientes, todas as horas de dia e de noite. Ela casou virgem mas nunca tinha sentido prazer. Fui o primeiro homem na vida dela, apesar de já ser mãe. Ela veio morar em nossa casa por necessidades financeiras; e agora ficou bom mesmo! Vivemos como se fossemos casados mesmo: resolvemos problemas financeiros de casa, de comportamento dos filhos, das compras, da disposição dos móveis, da decoração da casa, tudo... E a inocente noiva da minha juventude, não suspeitando de nada. Até uma noite quando tínhamos brigado mais do que costumávamos, (nós dois somos por natureza pacíficos); e eu saí do quarto bravo, dizendo que eu ia casar-me com Debbie. A diretoria da missão ficou sabendo, e me chamou para uma reunião. Arrancaram de mim uma "confissão" meio forçada..., porque, de fato, o relacionamento com Debbie foi bom demais para eu me arrepender. Mas, para ficar na missão (estou apaixonado por meu trabalho), Debbie tinha que sair de casa. Na verdade, o que eu queria era separar da minha esposa, e casar com Debbie. Mas não tinha forças interiores para enfrentar nossos mantenedores financeiros, a igreja, as duas missões (somos locados de uma missão estrangeira a uma nacional), nossas famílias, lidar com um divórcio internacional, etc... Eu senti que eu teria que enfrentar tudo isso sozinho. Minha esposa bateu o pé firme (talvez pela primeira vez na sua vida), e disse que estava pronta para fazer de tudo, que iria fazer qualquer sacrifício para manter sua família junta. Eu poderia sair, mas contra a vontade dela; iria ser só culpa minha. Claro, as missões, a igreja, e as famílias, iriam me demonizar. O que eu queria era que ela reconhecesse que houve problemas, e admitir que ela fazia parte deles, e concordar com uma separação amigável. Em outras palavras, assumir uma parte da culpa; mas não o fez. Afinal, não era ela quem tinha pulado a cerca! Eu pulei! Fizemos terapia, participamos de encontros de casais, fizemos de tudo para tentar nos recuperar. Por um bom tempo, ela passou a gostar de sexo; ela me tratou muito bem. Mas o amor pela Debbie era mais forte; e só cresceu e amadureceu. Parou de ser uma aventura alucinante, e virou uma coisa mais estável, menos emocional e mais racional. Sobreviveu longas ausências, enquanto eu e a minha família estávamos no exterior, sem diminuir a força. Cada encontro nosso, é como se fosse o primeiro; não conseguimos tirar os olhos um do outro. Falamos de tudo abertamente, não conseguimos esconder nada, porque parece que ela sabe ler meus pensamentos, e eu estou aprendendo o jeito que ela pensa. Falamos que nossas conversas são uma "lavagem da alma". Já nosso amor durou mais de dez anos sem diminuir, pelo contrário, só aumentou. Minhas perguntas para o senhor são as seguintes: Como saber se amo a minha esposa? Faz um bom tempo, alguns anos, que não falo "eu te amo", para não me sentir mentiroso. Mas gosto dela. Não uso mais aliança, por não me sentir casado. Mas passamos tantas coisas juntos, temos uma vida inteira de memórias compartilhadas, não brigamos, compartilhamos muitos opiniões, gostos musicais, culturais, etc. É muito cômodo ficar com ela. Ela cuida de mim, na medida do possível, fazendo comida, lavando roupa, ajudando nas minhas atividades profissionais. Ela cuida do dinheiro. Ela é muito mais sistemática que eu; para ela é fácil fazer as contas bancárias. Mas descobri que ela cuida dos detalhes, mas não planeja, não faz boas decisões, não sabe nem pedir minha opinião; e quando faz, não sabe explicar o que ela está falando. Parece que falamos línguas distintas, estranhas um para o outro. Somos bons "companheiros de quarto". Mas não gosto de olhar para ela (engordou muito). Só faço sexo pensando em outras; e só por necessidade física. Às vezes não quero nem ficar no mesmo ambiente onde ela está. Mas, às vezes, quero ela por perto para me ajudar, ou ouvir uma idéia minha, ou para mostrar para ela uma coisa que eu arrumei ou criei. É difícil imaginar uma vida sem ela, (já passamos mais da metade de nossas vidas juntos.) E é difícil imaginar vivendo o resto da minha vida assim, sem sal e pimenta, já sabendo quanto mais prazeroso tudo pode ser. É amor? Platônico? Comodismo? No caso de não ser amor que nos une, como eu me fortaleço para enfrentar missões, igrejas, mantenedores, opiniões, alunos, etc.? Como eu posso fazer ela entender a seriedade da minha insatisfação? Tenho tentado conversar. Falei que já perdi esperança em relação a nós. Falei que finalmente estávamos conversando a respeito do "elefante" que está na sala, mas ninguém nem admite que está lá. Fiquei quase eufórico por poder finalmente expressar meus pensamentos. Era um grande alívio. Ela falou que gosta de mim, apesar das dificuldades, mas não vale o esforço para me manter satisfeito. Fui dormir pensando que tínhamos feito um grande passo para frente; mas o dia seguinte, tudo voltou à rotina. Parece que nunca tínhamos tido aquela conversa. A Debbie me conhece muito bem. Ela falou que se eu decidir ficar com a esposa, que ela respeita. Mas ela tem certeza que eu vou procurar outra. E se eu olhar fundo dentro do meu coração, sei que ela tem razão. Não gosto de admitir, mas se tiver chance, provavelmente, não resistirei. O que seria a saída mais honrosa? Engolir minhas mágoas, e continuar nesta vida confortável, mas sem sabor? Sair da missão, arrumar um emprego secular (aqui mesmo, adoro viver no Brasil), e depois pedir divórcio? Pedir divórcio enquanto estou na missão? Esta última seria mais difícil explicar para nossos mantenedores, mas pode ser melhor financeiramente para minha esposa. Provavelmente ela poderia continuar a trabalhar na missão e não perder o plano de saúde, que não é uma coisa pequena no exterior, pois vale muito dinheiro mesmo! Eu também iria ter uma aposentadoria melhor se ficasse. Ou o senhor tem uma outra opção, que eu não vi? Acabei de conversar com a Debbie. Nós decidimos não nos encontrar enquanto eu estou em dúvida sobre que passo tomar. Eu quero me forçar fazer uma decisão. Se nós estamos juntos, eu tenho o melhor dos dois mundos. Esperançoso de uma resposta que reflita a sabedoria, a sensibilidade e o amor de Jesus, ________________________________________________________ Resposta: Meu querido irmão: Graça e Paz! Inicialmente quero dizer que não estou na posição de dizer o que você tem que fazer ante decisões tão sérias. De fato, esse é um caminho solitário, e que dificilmente terá qualquer ajuda que não venha de sua própria consciência em Deus. Posso apenas dizer duas coisas, em geral: a primeira tem a ver como o que senti de sua carta e de você; e a segunda é o que vejo, em geral, acontecer em tais casos, especialmente quando as situações se assemelham à que você está vivendo. Pareceu-me que você está muito confuso. Você diz que sua mulher é quase catatônica e existente num mundo paralelo. Ela não pensa, não tem idéias próprias, responde com um ronco as suas questões; e, além disso, embora falem a mesma língua e tenham a mesma cultura, você diz que ela não consegue se comunicar e se expressar em relação a você; e, também, afirma que ela não quer deixar você; e isto enquanto também declara que não vale a pena viver para tentar satisfazer você. De outro lado, essa mesma mulher, que um dia não quis sexo com você — e quando quis o fez por missão, no sufoco da ameaça da separação —, é quem cuida de tudo o que uma secretária ou empregada faria por qualquer pessoa que a pagasse. Ou seja: ela virou governanta. Agora, mesmo que ela quisesse sexo com você, quem já não quer mais nada com ela é você, que nem mesmo deseja vê-la nua; ou que, quando transa com ela, o faz “pensando em outras”, conforme você disse. Então, depois disso tudo, você pergunta se a ama, pois sabe que gosta dela; embora, logo a seguir, a descreva de modo indesejável. Além de tudo, em meio a tanta coisa em jogo, só vi você falar de “confortos”, de comodismos, de seguranças, de pensão, de plano de saúde, de aposentadoria, etc... E, também, vi o medo que você demonstrou quanto a não saber viver sem os serviços de sua esposa-governanta. O grande conflito posto foi este: “Vou, e corro o risco de não me acostumar a não ter tudo o que tenho nesse mundinho já bem organizado? Ou vou, e perco tudo, embora ganhe sal e pimenta nos beijos e na cama?” Entretanto, não ouvi nada do que é mais importante nessa hora: os filhos e netos. Ou seja: acerca da vida que vocês dois, juntos ou separados, têm em comum! Ora, quem tem tais coisas em comum é você e sua mulher; não você e a Debbie. Sim, o que os seus filhos e netos significam para você? Como eles estão lidando com o que já houve? Eles sabem? Como reagiriam a um eventual divorcio? Você está interessado no que eles pensam e sentem? Enfim, achei estranho que eles, filhos e netos, tenham aparecido apenas como “troféus” de seu casamento, mas não como gente viva, e que interesse a você saber como eles se sentem a respeito do assunto. Digo isto porque na hora e depois do divorcio, o que se descobre, quando se tem filhos e se os ama, é que o que mais dói é a “ruptura” que todo divórcio gera, com muitas tristezas e amarguras familiares; e, sobretudo, para quem vai sem liberdade de aparecer em razão do que fez... Sim, a dor que vem é grande. E a depressão que produz, é, por vezes, insuportável. Entretanto, sei que estou falando com um missionário, e sei que tanto na sua cultura quanto também no ambiente missionário, os filhos se vão bem cedo, e, por vezes, se já estão independentes e casados, pouca importância dão a tais “detalhes” da vida dos pais, que ainda são pais, mas que, pela cultura e pela geografia, estão longe mesmo, e cada vez mais distantes ficarão. E afirmo isto em razão de uma vida inteira de contato com famílias de missionários no Brasil. Portanto, avalie as implicações de um eventual divorcio, e, em tais considerações, inclua seus filhos e netos, conforme o significado que a união sua e de sua mulher possui para eles e para vocês; e, para você, como indivíduo. Quanto a toda a história, imagino que vocês dois, você e sua esposa, tenham cortado um dobrado para manterem o casamento. Isto porque tanto a rejeição dela por sexo, como também a experiência com a “professora de português” que você teve já na chegada aqui, mostrou que você estava e está mais que aberto para ter uma experiência de pimenta e sal. De pimenta, nem todos gostam. Mas de sal todos gostam. Aliás, depois que se como com sal, fica difícil comer qualquer coisa insossa. Meu medo é que você esteja apenas apaixonado por “pimenta e sal”, o que é muito fácil de acontecer com qualquer homem de sua idade. E, embora você não tenha dito, pela soma dos tempos revelados, suponho que você já seja mais velho do que eu, e já esteja aí com uns 57 anos, mais ou menos. Ora, numa fase dessa da existência, qualquer decisão só vale a pena se houver amor real e indubitável por “uma pessoa”, não por “pimenta e sal”. Ora, para mim, prova de que seu negócio é “pimenta e sal”, é que desde a professora que essa é a sua “analogia de desejo”. Com a Debbie, a vontade de “pimenta e sal” se tornou mais profunda ainda, especialmente em razão de toda a “pimenta e sal” que vocês jogaram no “panelão dos desejos”, e das comidas provadas em todos os lugares, até na cama dos pais dela. Para um homem virgem, que se casou com uma virgem, e ambos com mentalidade estrangeira e evangélica, provar o dendê brasileiro, comer vatapá, caruru, picanha, rabada, peixada, salada de frutos do mar, ou rapidinhos bolinhos de bacalhau com “pimenta e sal” —, sem dúvida, torna-se algo incomparável. Daí eu dizer que teria sido melhor você nunca ter provado, pois, agora, há um gosto fixado, e com grande poder de sedução. “Pimenta e sal” são inesquecíveis, prova disso é que nações já mataram muito por esses dois elementos da natureza; e que, para você, são analogias de deus melhores e mais agradáveis sabores sensuais e sensoriais. Entretanto, voltando à “pimenta e ao sal”, devo dizer que, para mim, apesar de todas as maravilhas da Debbie, seu negócio mais profundo como desejo não é “alguém em especial”, mas a especialidade de “pimenta e sal” que tais “cozinheiras brasileiras” teriam a lhe oferecer, incluindo a Debbie. Afirmo isto porque até na hora de transar com sua mulher hoje, quando ela já não é desejável, você disse que pensa “em outras”, e não na Debbie apenas. Portanto, a própria Debbie sabe que você, sozinho, não ficaria sem “pimenta e sal” por muito tempo; e, certamente, ela ficaria de fora... Daí ela querer ter certeza de que você quer a ela; e não apenas o borogodó dela, cheio de “pimenta e sal”. E, quanto a isto, você mesmo consente que ela está certa. Para mim, todas as suas indagações exclamativas (?! ou !?) falam de uma questão que já carrega uma certeza: missionário não faz isto (!), porém, sendo homem, por que não faz isto (?). Assim, quando você afirma com a exclamação, você afirma mesmo; e quando você pergunta com interrogação, já pergunta sabendo o que quer. Também não vi amor sendo expresso de você pela Debbie. Não! Ela é apenas a mais perfeita amante! Daí, o melhor dos mundos, seria ficar em casa, na missão, e com todas as comodidades que seu casamento lhe oferece, enquanto continuaria a comer “pimenta com sal” nos banquetes da Debbie. Talvez você pense até que ama a Debbie. E pode até amá-la como “amante”, e somente como tal. Acontece toda hora! E mais: é fácil se sentir bem com uma amante com quem não se vive, tendo dela apenas as melhores lembranças de suas “apimentadas e salinizadas” em todos os lugares, até no mato e na moto. Outra coisa, porém, é passar a não fazer mais escondido, mas à luz do dia; sem mais os medos que aumentam o tesão; sem o desespero de usufruir tudo, pois o tempo é curto e a fome é grande; e, sobretudo, é fácil até mesmo “ser marido” de uma amante que mora na casa da pessoa, e ajuda em tudo; pois, ainda que seja assim, na hora em que a serva passa a ser a princesa, muita coisa muda muito para ela, tanto quanto muda para o amante-homem, que agora será, de fato, marido. Afinal, ambos, agora, terão que viver todas as rotinas do casamento. Portanto, tem que haver amor mesmo, pois, sexo, saiba: carrega suas próprias psicologias de tesão; e, também, possui sua psicologia de perda de tesão. Na maioria das vezes todos os casamentos que acabam por causa de falta de “pimenta e sal” em casa, e fartura dele entre os seios da amante, não duram depois do divorcio. E por quê? Ora, as razões são muitas, e não se pode pensar de modo simplista, porém, uma das causas mais comuns vem do fato de que os amantes de ontem não sabem viver a rotina de um casamento sem motéis e sem matinhos... E mais: muitas vezes eles até se amam, mas não conseguem deixar para trás todas as outras pessoas que eles também amam, e, das quais, muitas vezes, um casamento terminado “em razão de...”, acaba por afastar de suas vidas. Assim, muitas vezes, ambos não ficam juntos pela infelicidade de terem separado e se separado de tanta gente que antes tinha uma vida, e, agora, já não tem. E saiba: isto produz uma horrível depressão! Desse modo, meu irmão, veja se você ama a Debbie como esposa, ou se apenas a deseja loucamente! Quanto a você amar ou não sua mulher, creio que você a ama, mas não como mulher. Aliás, vocês tiveram tudo para viver bem, inclusive, sexualmente; mas ela, por razões que seriam importantes discernir, não estava aberta para isto. Entretanto, nenhum casamento sadio sobrevive sem sexo; e, além disso, nenhuma mulher sadia, casada, e que ama o seu marido, deixa de gostar de sexo. Daí eu achar que ela deveria buscar saber o por quê dessa reação. Quanto aos seus planos A, B, C, e D de divórcio, penso que se você decidir se divorciar mesmo, e isso depois se avaliar todas as conseqüências, o que deve ser feito é optar por tudo o que torne a vida de sua mulher mais segura na velhice, não importando se isso é bom ou não para você. O modo “mais digno” é sempre o mais digno! Assim, se vai se divorciar, cuide de sua esposa. E também não se divorcie em razão da Debbie, mas apenas em razão de que sua esposa pode estar sofrendo com tudo isto muito mais que você pensa; e, também porque não seria legal ela ficar sentindo angustias que nem ela e nem você podem resolver. Sugiro que você se separe da Debbie e que não faça nada. Apenas ore e tire este ano para sondar a sua alma e para avaliar a situação. Afinal, se a Debbie ama você de verdade, ela esperará. Minha suspeita, entretanto, é que você só está pensando em se separar em razão da culpa de ter duas mulheres; pois, caso você se sentisse confortável com isto, você ficaria com as duas, “no melhor dos mundos”: uma em casa para ser sua governanta; e outra para ser sua gazela de amores... Portanto, seu ideal era fazer um “composer” de ambas. O que prova que nenhuma das duas, sozinha, é suficiente para você. É somente até aqui que ouso ir. Pois, daqui pra frente, qualquer outra afirmação seria uma “entrada” num ambiente que é só seu, de sua mulher, da Debbie e de Deus. Fico por aqui. Mas fico orando por você. Pense no que lhe disse e me escreva outra vez! Nele, em Quem ninguém tem que correr atrás do vento, mas apenas segui-lo quando o sopro é de Deus, Caio