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Cartas

MINHA ENTEADA É GAY- como faço para ajudá-la?

MINHA ENTEADA É GAY- como faço para ajudá-la?

 

 


----- Original Message -----
From: MINHA ENTEADA É GAY- como faço para ajudá-la?
To: contato@caiofabio.com
Sent: Saturday, August 19, 2006 4:46 PM
Subject: Minha enteada é homossexual!

 


Paz e Graça, irmão querido!
 

Sou casada há três anos com uma verdadeira bênção de Deus. Meu esposo está em seu segundo casamento, tendo três filhos do primeiro.

Estamos passando por uma situação que mal sabemos como orientar a filha dele, do meio, de 17 anos, que além de muito fechada, tem demonstrado comportamentos claros e tendenciosos ao homossexualismo.
 
Há uma prima de terceiro grau, lésbica, assumida, e que vive assiduamente em sua companhia, mesmo com a proibição do pai, meu esposo, que tem tentado conversar com ela muitas vezes. Entretanto, ela manifesta-se sempre com agressividade, ou se distancia e sempre "em fuga" afasta-se da família; e uma de suas atitudes é dormir além do normal.
 
Um outro fator que muito nos preocupa, que tem sido motivo de orações nossas, é que mãe dela, ex-esposa de meu marido, também mantém um relacionamento homossexual, e, claro, não assumido perante nenhuma das pessoas da família.

Afirmamos sua opção homossexual; pois, tem sido comum e rotineiro ela deixar os filhos em casa para ir dormir na casa de sua "amiga", a qual se comporta e se veste como um verdadeiro homem, incluindo os trejeitos e modo de falar.
 
Amado, agora lhe perguntamos:
 
Além de nossas orações intercessórias, gostaríamos de orientações de como conduzir esta situação no que diz respeito à abordagem adequada junto a minha enteada — uma adolescente com apenas 17 anos, que ainda não têm sua personalidade totalmente formada e que tem sido fortemente influenciada dentro de sua própria casa.
 
Que tipo de leitura (claro já incluindo a orientação da Palavra do Senhor que temos pregado constantemente) o senhor tem para nos sugerir? Algum tipo de livro com embasamento bíblico-psicológico que aborde o assunto?
 
Confesso que estamos aflitos com essa situação que vem se alastrando há mais de um ano.
 
Contamos com sua ajuda e orientação, certos de que será de grande valia.
 
Nele, em quem não há aflições,
 
Abraços.
 
Deus te abençoe poderosamente.
 


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Resposta:

 

Minha querida amiga Rê: Graça, Paz e Sabedoria!

 

Obrigado pela confiança. Tentarei ser breve e simples!

Rê, querida, o que fazer? Não! Primeiro vem “o que é?” — e, depois vem “como faço diante disso?”

Sim, porque se não sei o que é..., como faço para agir ou não agir?

Antes de falar mais objetivamente, quero afirmar que há alguns esclarecimentos a serem feitos em razão de sua carta.

Inicialmente falemos de “homossexualismo”. Homossexualismo é uma ideologia, assim como feminismo, machismo, ou capitalismo. Ou seja: é um modo consciente de tratar o mundo, e, além disso, é um projeto e uma proposta. Já a homossexualidade (palavra que você não usou em momento algum) não é uma “ideologia”, mas uma condição intrínseca, que pode ser de natureza psicológica, cultural, e, em alguns casos, até genética.

Sim, porque há os que nasceram assim (condição genética); há os que os homens fizeram tornarem-se assim (pelo uso e manipulação infantil, ou pela influência que tiveram sobre a infância da pessoa); e há os se fizeram assim por escolha pessoal (seja em razão de raiva e revolta, ou seja algo que é uma opção por um determinado estilo sexual de vida). Os dois primeiros casos são definem homossexualidade. Já o ultimo define melhor o homossexualismo.

Ora, fazer essa diferenciação é mais do que importante na percepção de vocês em relação à sua enteada.   

No caso de sua enteada, pode ser algo que misture uma propensão dela, somada aos traumas vividos em família (separação dos pais e o eventual caso de homossexualidade da mãe), e a indução solidária da prima de 3º grau. Portanto, estamos falando de uma homossexualidade em profundo conflito existencial. O que explica o sono dela. Sim o sono da evasão e da fuga do mundo real. Mundo no qual ela sabe que a vida é e será um inferno — tanto pela culpa que ela carrega, como também em razão das dores que ela sabe que suscita e suscitará em muitos que a amam; como você e o pai dela.

Ora, o fato dela já está dando indicações de “fuga” da realidade pelo prolongamento do sono, pode ser um sinal sério a ser considerado. Digo isto porque sua intenção e de seu marido é ver a menina bem, e, enquanto isto, querem também saber o que é, a fim de se posicionarem acerca de como fazem para ajudá-la. Certo?

Se assim é, então, saiba: é fundamental parar o processo do “sono” evasivo já! —  Não com uma dose de militarismo doméstico, mas com amor, misericórdia e muita solidariedade para com ela. Isto porque vocês só a farão preferir a realidade ao “sono”, se vocês oferecerem a ela um mundo familiar para o qual valha a pena abrir os olhos com alegria de viver. E, em tal mundo, homossexualidade precisa ser tratada sem opressão, mas com muita Graça de Deus.  

Eu, de todo o coração, não perseguiria nada e nem ninguém; pois, sei que a perseguição não pára nada, enquanto acelera o processo de “fuga” da pessoa. Assim, eu faria tudo o que pudesse para ganhar a confiança dela, e, depois, também da prima de 3º grau. Somente desse modo vocês não a perderão. Do contrário, vocês podem acelerar o processo dela quanto a ir da eventual homossexualidade para o homossexualismo. Ora, hoje, pra vocês, isso parece apenas uma “sutileza”. Todavia, no dia a dia e com os passar dos anos, essa sutileza faz toda a diferença. Sim, porque o importante não é reverter o quadro de homossexualidade (quem tem tal poder?), mas sim ter a garantia de que ela não desejará “dormir pra sempre”, como acontece de modo estatisticamente alarmante com milhares de adolescentes como ela no mundo todo. E, no meio cristão, em razão da repressão ao tema, é onde se tem maior número de caso de “dormir pra sempre”. Ora, tal “dormir” vocês não querem pra ela.

Portanto, a questão básica é decidir se a menina fica no “buraco” do “dormir”, ou se ela será objeto da intenção paterna (de antes de tudo estar com ela, em qualquer buraco), pela qual ela poderá sair de seu próprio buraco, o qual, nesse caso, não é a condição homossexual, mas o risco da opção pelo “dormir pra sempre”.

Você viu que falei de “condição” homossexual em contrapartida à “opção” homossexual. Digo isto porque fazer essa diferenciação, como já demonstrei, é muito importante. De fato conheço gays por opção. No entanto, para cada cem gays que conheço, uns cinco fizeram “opção”; posto que a maioria doaria as próprias pernas para deixar isto de lado (caso pudessem). Ora, como quase todos sabem que não conseguirão, mesmo desejando muito, o que acontece é que, pela frustração, impotência e medo, tais pessoas acabam por desejar “dormir pra sempre”.     

Assim, o “como” nasce do “o quê”. Ora, como já sabemos o que é, vale agora saber como proceder. Então, você pergunta: “Como faremos”?

Acima já disse implicitamente muita coisa sobre “como proceder”. Entretanto, passemos às questões bem práticas.


1. Com relação à menina, conversem com ela sobre a preocupação de vocês no que diz respeito ao “excesso de sono”. Assim, proponham a ela uma ajuda psico-terapêutica Ao terapeuta vocês contarão a história antes de levá-la. Além disso, não importando qual seja o caminho dela, forrem-no com muita Graça familiar. Somente assim vocês salvarão a menina de um mal maior, que é o “sono pra sempre”.

2. Com respeito à prima de 3º grau, saiba: vocês não têm que a perseguir, pois, por tal ação, vocês apenas a empurrarão a menina (a filha) justamente na direção que vocês desejam evitar. Sei que é difícil agir com tranqüilidade quando o coração está tomado pela síndrome de onipotência paterna, que é o que leva o pai dela a desejar fazer qualquer coisa pra resolver o problema. Por exemplo, numa hora extrema dessas, há pais que até põe a menina nas mãos de um “profissional” que supostamente consiga faze-la gostar de homem, e não de mulher. Mas, também saiba: toda manipulação acaba sendo objeto de outras manipulações, pois, nesse caso, o suposto objeto da manipulação acabará se tornando o manipulador.

3. No que tem a ver com a mãe dela, saiba: o que vocês fariam? Não há nada além de orar. O mais... é tentar não adivinhar o que ela e a amiga fazem dentro do quarto. O que compete a vocês é propiciarem o melhor convívio possível, deixando de lado os ressentimentos, e, empenhando-se juntos pela ajuda à filha. Ou alguém sugere algo mais a ser feito? Eu, quando se trata de adultos, não conheço outro caminho além do diálogo. Pode ser que você se assuste positivamente com a mãe da menina; digo, com o interesse dela em participar ajudando. Por isso, não julgue à priori. Dê a ela a chance de se mostrar.

4. Com relação a livros bons para se ler acerca do tema, sinceramente, não sei o que indicar. Não conheço nada que seja realmente bom, e que seja acessível ao “leigo”. Em geral o que é bom, nem sempre é tão acessível. Na realidade tenho descoberto que a leitura deste site tem sido de grande ajuda para muitos que vivem a situação de vocês. Portanto, recomendo a leitura do site; e isto pelo fato de ela ser um site leigo.              


O resto o amor ensina!

Aqui está minha ajuda inicial. Espero que seja útil.


Nele, que não faz acepção de pessoas,

 


Caio