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Cartas

MEU PROBLEMA NÃO É SEXO! SÓ QUERO SABER...

MEU PROBLEMA NÃO É SEXO! SÓ QUERO SABER...



----- Original Message ----- From: MEU PROBLEMA NÃO É SEXO! SÓ QUERO SABER... To: contato@caiofabio.com Sent: Monday, September 05, 2005 2:28 PM Subject: Um pergunta Olá Pastor Caio Fábio, Antes de mais nada quero dizer que você é um dos maiores exemplos que tive nessa terra de como deve ser um pastor. Você me parece do tipo de homem que caminha no misterioso mundo de Deus, porque a forma como as coisas lhe são reveladas, só tendo muita intimidade com Ele para recebê-las. Fico feliz, por dividir isso com a gente. Sou uma jovem conflitante, tentando resposta a coisas que poucos sabem dar... Com os óculos corretos... (rs); isso aprendi no seu site. Tenho 29 anos, nunca tive namorado. Vivi na pele o que vive um jovem evangélico; sei as dificuldades; os problemas que cada um enfrenta na área sexual; e hoje me sinto impossibilitada de simplesmente chegar pra um jovem de 15 anos, e dizer que sexo e seus derivados são pecados... Deus me disse que me escolheu pra trabalhar com jovens, só que Ele sabe que não aceito simplesmente dizer: “É pecado”— porque pra mim, antes de sexo ser pecado, é responsabilidade; e pra adquirir essa responsabilidade, existe um caminho que precisamos socorrer... Precisamos conduzir esses jovens... E pra mim, falta isso nas igrejas; e tudo o que ainda veja é que é pecado; e pergunto: Como aceitar tal palavra que ao invés de dar satisfação, fere o sentimento com dor e o põe na prisão, sob o peso? E não creio que a palavra de Deus verdadeiramente cause isso! A Palavra liberta... Existe sim, a preocupação de Deus em nos orientar sobre o pecado; e eu quero isso, mas desde que a verdade seja como Deus é: amor , e compreensão, misericórdia, paciência; tudo o que vejo faltar... Pastor Caio, se possível, me ajude a entender melhor esse assunto, essa proibição. Tenho certeza que você sabe orientar da forma que Deus deseja. Isso não é pra mim, porque, como já disse, amadureci e entendo o mistério... Mas quero somente aprender melhor, aos olhos da Palavra, pra orientar os que estão iniciando. Sabe, eu tenho 20 anos de crente, sofri igual louca, e eu tenho consciência de que sexo é pecado antes do casamento. Mas essa consciência não nasceu da noite pro dia..., formam anos de vontades reprimidas..., foram anos de sofrimento..., de dores escondidas... Eu tenho 29 anos e ainda não casei. Me sinto privilegiada, porque estou vivendo uma experiência que poucos conseguiram, ou conseguem. Hoje posso dizer que entendo a dores de um jovem crente, as necessidades deles, porque eu vivo também... Sei que tudo o que aconteceu foi permissão de Deus, pra Ele me amadurecer. Eu amadureci, mas me nego a receber explicações de senso comum, quero “algo mais Jesus”; entende? Algo como Ele fez com a pecadora que seria, pela lei, apedrejada. Mas Jesus sempre olhava o profundo e dava resposta não pra destruir de vez, e sim pra renovar a vida e a esperança. E é isso que quero... levar a Palavra que ensina, não que reprime e sufoca... Help me, please... Meu problema não é sexo, meu problema é aprender pra ensinar de forma que edifique. O pecado eu sei que existe. Mas como vencê-lo sem magoar ao Senhor e sem também se tornar prisioneira das imposições humanas...? Se puder, me responda... Obrigada! Deus o abençoe! ________________________________________________________ Resposta: Minha querida amiga: Graça e Paz! Responderei com a sinceridade que responderia à minha filha, caso a carta fosse dela para mim. Primeiramente gostaria de dizer que seu problema pode até não ser “sexo”, mas jamais deixará de ser de natureza sexual. Também quero afirmar que sua maior questão não é saber como ensinar sobre sexo; pois, para você, já está mais do que clara a sua própria posição—“pra mim sexo antes do casamento é pecado”. Desse modo, nada há mais fácil do que se anunciar uma convicção, especialmente quando se a afirma como sendo “de fé”, ou, como você disse, “algo que Deus me falou”. Sua carta existe em antítese o tempo todo. Você fala dos traumas da repressão, e dos males que a supressão sexual pode fazer, da culpa gerada, do peso, das angustias—e diz: “isso eu não quero”. Ao mesmo tempo em que sexo “é pecado antes do casamento”. Então, você evoca um algo mais, “algo mais Jesus”, e que seja como o trato misericordioso da parte Dele para com “a mulher apanhada em flagrante adultério”. Ou seja: você implicitamente diz que adoraria que não fosse como a lei diz ser; sim, a lei que existe em você; que foi instilada em sua alma. Você diz que sabe o que é sofrer... sexualmente... como uma crente. Diz que nunca namorou como quem “choraminga”, para então, logo a seguir, afirmar seu “privilégio” por estar experimentando algo que pouca gente consegue: viver sem sexo, sem afeto e sem carinho. Assim me “bateu” a sua carta. Certo? É apenas meu modo de sentir. Porém, não posso negar a você, “minha filha”, o que vi; pois, se o fizesse, não a estaria amando como um pai deve amar um filho: com respeito e verdade. Agora, preste atenção na história que vou contar a você. Houve um tempo na História da Igreja, logo após a morte do apóstolo João, quando houve grande perseguição à igreja, e, naquele tempo, muitos foram “martirizados” em sofrimentos cruéis, até à morte. Ora, tal fato brutal acabou por gerar uma resposta de natureza psicológica na igreja: já que sofrer é inevitável, então, que pelo menos sofrer seja “elevação espiritual”. Desse modo, e partir de tal crença psicológica, iniciou-se um movimento de centenas de pessoas do meio cristão, se oferecendo para serem crucificadas ou queimadas, ou barbarizados até à morte, fosse qual fosse o meio ou o modo. Policarpo, discípulo de João, teve que intervir, chamando tais pessoas ao juízo, e ensinando que ninguém que ame a Deus oferecer-se-á voluntariamente à morte, sem que isto salve ninguém, mas apenas para criar “méritos”, ou, numa linguagem mais branda, algum “privilégio”. Vamos olhar essa história. O que aprendemos com ela? Primeiro que quando se tem que sofrer por amor a Deus, e não há como evitar o sofrimento, tem-se que assumi-lo como “privilégio”, como benção de “sofrer por esse nome”, conforme ensinou Pedro. Também se aprende que o oposto é perverso e anti-evangelho. Que é se oferecer à morte como forma de mostrar virtude e amor a Deus. Assim, quem não tem como evitar, que não fuja. E quem pode evitar, que fuja logo. Até Jesus viveu assim, “partindo”, “indo”, “retirando-se”, “ocultando-se” do mal em lugares e terras distantes, evitando aquilo que o ameaçava, até que “chegou a hora”. Daí em diante nada mais o deteria. No entanto, Ele não estava indo a Jerusalém para se suicidar, mas sim para dar a Sua vida em resgate de muitos. Desse modo, escolher a morte a gente escolhe somente quando tal ato pode salvar. Mas se ele não gerar nada, sua escolha é suicida e é suicídio. Ora, o que isto tem a ver com você e nossa conversa? Na minha maneira de ver você está sofrendo da “síndrome dos mártires”; pois, você mesma sofre, e sofre como “privilégio”, visto que pra você tal abstinência é “responsabilidade” pessoal, ao mesmo tempo em que também é evitar o pecado, isto porque você nunca nem mesmo namorou, porém crê que sexo antes do “casamento” é sempre pecado. Ao mesmo tempo, você sofre em ver que outros possam sofrer o seu próprio sofrimento; ou que sintam-se como você se sente... Por esta razão você busca, sob o manto da “pedagogia”, uma “melhor explicação”, já que você mesma nunca se convenceu do que diz crer. “... help me, please…”— lembra? Não é a “responsabilidade” o que dá sentido à vida, mas sim o amor. No amor á responsabilidade, mas em nem todo ato “responsável” há amor! Quem dá “o próprio corpo para ser queimado”...; ou quem “distribui todos os seus bens entre os pobres” — pode ser acusado de tudo, menos de não ser solidariamente responsável; ou, quem sabe, de ser desesperadamente desejoso de se “provar” para Deus e os homens. Somente o amor torna um ato “algo mais Jesus” diante de Deus. Sem amor nada aproveitará, ainda que seja algo muito “responsável”. Portanto, “minha filha”, vamos deixar os temas periféricos de lado e entrar no que é verdade; visto que, como você mesma sabe e afirma, somente a verdade liberta. Assim, como “pai”, pergunto a você: 1. Como você se vê como mulher? 2. Você acredita que é capaz de despertar amor em um homem sem antes oferecer sexo? 3. Você acredita que sexo antes do casamento é pecado por que você não namora, e põe a culpa disso no fato dos meninos quererem sempre transar antes? 4. Se você for completamente honesta com suas carências e com seu coração, que carta você me escreveria? 5. Você tem certeza mesmo que se sente uma “privilegiada” por nunca ter sentido a alegria do amor e do prazer? Ou você tenta se sentir assim para não encarar outras realidades? Responda estas perguntas, e, então, eu responderei a você com propriedade. Isto porque senti que você falou de você mesma através do “tema dos mártires”. Eu, todavia, quero saber de seu coração. Sim, me interessa apenas saber como você de fato se sente e se percebe no mundo; e, sobretudo, como é que honestamente você se enxerga nessa área, que, supostamente, nada tem a ver “com seu problema”; ou seja: sexo. Enquanto isto estarei orando por você! Nele, em Quem a gente só ensina o que já aprendeu como negação e como possibilidade, Caio