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Cartas

MEU MARIDO ME ACUSA MAIS QUE O DIABO! (I - II) continuação

MEU MARIDO ME ACUSA MAIS QUE O DIABO! (I - II) continuação



----- Original Message ----- From: MEU MARIDO ME ACUSA MAIS QUE O DIABO! To: contato@caiofabio.com Sent: Thursday, December 22, 2005 12:26 PM Subject: Carta Amigo Caio, Já faz algum tempo que leio e ouço suas mensagens praticamente todos os dias, e tenho visto o quanto o Senhor tem te usado para abençoar muitas vidas, em todas as áreas. Vivo uma situação estranha na minha vida. Moro com uma pessoa há 06 meses. No início foi difícil, eu já estava divorciada há 05 anos, e parece que vamos pegando manias e traçamos espaços onde ninguém parece poder acessar... Mas tudo correu muito bem, nos damos muito bem... ou talvez deva dizer: “Nos damos bem no pouco tempo de paz... que temos”. Meu companheiro é ciumento, muito ciumento. Não há um dia que ele não me acuse de estar fazendo alguma coisa errada, no sentido de traição, sexo, mentiras, etc...Ele cria situações, diz que me viu em um carro, que me viu chegando de carona com outro homem... Quando liga para meu trabalho, mesmo eu estando sozinha na sala, ele diz que ouviu e sentiu que alguém estava lá comigo, que ouviu que alguém levantar e arrastar a cadeira devagar e sair...; sendo que não existia ninguém comigo... E eu, apesar de afirmar a verdade, sou chamada de mentirosa. Ele insiste que eu minto e que estou lhe fazendo de palhaço, otário, lança palavras, me acusa, diz que eu tenho casinhos com rapazes do meu trabalho; isso nunca aconteceu! Vigia meus horários; às vezes estou dentro do ônibus e ele liga no celular dizendo que me viu passar em um carro, e ainda descreve a roupa que eu estava vestindo, que, muitas vezes, coincide com o que estou vestindo; isso quando não acontece de me beijar e dizer que minha boca está diferente e perguntar quem eu beijei o dia todo! Já chegou até a dizer, quando estávamos tendo relações... e parar com tudo..., que eu estava de tamanho, formato, sei lá mais o quê, diferentes... E até já me “ouviu” chamá-lo por outro nome... e, daí, começa uma grande discussão, por uma coisa que não fiz, nunca tive vontade de fazer... Ele me acusa de estar me afastando dele... mas quando ele me toca e me olha com um olhar questionador... eu esfrio... porque sei que se não for naquela hora... em pouco tempo virá um comentário maldoso... Mas o último acontecimento para mim foi... sei lá!... demais! Ele, enquanto estávamos fazendo amor, disse que perdeu o "tesão" porque teve sensações estranhas, que não partiam dele, como se eu estivesse passando para ele algo que não fosse digno ou limpo... Geralmente depois de várias acusações, de dizer que não acredita em nada do que falo, embora eu diga que o ame... que não há mais ninguém em minha vida..., ele "parece" acreditar por algumas horas e depois vem tudo de novo! Me sinto perseguida por algo que não fiz... acusada... depreciada... vigiada... encurralada... tendo que dar satisfações de todos meus passos e não cair em contradição..., por que o ônibus atrasou, se estou realmente no ônibus ou estou de carona com alguém... Volto para casa... e ele começa a lançar perguntas: você estava com quem? Com quem você ficou? Você não gosta mais de mim? Você está matando nosso relacionamento? Você está se afastando de mim? Você me acha com cara de otário...? blá...blá....blá... e depois chega e diz: “Me perdoe! Eu te amo... só sou um pouco ciumento...” — isso quando não diz que orou muito antes de dizer tudo para mim... Eu já nem respondo, nem discuto, nem me defendo... Os olhos Daquele que tudo vê sabem que não sou culpada dessas acusações... Então, prefiro orar... Peço seu conselho e oração. Um grande beijo no seu coração. ________________________________________________________ Resposta: Minha querida amiga: Graça e Paz! Seu “sobrenome” significa “felicidade espiritual” na língua original dele. E é de felicidade espiritual que você está precisando, não de um casamento de tortura e de acusações. O ciúme dele é comum em crentes homens, por duas possíveis razões: ou porque já aprontou muito, e, assim, projeta em você o que ele mesmo já fez ou se sente com potencial para fazer; e não quer... Ou ainda, porque nunca fez nada disso, e, assim, teme que a nova mulher, que já foi casada, e que já teve experiências anteriores, possa estar “adiante” dele na experiência; e isso o deixa neuroticamente inseguro. Entretanto o moralismo da religião em geral produz os seres mais ciumentos do mundo. Os traços do ciúme dele são de natureza neurótica, em relação à visão dele do sexo; e, além disso, tem natureza paranóica em relação a você, posto que atribui a você uma conspiração de traição contra ele. Tais casos podem melhorar com o tempo, mas apenas “podem”, visto que nem sempre é assim que acontece, sendo que em alguns casos, a coisa até mesmo se exacerba mais. Quando uma pessoa como você, que já foi casada antes, casa outra vez, não pode desejar do casamento nada menos do que paz e respeito. Não faz sentido entrar e ficar numa relação de 06 meses, sem filhos, e nada além de um “gosto dele”...; ou ainda: “nos damos bem quando não estamos brigando”. Não! Não faz sentido algum entrar e ficar se a coisa toda é um inferno de acusações infundadas e irreais. Assim, honestamente, dê mais um tempo; diga a ele que assim não dá; que você tem que ser respeitada; que ele trate as neuras dele de modo próprio; mas que você não foi chamada para ser mártir de uma relação sem raízes e sem vínculos que a justifiquem além do amor e da paz. Se ele não melhorar, saiba: possivelmente jamais melhorará. Homens assim, crentes e com desejo por possuírem quem nunca foi tocada — pois este é o desejo que a “insegurança” dele faz nele brotar —, dificilmente mudam quando se trata de ciúme e necessidade de “controle”. Homens assim não se sentem seguros nem quando casam com virgens! Desse modo, sinceramente, creio que a relação de vocês não justifica sua insistência em salvar algo que a aniquila, caso as coisas continuem assim. Paulo diz acerca do casamento: “Deus vos tem chamado à paz!” — e não à guerra. Por esta razão, meu conselho é que você seja franca com ele; se desejar pode mostrar a ele a minha carta a você; mas diga que nos termos da indignidade e da desconfiança, não há casamento, mas apenas tortura; e que “nisto” você não ficará. E se for fazer isto, faça-o logo; visto que a insistência em algo assim apenas a “possuirá” com cargas ainda maiores; sim, daquelas manias e vícios de alma que relações intensamente conturbadas geralmente provocam em nós. E você não precisa de mais garranchos e gambiarras psicológicas penduradas e se arrastando de seu ser. Honestamente esta é minha opinião! Receba meu carinho e meu respeito pela sua alma! Nele, em Quem ninguém tem que sofrer aquilo que não é vida eterna, Caio ________________________________________________________________________________ ----- Original Message ----- From: To: contato@caiofabio.com Sent: Wednesday, October 11, 2006 10:37 AM Subject: O fim. Caio meu irmão! Aqui estou eu a escrever novamente. No ano passado encaminhei uma carta, a qual foi intitulada "Meu marido me acusa mais que o diabo!" Após aquele evento muitas foram as tentativas de manter o relacionamento, mas as acusações permaneceram. Passei a nem ouvi-las mais. Ele dizia que eu fazia; e eu dizia que não, que não tinha nenhum motivo para trai-lo. Mas ele continuava a ouvir sons. Toda vez que me ligava "sentia" que tinha alguém perto, que eu virava a cabeça para beijar alguém ou tocar em alguém; e eu sempre dizendo que não, que gostava dele, que queria ter um relacionamento feliz com ele, que era "nosso" desejo construir um relacionamento feliz e duradouro; e ele pedia perdão, dizia que iria mudar, que era porque me amava muito e tinha medo de me perder... E que daí o tal ciúme... Porque não cogitava a idéia de ficar longe de mim. Um dia, bem...; mas no outro, acusações, ofensas... Até que ontem dia 10/10, sem mais nem menos... Mais uma vez veio me acusar de estar adulterando. E queria que eu admitisse de qualquer jeito que estava ficando com alguém do meu trabalho; isso nunca aconteceu; e eu dizia não... Nunca fiquei com alguém do meu trabalho... Então saí do quarto e fui para a sala, para não dar mais continuidade ao assunto e acabar com a discussão. Ele veio atrás e começou a me puxar pelos pulsos, para voltar para o quarto, e continuar a conversa... Até eu confessar "a suposta traição". Mas não havia nada para confessar... Entende? Então ele me puxou pelo casaco e me arrastou pela casa, me jogou na cama, deu-me vários socos no rosto; e mandava eu confessar... Porque, afinal, dizia ele — ele era o único que me amava de verdade, e eu o traía. Mas fiquei calada. Não tinha o que confessar... Só minha mente pedia para Deus me livrar daquilo! Ele me deu uma joelhada na testa... Rapidamente subiu um galo que me ardia todo o rosto... Ameaçou-me... Disse que iria matar todos os meus amigos do trabalho... Que a vida para ele não era nada porque se morresse naquele dia... estaria com "Deus". Mas que eu que devia servir ao diabo; que iria levar todos os dias na consciência tudo o que acontecesse daquele dia para frente; porque tudo seria culpa minha... Em certo momento ele saiu de casa... Foi pegar bebida no bar... Assim que ele virou a esquina, eu também saí... Fui ao meu vizinho, um irmão em Cristo, e pedi apoio. Liguei para amigos de mais de 20 anos, que vieram prontamente, apesar da hora adiantada... De lá segui para delegacia... Da delegacia para o IML; para exames e confirmação da agressão; depois assinei o processo contra ele; assinei pedido ao Juiz para mantê-lo afastado da minha casa, da minha vida, da minha família — não pode me ligar, não pode me procurar. Foi apenas um ano e quatro meses de relacionamento; e aquela pessoa que orou tanto comigo, que "sonhou" junto comigo, me agride desse jeito. Dorme na cadeia; e por não ter dinheiro para pagar a fiança, pede para o agente de plantão me ligar, para ver se eu não dava "um jeitinho" e pagava pelo menos a metade da fiança, porque agora ele estava calmo... Não sei o que fiz de errado para que ele nunca acreditasse em mim... Para mim eu tinha o coração em paz... E nem sequer percebia se algum outro homem me olhasse. Agora é recomeçar! Que ele realmente cumpra a decisão judicial. Não temos filhos, graças a Deus! Peço suas orações... _______________________________________________ Minha amiga: Graça e Paz! Conforme eu havia dito antes, isto possivelmente não teria cura. E, como não há filhos, tal casamento pode e deve ser terminado como se termina um namoro adoecido. Logo! E sem maiores traumas! Pela carta de hoje, mais do que pela anterior, vi também que ele ou é um grande inventor de “sons, vozes e presenças” — ou, então, precisa de tratamento médico-psiquiátrico. Fique longe dele para sempre. Se ele melhorar, que seja para ele mesmo e por ele mesmo. Mas não o tome jamais como missão. Na cadeia ele deve ficar. Ele não sai para trabalhar e apenas dorme lá? Que seja assim. Que ele pague a fiança. Se você pagar ‘por’ e ‘para’ ele será renovar nele o que você não quer: a impressão de que você tem pena, esperança; e, quem sabe, até amor e vontade de vê-lo bem — para você! Não faça isto. Ele foi voluntário para bater em você? Que agora seja para cuidar de si mesmo! Fique sem culpa. Você não o traiu nem em pensamento, conforme declarou. A doença é dele. E não se faça co-dependente de tal enfermidade. O mais, como você disse, é prosseguir. E mais: aprender! Esse “amor” dele mata! Portanto, não é amor, mas apenas doença! Receba meu carinho! Apareça em breve! Nele, que nos chamou para a dignidade; e para tratar e ser tratado assim; especialmente no que se chama de “uma relação de amor”, Caio