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Cartas

MEU MARIDO É PASTOR E NÃO ME QUER MAIS...

MEU MARIDO É PASTOR E NÃO ME QUER MAIS...



Querido pastor e amigo, Estou perdida e sem direção. Sou esposa de pastor, tenho 35 anos e 12 de casada, e não temos filhos. Acho que não teremos. Moramos no Sampa. Há cerca de 5 anos enfrentamos a maior crise braba em nosso casamento. Um dia ele me contou que havia me traído com uma mulher por quem ele sempre nutriu desejos, e, gostou; então, fez isto com mulheres da vida também. Muitas! Perguntei a razão: ele disse que nunca me amou, que eu também não o satisfazia na cama, e nem o fazia feliz. Tive vertigens de agonia! Perdi o chão, o rumo, minha alegria... tudo. A dor da minha alma foi imensa, mas assim mesmo me fechei e não confiei em ninguém para me abrir. Para todos a nossa volta tudo estava bem, normal. Inventamos uma cara de crente feliz para disfarçar a morte de nosso casamento. Busquei em Deus a cura e o perdão, pois acreditava na restauração de nosso relacionamento. Mas não adiantou. Um ano depois tudo estava um caos. Então as lembranças voltaram, fiquei muito mal. Foi então que comecei a sentir um desejo de vingança e acabei o traindo de raiva. Foi um inferno para minha alma: me senti completamente só e desamparada! Contei a ele uma semana depois. Não dava pra carregar aquilo na alma. Ele, diferentemente de mim, além de querer se separar, também espalhou pra todo mundo! Sim, tratou tudo como se nunca me tivesse traído e nem tantas vezes... Fiz tudo para agradá-lo, mas ele não me enxerga! Tudo o que eu faço é nada... Eu falhei... Talvez por ter me calado demais, por ter engolido tantas ofensas dentro de mim. Ele diz que sou a desgraça da vida dele! Mês passado ele disse que temos de nos divorciar. Não sei como contar aos que acharam que nossa vida era boa, quando, de fato, ela era uma porcaria... Apesar de todos os erros, tanto dele como os meus, o respeito como um homem de Deus, como alguém que sempre amou o ministério e o chamado do Senhor, mas estou muito mal. O que eu faço? Obrigada pelo espaço amigo e acolhedor. Um grande abraço ____________________________________________________________ Resposta: Minha amiga: Graça e Paz! O que nunca foi no coração, não tem como ser por conta própria. O que não é na alma, humanamente falando, não tem como se tornar. Ninguém tem o poder de fazer um homem e uma mulher se amarem, se um deles nunca amou. Amor é mistério. Sim, este amor que une homem e mulher não é uma decisão da mente, como aquele que se exerce com o inimigo, ou com aqueles que nos ofendem; os quais a gente ama como ato, como decisão, como gesto, como enfrentamento com armas de bondade, como disposição de andar milhas e milhas... O amor entre um homem e uma mulher só é restaurável se um dia existiu no coração de ambos. Mas se um só amou... não há como “criar” amor conjugal na alma de quem, tendo a chance durante anos, nunca se sentiu capaz dele, ou, nunca o provou em relação ao cônjuge. Você já viu nos evangelhos ou na Bíblia toda alguém impor as mãos sobre um casal e criar desejo, alegria, amor, vontade de estar juntos, e conjuglidade? Jesus curou toda sorte de doenças. Apaziguou pessoas. Acalmou ventos e ondas. Fez crescer perna onde não havia, fez haver globo ocular onde ele não existia, fez água virar vinho, alterou a essência atômica da matéria e multiplicou pães e peixes, converteu pessoas a uma nova consciência... etc... Mas nada se diz do amor entre um homem e uma mulher. Não há narrativa que diz que certo homem não amava a sua mulher, e, por isto, dormia com outras, o qual, em desespero, procurou a Jesus, e disse: “Senhor, faz-me amar a minha mulher e desejá-la!” Ao que Jesus tenha dito: “Filho, vá em paz! Tua fé fez teu coração amar a tua mulher. Vá para ela. Eis que te dou amor e desejo!” Para Jesus esse amor era mistério. Mistério tão inexplicável quanto o amor de Cristo pela Igreja. Do ponto de vista do Evangelho, quando um casal se ama, e um deles trai, mas se arrepende, então, se a outra parte também o ama, e deseja perdoá-lo, o casamento pode e deve continuar. Mas, mesmo assim, Jesus não disse que toda traição demanda perdão para haver continuidade da relação. Demanda perdão sim, mas não necessariamente para continuar a relação. Demanda perdão apenas porque ninguém terá jamais uma vida se a alma estiver dominada pela vingança, pelo ressentimento e pelo ódio dos traídos. No entanto, considerando a “dureza de nosso coração”, com todo realismo, Jesus sabia que quando uma traição acontece, dificilmente ela termina bem. Portanto, Ele validou a “concessão” para a separação; posto que obrigar duas pessoas que já não confiam uma na outra conjugalmente a ficarem juntas, é o mesmo que condená-las ao inferno em vida. Portanto, aceite a separação do que já está separado há muito tempo! Vai doer muito ainda! Mas facilite a vida dele. Se ele quer, deixe-o. Apenas peça a ele para não fazer a covardia de se portar como o Credor Incompassivo, que é aquele que recebeu grande perdão, mas que esgoelou o próximo que a ele devia muito menos! De todo o coração espero que ele não faça a canalhice de, para justificar a separação diante da “igreja”, expor você como adúltera de um adultério que teve nele o “João Batista”, como precursor... No entanto, se prepare, pois, para a maioria dos pastores infelizes, seu sonho de consumo é serem “traídos” a fim de usarem a “cláusula legal” do divórcio (o adultério), a fim de saírem de vítima da situação. Se este for o caso, pessoalmente, meu respeito por ele será aquele que se dá apenas aos desgraçados e oportunistas, incapazes de agir como José, pai de Jesus, que ensinou a dignidade de “deixar secretamente”. Quanto aos outros..., apenas diga o óbvio: não conseguimos viver bem juntos, pois, ele nunca me amou, e eu demorei demais a ter coragem de deixá-lo livre! E pronto e ponto! Aceite o divórcio. Procure um advogado e dê início aos papéis, ou peça a ele que faça isto LOGO. Se você tiver para onde ir, vá. Não fique sob o mesmo teto com ele durante a separação, pois, na maioria das vezes, o processo acaba por azedar ainda mais aquilo que já está mais que azedo, entrando em estado de apodrecimento. Não há o que discutir, exceto os deveres dele para com você, até que você possa andar com as próprias pernas. E dê graças a Deus que vocês não tiveram filhos em tantos anos de casamento. Chega de engolir sapos. Dieta de sapos faz crescer muitos anfíbios e répteis em nossas almas! Chega! Estou aqui para o que você precisar! É hora de se respeitar e fazer o que é digno; e, certamente, o caminho da dignidade não passa pela vereda do desprezo, da traição, da vingança, e da vontade de que o outro morra... Você já imaginou as vezes em que ele desejou que você morresse apenas para ele sair dessa como um pobre viúvo, e não como um divorciado, e isto em razão dessa “igreja” hipócrita, que prefere versões do que fatos da alma? Chega! Você é jovem, sem filhos, e solteira. Levante a cabeça, mantenha o coração firme no amor de Deus, e recomece a sua vida com a experiência que você adquiriu. Cuidado! Você estará muito carente, com a auto-estima baixa, etc...; e, por essa razão, os carcarás vão rodeá-la... Mas eles apenas “pegam, matam e comem”. Depois você vira apenas um cadáver na estrada. Portanto, não se esburaque toda em razão desse divórcio, e, não abra espaço para ser apenas diversão de homens que se aproveitam dos despojos dos divórcios que acabam como o seu: com uma mulher carente, e desejosa de conhecer o amor e o desejo de alguém por ela! Por enquanto é o que tenho a lhe dizer. Mas me mantenha informado! Estarei orando por você! Nele, em Quem ninguém diz que a vida acabou enquanto Ele não disser que é assim, Caio