Sent: Monday, January 17, 2005 6:01 PMSubject: MEU AMIGO SE SUICIDOU HÁ 5 DIAS...Pastor, mais uma v..." /> Sent: Monday, January 17, 2005 6:01 PMSubject: MEU AMIGO SE SUICIDOU HÁ 5 DIAS...Pastor, mais uma v..." />
Português | English

Cartas

MEU AMIGO SE SUICIDOU HÁ 5 DIAS...

MEU AMIGO SE SUICIDOU HÁ 5 DIAS...

----- Original Message ----- From: "Fabio Sousa" To: Sent: Monday, January 17, 2005 6:01 PM Subject: MEU AMIGO SE SUICIDOU HÁ 5 DIAS... Pastor, mais uma vez lhe escrevo. Sou o jovem que queria estar casado sem estar casado no papel. Casei-me (sem papel mesmo), estou feliz, apesar de disciplinado pela igreja, estou lá, de cabeça erguida, e com os amigos verdadeiros a minha volta. Sou também o jovem que lhe escreveu acerca da dificuldade dos "crentes" entenderem a possibilidade de um cristão genuíno poder abreviar seu tempo na terra (suicidar-se) e ainda assim alcançar o Reino das Luzes. É estranho escrever essa carta... Jamais imaginei que uma tragédia como essa acontecesse a alguém próximo, muito próximo mesmo. Uma tragédia irônica. Pastor, escrevo essa carta com o coração duplamente apertado. Triste pelo que ocorreu com o senhor (li no site)... Foi impossível não ficar triste. Melhore Rápido Pastor, por favor... hein... sorriso nos lábios please! Triste ainda mais pela morte de um grande amigo meu. Pastor, meu amigo Gordo suicidou-se há cerca de 5 dias atrás. É quase impossível de acreditar ainda. Pastor, eu conversava muito com ele, inclusive sobre o assunto "Pode um suicida ir ao céu ?" Ele já havia lido alguns textos meus sobre isso, inclusive a carta que o senhor me respondeu com muito carinho e gargalhadas ao final. Pastor, o Gordo era Presbiteriano da mais tradicional igreja presbiteriana de SP. Ele estava meio afastado ultimamente. No dia anterior ao suicídio ele havia assistido ao culto na igreja. Dentro do seu apartamento, meu amigo fez do lençol uma forca, e abreviou seu tempo aqui na terra, sem deixar nenhuma carta ou motivo aparente. Uma pessoa alegre, (com seus altos e baixos como todo jovem a procura de uma definição financeira) e com muitos amigos. Sua infância não foi tão normal, cheia de problemas com uma mãe opressora, e sinais evidentes de distúrbios psicológicos. Sei que isso lhe afetava de alguma forma. Pastor, os pés do meu amigo estavam no chão, talvez ele pudesse ter evitado, mudado de idéia. Sua tia disse que ele deve ter saltado com os joelhos dobrados e com o impacto deve ter desmaiado e morrido asfixiado. Fica em mim a tristeza de um dia ter divido com ele o assunto sobre suicídio. Mesmo sabendo que o aquilo que leva uma pessoa a cometer tal ato sejam outros fatores, causa tristeza, pois, alguns amigos acreditam que além de outros fatores, essas conversas o influenciaram de alguma forma a cometer esse ato. O Gordo foi um ser humano bom, sobretudo, sincero entre ele e Deus. Nunca escondeu de ninguém... Coisas como suas lutas contra a carne. Era um jovem que era uma criança, desaprendeu a mentir. Em um acampamento da igreja, ele levou uns 20 convidados não cristãos para ouvirem da Palavra de Deus. O que nos confortou no velório foram as palavras do pastor, que soaram cheias da sabedoria dos céus... Em resumo e nas minhas palavras: "O Gordo aceitou a Jesus, se isso é uma verdade... Apenas isso no basta! Que repouse aconchegante nos braços do pai!"—disse o pastor. Pastor, meu amigo está lá juntinho de Deus. Me recuso a crer diferente disso, seja por convicção teológica, seja pela amizade que tínhamos. Saudade dele. _______________________________________________________________________________________ Resposta: Amigo Fábio: Graça e Paz! O Gordo agora está farto de justiça e pleno de alegria! Um cara legal, com esse apelido alegre, cheio de amigos, que desaprendeu a mentir, e que conhecia a Jesus, não se suicida, apenas abrevia seus dias na Terra, como você mesmo colocou. Você já viu um cara chamado Magro, implacável, sem amigos, carregado de mentiras, e um pilantra sem alma... se suicidar? Fico feliz que tenhamos trocado aquela correspondência acerca do tema suicídio. Você já imaginou como você mesmo estaria agora, sem aquela Palavra de Fé e Consolação? Quanto aos que temem que a tal carta possa tê-lo estimulado, não se preocupe. Sempre há uns cretinos nessa hora! O Gordo estava cansado, oprimido, gordo, e de saco cheio. Só isso! Ora, se eu que sou esse vermezinho de Jacó posso entender as razões de um suicida, que não dizer do Pai dos espíritos, e que é Amor? Meu irmão, Jesus é Senhor de vivos e de mortos, de suicidas e de sobreviventes! Logo após a morte do apóstolo João houve grande perseguição contra a igreja, e muitos irmãos foram martirizados. Tantos eram os mártires, que outros, sofrendo a opressão dos Romanos, começaram a dizer: "Ei, tô aqui... Por que vocês não vêm me perseguir e me matar?!" Ora, era tamanha a opressão e tão grande era a certeza de que "o viver é Cristo e o morrer é lucro", que alguns irmãos mais experientes tiveram que intervir e acalmar os mártires-suicidas-imaturos-cristãos... Tamanho era o grupo dos que se ofereciam e se voluntariavam para a morte. Isso porque "morrer virou um movimento cristão" naqueles dias de angustia. Só Deus sabe as angustias do Gordo! Para nós fica clara uma coisa: o Gordo sabia o endereço de sua mansão celestial! E como a vida na Terra estava um barraco para ele, oprimido de alma, angustiado pelas dores da mãe, e, sobretudo, pelas dele mesmo, na fraqueza de um instante, ele preferiu partir... Como já disse em outra ocasião sempre tive o maior carinho por todos os suicidas, especialmente depois que um tio meu, homem de Deus, também presbiteriano, perturbado por uma longa esquizofrenia, aos 76 anos, não agüentando mais seus tormentos mentais, fez a mesma coisa que o Gordo fez, só que com uma rede de dormir... E teve que ajudar também... pois os joelhos dele ficaram no chão. Aliás, meu tio, mano de minha mãe, fez isto na varanda de serviço da casa de meus pais, em Manaus. Minha mãe me ligou aflita, eu estava sob a opressão do “amargo dossiê Cayman”, e ela me perguntava: "Meu filho, o que aconteceu a ele? Ele era de Jesus!" Minha resposta foi serena. Senti muita dor e alívio. Dor porque o amava de todo coração. Sinto o cheirinho dele até hoje. Ele foi um tiozinho maravilhoso, apesar de doente. O alívio foi por conta de minha certeza que ele esperou a morte o quanto pôde, mas, já aos 76 anos, e sem nenhum sinal de aproximação natural da "bichinha"(que agora, em Cristo, já não mata mais), ele pediu licença ao Pai e deu a ajudazinha dele... abreviando a sua própria agonia. "Mãe, fique tranqüila. Ele está com Jesus. Entrou na Paz!"—foi o que eu disse a ela, e ela se aclamou para sempre. Ao final de sua carta você disse algo lindo ao meu coração: "Pastor, meu amigo está lá juntinho de Deus. Me recuso a crer diferente disso, seja por convicção teológica, seja pela amizade que tínhamos". É isso aí. Seja por convicção teológica seja pela amizade... A teologia da danação dos suicidas acaba quando começa a amizade! Aliás, nenhuma teologia sobrevive a uma boa e verdadeira amizade. As amizades diluem os dogmas. Teologia só existe à distância. No âmago do ser nenhuma teologia de condenação consegue fazer a façanha de vencer as vozes do coração que se unem ao suicida (ou qualquer outra situação considerada "danada") pelo amor. Teologia só é possível de se impor sobre almas frias. Mas onde quer que o amor esteja presente, todas as teologias e escatologias acabam... felizmente. Quem conhece o outro não tem jamais dúvida acerca de seu destino eterno. Só é possível mandar o estranho para o inferno, como fazem os pagãos. Mas nem mesmo os cristãos-pagãos conseguem enviar para o inferno um amigo suicida. Ora, quem assim procede está se salvando de grande pecado, e que torna o suicídio uma brincadeira, posto que o grande inferno é ter a pretensão de mandar as pessoas para o inferno, qualquer que seja o inferno. Entre aqui no site, em Busca, e escreva SUICÍDIO, e você encontrará tudo o que aqui já escrevi sobre o assunto, incluindo algo acerca do próprio suicídio de Judas, sobre o qual tenho outra inspiração espiritual, e que me vem da Graça e do Amor de Deus, e não das dogmáticas pagãs e de natureza católico medieval, e que fazem ainda parte das convicções ignorantes e frias da maior parte dos Protestantes que vivem de doutrina e não de amor e amizade. Receba meu beijo, e transmita meus sentimentos à mãe do Gordo. À essa altura ele já esbarrou com meu Luk-Luk por lá... Nele, para Quem todos vivem, Caio OBS: assista o “Filme Lutero” e você verá como uma situação relacionada a uma suicídio ajudou a deflagrar, para o bem, a própria Reforma Protestante. Quem crê na Graça para suicidas está salvo.