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Cartas

MANSIDÃO É APANHAR DO MARIDO E NÃO DIZER NADA?

MANSIDÃO É APANHAR DO MARIDO E NÃO DIZER NADA?



 

----- Original Message -----

From: É MANSIDÃO APANHAR DO MARIDO QUIETA?...

To: <contato@caiofabio.com>

Sent: Thursday, July 07, 2005 12:46 PM

Subject: Mansidão é apanhar do marido?...

 

 

Caio,

 

Louvo ao Senhor por ter dado a você uma visão diferente do que é ser um pastor que não parou no tempo. Bem, sou uma pessoa que tenho DEUS como meu PAI e o AMO de todo o meu coração. Faço o possível para não entristecer o Espírito Santo, mas isso não quer dizer que sou perfeita. Quando erro, conserto logo pedindo ao Senhor que me purifique do meu pecado.

Que pecado são esses? Mentiras (besteiradas), raiva, fofoca (falo de vez em quando de alguém), palavrões (uma vez ou outra) etc.

Essas coisas do dia-a-dia...

Nada que venha difamar a minha conduta de filha de Deus, lavada e remida pelo Seu sangue.

Sinto-me bem como sou, claro que eu gostaria de ser uma pessoa mais envolvida com as coisas do meu Deus. Sou evangélica desde que nasci, tive meus períodos de revolta nos tempos da mocidade, mas era mais raiva das exigências do meu pai do que do cristianismo, pois ele era presbítero da igreja.

Tenho hoje 46 anos, e parece que o fantasma das fantasias religiosas do meu pai voltaram a fazer cobranças a minha pessoa.

Caio, o que ocorre é que as pessoas cobram muito de mim em relação ao meu modo de agir, diante muitas vezes das minhas colocações nos assuntos que na hora se ventila. Dificilmente eu concordo. Sempre eu tenho posição adversa. Como por exemplo: Separação — elas acham que a mulher tem que pagar o preço. Que preço é esse - oração, jejum, campanha, oração de madrugada; enfim, um monte de coisas que para mim só servem para pessoas que não sabem esperar no Senhor, e que acreditam que no muito falar, Ele vai atendê-las.

Acho isso um absurdo.

Perdão — acham que a mulher que conhece Jesus, e o marido não, ou este se encontra desviado, a mesma tem que paparicar "o bonito", não importa o que este faça, porque se o Senhor Jesus tivesse em meu lugar Ele trataria o "dito cujo" com amor.

Enfim, Caio, até onde essa turma está certa e eu errada?

A última agora:

Estão me cobrando para eu ser mansa. Dá para me explicar o que é ser manso de coração?

Beijão...

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Resposta:

 

Minha querida amiga: o bem e o mal nascem de pequenas sementes!

 

Deixe que eu comece pelo fim.

O que é ser manso?

Ora, ser manso é andar conforme o espírito de Jesus, segundo o Evangelho.

Geralmente os exegetas e teólogos procuram o significado da palavra grega para mansidão e vêem como ela aparece nos textos do N.T. e do grego clássico; isso a fim de “definirem” o significado da palavra mansidão.

Mas, sinceramente, tudo isto é besteira.

E por quê?

Porque o Verbo de fez carne. Logo, tudo o que eu preciso saber sobre a Palavra — acerca do espírito do que ela ensina —, eu encontro na Encarnação.

Ou seja: em Jesus a Palavra não apenas se encarnou, mas se fez interpretada, não só pelas palavras de Jesus, mas, sobretudo, pelo modo como Ele viveu a Palavra; afinal, Ele é a Encarnação dela; e a interpretação dela também.

Portanto, se você quiser saber como é ser qualquer coisa, olhe para o modo de Jesus ser, no Seu trato com as pessoas.

No caso Dele, mansidão nada tem a ver com passividade, nem tampouco com incapacidade de responder e reagir.

Mansidão, em Jesus, é senso de propriedade.

E mais: é a capacidade de não se deixar desviar do curso do caminho em razão das amarguras, hostilidades ou provocações de quem quer que seja.

No entanto, nem por causa disso, Ele deixa de saber quando é a hora do azorrague e também de dizer “Ai de vós, fariseus hipócritas!”

O mesmo critério interpretativo serve para tudo o mais.

Você quer saber o que ser humilde? Veja o modo como Jesus viveu. Nele humildade é ser quem Ele é sem alarde e sem propaganda.

Com relação às demais questões, você sabe a minha opinião, e que está amplamente documentada neste site. Entretanto, gostaria de dizer alguma coisa sobre a mulher que é casada com o “lobo”, e que diz que mulher crente tem que agüentar tudo — no casamento dos crentes parece ser o único lugar onde mulher não tem que ter respeito próprio ou dignidade.

A coisa é simples: cada um come o que gosta, e no fim é tudo a mesma...

Ou seja: se a pessoa quer ficar com um marido porque quer ficar, que fique, mesmo que apanhe, mesmo que seja estuprada, mesmo que seja aviltada todos os dias. É uma decisão pessoal, ainda que adoecida...

No entanto, em minha opinião, tais pessoas não devem fazer pelo menos duas coisas:

1ª Não devem fazer de sua decisão pessoal de sofrer de modo masoquista um projeto de espiritualidade cristã, e, muito menos, uma questão de obediência a Deus para outros.

2ª Não devem ficar reclamando da situação, e nem enchendo o saco dos outros com a mesma e infindável história.

Mulher que gosta de viver com canalha tem que aprender a ficar quieta.

As simple as that!...

No que diz respeito às “besteirinhas” que você mencionou, quero apenas dizer duas coisas:

1ª Você ainda associa seu processo com Deus com justiça-própria; daí os pecados ainda terem uma hierarquia de valores e importâncias para você. Ou seja: você peca, mas não faz nada que os “evangélicos” julguem como sendo a “consumação de um pecado”. Aliás, para os evangélicos, há apenas alguns pecados, todos de natureza objetiva e comportamental. O campeão no Ibope é o Adultério, seguido de Idolatria de Objetos. O resto, os evangélicos, mesmo andando em “justiça-própria”, acham que dão jeito. Releia a sua carta e você verá como esse espírito ainda está muito forte em você. Digo isto com todo carinho, e de modo a ser pastor para com você, sem rodeios e sem nada além de vontade de provocar você, no melhor sentido. Espero que me entenda.

2ª Você sabe que essas pequeninas coisas são coisas do cotidiano, e eu não as vejo numa perspectiva moral, mas tão somente psicológica. Ou seja: muitas delas acontecem mesmo... todos os dias... e o mal delas está no modo e na energia com a qual são feitas.

Desse modo, o “palavrão”, por exemplo, não é palavrão como “palavra-em-si”, mas tão somente como energia associada àquela “palavra”.

Assim, há muitas pessoas que falam o palavrão, mas não ofendem, visto que o palavrão, para elas, é apenas um modo de dizer, mas nem sempre é falado significando a ofensa do “palavrão”.

Eu ouço muitos palavrões em “igreja” e que são ditos mediante expressões de piedade, mas são energeticamente verdadeiros palavrões.

Exemplo: “Meu amado” pode ser dito com todas as energias, inclusive de ódio e rancor, como muitas vezes acontece. Falou-se um palavrão? Não! Vazou-se um palavrão disfarçado de “meu amado”.

Ora, estou dizendo isto apenas para que você olhe não para as palavras, mas para as motivações, odores, sentimentos e energias com as quais você possa estar fazendo essas coisas.

E por quê?...

É que o que faz mal não é a conjunção de letras de uma dada palavra, mas sim o espírito com o qual aquela palavra é falada; ainda que seja um: “Ah, meu Deus!” — e que pode significar: “Seu idiota, saia de minha frente!”

Iras, invejas, fofocas, e rompantes de insulto, são coisas que abundam na alma evangélica, e que fazem muito mais mal do muitos atos de infidelidade conjugal.

De fato, são essas pequenas coisas, que aos nossos olhos são bobas e pequenas, aquelas que mais corrompem as relações e a atitude das pessoas na vida.

Sim, elas são muito mais corrosivas para a alma do que se pode imaginar; sem dizer que alguém que não limpa o coração da energia dessas coisas, haverá de não apenas fazer mal aos outros, mas, com certeza, muito mal a si mesmo.

Alimentar o coração com tais energias ou mantê-las no coração com freqüência, é o que o pode fazer mal a alma.

Portanto, mais importante do que o que você diz, é como você diz, acompanhado de que intenção interior; e se é animado por um espírito contrario ao espírito da graça, conforme o Evangelho.

Quanto a se Jesus, caso fosse mulher, ficaria ao lado de um homem maligno, paparicando a doença do sujeito, saiba: a gente sabe como Jesus trataria essa situação apenas olhando o modo como Ele tratou os que abusavam da alma do próximo: os fariseus e os lideres religiosos.

Jesus jamais deixaria uma mulher num buraco, apanhando, mesmo que o dia fosse sábado, e os fariseus todos dissessem que nada se deveria fazer.

Ele curou doentes e libertou oprimidos contra a opinião e o desejo dos homens “maridos despóticos”, e que amavam ver a impotência esperar até que eles dessem autorização de cura. Jesus, todavia, sistematicamente, os enfrentou; e tirou quem quer estivesse no “buraco”.

Ele, todavia, jamais violentaria quem quer que gostasse de apanhar.

Em Jesus, por mais que as coisas fossem estranhas, a gente percebe que Ele deu liberdade de escolha, de tal modo, que é opção de cada um decidir como quer existir.

Ninguém respeitou mais o direito à liberdade de escolha do que Jesus.

Espero lhe ter sido útil.

Escrevi com todo carinho.

 

Nele, que nunca bateu em ninguém,

 

Caio

7 de julho de 2005

Copacabana

RJ

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