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Cartas

LÍDER EVANGÉLICO:  não aguento mais… O que faço?

LÍDER EVANGÉLICO: não aguento mais… O que faço?



 

 


----- Original Message -----
To: LÍDER EVANGÉLICO:  não aguento mais… O que faço?
Sent:
Wednesday, May 17, 2006 6:07 AM
Subject: Estação do Caminho em Sampa

 


Caro amigo e irmão!


Chamo-o assim porque esse sentimento e carinho vem do fundo do coração, pois
tenho acompanhado o seu ministério por  muitos anos, lido seus livros, os quais muito têm ajudado a minha caminhada cristã e ministerial. Nos dias que
estive em S.Paulo quis conversar com você algumas coisas que inquietavam meu
espírito, mas no decorrer das perguntas e respostas, algumas delas foram
respondidas.

Como você sabe sou pastor de uma das maiores denominações deste
pais. Por vinte e cinco anos construí
igrejas e formei lideranças. Mas sempre me orientei pelo evangelho puro e simples da graça de Deus, sem aquela teologia da causa e do efeito. Sempre me preocupei pela restauraçao da família e em 1993 comecei um projeto para a família, e escrevi um livro que tem sido muito aceito pela denominação. Para você ter uma idéia já foram vendidos 50.000 desses livros dentro da denominação, sendo que esse projeto está em vias de se oficializar
nacionalmente dentro da denominação, sendo aprovado pelo Conselho Nacional de Diretores dela.

Desde 1998 começou uma insatisfação por causa da visao ministerial e pelos
rumos que a denominação está tomando . Eu me sinto atado, pois não consigo
mais aderir e nem ensinar nenhuma metodologia de barganhas ou essa doutrina de prosperidade que ai se instalou. Daí a vontade de sair do sistema. Em 1993 quando você pregou no Rio   "O drama de Absalao" pensei comigo: Essa
palavra tem que entrar dentro da minha denominação! Foi dali que se inicei os
contatos com tua assessoria e foi agendada uma cruzada sua em Apucarana,
organizada por mim, que acabou acontecendo em 1998.

Tanto que no segundo livro de casais que transita nas escolas de casais, tenho recomendado o drama de Absalao como leitura quase que obrigatória. Quando seu site foi ao ar comecei acompanhar e tem sido uma  benção em minha vida.


Participei  em S. Paulo e amei e me apaixonei pelo projeto das Estações . Há alguns anos, não vem de agora, desde 1998 para cá, tenho o desejo de deixar o pastorado e a superintendência; e isso não é fácil; uma decisao difícil de ser tomada por causa da quebra de paradigmas e vínculos fraternos.


Sou casado há 22 anos tenho duas filhas, uma de 19 anos e outra de treze anos. Não sei por quê, eu me indentifico muito com o ministério que Deus te deu. Preciso de uma orientação e direção. Preciso de uma orientação.

Que faço meu amigo? Se você puder me responder essa..., vai me ajudar em minha decisão.

Em Cristo que nos dá discernimentos nas horas de difíceis decisões,

 
P. A.

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Resposta:


Meu amado amigo: Graça e muita Paz!

 

Primeiro quero dizer que tirei todas as referências à sua denominação evangélica, bem como ao seu nome, pois tudo o que não desejo é que esta carta ponha você numa rota de colisão desnecessária com eles.

Conheço bem sua denominação. Sim, antes de você ser pastor dela, eu já a conhecia por dentro; e, sendo ainda jovem, em 1973, fiquei chocado com as barganhas, os fetiches, as campanhas, e, sobretudo, com o nível de promiscuidade que lá havia; posto que havia pregadores dela, os quais eram itinerantes, e que ligavam com antencedência para as localidades para as quais estavam indo “pregar”, e pediam ao “colega local” que arranjasse “um irmãzinha para dormir” com o cara durante os dias da campanha.

De fato, meu contato com sua denominação iniciou para mim em Manaus, onde tive muitos problemas com eles; os quais chegaram lá como uma espécie de “Universal” em miniatura; porém com o mesmo atual espírito da IURD; embora sem o poder dela. Depois de um tempo, literalmente o pastor local se converteu daquelas maluquices, veio para o Evangelho; e até nos tornamos amigos. Hoje tenho grande estima por ele. Ele, entretanto, praticamente se desligou da denominação; posto que desde então, o que já era horrível, ficou péssimo.

Sei também que numa hora dessas, os filhos pesam muito na decisão; além também da dor da perda de certos vínculos humanos e fraternos que naturalmente se desenvolvem com “toda gente boa de Deus” que ainda está na “cova dos leões”. Sim, dá um sentimento de traíção deixar essas pessoas para trás!

Minha orientação é que você ore e peça de Deus o discernimento!

Eu, de minha parte, deixei para trás, de modo ministerial, um grupo dos mais limpos, quando comparado àquele ao qual você pertence. E por quê o deixei? Pelas suas promiscuidades? Pelas suas barganhas? Pelas suas manifestações pagãs? Não! Deixei-o por outras razões não menos importantes, ainda que de outra natureza. Sim, deixei-os por ver, há anos, que eles vivem do passado e cultuam irmãos do Século XVI como se fossem sub-messias. Além disso, deixei-os como grupo em razão de ver que a misericórdia faz a sua morada muito, muito longe deles. Pregam a salvação pela fé e a Graça, mas vivem da Lei e de suas doutrinas de homens. Viraram fariseus ou escribas dos fariseus!

De fato, minha visão da “Igreja Evangélica” quase que como um todo, é a de quem está diante de um campo missionário. Sim, hoje prego para os evangélicos como quem anuncia a Palavra para “cristãos pagãos”; algo semelhante ao que se faz com qualquer grupo humano que mencione Jesus, porém não o conheça. Assim, evangelizo evangélicos com a mesma sinceridade com a qual evangelizo “espíritas kardecistas”, por exemplo. Ambos os grupos têm seus próprios “evangelhos”, segundo eles mesmos; e nada sabem, de fato, da Graça de Deus; sendo, na realidade, pessoas que almejam, na prática, a salvação pelas obras da justiça própria. Desse modo, em ambos os casos, está desfeito o escândalo da Cruz.

A minha fé, é minha; e não pode ser transferida para ninguém. Cada um ande conforme sua própria fé e consciência em Deus. Entretanto, o que posso lhe dizer é que se HOJE eu quisesse “recomeçar no circo evangélico”, para mim seria mais que simples. Sim, porque a única coisa que eles esperam de mim é apenas uma “volta” que diga: “Irmãos! Não aguentei! Estou de volta!” E pronto! Se assim fizesse, eu sei por tudo o que ouço e vejo, que pelo menos 70% do grupo evangélico todo se abriria para mim em uma semana, no máximo.

Mas e daí? Seria essa a minha ajuda? Sim, seria essa a vontade de Deus? Sinceramente, de minha parte, dado ao entendimento adquirido na Palavra e na vida, não é mais possível fazer qualquer média ou barganha sob pena de trair o Evangelho!

No meu nível de percepção, de convicção e de fé, fazer tal coisa, seria como botar a mão no arado e olhar para trás. Na realidade o que ouço de Jesus para mim é um “deixa aos mortos o enterrarem seus próprios mortos!”

Não creio que o reino esteja passando por dentro dessa seita cristã. Aliás, não creio que o “Cristianismo” hoje, salvo alguns irmãos sinceros espalhados pela Terra, tenha, como grupo, qualquer coisa a contribuir com a humanidade no que tange a anunciar o Evangelho. Sim, porque os “cristãos” de hoje são pagãos, animistas, servos do medo, devotos negativos do diabo, e crentes na Lei da morte. Olho-os como Paulo olhava os judeus e a sinagoga. É para pregar para eles; porém sem nenhum esperança de que se converterão, execeto indivíduos; posto que a estrutura tem vida própria; e é uma Potestade espiritual das mais anti-Jesus da Terra.

Prova do que falo é que para o “Cristianismo” o Evangelho é um escândalo! Sim, não lhes é “loucura”, em parte (embora seja visto como “utopia”); mas é escândalo, assim como Paulo disse que era para os judeus.

No que me diz respeito considero tudo o que vivi antes apenas como um refugo a fim de que eu ficasse, de fato, livre para Cristo; e isto para poder servi-lo sem as amarras dos homens.

Sim, porque por mais livre que eu fosse, e sempre fui, ainda assim percebo hoje a montanha de coisas nas quais cria e não podia confessar a fim de não “escandalizar” os irmãos.


Ora, são essas coisas antes evitadas justamente aquelas que mais necessitam ser tratadas de cara limpa e aberta. Porém, dentro da “igreja” elas estão mais seladas do que o “livro do Cordeiro”. Sim, ninguém há que quebre e abra esse baú de doenças e maldades transformadas em pseudo-piedade. É a famosa peidade devocional, pois nem carrega piedade como misericórdia, e nem dá ar aos que precisam respirar. Gases são liberados; e não o oxigênio da Graça do Evangelho de Cristo.

Não tenho como dizer “venha”. Sim, porque não posso assumir essa responsabilidade. Posso apenas dizer que, de minha parte, tenho certeza em Deus de que não morrerei frustrado e nem dizendo a mim mesmo que não combati o bom combate.

Quanto ao mais, grandes são as perdas humanas; porém grandes e inestimáveis são os ganhos gratuitos na Graça!

Desse modo, meu compromisso é orar por você, e pedir que o Senhor o guie. Sim, Ele mesmo!

Receba todo meu carinho, amor e solidariedade!


Nele, que honra a todos os que o amam e Nele confiam,

 

Caio