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Cartas

JOEL JUNIOR: botando um fim nas fofocas!...

JOEL JUNIOR: botando um fim nas fofocas!...

 

----- Original Message -----

From: JOEL JUNIOR: botando um fim nas fofocas!...

To: CAIO

Sent: Tuesday, August 18, 2009 8:25 PM

Subject: Jota - Flórida

 

Caio,

Quero compartilhar com você o seguinte texto...

Te amo, mano. 

Receba nosso abração.
_______________________________________________
Eis o texto, Caio:

Gente querida, eu queria brevemente tratar, de uma vez e por todas, sobre algumas questões que tem chegado a mim desde que eu me ajuntei ao movimento “Caminho da Graça”, e que sinto que, se eu não me pronunciar e esclarecê-las (especialmente depois do programa Papo de Graça de ontem, 18/09/09), irão gerar mais aborrecimentos para mim e minha família. 

É lamentável que se tenham criado tantas versões fantasiosas sobre a minha decisão de desligar-me da igreja evangélica e inúmeras explicações ridículas e maliciosas para tentar justificar minha atitude. 

Escrevo para aqueles que desejam saber de mim o que foi que me levou a sair da igreja denominacional na qual eu servia [AD], o que penso sobre tudo o que se passou e como vejo a minha trajetória até aqui, na esperança de que esclareça algumas coisas, e que, por isto, eu não precise mais retornar, interminavelmente, aos mesmos assuntos.  Para estes quero deixar claro:

1)      Saí por questão de consciência; porque entendi que minha fé em Jesus e minha compreensão do evangelho não eram mais compatíveis com as premissas teológicas, com os ensinos (em geral) e com as práticas ministeriais da denominação.  Saí porque tive uma nova compreensão da Palavra e da fé Cristã, que não se adapta ao corpo de doutrinas da igreja na qual eu servia.  Saí porque queria liberdade para crer, servir e adorar conforme havia entendido, e porque não quis pregar mensagens que fossem contrárias aos ensinos da denominação utilizando seus próprios púlpitos.  Saí porque entendi que era o que Deus estava pedindo de mim.  Não é verdade que me aborreci com algo ou alguém no ministério, ou que tive qualquer desentendimento com meu pai ou com qualquer pastor; longe disso.  Não é verdade que me “rebelei” e maliciosamente me declarei contra tudo e todos, e os irmãos e pastores que acompanharam sabem disso.  Procurei ser honesto e autêntico, abri meu coração, expus os meus motivos com humildade e nunca procurei provocar nenhum tipo de divisão.  Fiz de tudo para sair pela porta da frente e com a cabeça erguida e como homem, sem ter do que me envergonhar, ao contrário de muitos que acabam saindo por motivos infantis e de forma ingrata, falando mal do grupo que deixaram ou levando consigo grupos para formarem novos ministérios.

 2)      Tenho muito respeito pelas pessoas boas, amáveis e simples da denominação na qual nasci e servi; pessoas boas que conheço e cuja sinceridade posso atestar.  Sou grato pelos anos em que passei ali, pois aprendi muita coisa boa e positiva para a vida, e também sei que esta só foi a minha Estrada porque Deus quis que assim fosse.  Não tenho arrependimentos, pois creio que tudo acontece na hora certa quando servimos em fé.  Porém, não tenham dúvida: só saí de lá porque entendi o evangelho de forma diferente e nunca tive qualquer intenção de voltar, pois nunca foi tão forte a minha convicção de que de fato as coisas são conforme tenho aprendido e crido.  Nunca atirei pedras em ninguém e nunca chamei ninguém para que me acompanhasse.  Se me perguntam, eu respondo; se querem conversar, eu converso; mas assim como não fui convencido por homens e sim pelo Espírito Santo de Deus, não tenho a pretensão de discutir e convencer a ninguém acerca das verdades eternas, capazes de serem reveladas, pela graça incompreensível de Deus, até a um “moleque” novo e inexperiente como eu. 

 3)      Amo minha família e não compartilho muitas de suas percepções e opiniões, e ainda assim conseguimos ter harmonia e amor.  Os vejo quase que semanalmente e nunca tivemos problemas; eu os respeito de todo o coração, procuro honrá-los em tudo, e eles respeitam minha decisão e confiam na minha sinceridade.  Não concordo com os que implicam que, se de fato os amo como digo deveria ter ficado na igreja para agradá-los.  Isso para mim não é amor.  Para o crédito deles, meus pais sempre me deram a entender que me amam como filho porque sou filho, e não porque faço ou deixo de fazer.  Sei que ficaram chateados com a minha saída, naturalmente, mas também sei que me preferem autêntico e feliz ao invés de falso e inautêntico.  Meus pais me ensinaram a amar ao Senhor Jesus, a quem amei por muitos anos antes de conhecê-lo no meu íntimo, e desde a infância da minha infância me entregaram ao Senhor, para que me conduzisse e usasse conforme a Sua vontade.  O Senhor sabe da minha sinceridade e da minha disposição quebrantada e ensinável; portanto, prossigo sem medo, convicto de que estou sendo conduzido por Ele e ninguém mais.

 4)      Quero aliviar a minha consciência e me confessar: de fato houve uma oferta da parte do Caio e do pessoal do Caminho que ultimamente me convenceu a participar do movimento.  Me fizeram uma oferta indireta, através dos blogs, dos textos, dos testemunhos, e das mensagens.  Me ofereceram uma percepção do evangelho que eu não tinha e um caminho de vida que eu não conhecia.  Me ofereceram um novo jeito de ser (porém, tão antigo quanto a Palavra) e um novo jeito de olhar o mundo.  Quase me convenceram, mas, no final das contas, quem me convenceu mesmo da veracidade de tudo isso foi o próprio Jesus, que pessoalmente me convidou a segui-lo ainda que me levasse pelo caminho estreito de mudança radical de coração, de valores e presunções, que inevitavelmente produz rupturas relacionais.   

5)      Sou eternamente grato ao Caio por pregar o Evangelho da graça com coragem e sem pudores.  Não tenham dúvidas de que ele é um homem sério e discípulo de Jesus.  Reconheço no Caio uma voz profética e necessária para esta geração. Tenho, para com ele, todo o apreço e carinho possível, e hoje o considero um mentor, uma referência de Deus para minha vida.  Porém, como o próprio Caio já escreveu, a sua participação nos processos que desembocaram na minha ruptura com a religião foi simbólica, pois antes da fundação do mundo o Eterno tinha um encontro marcado comigo no tempo-espaço.  Apesar de todo o carinho e respeito que lhe tenho, entendo que o Caio foi circunstancial, pois Jesus teria me encontrado ainda que usando um sonho, uma canção ou uma pedra para falar-me.  Não cri no evangelho do Caio, pois quem de fato o ouve sabe que nem o Caio crê no evangelho do Caio; cri e creio, como ele, no evangelho simples de Jesus.  Cri que Jesus é mesmo o Verbo encarnado, que nEle Deus se revela a nós, e que por isso é através Dele que devemos ler as Escrituras e a própria vida.  Não tenho gurus, pois o Jesus que encontrou-se com o Caio e com o próprio Paulo, também encontrou-se comigo.

 6)      Essa é boa: porque a Aline, minha esposa, e sua família freqüentavam a Igreja Presbiteriana Betânia em Niterói no tempo em que o Caio era o pastor titular, sobrou para a coitadinha, que não teve nada a ver com isso, a responsabilidade de haver “interrompido” o meu ministério e me “tirado” da igreja.  Mal sabem que fui eu quem convenci a ela a começar a se abrir ao evangelho, a ouvir com novos ouvidos, a ver com novos olhos... fui eu quem preguei a ela primeiro, antes de pregar a qualquer pessoa, compartilhando com ela as alegrias dos processos que começavam a se desencadear dentro de mim.  A pobrezinha me acompanhou em tudo sem dizer nada, só me apoiando, estando ao meu lado, dizendo que confiava nas minhas decisões em fé, orando para que Deus me desse direção e afirmando-me como homem, marido e líder de nosso lar.  Não cesso de agradecer à Deus pela pérola de companheira que a Aline me foi durante aquele tempo e me tem sido até hoje.

 7)      Não tenho o mínimo interesse em saber das novas que “estão rolando”, do que andam dizendo, do que “está pegando”... Se for para isso nem me procure, por favor.  O papo no Caminho é outro, a conversa é outra, o foco é outro.  Decidi em Deus fazer o que fiz e continuo crendo que fiz exatamente o que deveria.  Não tenho outro caminho a fazer senão este, o caminho da fé em Jesus: que anda em plena confiança, em transparência, que toma decisões conscientes e tudo faz em amor e bom senso, ainda que as expressões do amor nos sejam hoje incompreensíveis.  Não estou me escondendo de ninguém; não estou sumido, exilado e nem fugido.  Estou aqui, cheio de paz e alegria, curtindo minha família, pregando a palavra quase todo final de semana, fazendo faculdade, saindo com os amigos... quem quiser falar comigo consegue facilmente; porém saiba, não perco mais meu tempo com discussões vãs que não produzem nada a não ser divisão. 

Por isso, gente boa, saibam: não considero a ninguém inimigo.  Não quero levar seus filhos para o mau caminho (rsrsrs). Não guardo amargura nenhuma no meu coração.  Só não esperem que eu concorde com o que não concordo ou que deixe de denunciar o que vejo como distorção do evangelho de Jesus.  Mas, de coração, desejo todo bem possível á você e aos seus.  Espero que possamos deixar nossas diferenças de lado e nos respeitarmos como irmãos, pelo menos na intenção de servir a Deus e viver em paz.  É o meu desejo sincero.

Um beijo,

Jota

Mentor do Caminho da Graça na Florida.

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Resposta:

 

Joel querido, Jota amado: Graça e Paz!

 

Mano muito querido, você não me pediu nada, como sempre, mas eu decidi publicar a sua carta no site, do jeito que ela me chegou, pois, entendo que o alcance do site é maior do que o do seu e-mail pessoal, e, assim, pelo alcance, a intenção de sua carta — que é fazer cessar a fofoca a invenção de muitos... — se cumprirá mais facilmente.

Joel, você tem honrado seus pais, sua família e sua herança; e disso sou testemunha.

Aliás, filho, se você não tivesse vindo como veio, com a simplicidade que está em você, e com a pureza de intenções de seu coração, você sabe que eu não teria aberto as portas do movimento Caminho da Graça para você se fosse de outro modo... ou por qualquer outra razão que não fosse as que você apresentou a mim, que são todas relacionadas apenas à fé e à sua necessária liberdade de consciência, conforme você tem deixado sempre muito claro.

Sim, você sabe que não é em razão de quem seja o seu pai ou o seu avô no meio evangélico ou denominacional que você teve entre nós a colhida que teve, tem e terá sempre; pois, para nós, em Jesus, segundo os evangelhos, o que vale é somente a verdade do coração; e esta não tem pedigree...

  Você é e ainda será motivo de muito mais honra para seu pai, alegria para a sua mãe, a felicidade para toda a sua casa; e se hoje alguns ainda duvidam, em breve ninguém duvidará...

O tempo é implacavelmente verdadeiro...

Quem espera em fé sempre vê tudo aquilo no que creu e esperou!...

Filho querido... receba meu amor e minha fidelidade em Jesus para com sua vida.

 

Nele, que tem apenas um povo, uma Igreja, e que é Pastor de todos os que reconhecem a Sua voz,

 

Caio

19 de agosto de 2009

Lago Norte

Brasília

DF