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Cartas

HOMOSSEXUALIDADE: COMPLEXO DE CARMEM

HOMOSSEXUALIDADE: COMPLEXO DE CARMEM



-----Original Message----- From: HOMOSSEXUALIDADE: COMPLEXO DE CARMEM

Sent: quarta-feira, 7 de abril de 2004 12:53

To: contato@caiofabio.com

Subject: HOMOSSEXUALIDADE

 

Bom dia Pastor! Tenho lido algumas respostas suas a cartas que lhe são enviadas por pessoa aflitas por serem homossexuais. Muito provavelmente o meu caso seja diferente de todos que já te chegaram ao conhecimento. Tenho 63 anos, sou casado há mais de 30 anos, e sou pai de quatro filhos; e fui criado numa igreja evangélica; e moro na Argentina há muitos anos; talvez seja fuga...

Minha história começou antes mesmo de minha mãe se casar. Minha mãe se apaixonou pela história de uma mulher. Mamãe se encantou tanto com a história e se prometeu que colocaria o nome da mulher na primeira criança a quem ela desse à luz. Ela casou-se algum tempo depois, ficou grávida, e eu nasci. Então recebi o nome de Carmem.

Isso mesmo! Nasci homem, mas me colocaram esse nome! Como se não bastasse, fui criado como menina. Eu cresci como a mulherzinha da casa, em todos os sentidos, inclusive sendo babá de meus primos mais novos. Passava o dia inteiro brincando com as bonecas, costurando vestidos pras minhas primas.

Quando fiquei rapazinho comecei a desejar me aproximar das garotas, mas minha mãe me repreendeu e me humilhou, dizendo que eu não era para meninas; me humilhou tanto que eu desejei morrer pra me livrar daquela vergonha. Assim eu cresci…

Então, “meus sonhos” passaram a ser com meus colegas de escola. Passou então a crescer em mim desejo sexual por garotos. Tornei-me rapaz, e nunca senti um pouquinho que fosse de atração sexual por mulheres. Meus desejos, fantasias e masturbações eram direcionadas pra figuras masculinas.

Só Deus tinha conhecimento disso, do meu sofrimento. Tive namoradas diversas, mas nunca senti nenhum tipo de atração física por elas. Então, já homem adulto, passado dos trinta, conheci minha esposa. Não sei o por quê, mas ela me fez sentir desejos. Começamos a namorar e, por causa de minhas incertezas, tivemos relações sexuais até o nosso casamento. Eu queria ter certeza de que seria de capaz de satisfazê-la sexualmente.

Casamo-nos e tivemos filhos. Tivemos uma vida normal como qualquer casal até cerca de três anos atrás. Meu desejos por homens, até então estavam sufocados; mas latentes.

Um certo dia conheci um homem que fez voltar em mim todo aquele desejo até então escondido. Tivemos relações e, ali, naquele momento, eu tive certeza que não era um heterossexual. Meu corpo e minha alma desejavam relações com homens.

Daí, então, minha atração por minha esposa foi diminuindo, até que chegou um dia que nós sentamos. Confessei a ela a morte de meus desejos, mas não falei de homossexualidade. Ela chorou muito, e eu também sofri com isso! Sei que Deus não deixou de me abençoar por causa disso. Prosperei em tudo o que fiz. Materialmente estou bem. Mas a alma está rasgada.

Hoje, pastor, vivemos juntos como amigos. Ela não sabe de minha homossexualidade. Estou levando uma vida de dupla personalidade. Tenho vontade de sair de casa e abrir o jogo com ela e meus filhos, mas fico preocupado com o sofrimento que posso causar neles. Por esta razão eu gostaria muito de receber seus conselhos sobre o melhor caminho a seguir.

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Resposta:

Meu amado irmão: Ele tem um nome novo pra você!

Não! Você não é a primeira pessoa que conheço que vive esse drama. Desde criança que ouço histórias como a sua, até porque meu pai, como advogado, ajudou vários homens a trocarem nomes femininos por nomes que lhes representassem a masculinidade.

Além disso, já recebi cartas de pessoas que falam do mesmo problema, com praticamente o mesmo desenvolvimento psicológico para a “situação homossexual.”

Você não está sozinho nesse drama! Também cresci vendo o oposto: um menino que sempre foi tratado como homem, nunca conseguir se sentir como tal; pois, desde que começou a andar que calçava sapatos de mulher, se pintava e botava brincos. A família descia o cacete no garoto, mas nunca adiantou. Crescemos juntos. Ele, eu, meus primos e primas, crescemos na mesma quadra, e víamos a angustia dele; hoje um homem apenas um pouco mais novo que você.

A diferença entre você e esse meu amigo de infância—que hoje é homossexual-não-praticante, e virou tia de seus sobrinhos, e é um ser humano maravilhoso!—, é que ele nasceu assim; mas você foi “feito, foi fabricado” para esse fim. Ou seja: seu problema é muito mais psicológico que o de meu amigo de infância. O dele procede de mutações profundas, de natureza genético-psíquicas. Já você sofre de uma disfunção na estrutura de sua alma, e que foi provocada por abuso psicológico.

Todo ser humano é ambas as coisas: masculino e feminino. O macho e a fêmea dos humanos nascem com potencial para as duas inclinações. Porém, os genes, as relações parentais e familiares, a cultura e a vida social, definem, normalmente, quem é quem; e com quase cem por cento de acerto. Boa parte das homossexualidades que eu conheço são de natureza psicológica. Algumas poucas possuem forte componente genético, inclusive com alterações de natureza física, algumas aberrativas, outras quase imperceptíveis, e outras ainda de natureza cerebral; ou seja: neurológicas.

Digo isto visto que tais pessoas já trouxeram essa presença-forte “rodando no softer da alma-corpo-alma”, mesmo quando nada na cultura social ou familiar induzisse o indivíduo àquela inclinação. Mas há ainda os casos de “opção”, que a meu ver são raros. Ou seja: aquilo que se chama de “semvergonhice” é, de fato, algo que acontece em escala mínima. A maioria luta com pulsões e compulsões—quase sempre calcadas em bases conforme anteriormente descritas—, e sofre com aquilo que não quer querer; nem quer gostar; e nem quer para os outros.

Olho para você com toda esperança!

Portanto, sugiro a você o seguinte:

1. Me telefone. Darei meu número a você depois.

2. Não saia de casa. Não deixe a família. Você será curado aí, entre os seus. O Pai que vê em secreto vai tratar de você.

3. Não se encha de culpa. Quanto mais culpa, mais compulsão. Assim, seque a compulsão com a certeza da Graça. Sei que se você vem lendo este site você sabe o que eu penso, conforme meu entendimento do Evangelho, o que seja Graça. Creia na Graça. Descanse em Cristo. Saiba que na casa do Pai há muitas moradas.

4. Não faça nada. Lutar nessa hora é se afundar. É como areia movediça: quanto menos se mexer, mais chance de sobreviver.

5. Você terá que entrar num programa de terapia psicológica. Será penoso. Muitos bichos sairão de dentro de você. Mas haverá cura. Eu sei que haverá!

6. O que você está sentindo hoje é o “tesão reprimido” durante décadas. De fato são as pulsões da adolescência, e que foram direcionadas de modo homossexual; e que carregam o poder do mais horroroso fetiche. Sua homossexualidade é fetichista na sua essência adolescente. Porém, isto não significa que este seja o seu caminho. A mesma coisa acontece com heterossexuais, casados, quando se apaixonam; nem sempre pela mulher-em-si, mas pela nova liberdade sexual que encontraram na nova parceira. Então, a compulsão se faz passar por paixão; e até por opção sexual ou necessidade de natureza simbiótica. Compulsão e paixão nascem do mesmo chão psicológico de idealizações e repressões. Poucas paixões não são projeções, ou até mesmo transferências. Portanto, calma. Você vai honrar a sua mãe, não sendo a boneca que ela inventou, mas o homem que você é, e que crescerá muito mais na Graça, e encontrará paz.

7. Quanto ao prosseguimento nesse estado de coisas, não será possível, sob pena de você mutilar sua alma profundamente. A alma só encontra paz na luz. Nas sombras—ou duplicidade, conforme você definiu—só habitam angustias. O passo na direção da luz você já deu: você se manifestou, saiu do armário. E Paulo diz que tudo o que se manifesta já é luz. E não faça um show acerca disto nunca, nem para o bem, nem para o mal.

8. Minha tristeza no meio cristão ainda é essa: faltam amigos! Digo isto porque um amigo verdadeiro ajuda muito numa hora assim. Um homem com alma de pastor, e um pastor com alma de homem. Quem sabe Deus lhe envia alguém com esse espírito.

9. Você já não é criança. Já passou dos 60 anos. Digo-lhe: não saia de casa por carência sexual, pois, do contrário, em no máximo dois anos, você estará arrependido para sempre. O que você sente hoje é “pressão da crosta do inconsciente”, querendo sair como as lavas de um vulcão. Mas espere. Fique quietinho. Não se mexa. Vai passar. Vazará de outra forma, se você se aquietar. Porém, se por uma obediência à pulsão reprimida você se entregar, e sair de casa...logo seu coração irá concluir que tudo o que você precisava estava aí, em sua família. Afinal, por mais que você queira, em poucos anos, você estará brocha também para homens. Então, não jogue fora a amizade e o amor de Hoje pela frustração de amanhã. Hoje você quer sexo. Amanhã você só desejará amizade. E, amizade por amizade, a que você tem com a sua esposa e seus quatro filhos, lhe bastará até o fim de seus dias.

10. Última coisa. Você ainda pode mudar de nome. Deus mudou o nome de muita gente. Jesus também. E Paulo, por conta própria, fez a mesma coisa, a fim de caracterizar uma “nova vida”. Mude de nome. E dê a você o nome de homem que você ache que bem lhe represente como ser humano.

Espero que me telefone.

Receba meu carinho e minhas orações pela pacificação de sua alma.

 

Nele, que sabe quem somos, e nos chama por um novo nome,

Caio