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Cartas

FUI PEDIR UM CONSELHO E ACABEI TENDO UM CASO ERÓTICO-VIRTUAL

FUI PEDIR UM CONSELHO E ACABEI TENDO UM CASO ERÓTICO-VIRTUAL



 


----- Original Message -----
From: FUI PEDIR UM CONSELHO E ACABEI TENDO UM CASO ERÓTICO-VIRTUAL
To: contato@caiofabio.com
Sent: Monday, June 05, 2006 8:25 PM
Subject: Desesperada, Ele vai embora!

 

Pastor Caio, a paz do Senhor!

 

Estou completamente desesperada. Fiz uma coisa terrível. Pequei contra os céus, e contra todos. Sei que sou a pior das mulheres, que não mereço o perdão, mas preciso de ajuda. Por favor, diga-me o que fazer. Só tenho pensamentos errados. Penso até em... sei lá... morrer; mas quero viver muito.

Pastor, meu marido quer ir embora de casa porque fiz algo terrível contra ele. Mas eu não sou essa mulher horrível por dentro. Sou uma mulher apaixonada, romântica, e agora infeliz. Sempre fui muito alegre, e sempre passei aos outros essa alegria. Minha mãe costuma dizer que sou uma palhacinha, porque adoro fazer as pessoas que me cercam, felizes; com minhas brincadeiras, com meu sorriso... No meu casamento não é diferente: sempre quis fazer meu marido feliz; e acho que consegui, apesar dele ser o oposto de mim! Não concordamos em relação ao modo de sentir e ver as coisas... Sempre fui muito coração, coloco coração em  tudo o que faço; e ele é a razão em pessoa: sempre muito fechado; até mesmo comigo; nunca quis conversar sobre nosso relacionamento, se estava faltando alguma coisa ou não; nunca queria sair comigo, só se estivesse com muito dinheiro no bolso — mas na realidade eu só queria sair, mesmo que fosse pra darmos uma volta de ônibus... Queria que ele me levasse pra ver o mar, ir à praça, não precisávamos comer nada, apenas sairmos pra passear; mas ele nunca quis!

Em casa sempre muito concentrado. Quando eu fazia alguma brincadeira ele embarcava...; se não, ficava no comutador trabalhando até altas horas da madrugada, e eu esperando ele pra dormirmos... Sei que isso não é justificativa pro meu erro, mas nós nos perdemos dentro da nossa própria casa.

Pastor eu adoro carinhos, amo ouvi-lo dizer que me ama... Mas para mim carinhos não têm que ser só na cama.

Ele sempre me deixou ir aonde eu quisesse... Nunca se importou comigo... Se estava demorando, me dava carta branca. Cheguei a pensar que ele não me amasse, pois ele nunca teve ciúmes de mim. Isso me incomodava, pois eu queria que ele estivesse ali junto de mim... Na igreja, quando alguém viesse fazer alguma gracinha, eu queria que ele estivesse ali pra se impor, dizer que eu era sua esposa, ou pelo menos me abraçar, pra que a outra pessoa se tocasse, mas ele nunca se importou... Ele dizia que era pela confiança que tinha em mim, mas eu queria tanto que ele fizesse essas coisinhas simples, que nos deixam felizes.

Pastor, tenho 30 anos e ele 34. Há 8 anos estamos casados. Sempre tivemos uma boa relação, sem muitas brigas. Mas quando discutíamos, sempre por bobagens... ciúme meu... (sou muito ciumenta), ele ficava dias sem falar comigo, pois ele é muito orgulhoso, e cabeça dura... Aí eu sempre tinha que dar o braço a torcer, sempre me humilhava e chorava, só que não adiantava muito, pois ele dizia que quanto mais eu chorava mais ódio ele tinha... Aí eu chorava mais..., porque sou uma manteiga derretida... por tudo eu choro...

Essas palavras me cortavam a alma, e ainda mais porque todas as vezes ele dizia que ia embora..., aí é que eu me desesperava mesmo... Um dia cheguei a me ajoelhar nos pés dele pedindo pra
ele não ir... Isso aconteceu umas três vezes... Na quarta vez eu disse que ele poderia ir... Claro que chorando muito eu disse isso, pois eu não agüentava mais aquela situação... Só que graças a Deus ele não foi, e ainda foi atrás de mim no meu trabalho... Ah, Pastor! Achei aquilo lindo. Me joguei nos braços dele e fomos pra casa e fizemos amor como nunca; e ficamos bem; só que sempre aconteciam essas coisas.

Pastor, meu marido é um grande homem. Sempre quis me dar o melhor. Ele é incrível. Só tem esse detalhe.

Só que de tanto eu sofrer por isso, resolvi conversar sobre algumas coisas com um obreiro diácono da minha igreja. Foi aí que errei... Ele me deu bons conselhos, mas também disse aquilo que toda mulher quer ouvir: palavras lindas, doces ao ouvido...; e eu, pastor, retribuí... Tivemos um relacionamento via telefone, por meses, acho que uns seis...; e nesses seis meses falamos de tudo: de sexo, de igreja, de pessoas... — o assunto não girava somente em torno de sexo, falávamos sobre igreja e diversos assuntos... até sobre dúvidas que eu tinha sobre algum assunto da Bíblia... Só no último mês ele criou um hotmail pra ele, e conversamos três vezes no MSN, no meu trabalho. Só que meu marido também trabalha lá..., e o “histórico” ficou salvo numa pasta que eu não sabia... E essas conversas que eram muito “calientes”, meu marido leu; e não quer mais ficar comigo...

O obreiro é muito amigo dele. Ele disse que foi traído duplamente. Ele não acredita que ficou apenas em conversa. Ele diz que eu fui pra cama com o diácono. Mas eu não fui. Só foram conversas. Disse que vai embora. Já falou com meu pais. Só que não posso viver sem ele... não sei fazer isso!

Já pedi perdão, já implorei pra ele ficar... E quanto mais eu choro, mais ele se aborrece...! Só que eu não consigo!

Pastor, estou desesperada, me ajude, por favor! Sei que errei, mas eu preciso que ele acredite em mim... Não posso perdê-lo! Se ele for embora, ele não volta mais, eu sei. Ele vai se envolver com outra e não vai voltar.

Ele já marcou duas vezes pra ir embora... Só que não deu certo. Ele ficou. Só que disse que eu vou ter que respeitar a vontade dele, que é de não usar aliança; que eu não posso me intrometer na vida dele; que ele não me deve satisfação, pois não sente mais nenhum compromisso comigo como marido... Assim, eu se quiser posso tirar minha aliança e não preciso lhe dar explicações de nada... Só que não consigo viver assim... Tudo bem que ele está em casa, mas eu não sei o que ele está fazendo. Ele colocou senha no celular dele, pra eu não mexer... Eu o amo, e sofro com isso. Eu sei que ele está muito ferido e sofrendo também. Sei que machuquei muito aquele coração, mas estou arrependida, e quero salvar  meu casamento. Eu tenho orado, buscado a Deus..., mas ele continua irredutível, duro... Nosso relacionamento sexual ficou mais intenso... Mas o sexo não vai salvar meu casamento. Não temos filhos. Tive uma gravidez gemelar, mas perdi minhas filhas, que seriam idênticas, com oito meses de gestação... Quase morri. Fui para um hospital do coração e fiquei internada na UTI, mas Deus me tirou de lá. Mas eu não entendo. Deus sabe do nosso futuro, por que eu fiz isso? Ele permitiu que eu fizesse, pastor. Por quê?

Aquela garota alegre não existe mais... Eu estou só tristeza... Não consigo mais sorrir, porque sei que sou culpada e estou pagando um preço alto pelo meu pecado... A lei da semeadura... Sou consciente disso.

Pr. Caio, eu só queria salvar meu casamento. Amo meu marido, mas não vejo solução. Não quero desistir, mas as lutas estão sendo muito grandes. Ele não vai esquecer nunca o que eu fiz, mesmo porque ele acredita que foi muito mais.

Me ajude! Diga-me o que fazer! Estou perdida...

Desculpe-me se fui longa demais no meu comentário.

Sua irmã em Cristo

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Resposta:

 

Minha querida amiga: Graça e Paz!

 

De fato um “abismo chama outro abismo” sempre!

Uma mulher apaixonada, porém derramando carências — é como você está —, dificilmente não acabará se fazendo mal.

Sim, porque para alguém que ama o marido, sua passagem de um estado para o outro — de mulher buscando um conselho, para uma mulher em estado de excitação erótica com o diácono, ao telefone — foi muito rápida; e só posso atribuir tamanha e brusca mudança de comportamento, numa mulher que diz amar o marido, a uma imensa carência.

Carência sem consciência de si mesma é uma desgraça, pois põe a pessoa num lugar psicológico de “transferências” e “projeções” psicológicas. No seu caso, você transferiu desejos e projetou sonhos acerca de seu marido, no diácono.

Assim, frustrada e carente, os conselhos do diácono foram ouvidos como se procedessem da boca de seu marido; e você embarcou na brincadeira de masturbar o coração!

É óbvio que ele pode não querer mais. E, além disso, pode até ser que ele “use” isto para deixar um casamento do qual ele já ameaçou sair antes cerca de três vezes.

O que fazer?

Não há nada a fazer! Numa hora assim só vale orar e mostrar o que não se pode esconder quando é genuíno: o verdadeiro arrependimento!

O mais, de fato, não está mais em suas mãos!

Você, por favor, não tente se justificar diante de seu marido. Apenas diga a verdade, sem enfeites. Pois se a verdade não convencer o seu marido, o que mais poderá convencê-lo?

Sexo, de fato, não salva nenhum casamento sozinho. Não salva, mas ajuda muito! Especialmente no que tange a dar segurança a um homem. Sexo e desejo são linguagens que, em geral, os homens entendem melhor do que quaisquer outras!

Ele, provavelmente, depois de tudo isto, jamais conseguirá ver sei “jeito dado e expansivo” como coisa boa. Sim, por que se ele já não gostava de seu modo “dado e feliz” antes, imagine agora?

Desse modo, a melhor coisa a fazer é demonstrar amor genuíno, não se justificar, expressar arrependimento, se mostrar mais contida, e não parar de fazer amor com ele... e até provocar isto... você mesma!

O mais, minha querida, nem eu e nem você sabemos!

Agora é a hora da espera em esperança. Mas não se pode dizer nada além disso!

Entretanto, se ele decidir que vocês ainda podem ter uma chance juntos, ele terá que perdoar você. Do contrário, sem perdão, será um inferno de lembranças e acusações dele, que você não suportará!

Sinto muito, de todo o coração!

O que todos temos que saber é que a mentira tem pernas muito curtas e o diabo pernas longas para fazê-la visível!

Leia o site. Senti que você me escreveu no desespero, mas sem muito conhecimento do que está por trás de tudo isto. Leia o site, especialmente as Cartas, e você vai começar a entender melhor o que está acontecendo com você e com ele também.

Quanto ao mais, vamos esperar que Deus aja no coração dele, e no seu também. E, enquanto isto, faça apenas o que lhe disse acima.

Agora, calma e serenidade. Ele precisa ver um arrependimento maduro e sério em você. A história de “menina alegre” já acabou. Bem-vinda à realidade da vida adulta, na qual cada ação produz uma conseqüência séria. Agora chegou a hora de não mais brincar de nada, nem de palhacinha e nem de garota carente. Tudo tem conseqüências. E, depois, não adianta explicar... Como você mesma sabe agora.

Conte comigo!

Escreva e me fale de como as coisas vierem a evoluir, para o bem ou para o mal. Não importa. Estou aqui!

Ah! Não fique fazendo dramalhão, chorando e chorando, pois pode ser que isto até mesmo o afaste mais ainda de você. Daí tudo ter que ter a devida gravidade. E mais: você tem de dar tempo a ele. Ninguém fica curado de um baque desses assim... do dia pra noite! Portanto, paciência e sobriedade!

 

Nele, em Quem somos permanente flagrante,

 

Caio