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Cartas

FOLHA DE SÃO PAULO DIZ: Evangélicos são pré-reformados!

FOLHA DE SÃO PAULO DIZ: Evangélicos são pré-reformados!



 

 


----- Original Message -----
From: FOLHA DE SÃO PAULO DIZ: Evangélicos são pré-reformados!
To: contato@caiofabio.com
Sent: Thursday, June 29, 2006 12:35 PM
Subject: As pedras estão clamando.


Olá Caio!

Como vai? Espero que esteja bem!

Veja que ironia: matéria publicada na Folha de São Paulo em 29/06/06, por
CONTARDO CALLIGARIS. Ele afirma que a "igreja" evangélica de hoje é  herdeira do catolicismo pré-reforma.

Só não enxerga quem não quer!

Um abração!


Wilson Fernandes Jr.
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Segue o artigo:


Católicos "do jeito deles"


Igrejas evangélicas de hoje são herdeiras do catolicismo de antes da Reforma

Acabam de  ser publicados, pela Marcianum Press, os resultados de uma
pesquisa encomendada pelo Patriarcado de Veneza e realizada pelo Observatório Sócio-religioso do Nordeste (nordeste da Itália).

Os dois volumes, sob o título "Fede e Libertá" (fé e liberdade), oferecem um
retrato da fé e da religiosidade católicas nas regiões do Vêneto. Mas os
resultados, confirmando pesquisas americanas de 2004, tornam-se indicativos
de uma realidade que talvez valha, em geral, para os católicos do mundo
ocidental contemporâneo.

No Vêneto, quase toda a população (perto de 90%) declara ser católica, mas
apenas 18% aderem às práticas e às doutrinas obrigatórias, enquanto os
outros dizem ser católicos "do jeito deles" ou, no mínimo, expressam "reservas".

A maioria dos entrevistados (66,5%) pensa que a missão da igreja seja assistir os pobres e os que sofrem, não legislar em matéria de moral nem ditar dogmas.

Questionados se os padres deveriam definir claramente o que é o bem e o que
é o mal, apenas 10% dos entrevistados respondem afirmativamente.

O curioso é que os entrevistados podem questionar artigos de fé decisivos
(por exemplo, levantar dúvidas sobre a ressurreição de Cristo) ou discordar
radicalmente das indicações da igreja quanto à conduta sexual ou ao aborto,
mas continuam se dizendo e se sentindo católicos.

Alessandro Castegnaro, diretor do Observatório, comenta que, hoje, por serem católicos, os indivíduos não deixam de escolher livremente "o que lhes parece plausível em termos de crença e o que lhes parece certo em matéria de comportamento".

A constatação que se impõe é que, neste começo do século 21, o espírito do
protestantismo ganhou. Não é que as Igrejas Reformadas (Luterana,
Calvinista, Anglicana, etc.) estejam em alta enquanto o catolicismo declinaria, mas, como confirma a pesquisa veneziana, para quase todos, a religião é cada vez mais uma questão íntima, privada. As formas do culto, as crenças e as condutas do fiel são decididas sem a mediação da autoridade "infalível" de papa, padres e pastores: se o que faço é pecado ou não, é uma questão que se resolve numa conversa direta com Deus.

Segundo o estudo clássico do sociólogo Ernst Troeltsch (sobre "o protestantismo e o mundo moderno"), o espírito do protestantismo, que "ganhou", foi um dos grandes agentes da modernidade ocidental: graças a ele (ou também graças a ele), o indivíduo e sua liberdade passaram a ser valores superiores à obediência, à tradição e à própria comunidade.

Segundo um ditado das planícies do centro-oeste americano (área com forte
ascendência luterana), a regra do bom cristão é "God and common sense", "Deus e o bom senso". Claro, o "bom senso", que substitui assim a palavra do
padre, do bispo etc., não é um modelo de autonomia; ele se inspira nas convicções morais compartilhadas pela maioria, mas (fato crucial) ele preserva a sensação de uma adesão motivada por nossa própria capacidade de pensar e julgar.

Será que essa transformação "protestante" da religiosidade católica explica o crescente sucesso das igrejas evangélicas?

Afinal, elas são igrejas reformadas, não é?
Penso o contrário. Grande parte dos evangélicos de hoje (bem diferentes dos
protestantes clássicos e dos "novos" católicos) são os adversários do espírito do protestantismo que deu forma ao mundo moderno: eles constituem igrejas que se propõem como mediadoras exclusivas da palavra divina. Além das questões de doutrina, a própria conduta moral não é deixada à decisão do sujeito no seu diálogo com Deus: ela é decidida por "cartilhas" que cobrem cada aspecto da vida, catequeses metódicas, justificadas por citações sagradas (sempre disponíveis: a Bíblia é um repertório variado e imenso).

Assim, por exemplo, mostra-se aos fiéis que "a Bíblia" proíbe o sexo oral, o
uso de cigarros, a bebida alcoólica e a roupa colorida. Ou que, "segundo a
Bíblia", quem não pagar o dízimo irá para o Inferno.

Em suma, os evangélicos, promotores de uma religiosidade normativa, têm
pouco a ver com o espírito do protestantismo; ao contrário, eles parecem ser os herdeiros dos católicos de antes da Reforma e da modernidade. Com uma
diferença: freqüentemente, os mediadores que eles impõem aos fiéis são desprovidos das qualidades humanas que eram um "efeito colateral" da vasta cultura dos padres do passado.

(Fim do artigo)
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Resposta:


Meu querido irmão: Graça e Paz!

 

As pedras não têm a obrigação de clamar, mas os que conhecem a Palavra têm e devem.

Desde 1992 que tenho dito isto. Está escrito em meus livros, nas mensagens que estão gravadas em áudio e vídeo, em inúmeras entrevistas na chamada “grande mídia” — de O Globo a todos os jornais e revistas, como Veja e Isto É; da Rede Globo a todas as rádios do Brasil.

E por que digo que já digo isto faz duas décadas?

Seria por que desejo que todos lembrem que eu falei antes?

Não! Deus me livre de ser por mim que digo que disse tais coisas “antes”. Afinal, que prazer teria eu em que todas as coisas que disse que estavam acontecendo e que aconteceriam viessem a se cumprir conforme eu houvera dito?

Na realidade quando você diz em nome do Evangelho o que vê, o faz na esperança de que sua analise se converta em bem, em mudança e transformação; e quando enxerga e fala “antes” acerca do que já está “plantado” como “semente de fenômeno”, e que haverá de se tornar algo equivalente à sua própria natureza — o faz, no falar contra, na esperança também de que os promotores da perversão se convertam.

Assim, fico muito, muito triste que estivesse certo acerca do erro que já estava mais que presente, e que apenas crescia mais e mais.

Macedo é o Grande Anti-Reformista da História Evangélica!

Sim, embora já houvesse “antes dele” muita maluquice medieval entre os evangélicos, foi com Macedo e seu poder de criar um “hibrido” evangélico-católico-espírita-afro-amerindio — que a manifestação do anti-evangelho se mostrou definitivamente no Brasil.

Quando vi o que estava acontecendo já na década de 80, apavorei-me. Estava fora do Brasil por dois anos. Mas acompanhava tudo. E via as loucuras medievais de Macedo sendo reportadas nos jornais do país.

Voltei e fui falar com ele. Não sem antes ouvir de Robson Rodovalho e César Augusto — que o haviam visitado “antes” de mim — que haviam decidido imitar coisas “boas” que ele tinha. Estevam Hernandes e outros — entre eles todos os do “Movimento Apostólico”—, seguiram o mesmo caminho. Estevam disse no meu escritório que estava abrindo uma “franquia”. Disse que o Macedo não podia ficar só, como se fosse verdadeiro. Que faria algo “parecido”, mas “diferente”.

Então vieram os meus embates com a IURD de 91 até 96-97. Eles todos, mais o Malafaia — que à época era “funcionário” do Macedo; um porta-vos do que era interesse do “bispo” —, creia, ouviram de mim o que estava acontecendo e o que aconteceria. Fiz tudo o que estava ao meu alcance para ver se o caminho dessa morte poderia ser ainda evitado.

Mas eles não quiseram. Seguiram o caminho da ganância do poder, do dinheiro, da política e da manipulação. E só digo isto aqui porque diria hoje na face de todos eles juntos; pois digo a verdade; e eles sabem disso; e tenho documentos e testemunhas oculares de tudo o que lhes disse. E eles sabem disso.

Todavia, digo que a “conta histórica” dessa tragédia precisa ser enviada para eles. E assim digo, não porque lhes queira mal, mas na esperança de que vejam o que criaram.

Na verdade, quem me dera que se convertessem ao Evangelho; pois, são “católicos” como até os católicos de hoje têm vergonha de ser!

Eles são os anti-reformadores dos evangélicos; e são eles os “cobradores oficiais de indulgência” de nossos dias.

E digo que a conta deve ir para eles, também porque foi pela influencia deles, que inúmeros pastores “antes bons”, se “cansaram do bem”; e se entregaram ao caminho da perversão. Pois, diferentemente do salmista do salmo 73, seus pés de fato se desviaram; e seguiram pela vereda do perverso que prospera. E nada sentem como culpa a cerca disso. Sim, para eles, o que fazem, não é pecado contra o Evangelho e contra o povo de Deus.  

Assim é que “um deles” me disse descaradamente o seguinte; isto depois de me ouvir dizer que aquilo não estava certo—: “Meu irmão! Não está certo. Mas dá certo. Depois a gente concerta!”

Eu disse a ele que ninguém brinca com o diabo e depois concerta. Pois, com o diabo, todo “con-certa” é um conserto com o mau.

A outra razão pela qual digo tudo o que disse acima, é especialmente calcada na sua frase: “As pedras estão clamando”.

Sim, porque parece que os ouvidos “cristãos” só ouvem quando as pedras começam a cair como palavras em suas cabeças!

Agora, minha oração é que Deus levante as mulas! Por isto me ofereço a Ele todos os dias; e peço que me dê vida para ver algo novo; e que seja um sinal do Evangelho entre nós — pois se mulas podem carregar a Palavra, em Sua Graça eu também posso.

Na realidade, tenho dito em vários lugares aqui no site, que a situação atual é muito pior do que aquela que contextualizava a Reforma.

Sim, porque como disse o articulista, aos padres católicos medievais pelo menos eram mais cultos e sensíveis, enquanto essa moçada é feita cada vez mais de níquel.

Além disso, naquele tempo, havia ainda a idéia de que o melhor a se ter de Deus — ainda que se tivesse que “comprar” —, seria algo relacionado à “perdão de pecados” e “direito à vida eterna”.

Hoje, entretanto, se vende de tudo. A tal ponto que até mesmo a venda da salvação já não tem nenhum atrativo.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Nele, que conhece os que Lhe pertencem,

 

Caio