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Cartas

FIZERAM A CABEÇA DE MINHA FILHA

FIZERAM A CABEÇA DE MINHA FILHA

-----Original Message----- From: Café com Graça [mailto:cafecomgraca@caiofabio.com] Sent: segunda-feira, 7 de junho de 2004 19:28 To: contato@caiofabio.com Subject: FIZERAM A CABEÇA DE MINHA FILHA Mensagem: Olá, Pastor Caio: Gosto muito de ler o material aqui do site. Quanto tenho crescido! Por incrível que pareça, não é fácil encontrar alguém que fale e saiba o que é a Graça. Eu ainda estou tentando entender... Só sei que o Pai não é tão pequeno, muito menos limitado como fazem parecer alguns pregadores. Sempre penso nisso: Deus é maior! E o que mais se parece com esse pensamento que tenho é o que o Evangelho ensina e o senhor nos tem explicado: Graça. Infelizmente, embora venha tentando entender um pouco mais sobre a misericórdia do Senhor, eu não sou tão sábia assim e preciso de ajuda. Não tenho muito a quem recorrer. Sou viúva e tenho duas filhas ainda pequenas: 13 e 9 anos. A família não é evangélica e eu não queria pedir orientação na igreja. O problema não é dos mais graves, mas temo que venha a ser no futuro. Minhas filhinhas já confessaram Jesus como Senhor. São, de fato, duas bênçãos, como se diz. Oram, lêem a Palavra voluntariamente, anunciam a Boa Nova para os amiguinhos e celebram o Senhor com muita alegria e louvores espontâneos. São tão naturais que me comovem. A mais velha tem mais liberdade na presença de Deus. É mais "fogosa", digamos! A mais nova, no entanto, tem me preocupado com um traço que imagino ser de religiosidade. Há cerca de um ano assistimos todas juntas um fita que "desmascarava" o mal por trás da Disney. Agora, tudo o que é Disney ela repudia. Diz ter feito um pacto com o Senhor de não assistir filmes ou desenhos com a marca Disney e chora ou se angustia quando a irmã aluga um DVD ou mesmo ganha algo que tenha o símbolo ou nome Disney. Para não chocá-la a irmã se desfaz de tudo o que ganha. Dia desses, minha filha mais nova chegou ao extremo de jogar fora roupas e brinquedos que tinham a marca. Tentei dizer para ela que nada disso é importante, que eu mesma passei a infância inteira colecionando Patinhas, Donald e Mickey, e isso não impediu que o Senhor me alcançasse e Seu amor me regenerasse, muito menos que eu O ame profundamente. Mas ela é irredutível e eu acabo com receio de estar "atrapalhando" o relacionamento dela com Deus. Somos de uma igreja pouco "agraciada" - o senhor me entende. Eles acham que a santidade é refletida ou é o reflexo daquilo com o que você se relaciona... O que faço? Sei que se for pedir a ajuda dos meus pastores, eu é que vou ser considerada errada por não querer "separar" a minha filha desse tipo de coisa... E eu mesma fico sem saber como agir com ela e também em relação à igreja. O senhor me ajuda? Sabe, gosto muito do senhor, da forma como ajuda as pessoas a verem a simplicidade de Deus. Ficarei aguardando e pedindo que o Pai o abençoe. ___________________________________________________________ Resposta: Querida amiga: Tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus! O des-serviço que alguns irmãos prestam quando trazem para a igreja essas esquisitices, é simplesmente incomensurável. Faz anos e anos que vejo as coisas se repetirem mudando apenas os “motivos” e “temas”. No passado já se fez caça às bruxas, à televisão, ao rádio, ao acarajé, ao molho pardo, e a todas as festas juninas... Depois veio a onda do disco rodado ao contrário, e em cuja ação se julgava poder ouvir...aqui e ali...algumas cacofonias que diziam reproduzir sons que se assemelhavam ao som de “diabo”, “satã”, ou coisas do gênero. Pessoas viajavam o Brasil fazendo demonstração nas igrejas, que assustadas mandavam jogar fora tudo o que não fosse evangélico. Desconfio que foram os donos das gravadoras evangélicas que incentivaram o movimento (rsrsrs). A seguir veio a onda anti Nova Era, e que foi patrocinada justamente por pessoas que sem saber praticavam coisas no mesmo espírito da Nova Era, dentro da “igreja”, conforme inúmeras vezes adverti no final da década de 80 e início dos anos 90. Ora, foram esses mesmos os que também patrocinaram a onda dos “dentes de ouro”—que acabaram sem dar explicação—, e que são os mesmos que hoje bancam a Teologia da Prosperidade, a judaízação da igreja, que marcaram a data da volta de Jesus, que se auto-ungiram apóstolos, e que deixaram a “igreja” neste estado de calamidade que hoje se vê. A questão da Disney veio aí nesse bojo, e também trouxe consigo toda essa aflição anti-gay que existe na “igreja” hoje; visto que não só diziam que o dinheiro da Disney era para ajudar o “satanismo”, mas também a causa gay. Ora, até o Rei Leão diziam que andava de modo requebrado, como uma bichinha. Explique a sua filha que eles chamam isso de “mover” apenas porque eles mesmos movem de uma coisa para a outra sem dar explicação. E pergunte a ela por que eles deixaram de lado as outras coisas que antes denunciavam, se essas mesmas coisas continuam vigentes. Ora, se foram satânicas algum dia, teriam que ser satânicas sempre. Por que deixaram de ser faladas? O que fez com que fossem esquecidas? E se eram más, por que já não fazem parte do repertório de malignidades da “igreja”? E mais: mostre à sua filha que tais pessoas, elas mesmas, já estão “em outra”; sempre inventando novidades, e sempre abandonando-as ao esquecimento quando a “onda de interesse” passa. Em I Timóteo Paulo diz que essas são questões insensatas, e que nada trazem de bom, mas provocam a subversão dos ouvintes. Ontem um de meus filhos me disse que uma das melhores coisas que fiz por eles foi tê-los levado a Cristo, não à religião. Do contrário, me disse ele, “hoje eu não seria cristão, pois desde cedo vi que o cristianismo, como religião, era patético”. Dei graças a Deus, e concordei com ele! De fato, a “igreja” é patética, e suas “causas”, na maior parte das vezes, são propostas à doença da alma. Sugiro a você que abra o Evangelho com ela e explique como Jesus tratou as pessoas, e como Ele nunca teve medo de se contaminar com nada, e nem ensinou aos Seus discípulos nada que parecesse com tais fixações e neuroses, como hoje faz a “igreja”. Jesus entrou em cemitério, conversou com criadores de porcos, e foi declarado Filho de Deus pela boca de Pedro quando estavam a caminho de uma das mais pagãs cidades de Israel: a Cesareia de Filipe, no pé do monte Hernom. Mostre também a ela que as companhias de Jesus não se assemelhavam às boas companhias recomendadas pela “igreja”. Também mostre a ela como os religiosos dos dias de Jesus o chamaram de glutão, bebedor de vinho, amigo de pecadores, samaritano possesso, endemonhinhado, embusteiro, e suicida...etc. Ou seja: mostre a ela que a religião não sabe fazer outra coisa! E mais: ensine a sua filha sobre a proteção total que nós temos no amor e na Graça de Deus, e que quem está em Cristo está guardado. Afinal, Ele mesmo disse: “Pai, não peço que os tires do mundo, mas que os guarde do mal”. E o mal não é o que entra pela boca ou pelos olhos, mas o que sai do coração. Leia para ela I Coríntios 6, onde Paulo diz que se fossemos viver com tais neuroses teríamos que sair do mundo; e não foi para isto que fomos chamados. Ao contrário, nossa vocação é para sermos sal da terra e luz do mundo, e não um grupo de fanáticos buscando enxergar o diabo em tudo na vida. Ensine a ela que amar a Jesus não tem nada a ver com fanatismo, e que o que ensinaram para ela não só é fanatismo, como também adoece a mente. Faça isto com todo o cuidado, pois ela ainda é muito jovem, e pode ficar muito confusa. O que me dá raiva é ver o mal que a “igreja” pode fazer à mente de muitas pessoas—da maioria, eu diria. Leia I Coríntios 8 para ela, e explique que o ídolo nada é no mundo, exceto para aquele que o considera alguma coisa. Do contrario, o ídolo é apenas nada...e só se torna alguma coisa para seres de cabeça fraca e supersticiosos. Quanto ao mais, sugiro a você que se a sua igreja continuar nessa linha de ensino e conduta, talvez seja melhor, com muita sabedoria, ir procurando um lugar mais calmo e sadio. Não entregue a alma de sua filha a nenhum pastor ou igreja. Use sua própria consciência a fim de ensinar a ela o caminho de Deus, o Evangelho da Graça. Leve-a ao cinema e a outros lugares de entretenimento, e bem devagar vá dando aulas práticas a ela. Ora, ela precisa saber que o mundo-sistema jaz no maligno, e não somente a Disney. E também mostre que muitas “igrejas” trabalham contra a pacificação do coração das pessoas, e que isto sim, é grande obra do diabo. A melhor coisa que você pode fazer por ela agora é ir desintoxicando-a disto tudo com calma. E nem por um minuto fique achando que com isto você está interferindo na relação de sua filha com Deus, mas tão somente interferindo no poder desconstrutivo da “igreja” sobre a cabecinha fraca das pessoas. Sei que o Senhor lhe dará sabedoria, pois Ele mesmo é o seu esposo. Nele, em Quem todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém; e em Quem todas as coisas são santificadas com ações de Graças, Caio