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Cartas

EU PRECISO SABER A VONTADE DE DEUS. COMO FAÇO?

EU PRECISO SABER A VONTADE DE DEUS. COMO FAÇO?



Querido Caio: Graça, Paz e muita disposição para ouvir e responder tantas cartas... Caio, estou muito triste hoje, pois fui informado que muitos dos irmãos que congregam na igreja aonde me converti, dizem que estou fora da vontade de Deus. Estava na Jocum por 4 anos e saí para um seminário em busca de aprender mais. O que encontrei lá foi um bando de patifes e exemplos de parasitas; e hoje estou meio zonzo, mas procurando fazer o que Deus tem colocado em meu coração - aprender mais sobre Ele. O que acontece é que agora não sei o que fazer. Será mesmo que estou fora da vontade de Deus? O que é a Vontade de Deus? Será que alguém pode olhar para mim, pelo que eu faço ou deixo de fazer, e dizer com clareza, que estou fora da vontade de Deus? Se puder, me ajude? Muito Obrigado! Com carinho e admiração pela sua sinceridade. Em Jesus, meu ombro amigo, _______________________________________________________________________________ Resposta: Meu amigo querido: Graça e Paciência! A vontade de Deus é que sejamos conforme a imagem de Seu Filho. Ora, isto significa que a vontade de Deus não é um conjunto de códigos, mas sim um espírito, o mesmo espírito que houve também em Cristo Jesus. A vontade de Deus não é mais algo que eu procuro nas páginas de um livro, à esmo ou mesmo estudando; ou que eu ache que aprenderei em alguma escola teológica ou igreja. Eu examino as Escrituras porque elas dão testemunho de Jesus. Porém, sendo Jesus o Verbo Encarnado, a própria Escritura, até onde ela é também verbo inspirado, se explica e se deixa interpretar somente em Jesus, posto que Nele a Palavra se fez revelar. Assim, eu sei a vontade de Deus caso a caso quando vejo o modo como Jesus tratava a tudo, e como Ele respondia a cada coisa, sempre conforme o espírito da Graça e da Verdade, em amor, e que Nele “se beijaram”. Em Jesus eu vejo como as pessoas são tratadas, como os poderes são tratados, e como a vida deve ser vivida. Nos discípulos de Jesus eu aprendo que o processo mediante o qual a vontade de Deus se manifesta progressiva e inapelavelmente é a própria vida. Isto porque Jesus, o Verbo, os ensina no caminho, na verdade e na vida, e isso enquanto eles caminham, opinam, acertam, erram, se equivocam, fraquejam, discernem, se descobrem, lutam uns com os outros, propõe o impensavelmente equivocado, traem, negam, fogem, se re-agrupam, se expõe à vergonha do fracasso, ... se apresentam assim mesmo para a missão, se levantam, crêem, confessam, caminham outra vez, crescem, e são forçados a crescer incessantemente, posto que os desafios mudam sempre, conforme a maturidade; além de que a jornada só termina na eternidade! Além disso, a vontade de Deus tem que ser vivida pela fé. Ora, isso significa que há coisas que sabemos ser a vontade de Deus, pois, coincidem com o espírito do Evangelho. E sabemos também que há a vontade de Deus que não está revelada, e que demanda de nós, muitas vezes, um exercício de fé e coragem, mas sempre buscando fazer isto conforme o espírito do Evangelho de Jesus. Na realidade a vontade de Deus é verdadeiro amor e verdadeira verdade! Deus é amor, e o curso natural da vontade Dele não se desvia dessa fonte essencial. Ninguém pode saber a vontade de Deus por você. Algumas vezes se pode admoestar alguém acerca do que é obvio e que significa uma transgressão ao espírito revelado do Evangelho. No entanto, na maioria das decisões da existência—e para as quais não há critérios claros, posto que não se está em nenhuma transgressão ao espírito do Evangelho em Jesus—, tem-se que decidir buscando a verdade no intimo, e tendo a coragem de agir conforme a consciência em fé, e isto sem garantia de que o resultado será agradável, do nosso ponto de vista, pois, muitas vezes, é no fracasso que também se aprende a vontade de Deus. Com a verdade é a mesma coisa. Ninguém a aprende por leituras ou mera instrução. Tem-se que prová-la. Tem-se que experimentá-la. Tem-se que vive-la; e nada poderá substituir tal realidade. A opinião desses outros a seu respeito é opinião viciada. A “vontade de Deus” para os evangélicos, em geral, é aceitação da vontade da instituição (com suas regras), dos pastores (com seus caprichos), e dos irmãos (com seus preconceitos e recalques). Portanto, o caminho da vontade de Deus não passa por esse “comitê”. Além disso, não podemos esquecer que a Vontade ‘é’ de Deus, e não do homem. Portanto, de acordo com a liberdade e com o espírito do Evangelho, Deus freqüentemente manifesta a Sua Vontade de modo insuportável para nós. Sim, quem conheceu a mente do Senhor? Deus, outrora, falou de muitos modos e de muitas maneiras aos nossos pais, pelos profetas. Mas nessa última era, Ele nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por meio de Quem também criou o próprio Universo. Assim, a revelação de Deus e de Sua vontade é Cristo, e tudo o mais que antes foi dito só mantém sua vigência se existir conforme o espírito do Evangelho. João e Tiago perguntaram a Jesus: “Queres que façamos fogo descer dos céus para consumir os samaritanos?” Eles indagaram de Jesus acerca de Sua vontade: “Queres...?” A resposta de Jesus não foi citando um versículo da Bíblia, mas sim lhes afirmando: “Vós não sabeis de que espírito sois, pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas sim para salva-las”. Desse modo, o foco de Jesus sobre a Sua vontade recai no discernimento do espírito do Evangelho, o qual tem na obra da Graça a sua pedra fundamental. Com isso Ele dizia que a Sua Vontade sempre é discernida como um espírito, um modo de ser; e que a referencia suprema era a promoção da vida, não da morte. Assim, a vontade de Deus é seguir o fluxo do espírito da vida conforme mostrado por Jesus. Ora, isso dá muito trabalho para os preguiçosos, e para os tímidos trata-se de algo apavorante. Os preguiçosos não querem ter olhos para ver, ouvidos para ouvir, e coração para entender. Dá trabalho. Demanda conversão. Já os tímidos não querem riscos, por isto eles querem mandamentos, preceitos, estatutos, regras definidas e implacáveis, pois, assim, eles não precisam ser como os nascidos do espírito, que não sabem de onde vêm e nem para onde vão. Uma das desgraças do “Cristianismo” foi ter tido a presunção de tentar ensinar a vontade de Deus como teologia e doutrina, roubando dos homens o direito e o privilégio de por si mesmos conhecerem a vontade de Deus pela pratica da fé, conforme o espírito do Evangelho, e nas entranhas da vida. Em razão disso nasceu esse batalhão de abestalhados, e que pensam que a vontade de Deus cabe em algum livro, cartilha, manual, código de conduta, ou dado de natureza cultural e moral. Desse modo, os cristãos se tornaram seres que pensam que podem aprender a vontade de Deus em alguma escola que não seja a da submissão à Palavra, em fé, no chão da vida; e esqueceram que muitas vezes se terá que discernir a vontade de Deus na fraqueza de nossa própria natureza, conforme aconteceu com os discípulos que seguiram a Jesus no Evangelho, os quais, nem por um momento foram poupados por Jesus de correr riscos e de viver plenamente a existência. Assim, meu amigo, saiba: você vai discernir a vontade de Deus. Mas só o fará se tiver a coragem de se submeter ao espírito do Evangelho, e, também, se for humilde para aprender a disciplina que vem do Senhor, posto que somente os bastardos vivem sem ela. Desarme esse espírito agressivo em relação aos “parasitas” e outros micro organismos de seminário, pois, à sua semelhança, muitos estão ali ainda na crença de que a vontade de Deus é algo que se pode aprender num curso de teologia. Logo eles aprenderão que a vontade de Deus só é discernida na carne e na vida. Dedique-se à leitura do Evangelho. Leia-o e medite nele. Transporte-se para dentro dele. Seja todos os personagens que nele você encontrar, mesmo os mais sórdidos aos seus sentidos. Sinta-se dentro de cada situação. Não romantize a leitura. Aquele pessoal era igual a você e a mim. Portanto, aprenda vivendo nos ambientes do Evangelho, e pratique o espírito discernido à sua volta. E, assim, a vontade de Deus lhe será inescapável. O mais, meu querido, é conversa e questão de meninos. E disso nós queremos escapar. Nele, que fazia a vontade de Deus ao invés de especular a cerca dela, Caio