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Cartas

EU NÃO CONFIO NA GRAÇA- I-II-II

EU NÃO CONFIO NA GRAÇA- I-II-II



----- Original Message ----- From: EU NÃO CONFIO NA GRAÇA To: contato@caiofabio.com Sent: Monday, May 30, 2005 5:49 PM Subject: Preciso acreditar na graça Pr. Caio Fábio Não tenho muito o que falar pois a minha dúvida cruel já expus: eu não acredito nesta graça tão graça; é muita graça; torna-se quase um "mito"; é como se fosse "o mito da graça". Sou cristã; e por que não consigo acreditar nesta graça? Será que estou perdendo a fé? Por causa dessa incredibilidade estou me sentindo excluída desta graça; mas será que é assim mesmo como falam? Se possível me ajude! M.A. ____________________________________________________________ Resposta: Minha querida amiga e irmã: Graça e Paz, pois o Deus de toda Graça acredita em você! Leia o Evangelho e você verá que os religiosos, os fariseus, os justos, os santos, os moralmente irrepreensíveis, e os com mais tempo de casa (como o irmão mais velho do ‘pródigo’)—também não criam na Graça. A maioria não consegue crer na Graça. Desde Caim que é assim; eis a razão pela qual seu sacrifício não foi aceito; e o de seu irmão Abel foi. Eu disse que o Deus da Graça crê em você apenas porque você existe. Quem existe é objeto de uma espécie de “fé de Deus”; usando apenas uma linguagem humana para dizer o indizível. Se o Deus da Graça não cresse em você, saiba: você não existiria. Afinal, o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo por essa razão simples: Deus cria em Sua própria criação, e fez provisão pelos equívocos das criaturas antes mesmo de criar qualquer coisa. Como você não crê na Graça, no favor imerecido? Quanto você paga pelo seu sangue, pelas suas células, pelas dinâmicas de seu cérebro, pelo ar que respira, pelas batidas de seu coração, pela capacidade de ver, de ouvir, de sentir, de gostar, de desgostar, de crer, de descrer, de amar, e de ter esperança em qualquer coisa? Sim, quanto você paga por todas essa Graça? Você faz o quê, já que não crê na Graça? Você aluga tempo de misericórdia? Você compra saúde? Você paga por segurança espiritual? Quanto custa manter a sanidade? Quanto você acha que custaria a simples energia vital que você usa para dizer “Eu não creio nessa graça”? Sim, me diga quanto custa a sua vida? Você mesma a banca? E como você faz com a chuva, os ventos, as águas, os rios, as brisas, os serenos, as plantas, as sementes, e o sol—todas essas coisas que estão disponíveis para justos e injustos? Quanto lhe ‘custam’ tais graças? Sabe o por quê de você não crer na Graça? É que você também não acredita que você é pecadora em sua própria essência! Os que nas narrativas dos evangelhos achavam que não precisavam de Jesus (não precisavam da Graça), são também os mesmos que não se julgavam nem doentes (precisando de médico), nem carentes de misericórdia (pois se achavam justos). Ora, esses são aqueles que acham que Deus não faz mais do que a obrigação Dele em abençoá-las. Esses julgam que são fiéis; que vivem de tal modo que não resta mais nada a Deus a não ser abençoa-los. Esses também ficaram com tanta raiva da Graça que mataram Aquele que era a sua Encarnação: Jesus—em Quem a Graça e a Verdade se beijaram. Eu preciso de toda Graça, pois sou todo pecador. Tudo o que tenho me foi dado; tudo o que sou me foi transmitido; e tudo o que me guarda me é garantido; mas não por meus méritos. Seu problema de fato não é com a Graça, mas com o amor. Você não sabe receber amor. Na realidade, você não sabe receber nada. Você deve ser do tipo que barganha; vivendo sempre a partir da Lei do Toma-lá-dá-cá. Melhor seria, ao invés de falar de sua incapacidade de crer na Graça de Deus, se você me falasse de como é a sua relação com o amor e com tudo aquilo que na vida demanda confiança. Você é capaz de confiar em algum amor? Você é do tipo que desconfia de tudo o que não tem um preço a pagar? Você é do tipo que quando a esmola é grande fica, em sua cegueira, desconfiada do amor de quem possa ter sido apenas generoso? A um grupo de pessoas que não gostaram dos modos da Graça e do perdão; e menos ainda da generosidade de Deus para com os que nada haviam feito para merece-la; Jesus pergunta: “Por ventura são maus os vossos olhos por que eu sou bom?” Não é possível crer em Jesus e não crer na Graça; nem tampouco dizer que crê em Graça, se diz que não crê em Jesus; posto que na Terra e na História Humana, é em Jesus—mais do que em qualquer outra pessoa, ensino, ou atos-gestos—, que a Graça ganhou concreção; de tal modo que se é Jesus, é Graça e de graça; e se não é, então, o que sobra é Lei; com a salvação e a reconciliação com Deus e com os homens sendo bancados por méritos próprios; o que é de todo impossível; visto que fora da fé na Graça de Deus, ninguém é justificado por suas próprias obras. Portanto, seu problema não é “teológico”, mas apenas de natureza psicológica. Assim, me diga: você crê no amor de pai, de mãe, de amigos? Você crê em relações que não sejam fruto do interesse? Você acredita em amor por amor? Você acredita em Graça por Graça? Me fale de sua vida, e lhe direi qual é o seu problema com a Graça; visto que ele não vem de nenhuma dificuldade espiritual de sua parte, mas sim dos aleijões de sua alma, marcada e traumatizada que ela é com tudo aquilo que seja amor por amor. Você já foi traída por alguém em quem você confiava? Seu pai traía sua mãe; ou vice versa? Alguém abusou de sua alma? Quanto lhe tem custado ser quem você tenta ser? Quão grande é o seu esforço para ser você mesma? Me responda essas questões com honestidade, e logo você verá que seu problema não é com Deus e nem com Sua Graça, mas sim com sua própria incapacidade de crer em todas formas de amor; e, sobretudo, de sua incapacidade de confiar no amor de quem quer que seja. Você é do tipo que compra amor? Fico aguardando, para, então, chegarmos ao cerne da questão; o qual, como já disse, é de natureza psicológica; e apenas tem a ver com inseguranças profundas que habitam o seu ser. Nele, que ama você mesmo que você ainda não consiga confiar Nele, Caio ____________________________________________________________ ----- Original Message ----- From: To: contato@caiofabio.com Sent: Tuesday, May 31, 2005 9:52 PM Subject: Ferida aberta Não sei como começar!!! Alguma coisas concordo com você e em outras não. As palavras que recebi, com o respeito da palavra, foram "um estupro na minha alma". Algumas coisas que se ouve faz com que a gente sinta como se você estivesse sentindo a dor do parto. Foi uma sensação estranha, porém muito proveitosa. Não concordo quando você fala que eu não acredito na minha essência pecadora, quando é exatamente o contrário; é exatamente por conta do pecado que acho essa graça tão graça. Bom, não vou me prender a essas questões agora. Você me fez algumas perguntas e estou disposta a lhe responder, sem mascaras. Estou me "despindo" diante de você. Vamos à primeira pergunta: Considero-me apenas capaz de confiar no amor de Deus (pela misericórdia) e no amor de mãe. Sim, desconfio do que não tem preço; mas isso para mim é tão contraditório, pois quando posso ajudar alguém, ajudo porque ajudo e pronto. Já quando recebo algo de alguém, desconfio. Quanto a amor de pai, o que tive foi extremamente superficial. Não duvido do amor dele por mim, mas não sei se alguém que ama faria o que ele fez... Do amor de mãe eu não tenho dúvida. E tenho amigos que me amam de verdade; caso contrário, não me suportariam... Creio sim em relações sem interesse. Não sou interessada no que as pessoas têm para me oferecer ou proporcionar. Eu simplesmente gosto e pronto. Tenho amigos que têm muito dinheiro; tenho amigos quase sem dinheiro; e isso não interessa. Do que vale o dinheiro sem a cumplicidade de uma verdadeira amizade? Amor por amor?! Unicamente o Deus e o de minha mãe; e o de minha filha, de 4 anos, graça por graça?.... Não sei... MINHA VIDA: Bom, a minha vida é bem longa. Nasci em um lar não-evangélico, mas os meus avós eram evangélicos, e minha mãe, apesar de não ser evangélica, me levava à igreja todos os domingos, para a escola dominical. Tenho uma irmã com uma diferença de 9 anos de mim, e um irmão com diferença de 10 anos. Sou a caçula da casa. Passei toda a minha infância escutando brigas de meus pais. Quando escutava o barulho do carro de meu pai chegando, já corria para atrás da porta do quarto, ficar por ali... até as brigas terminarem. Diariamente ia dormir por volta das 03:00 ou 04:00 hs, para acordar ás 06:30, e ir para escola. A questão da infidelidade em minha casa sempre existiu da parte do meu pai. Vi minha mãe sofrer durante toda uma vida. Meus irmãos, por serem mais velhos, logo saíram de casa. Primeiro para fugir de tudo aquilo, e também porque a diferença era muita. Enfim ... eu fiquei sozinha em casa, agüentando tudo isso. Meu pai, que tinha muito dinheiro, conseguiu colocar uma rede de pizzarias na falência, com dívidas, com mulheres, enfim... Com tudo isso que já lhe é corriqueiro saber. Aos 15 anos de idade comecei a trabalhar para poder sustentar a minha mãe. E adivinha?!! E o meu pai também! Depois que perdeu tudo ele resolveu ficar em casa de perna para cima (até hoje). Trabalhei em tudo: entregando pizza, em stands de vendas, em imobiliárias, em telemarketing, na Varig... enfim: já passei por quase todas as áreas ... Para encurtar a minha trajetória, eu tive um encontro com Deus em um retiro de carnaval de uma igreja batista, em 15/02/93. Foi lindo e posso me lembrar da sensação até hoje... O tempo passou e neste período conheci uma pessoa (que hoje é meu marido); mas, porém, todavia, tem uma outra história dentro da história: eu pequei; caí; e engravidei antes do casamento. Até aí "tudo bem". Agora vem o tema do meu e-mail, pois, no mesmo período que eu descobri a minha gravidez, descobri que ele havia engravidado uma outra pessoa, a qual, na época, trabalhava com ele. Passei os nove meses de minha gravidez sofrendo como nunca. Para se ter uma idéia, durante a gravidez, fui internada 7 vezes (por motivo de enjôo). Desidratava. É lógico que foi tudo psicológico. Fora o período mais doloroso que eu passara até então. Bom, a gravidez da outra pessoa foi tubária e a criança não nasceu. Com tudo isso ele morria de falar que já tinha feito a escolha dele, e que havia me escolhido (olha só que honra!!!). A mulher ligava para mim diariamente até o telefone da Varig ( onde trabalhava na época). Ela conseguiu um telefone especial de um determinado setor e que não era permitida a divulgação. Pense numa coisa chata. Minha vontade era desaparecer da face da terra ... Bom, a minha filha nasceu e fui morar sozinha no 15° andar de um prédio. Parecia que queria me esconder de todos. Me virei, lutei, chorei, chorei muito... Dava de mamar chorando e me chamando de idiota. Quando via aquele rostinho tão indefeso, pensava: “... mas que bela mãe você tem, um verdadeiro fracasso, um fiasco de mãe...” Enquanto isso, o pai dela tentava se aproximar. Passei toda a gravidez sozinha ( por opção): melhor só que mal acompanhada. E assim fique até quando minha filha fez 1 ano e 6 meses. Depois de varias tentativas, casei com o pai dela, com quem estou até hoje. Digo que perdoei, mas como lhe disse anteriormente estou me despindo ... nem eu acredito nesta liberação de perdão... Vivemos bem e faço de tudo para não tocar neste assunto. Minha filha irá fazer 5 anos agora em junho; e junto com ela tem o aniversário desta triste parte da minha vida. Gosto dele de verdade, mas não vou mentir: não confio mais de jeito nenhum, e também não teria paciência de suportar algo parecido... Aparentemente ele é agora um cristão. Não aprontou mais nada. Já falei para ele que se um dia ele desgostar de mim, fale de uma vez, que com certeza não sentirei tanto. Já chorei tanto por isso, que hoje para chorar com qualquer coisa que seja, é difícil. Formei uma barreira ao meu redor. Não sei se isso é bom ou ruim. Sei que doeu muito. Muito mexeu com minha auto-estima; mexeu com meu rosto, com meu corpo, meu tudo... Talvez seja por isso que hoje sou tão fria. Gosto sim!!! Mas prefiro muitas vezes deixar meu amor em oculto. Quando me vi naquela situação, lembrei de minha mãe; e isso me apavorava muito... Hoje meu pai continua desempregado por que quer; e é muito cômodo para ele. Minha mãe trabalha num Supermercado. Eles vivem debaixo do mesmo teto, mas já não existe mais nada entre eles há 10 anos: cada um em seu quarto. Ele continua com a outra mulher, mas não vai embora de casa de jeito nenhum; e minha não pode sair porque não tem condições de pagar aluguel. Respondendo a sua outra pergunta: não acho que o amor possa ser algo comprado! Tenho que sorrir quase 24h por dia, principalmente no meu trabalho; no curso que faço, onde sou a mais popular; no estágio que faço por ser a mais popular; e, por fim, no meu trabalho, onde sou secretária de uma faculdade. Preciso sorrir. Dizem que é melhor sorrir do que chorar. Então exercito isso !!! Acredito em Deus, Caio. Mas diante de tudo isso, espero que entenda porque para mim é tão difícil acreditar em uma coisa assim, tão de graça... Mas entendi bem a sua explanação. Parece que para mim a graça demora tanto para chegar. Tudo que conquistei foi no braço, no suor, e no sangue... Espero que compreenda a minha colocação. Foi muito bom ter conversado com você. Espero do fundo do meu coração que eu não perca este contato tão proveitoso. Me ajudou muito. Só o fato de ter me despido, já mês fez bem. Preciso falar mais... A questão é que estão me chamando á horas e preciso atender... Ainda não te falei de como me vejo no espelho. Quase não vejo uma mulher. É como se ainda (depois de tanto tempo) não tivesse recuperado a minha auto-estima, entende...? Mas isso deixa para outra oportunidade (caso eu ainda tenha este privilégio). Com carinho, ___________________________________________________________ ----- Original Message ----- From: To: contato@caiofabio.com Sent: Wednesday, June 01, 2005 9:30 PM Subject: Sou eu mais uma vez.. Caro Caio, Aqui estou mais uma vez. Mas não se preocupe: aguardarei sua reposta e "conclusão" sobre o meu caso; ou melhor: a minha pessoa. Tive a oportunidade de ver o seu site, li algumas cartas e reflexões; gostei muito das reflexões... a do amor então... excelente. Quanto ao texto, compreendi melhor o você quis dizer sobre a Graça. Imprimi para mim e estou "mastigando aos poucos", para não me restar dúvidas e nenhum tipo de indagação. Esqueci de lhe informar sobre a minha idade: tenho 27 anos. Que Deus o abençoe sempre! Estou aguardando. Ps- Obrigado ____________________________________________________________ Resposta: Querida amiga: Graça e Paz! Conforme eu já havia lhe dito, seu problema com a Graça não é de natureza teológica ou espiritual, porém, psicológica; e fruto dos inúmeros traumas que em você geraram machucaduras, as quais, até hoje, têm inviabilizado sua existência, sobretudo quando impedem você de experimentar o amor de Deus em seu próprio favor e para o seu próprio beneficio. Sua história é a explicação de sua dificuldade com a Graça. E por uma razão simples: depender da Graça demanda confiança total no amor do Pai; em Sua vontade bondosa; na incondicionalidade de Seu amor; na certeza de que Ele nos amou primeiro; e, sobretudo, total certeza de que estamos perdidos por nós mesmos — sem saída ou salvação —; e, por essa razão, só nos resta confiar na Promessa da Graça, recebê-la pela fé, e descansar nela sem titubeios. Ou seja: para se crer na Graça a gente tem que antes crer na irrecuperabilidade de nossa própria condição diante de Deus como seres pecadores e caídos — e isso não é o fruto de baixa auto-estima —; ao mesmo tempo em que, por essa mesma razão, se confia totalmente apenas no amor de Deus; posto que por nós mesmos e por nossas próprias obras de justiça, jamais nos justificaremos diante de Deus. Ora, em Romanos 4: 4-5, Paulo diz que aquele que faz por merecer, o salário deste é uma divida que se tem para com ele. Porém, aquele que não trabalhou e nada fez por merecer, mas comparece pela fé mesmo assim diante de Deus como quem tem o que receber, esse terá na sua fé na bondade de Deus a justiça que o justifica. O exemplo que o apostolo usa é indecente e amoral. Alguém que não tem o que mostrar, não tem obras das quais se gloriar aos seus próprios olhos, que se sabe um falido e inepto, mas que, apesar disso, confia no amor e na Graça Daquele ao qual recorre apenas pela fé. Ora, esta é a fé que justifica o homem: uma fé que não tem em nada que a preceda sua base pessoal de justiça, mas que assim mesmo confia em Deus como se merecesse receber tudo aquilo que espera, embora saiba que nada merece. “Pela Graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; e não vem de nossas próprias boas obras para que nenhum de nós se glorie”. Jesus ensina nos evangelhos que muitos seres humanos não conseguem usufruir a Graça de Deus como beneficio pessoal, porque estão presas e pré-condicionadas por muitas visões pessoais da existência e de Deus — fruto de traumas e acontecimentos pessoais —; o que faz com que muita gente não consiga confiar em Deus em razão de terem desaprendido a confiar em qualquer coisa; seja no amor, na amizade, em autoridade, em pai, em mãe, em família, etc... Nossas visões e traumas pessoais determinam muito mais nossa própria visão de Deus do que a gente imagina. O filho pródigo voltou para casa, aceitou o perdão, acatou a festa que a ele se dava, entrou nela e dançou. Por quê? Porque confiava no amor do pai. Já seu irmão, magoado com ele e com o amor acolhedor do pai, indispunha-se a entrar na festa e acolher ao irmão, enquanto extravasava sua amargura quanto a nunca ter se sentido em liberdade com o pai; e, por essa razão, esperava que o pai fosse tão frio com o irmão que chegava, quanto ele próprio era frio para com seu pai. Assim, sua frieza, inafetividade, legalismo contábil, temores mesquinhos, e falsas importâncias, são atribuídos também ao pai como projeção; e como o pai não é aquilo, o “irmão mais velho” se indigna de todo. Assim, uma visão pessoal e de natureza psicológica, impede uma pessoa de acolher e celebrar a Graça. O homem que recebeu um talento e enterrou, o fez não porque Aquele que lhe dera o talento fosse quem ele pensava ou julgava que ele fosse: um patrão duro, inflexível e injusto. Por isso é que ele enterrou o talento; e é também por isso que a vida dele ficou improdutiva, posto que ele não via o Doador do Talento como de fato Ele era; mas via apenas a projeção que ele tirou de si mesmo — fruto de suas inseguranças —, as quais são atribuídas e projetadas sobre o Doador, o qual fica tão mesquinho aos olhos daquele que recebeu o talento quanto ele próprio se sabe pequeno e mesquinho. Já o administrador infiel da história de Jesus, é um homem que acredita no amor e na Graça; tanto a do patrão quanto também na daqueles que se beneficiariam de sua generosidade de “última hora”. E assim eu poderia passear com você pelos evangelhos mostrando sempre o mesmo padrão: os homens não têm como saber quem é Deus em razão do embotamento de suas percepções, as quais estão marcadas pelos traumas e desconfianças que se adquire nesta vida. Daí, apenas uma revelação divina ter o poder de quebrar essa imagem humana de Deus, e, assim, inocular a imagem de Deus no homem. Então ele descansará; posto que agora sabe que o melhor pai da terra é ainda chamado por Jesus de mau; o que nos deveria fazer ampliar imensamente o significado do amor de Deus; pois se o melhor pai é ainda mau, que não se dizer do Pai que é Todo-Bom? Todas as demais questões de natureza pessoal, conforme a sua narrativa franca, verdadeira e despida, ficam subordinadas à sua mudança interior em relação a Deus. Não adianta trabalhar sua auto-imagem, e nem apenas tentar ajudar você a exorcizar da alma a desconfiança nos homens (você teve razões suficientes para ter ficado assim...). O que é essencial é ver você dar um passo de entrega e fé ao amor de Deus. Sim, na hora em que pela fé você se entregar ao Deus que é amor, então, como que milagrosamente, como fruto dessa confiança, sua alma mudará; e uma estranha segurança possuirá você; de tal modo que as demais coisas serão acrescentadas também à sua alma, e apenas como leve e natural conseqüência do que a Graça de Deus realizará em seu coração; libertando-a dos medos que hoje a impedem de confiar totalmente na Graça de graça. O primeiro passo é esse. Haverá outros, mas todos devem vir como conseqüência dessa decisão de Confiança. E lembre-se: confiança no amor de Deus é como não trabalhar mas comparecer para receber o bom salário da vida e da paz! Ora, para se ter tal confiança é fundamental saber que este é o único caminho, e que não há outro. Você pode se entregar a essa Confiança no que Jesus já fez e consumou em seu favor? Se você crer e confiar, saiba: como por enquanto tudo começará a mudar dentro de você. Sei o que estou dizendo, por isso o digo com tanta certeza! Fico aguardando suas notícias. Enquanto isso, leia o site todo; sim, todo ele; e tudo o que há nele. Receba meu abraço carinhoso! Nele, em Quem se pode confiar, pois, é Fiel, Caio