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Cartas

ESTOU GRÁVIDA E MEU MARIDO NÃO ME QUER MAIS...

ESTOU GRÁVIDA E MEU MARIDO NÃO ME QUER MAIS...

-----Original Message----- From: ESTOU GRÁVIDA E MEU MARIDO NÃO ME QUER MAIS... Sent: quarta-feira, 5 de novembro de 2003 11:22 To: contato@caiofabio.com Subject: AJUDE-ME! Mensagem: Olá pastor Caio Fábio: Meu nome é Cris sou jornalista e sou casada. Estou grávida de 4 meses e meio; ainda não sei se é menino ou menina. Escrevo para uma revista e sempre estou fazendo pesquisas na internet. Recentemente uma amiga me indicou seu site. Estou passando por um problema no meu casamento. Desde o início do ano o meu casamento não tem sido um mar de rosas. As brigas passaram a ser constantes, e nós chegamos a um ponto que por pequenas coisas já estávamos brigando. Daí, por ironia do destino, a nossa “comunicação” ficou falha. Meu marido e eu conversávamos sobre tudo, menos sobre nós dois. Na cama éramos excelentes amantes. Eu sempre fui de falar muito, até demais; quando tenho um problema não tenho dúvidas quanto a procurar ajuda. Minha rotina conjugal passou a ser esta: ao acordar era “bom-dia, como vai”; orávamos (instantaneamente), e cada um ia para o serviço. Ao chegar em casa era “boa noite a janta tá pronta”; e só. Meu marido é autônomo. Então, às vezes, ficava em casa e às vezes não. O que foi acontecendo? Os clientes que telefonavam, em sua maioria eram mulheres; ligavam a qualquer hora do dia ou da noite. Como nossa comunicação estava nula, eu ouvia os bate-papos e ficava com ciúmes. Passei a reclamar da situação. E ele a se fechar cada vez mais. Comecei a ficar desmotivada em relação às tarefas do lar; chegava cansada em casa todos os dias. Antes eu dava uma passada na casa de minha mãe. O meu marido muitas vezes chegava em casa e não tinha janta. As nossas brigas me desmotivaram a fazer qualquer coisa. Cheguei a falar com ele sobre isso, mas ele me respondia bruscamente. Passei a me tornar a chata, comecei a tentar controlar a vida dele; e isso o sufocava dia após dia. Mas ele nunca falava nada. Um dia veio a notícia: “Estou grávida.” Como por impulso liguei para ele, e do outro lado da linha ele falou que este assunto não era para se falar por telefone. Fiquei arrasada. Quando cheguei em casa ele discutiu comigo. Fiquei super triste...um momento tão especial para nós dois e ele resolveu discutir... Nos meus dois primeiros meses de gravidez passei muito mal, vomitava e tinha tonturas. E foi neste momento que o meu marido resolveu explodir. Passou a ficar intolerante comigo. Exigia janta, casa arrumada, roupa lavada, me chamava de dorminhoca (tinha muito sono por sinal). E eu cobrava dele ajuda; e ele só pensava nele. Por isso passamos a discutir todos os dias. Por um lado o meu ciúme, e por outro a intolerância dele. Para piorar ele passou a sair sozinho, ir para os encontros de motoqueiros amigos dele sem a minha companhia (antes eu ia). Dizia que não tinha mais prazer em sair comigo; passei a ser uma péssima companhia. Passou a chegar cada vez mais tarde, todos os dias, e eu não dormia esperando por ele. Ao vê-lo chegar eu chamava a atenção dele. Teve um dia que ele chegou de manhã cedo e disse que o pneu da moto estava furado. Neste ponto não acreditava em mais nada em relação a ele. Nós não tínhamos diálogo, estávamos vivendo como estranhos. Num outro episódio ele chegou de madrugada, era umas 5h30 da manhã; desci as escadas de casa e comecei a socar o braço dele; a minha raiva era tamanha que não me controlei. Ele segurou o meu pescoço e tentou me enforcar. E eu só chorava, chorava. Cheguei para ele e disse que não agüentava mais o tormento. Ele falou comigo: “Agora você está sentindo na pele o que estou sentindo.” Depois peguei as minhas coisas e fui para casa de minha mãe, onde estou até hoje. Já tentei várias vezes voltar. Por este episódio ele me pediu perdão, e eu perdoei. Mas ele não me quer mais. Já até me humilhei, mas ele diz que não quer este tormento para a vida dele. Estou agora com 4 meses e meio de gravidez, e, apesar de tudo, o amo, e sei que ele também me ama; pois isso ele mesmo me disse. Meu marido disse que será melhor assim. Ele disse que só sabe ver os momentos terríveis de nossa relação. Tenho orado, e buscado orientação de Deus; e resolvi buscar a sua. Tenho conversado com alguns amigos dele, e eles têm me dito que ele está feliz pela chegada do filho (a), mas que não quer voltar para mim. Vejo raiva, ira e ódio nos olhos dele. Não é mais o mesmo que conheci. Mas tenho sofrido, pois eu o amo. Sinto a falta dele, da minha casa e das minhas coisas. Quero contornar as coisas, sei que sozinha não consigo, me ajude. ************************** Resposta: Minha querida amiga: Graça, Paz e Consolação sobre a sua vida! Li sua carta com toda atenção. Infelizmente o que senti não é bom. Isto porque se não estiver completamente enganado—tomara que eu esteja!—, tenho a dizer-lhe que seu marido desistiu do casamento! Não adianta insistir. Numa hora dessas a insistência só atrapalha. Primeiro porque se ele desistiu em razão de seus ciúmes ou cobranças, a insistência apenas aumentará a resolução e a presunção de certeza dele. Segundo porque se ele está “usando” as últimas ocorrências como “álibi” pra cair fora—é muito comum—, sua insistência apenas dará a ele a desculpa para sair dessa sem uma reflexão pessoal. Portanto, seja você mesma. Se você fez alguma revisão de atitude e comportamento, mantenha-os por você mesma. Se ele perceber e gostar, bom para vocês. Se não perceber, você não cobrará dele nada. Cada um vê o que é; quando deseja ver! Além disso, você tem um filho no ventre, e elezinho não tem nada a ver com essa pendenga. Pense nele e cuide dele desde já. Abra espaço para que seu marido possa ser pai, independentemente de qualquer coisa. Mas se você vir que a situação se configura como definitiva, então, em paz e com calma, busque se guarnecer na justiça fazendo um divórcio amigável, e que dê garantias ao seu filho. Casamento de papel passado é, sobretudo, uma garantia para os filhos—se bem que a lei hoje já acolhe as uniões tácitas. Sobre os ciúmes quero dizer umas poucas palavras. Nada é mais corrosivo para um relacionamento que os ciúmes. Se for ciúme do passado, é pura idiotice. Não resolve nada pra trás e acaba com tudo já e para frente. Se for ciúme do hoje, deflagra exatamente o processo que deflagrou em seu casamento. Exatamente o que aconteceu é o que acontece. Isto especialmente se uma das partes não for muito resistente. E pior: o ciúme tem o poder de fazer funcionar um mecanismo inconsciente auto-destrutivo: o cara acaba fazendo aquilo do que é acusado. Se nunca fez, fará. Se já fez, fará mais ainda! Ou seja: o ciúme tira o pior de nós e projeta no outro; e a resposta do outro é equivalente ao pior de nós. O ciúme fala de como o ciumento vê a vida! O interessante é que nessa hora a “cama” pode ser maravilhosa, mas a parte oprimida fará qualquer coisa para cair fora. Às vezes a pessoa até realiza o que está sendo “sugerido” que ele faz a fim de ter um motivo último para sair do barco. A “cama” segura muitos casamentos. Uma boa cama, acompanhada de amizade e respeito, faz surgir uma relação com todas as chances de dar certo. Até porque uma “boa cama” supre multidões de conversações. O problema é quando para não se prejudicar a “cama” deixa-se de falar um com o outro aquilo que faz mal à cama, mas pode salvar o casamento. Tem que haver equilíbrio em tudo. Mas pelo jeito—você mesma disse—, você fala de-mais! Homem gosta de papo, mas detesta tititi. E se o tititi for rixoso e cheio de ciúmes, minha querida, o sujeito põe um balde na cabeça a fim de agüentar a goteira, mas pode chegar a hora em que ele prefira encarar a chuva que viver sob a goteira. Portanto, seja qual for o desfecho, aprenda essa coisas para o seu próprio bem. Receba meu carinho. Nele, Caio