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Cartas

ESTOU APAIXONADA, MAS AMO O MEU MARIDO. O QUE FAÇO?

ESTOU APAIXONADA, MAS AMO O MEU MARIDO. O QUE FAÇO?



From: ESTOU APAIXONADA, MAS AMO O MEU MARIDO. O QUE FAÇO? To: cafecomgraca@caiofabio.com Sent: Wednesday, February 18, 2004 8:44 AM Subject: Contato do Site : Oração Mensagem: Pastor, estou muito aflita. Não sei o que fazer. Sou casada há cinco anos, temos uma filhinha de três anos. Traí meu marido, e me apaixonei por essa pessoa, que agora me pediu em casamento. Ainda tenho um amor carinhoso por meu marido; me sinto segura com ele; mas já não há mais paixão. Ele é pai de minha filha, então acho que devo sufocar o meu sentimento; pois já que foi baseado em adultério, nunca será abençoado por Deus. O que você acha que seria melhor para minha filha? Acha que estou apenas tentando fugir da realidade de meu casamento, ao invés de tentar mudá-lo? E o que fazer com essa culpa que sinto? ____________________________________________ Resposta: Minha querida amiga: Paz e Bem! Perdão pela demora na resposta. Espero que esta ainda a alcance em tempo de lhe ser útil. Sinceramente, acho que você encontrou uma paixão, nada além disso. Você disse que sente um amor carinhoso por seu marido; e que se sente segura com ele; mas que já não há mais paixão. Ora, a paixão é fugaz. Ela é apenas feitiço temporário, a menos que seja filha do amor. Penso que se você jogar tudo pro alto por causa dessa paixão, você vai se arrepender pro resto da vida. E mais: Deus não tem que fazer nada. Sua própria alma fará! Logo você perceberá que terá apenas mudado os seus problemas de endereço. A paixão de hoje dará lugar à rotina de amanhã; e, provavelmente, você descubra que o bom amante de hoje, no cotidiano, não é para comparar com o seu marido, o pai de sua filha. Se todas as vezes que o casamento esfriasse alguém fosse e se enfeitiçasse por um (a) amante, tais providências teriam que ser tomadas de vez em quando; visto que é normal que o casamento passe por altos e baixos. Digo tudo isto com muito carinho, pois sei que quando a pessoa está sob o encantamento da paixão, o mundo inteiro fica errado; e só aquele espaço virtual, da subjetividade da alma, é que parece ser o certo e bom. Se você tivesse me falado de um casamento desgraçado, miserável, sem amor, e cheio de violência e desrespeito, eu não hesitaria em sugerir que você tomasse providências. Mas, ainda assim, diria o que digo a todos: Nunca se separe por causa de “alguém”. Mesmo que haja “alguém”. Mas o faça por conta própria, sem apostar que esse “alguém” é a salvação; e, muito menos, a causa inevitável da separação. Em geral, quando o casamento chega no nível do desrespeito, qualquer pessoa pode entrar; pois, nesse caso, qualquer alívio já traz lembranças do Paraíso, ou da possibilidade de que ele exista na Terra. Não é o seu caso. De fato, o que “rolou” deve ter sido uma imensa atração; e que deve ter sido estimulada pelo seu “amigo”; e que encontrou você sem o pé de apoio. Se você amasse esse “amigo” de verdade, a paixão já não estaria sendo caracterizada como tal. Respondo, portanto, sem nenhuma forma de preocupação moral com sua decisão. Minha opinião se baseia exclusivamente no bom senso. Dessa forma, sugiro que você peça um tempo ao seu “amigo”, e que fique calma. É hora de separar prazeres do corpo de alegrias da alma; e, sobretudo, é hora de separar êxtases físicos de felicidade contínua. Pode ser que tudo isto tenha acontecido para que você e seu marido também dêem mais valor às alegrias e prazeres da alma e do corpo. O fato de você estar com uma criança tão pequena ainda, também enseja a conclusão de que vocês—você e o marido— deveriam também estar vivendo aquela época difícil da chegada de um outro ser ao núcleo familiar e conjugal; o que sempre demanda ajustes e novos pontos de equilíbrio. Eu tenho quase certeza que nas circunstâncias atuais, não apenas o seu presente “amigo”, mas qualquer outro que fosse “novidade”, e que fosse legal, carinhoso e delicado, haveria de suscitar em você a mesma coisa. Portanto, não é nenhuma virtude dele, mas pura carência e predisposição sua. Não conte nada ao seu marido. Nem mesmo se, por acaso, a despeito de meus conselhos, você decidir se separar. Não chame essa história de traição para o meio da relação de vocês, pois isto traria muitas mágoas, e dificultaria as relações de bom convívio de vocês, o que prejudicaria muito a sua filha. Sinceramente, é o que tenho a lhe dizer; e isto, com meu melhor coração. Nele, que quer nos levar por um bom caminho, Caio 23/03/2004