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Cartas

ESCOLHAS DE UMA MÃE E ESPOSA

ESCOLHAS DE UMA MÃE E ESPOSA

----- Original Message ----- From: CONFLITOS FEMININOS: MÃE, ESPOSA, PROFISSÃO... To: contato@caiofabio.com Sent: Tuesday, February 14, 2006 2:34 PM Subject: ... e o temor de que meu marido possa me deixar por um homem... Caio, Conheci seu site através da indicação de meu pastor de uma séria Igreja Histórica. Fiquei surpresa, apesar de conhecer sua história e admirar seu ministério e caminhada, com a coerência de seus textos e suas respostas a tantas perguntas loucas que surgem do meio do povo de Deus. Achei que fosse a única doente por aqui. Sofri de depressão, mas estou caminhando em progressiva melhora. Além disso tenho dificuldades para administrar a imensa culpa que sinto por deixar meu filho ser criado por babá, porque desejo imensamente uma carreira profissional, e não suporto a idéia de ser exclusivamente mãe. Mesmo sendo imensamente apaixonada pelo meu filho. Meu marido me dá muito apoio em todos os meus intentos, e me ajuda em tudo que pode, inclusive com o bebê. Sonhamos com o dia em que teremos uma vida mais confortável; afinal somos formados e batalhadores; mas continuamos de aluguel, apesar de sermos jovens. Às vezes perco um pouco a esperança. Tenho uma relação sem hipocrisia com Deus, pelo menos naquilo em que tenho consciência. Entretanto minha visão Dele para comigo é muito fatalista... Sofro com isso. Queria viver uma relação simples, sem regras, mas que eu encontrasse paz... no meu modo de proceder... em todas as coisas. Tem mais uma coisa que me incomoda muito e ninguém, absolutamente ninguém, sabe: a família de meu esposo é e sempre foi muito ausente da vida dele, e durante o período em que ele foi novo convertido, manteve, com um membro da igreja, uma relação homossexual... O nosso pastor soube e aconselhou , cuidou dele principalmente... Acho que compreendia sua queda... e quando estávamos para casar, o pastor aconselhou ele a me contar sua história, mas ele só fez isso depois que estávamos casados. Confesso: tenho medo dele ser gay, de um dia me deixar por outro. Quando ele não me procura sexualmente, logo penso nisso... E é terrível pra mim, conviver com esse medo. Ele não sabe, mas isso prejudica a imagem que tenho dele. Olha não precisa responder... escrevi por que tive vontade de desabafar... Mas se puder falar comigo, ficaria feliz. Abraços fraternos, _________________________________ Resposta: Minha querida amiga: Graça e Paz! Sua depressão veio antes ou depois de você ter o seu filho, e, também, antes ou depois de você ter ficado sabendo que seu marido tinha tido uma experiência homossexual na juventude? Isto porque, apesar de que falarei das coisas que você mencionou, seria importante para você verificar a possível relação de sua depressão com essas duas coisas: a culpa materna e o medo feminino de ser trocada por um homem. Ora, ambas as coisas são poderosas, e, por si mesmas, já teriam o poder de mergulhar muita gente boa em estado de depressão. Portanto, pesquise sua depressão, associando-a, também, a acontecimentos e situações traumáticas que possam ter ocorrido no mesmo período. E saiba: todo discernimento já é “meia-cura”. Se sua depressão é anterior a tudo isto, então, tais coisas apenas a agravaram. Mas se você nunca tinha sido depressiva antes, então, inevitavelmente, o que houve, nessas duas áreas, têm tudo a ver com a depressão de agora. Também pergunto: Você ficou sabendo acerca da experiência homossexual de seu marido antes, durante ou depois da gravidez estar instalada como tal em sua consciência? Sim, porque existe também a possibilidade de que a sua “evasão materna”, tanto quanto sua ansiedade por realização profissional —, tenham relação com tal fato; ou, pelo menos, tenham sido exacerbados por eles; ou seja: pela soma deles. Perguntas: Porventura você já imaginou a possibilidade de que sinta essa paixão por seu filho, porém sem vontade de presença materna, também em razão de que você transfere sua decepção pelo marido, para a criança? Ou será que esse lado “paterno-materno” dele, que você elogia, inconscientemente gere essas duas reações: afastamento do filho (afinal, ele teria um pai-mãe); e afastamento de seu marido, pela desconfiança de que quem é tão bom pai-mãe, deve ter algum tipo de inclinação homossexual? Pense em tudo isto e muito mais. Pois, de fato, somente a verdade nos liberta! Entretanto, existe também a possibilidade de que você seja uma mãe que ama o filho, mas que não ame a lida da maternidade. O que, saiba, é algo muito mais freqüente do que se imagina. Ora, é obvio que em tal situação, com ou sem vontade, a mãe deve buscar um mínimo de equilíbrio entre as coisas, para seu próprio bem psicológico e espiritual; bem como para o bem da criança, para quem, amor e cuidado de mãe, por melhor e mais dedicado que seja o pai, é insubstituível. Quanto aos seus temores acerca de uma homossexualidade latente existir em seu marido, sugiro a verdade como tratamento. Ou seja: Procure-o e diga quais são seus medos, e, além disso, peça a ele para dar toda a segurança a você, como mulher, todas as vezes que ele não a procurar sexualmente. Isto, todavia, é válido apenas como conselho para um casal que transa com normalidade de freqüência, e, sem razão, dá uns intervalos, ou até mesmo demonstra certo desinteresse repentino pelo ato sexual. Entretanto, caso ele seja freqüente, e apenas dê pequenos e justificáveis intervalos, o melhor a fazer é, primeiro, dizer a ele acerca de seu “grilo”, e, se em segundo lugar, tirar essa “nóia” da cabeça. Agora..., se ele não procura você nuca, ou se apenas se deixa “achar” quando você vai atrás dele, então, o melhor a fazer é pensar que ele pode ser um homem que avaliou os custos de uma vida gay, e que, como no caso dele, tal pulsão não era de vida e morte, então, sendo ele um homem calmo e bom, e desejoso de ter uma família, a fim de dar e receber amor, fez uma opção pelo casamento, embora sua virilidade não alcance o nível de suas expectativas como mulher. Nesse caso, o meu conselho também é lidar com a verdade, seja ela qual for; e, portanto, também implica em conversa franca, meiga e aberta com ele. Entretanto, se ele negar que assim seja, então diga a ele que ninguém casa apenas para procriar e criar filhos juntos, mas, sobretudo, para experimentar a alegria do prazer sério, que é aquele que sofre junto, mas que também goza junto. Sobre um homem ser “pai-mãe”, fique tranqüila, no caso dele apenas ser bom pai. E digo isto de cadeira, pois conheço poucos pais mais maternais do que eu; embora minha virilidade paterna sempre tenha prevalecido na cabeça deles todos. Mas é que creio que amo ser pai assim como uma mãe ama ser mãe. E, na minha opinião, esse deveria ser o normal, e não a exceção. Não sei onde você mora, mas se não for em Brasília, onde me seria fácil ajuda-la, sugiro que você procure um bom profissional da alma, um psico-terapeuta, que possa ajuda-la a juntar as pontas desses fiapos de alma que estão de fora em você. Quanto a crescer em sua vida com Deus, além da leitura da Palavra, sugiro a você que entre aqui neste site, e leia tudo que aqui há, em todos os links. E, como tem sido o testemunho de milhares, digo-lhe: você não sairá do outro lado sem essa consciência espiritual que você confessa buscar, a qual, nada mais é, do que o Caminho do Evangelho, no qual cada discípulo é ovelha de Jesus apenas, mas não sofre de “mentalidade de rebanho”, sendo pastoreada pelo medo, pela culpa e pela falta de percepção profunda da Graça. Quando disse “pastoreada”, não quis me referir ao seu pastor-local, o qual, por tudo o que você narrou, parece ser gente boa de Deus. Falo apenas do fato simples de que a maioria das pessoas, por mais sinceras que sejam, não consegue provar o bem do Evangelho para elas próprias, posto que seu Deus é uma fabricação de homens, sendo, portanto, apenas uma “anatomia de doutrinas”, mas nunca Deus mesmo. Leia o site e você entenderá claramente a diferença! Um beijo carinho e minhas orações! Nele, em Quem o amor sempre encontra o melhor caminho, Caio