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Cartas

ENGRAVIDEI UMA IRMÃ NA FÉ!

ENGRAVIDEI UMA IRMÃ NA FÉ!

 

 

 

 

 

 

 

----- Original Message -----

From: ENGRAVIDEI UMA IRMÃ NA FÉ!

To: contato@caiofabio.com

Sent: Friday, September 05, 2008 7:05 PM

Subject: Gravidez indesejada = Punhalada nas costas de um grande amigo!

 


Querido Caio,


Graça e paz.

 

Ano passado te escrevi uma carta relatando problemas emocionais e familiares.  Você não me respondeu, mas isto é compreensível diante de suas tarefas, responsabilidades e atendimentos a outros irmãos mais necessitados de aconselhamento. Contudo continuo lendo o site e seguindo as orientações em relação à leitura da  Bíblia, e posso dizer que tenho sido iluminado com as palavras orientadoras que por você são expressas em formas de textos (site ou livros) e também pelas pregações que ouço na rádio do site e algumas que consegui baixar pela NET.

      O motivo que me leva a te escrever novamente é que estou passando por momentos atribulados em minha vida devido a uma GRAVIDEZ INDESEJADA. Tentando esquecer um amor que jamais foi correspondido, procurei relacionamento com uma garota de 17 anos de idade. Namorei com ela um mês, mas acabei terminando o relacionamento por não sentir amor por ela. Ela continuou vindo até minha casa, e agora em encontros secretos  acabamos transando várias vezes. Sentia-me mal pelo fato de estar apenas "trocando energias” (termo seu) sem amor e responsabilidade, mas acabei sendo vencido pelo desejo. Queria acabar com aqueles encontros, mas em todas às vezes minha decisão acabava em cama.

     Ela engravidou, justamente num dia em que não usei preservativo, mas contávamos com a probabilidade mínima de gravidez, pois ela estava no 21 dia do ciclo menstrual. A tabelinha nos enganou e agora estamos com uma criança em formação (2 meses de gestação). Alem do fato de ser uma gravidez não-planejada, fruto de uma irresponsabilidade nossa pesam algumas questões:

1- Na família dela aconteceu, no final de 2006, que duas de suas irmãs engravidaram ao mesmo tempo.  Isto foi um abalo para os seus pais, pois muitos irmão  "caíram matando" em cima dele.


2 - Nos casos anteriores, os pais eram pessoas fora de nossa comunidade evangélica, agora quem engravidou a terceira filha foi alguém que tem uma certa representatividade na igreja, pois trabalhei com adolescentes, jovens, auxiliar da Igreja. E sei que isto vai ser motivo de maiores apedrejamentos para eles.


3- Eu freqüento a casa deles, pois desde 10 anos tenho uma profunda amizade por eles e eles por mim. A senhora da casa, dizia para suas filhas que me considerava como o seu filho mais velho. Bem, isso me faz sentir como um "Judas" que com eles colocava as mãos no prato e agora enfia um punhal nas costas deles. Não sei como me explicar a eles de tão envergonhado que estou.

4- Termino minha Faculdade somente no ano que vem, pois tenho pendências com disciplinas e a produção do meu TCC está inviabilizada por questões logísticas da Universidade (minha turma se forma este ano). Estou desempregado, vivendo com minha mãe, pois meu pai me abandonou quando era pequeno. Ela adoeceu e o que ela ganha, mal está dando para nos alimentar. A cidade é pequena, sem empresas e os únicos trabalhos tomam todo o período diário e, como estudo à tarde, possivelmente terei que desistir da faculdade para trabalhar e sustentar meu filho. Minha mãe vai querer a morte.


5-Não sei o que fazer em relação à garota. Não quero casar-me com ela, mas sei que vai ser complicado a família dela aceitar isso de mim.


Conversei com meu pastor e ele disse que tenho quinze dias para conversar com os pais dela, pois, ele vai me disciplinar devido aos escândalos que isto provocará na Igreja.

 

Agora não sei o que falar ao pai da moça, pois como te falei, eles me tinham como um membro da família e sei que era alvo de admiração por parte deles.

 

Caio, ao longo desses anos sempre servi ao Senhor com fidelidade e jamais defraudei ninguém. Caí nessa situação, por fraqueza e irresponsabilidade, mas Deus é minha testemunha do quanto estou arrependido e sofrendo por ser motivo de desastres e escândalo no lar da garota.



Preciso de uma orientação, uma luz para tentar aliviar um pouco as dores da garota e de sua família, pois as minhas são menos importantes nesta hora.



Um abraço....

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Resposta:

 

 

Meu filho: Graça e Paz!

 

 

 

Sinto muito mesmo, mas, como sempre digo, citando Provérbios, não é possível atear fogo às vestes e não queimar os seios.

 

A questão deixou de ser você e ela, e os pais dela, e o pastor, e a igreja, e, como questão, está reduzida agora apenas ao neném que vem aí, e que, independentemente de qualquer coisa, vem para ser amado, ainda que as circunstâncias sejam adversas.

 

O que fazer agora?

 

Primeiro: não adianta chorar o leite derramado, nem o atraso na formatura, nem a dificuldade de emprego na cidade, nem os escândalos da família, nem a chateação de sua mãe, etc.

 

Segundo: vá a casa dela, como homem, e conte tudo. Eles respeitarão você muito mais se você for homem em tudo.

 

Terceiro: não havendo amor, não case; porém, assuma todas as responsabilidades e busque ser responsável conforme aquilo que você ganhe.

 

Quarto: com dinheiro ou sem dinheiro, você tem amor, e, tendo-o, deve dar amor ao seu filho [a] e, além disso, tratar com todo respeito e reverencia a mãe dele.

 

Quanto à disciplina de seu pastor, saiba:

 

Ele afasta você da comunidade pelo escândalo da gravidez fora do casamento. Deixe-o fazer o que desejar. Quanto a você, siga seu caminho com perseverança, como um homem, e, saiba: entre o momento de prazer e o fim de um ato sexual, sempre pode surgir um filho. Assim, é curar a vida para o futuro.

 

Tudo o mais que poderia dizer você já sabe, além de que neste site você tem dezenas de outras cartas do mesmo gênero, nas quais você encontra o que penso. No entanto, agora, nada de olhar para trás, pois, o passado já passou, e o que ficou é um filho, que trás você para o hoje e projeta suas responsabilidades para o amanhã.

 

Seja homem!

 

E mais: nada de auto-vitimização, do tipo: “Papai me abandonou...” O pai da menina diria: “Por que você não pensou nisto antes de derramar sêmen em minha filha?”

 

É claro que sua responsabilidade é uma, e a da menina é outra. Mas, como é com você que falo, digo apenas aquilo que é pertinente a você. E basta.

 

Receba minhas orações e meu desejo pela vitória da sabedoria nas vidas de vocês.

 

 

Nele, em Quem ninguém é indesejado,

 

 

 

Caio

11 de setembro de 2008

Lago Norte

Brasília

DF